De Volta à ” VICHYSSOISE”?

(Joaquim Vassalo Abreu, 27/10/2017)

vichy

Que é uma sopa que se serve fria, assim como a vingança, segundo dizem…E o Dr. Marcelo é já recorrente no seu uso!

Não vou chamar agora à colação todos os textos que acerca dele durante estes últimos anos aqui escrevi, porque são datados, mas há algo que, relendo-os, por eles todos perpassa e que, para mim, resulta num traço ou marca indelével da sua complexa personalidade, que eu não posso subestimar, e que a ele fica colado e resistente a qualquer tentativa de extirpação.

Foi publicado no ESTÁTUA de SAL, que também muitas vezes partilha os meus textos, um excelente texto de um conhecido Blog, ” O Jumento”, que eu integralmente subscrevo, mas que se dirige ao Marcelo político vestido de presidente e das suas contradições. Não querendo, de modo algum, chover no molhado, vou dirigir este meu raciocínio levado a escrito para um outro patamar que, sendo diferente, acaba por se confundir. Mas não se confundam, por favor!

É que, pesem todos os seus esforços em demonstrar o contrário, é minha  convicção de que essa marca, às vezes escondida ou mitigada, insiste em recorrentemente vir ao de cima, pela sua visível nitidez e, mesmo perante a sua indisfarçavel bonomia, ela não deixa que a subestimemos e muito menos desprezemos. Desvalorizar esse pormenor (ou pormaior), dando-lhe o benefício da dúvida, é não cuidar de saber que, como diz o velho aforismo popular ” Cavalo velho não toma andadura e, se toma, pouco dura”.

Falo, é claro, em termos estritamente pessoais, mas a mim, que já o sigo há dezenas de anos, a imagem que do seu percurso ao fim de todos estes anos emerge é a de um personagem brutalmente inteligente que aponta para uma certa bipolaridade, pois demonstra tendências para dizer o sim e o seu contrário, passando num ápice do austero para o traquina, dando uma clara ideia de uma certa volatilidade nas suas ideias e acções. É essa a imagem que eu não consigo que em mim se desvaneça…

Pois, na verdade, não é impunemente que se passa uma vida nisso ( excluindo a sua faceta de Professor e onde, (verdade seja dita, ainda não ouvi algo que se lhe diga) macaqueando cenários, tramando conspirações, elaborando mirabolantes análises ou tecendo constantes baralhações, fez juz ao epíteto que lhe foi aposto no seu partido, o de ”enfant terrible”, por da sua constância duvidarem. E, talvez por isso, dele não restava algo de relevante a nível político, até agora.

Passou brevemente pela chefia do partido mas, era inevitável, foi traído pela traquinice, pela volatilidade e pela inconstância e o episódio da ” VICHYSSOISE” foi-lhe fatal.

A travessia do deserto fê-la como comentador, apreciando e a tudo e todos dando notas, mas sendo sempre dúplice na apreciação dos outros e daí o seu constante pregão: “De manhã esteve bem, à tarde esteve mal…”, que lhe assenta como uma luva! Mas essa mesma duplicidade criou a empatia e a afeição de todos aqueles que, sendo menos exigentes, perante a sua bonomia, não apreciando a dialética confrontacional, dele passaram a gostar. Pois da TV durante muitos anos nunca saiu…

Tal como há uns quatro nos escrevi: “O Dr. Marcelo desfaz-se em muitos e cai no goto do povão! Ele é como o ” Preço Certo”: Não tem ponta por onde se lhe pegue, mas o povão gosta…Que fazer?!”. Isso mesmo.

Mas este tipo de pessoas, as que usam a sua superior inteligência para insondáveis desideratos, acabam por se tornar reticentes por necessáriamente não fiáveis ou confiáveis. E diletantes. E, no seu diletantismo, o Dr. Marcelo acaba por se encaixar bem neste estereótipo! É assim como disse o Poeta: “Pode alguém ser quem não é?”. Pode alguém, a não ser que seja um grande actor, assim de repente, mudar de personalidade como quem muda de camisa, pretendendo ser o que o contrário do que toda uma vida foi? Para mim não!

Não mesmo e este episódio do aproveitamento de uma evidente momentãnea fragilidade do governo para, ultrapassando a ética da convivência dos poderes pois lhe foram dadas a conhecer antecipadamente as proposições governarivas, fazer sobressair, e mesmo regurgitar, aquilo que se lhe manifestava como um nó na garganta: a sua aversão a esta solução governativa!

É também claro para mim que, ao contrário do que por aí se diz e escreve, nomeadamente todos os comentadores de alcova que por aí pululam, não foi a mera exigência de medidas que denunciavam a sua lógica posição a favor da culpabilidade do governo, o que o fez verdadeiramente ” regurgitar”:  foi o aviso! Sim, o aviso que fez depois da derrota da Moção de Censura apresentado pela direita, aviso esse carregado de cinismo e que foi: ” O Governo , agora redorçado ( na sua legitimidade parlamentar, é claro) , tem que ser digno das suas responsabilidades”. O sentido é este embora as palavras possam ter sido diferentes..

Mas que quer isto dizer? Que, a partir de agora,  a responsabilidade de tudo o que vier a suceder vai ser da sua maioria, que não contem mais com ele e que, à mais pequena brecha ou dúvida do seu apoio parlamentar, ele aí estará para o dissolver, tanto mais que os seus vão ter em breve um novo líder. Terá sido por isso que o Huguinho declarou, alto e bom som, que o governo já não tinha o apoio do PR?

O outro não servia, era evidente, mas ele recuperou a esperança de ter um dos seus sob o seu “mando”. Os tempos mudaram e o sucedido, a utilização desses crimes florestais todos, que redundaram numa terrível tragédia, serviu, qual “VICHYSSOISE” , para a administração dos seus profundos e inconfessáveis desejos.

Ele diz pairar por aí como o garante  de tudo: do desempenho do governo que, apesar as suas brilhantes performances, não deixa de ser uma espinha atravessada na sua garganta; também da antecipação da culpa por qualquer calamidade, porque ele antecipadamente visou e pelas políticas de consensos, que ele exige, mesmo que os seus não queiram…

Ele, agora despido da capa da bonomia e do sorriso aberto, isso é só para as pessoas mais carentes ( e não digo que mal), é o dedo apontador, o dedo acusador, o culpabilizador. Ele avisou…o resto não é com ele. Para ele resta apenas o conforto, os beijos e as Selfies. Ele restará o refúgio dos velhos e dos desprotegidos e é só ele quem lhes dará abraços e lhes transmitirá palavras  de paciência e conformismo. Sim, porque ele ” exigiu” do governo medidas imediatas, custem o que custarem, mas cuidando ao mesmo tempo do défice. Para que ninguém o esqueça!

Pode mesmo ” alguém ser quem não é”?

PS: Está um pouco longo, eu sei, mas o personagem é complexo, compreendam…


Fonte aqui

Moura: Um Juiz Sem Tempo!

(Joaquim Vassalo Abreu, in 25/10/2017)

Justica de Deus-3

Falar do tempo tem que se lhe diga pois que falar dele não é apenas conversar sobre a meteorologia ou sobre as suas mudanças. É também, como neste caso, falar dele como o espaço da sequência dos dias, dos anos, das décadas e dos “siglos estelares” de que falava Pablo Neruda no seu Canto General. Mas também da intemporalidade.

Que demonstra este nosso Juiz decididamente ter, pois se mostra um homem de todos os tempos. Dele se poderia dizer, como em relação a muitos outros, que parou no tempo. Não concordo: ele é de todos os tempos e para ele o passado é presente e o presente pertence ao passado. É um intemporal, portanto, e para ele existe apenas um tempo.

Tempo que ele diz não ter, confundindo assim os tempos por se deitar todos os dias às quatro da madrugada, àquela precisa hora em que o passarinho canta, não cuidando de pensar que dali a pouco será tempo do galo cantar e dele se levantar…

À laia de parêntesis eu confesso que também amiúde me deito a essas horas , mas a mim tempo é o que não me falta. O que me falta é tempo para ocupar todo o tempo que tenho! Fechar parêntesis…

De modo que para o nosso inefável Juiz Moura o tempo acaba por ser uma coisa risível pois, para ele, os tempos confundem-se com o tempo e tudo se transforma num enorme emaranhado na sua têmpora. O ontem foi há dois séculos, por exemplo. Ali há dois dias atrás! Para ele o tempo é relativo e, cá para mim, ele até tem razão pois na contagem cósmica do tempo o ontem é todo um passado, não é?

“Maneiras” que temos que relativizar. É que o problema dele, para além de ser um ser perdido nos tempos, é ter mesmo, como disse, um problema com o tempo.

Ele dá a impressão que só viveu no passado, desconhece o futuro ( também eu) e o ter que viver no presente lhe faz um nó cego de tal ordem no seu confuso cérebro que este entra inevitávelmente em curto circuito. Um temporal por ele abaixo só lhe faria bem…

É que, lá no emaranhado do seu cérebro, confunde tudo e só de parte se lembra. Lembra-se, por exemplo, de ter lido na Bíblia sobre a mulher adúltera, essas coisas todas que ele reproduz no tal Acórdão, mas não se lembra quem foi Jesus Cristo e muito menos do episódio em que este instou todos os homens presentes a atirarem a primeira pedra se nunca pecaram…algum apedrejou? Não se lembra!

Lembra-se também do Camões como o poeta da grei e da gesta do nosso povo, mas desconhece a sua poesia e o seu ” Mudam-se os Tempos Mudam-se a Vontades”. Para ele, que pensa como que a todos os tempos pertencesse, os tempos nunca mudaram nem mudam.

Ele confunde a Bíblia com o Corão, Deus com Maomé e Gregos e Romanos nunca existiram. Alá e Cristo também não. Lembra-se de todas as leis que ao longo dos tempos sempre puniram as mulheres ( como a tal de 1886 que ele refere), mas nada sabe sobre as lutas das mulheres de Chicago pelas oito horas de trabalho, nem sabe quem foi a Rosa Parks. E muito menos que as mulheres não tinham direito a voto antes do 25 de Abril. Mas isso, para ele, nunca existiu…

Lembra-se da escravatura e das mulheres escravas, mulheres para todos os serviços e sempre às ordens dos seus donos, mas não se lembra dela ter acabado, nem quem foi o Abraham Lincoln, por exemplo.

Ele, o Juiz Moura, na sua suposta intemporalidade, não consegue ver os tons dos tempos e, por isso, ele é um daltónico. Um daltónico do tempo! Que não conhece a cor do sangue de uma agressão, de um apedrejamento ou de uma lapidação. Coisas normais e intemporais para ele.

E na sua intemporalidade ele terá sido juiz na santa inquisição (com letra pequena e razão tinha o Saramago), incorporou o torquemada ( ainda letra pequena) e andou pelos tribunais plenários nos tempos da pide ( pequena ainda) e nunca leu o Memorial do Convento.

Para ele a mulher não tem direito ao prazer e sexo, é para fazer filhos. Como um dia disse um tal Morgado na AR que, azar, apenas tinha um filho! Natália Correia escreveu então aqueles notáveis versos, que assim acabam: ” …só lá foi uma vez, parca ração e o acto consumado, ficou capado o Morgado!”. Grande Natália! Um cunhado meu também contava que um amigo tinha ido às meninas (raparigas em brasileiro) e, em pleno acto, ouvindo os leves suspiros da sua parceira logo lhe disse: shiu! Aqui quem goza sou eu…

Para ele, tempos assim. mesmo tempos eram os vitorianos, os do Marquês de Sade e de todas as teorias libertinas. Disso ele sabe tudo, sou levado a crer. Mas como não se lembra de Roma nem de Atenas, não sabe, mas gostaria de saber, estou certo, daquela do Nero que um professor universitário de Direito tipo Diácono Remédios que nunca se ria contava: que “Nero era homem de muitas mulheres e mulher de muitos homens”. Então depois lá soltava um leve rizinho, o danado!

Disto ele às tantas gostaria e seria, para si, uma boa imagem da democracia. Mas, na sua intemporalidade, ele é apenas e só um enorme REACCIONÁRIO!

Por isso também ele diria: homens, ide e fornicai-vos uns aos outros, pois mulheres é só para parirem filhos…

E para acabar, digo agora eu: Benditas sejam as Mulheres, todas as Mulheres…AMEN!


Fonte aqui

O RUI e o PEDRO: o RuiPedro!

(Joaquim Vassalo Abreu, 24/10/2017)

PSD_COMBATE

Este texto que agora começo a escrever é a minha primeira incursão nessa nobre arte do comentário político. Pois por ser uma arte tão nobre e superior não está ao alcance de qualquer mortal, apenas de alguns eleitos.

Eleitos, disse eu, e com toda a propriedade, porque eleitos por generoso contrato, que não por qualquer democrática votação. Eleitos assim por nomeação. Assim é que está bem.

De modo que eu, um novato nestas andanças, não querendo de modo algum equiparar-me a esses inatingíveis pensadores seres, ases no conhecimento da estratégia e na adivinhação do futuro, vou fazê-lo de um modo completamente sóbrio, independente e equidistante.

Mas como irei eu manifestar essa minha equidistância? Simples: recorrendo àquela velha frase oriunda da sabedoria popular, e que é o celebérrimo ” tanto se me dá como se me deu”!

De que estou a falar, sinto alguém perguntar? Ora, da batalha do Pedro contra o Rui, ou do Rui contra o Pedro, tanto se me dá, para tomarem para si a designação da organização que pretendem chefiar. Mas, para além dessa tal denominação, para um PPD/PSD e para o outro simplesmente PSD, o que está em causa é muito mais profundo e valioso: é o assalto ao paiol’

Como o paiol? Ora pensem comigo: que é que ambos precisam para esta “batalha” ( aquilo que lá na organização costumam chamar à luta de ideias…)? Espingardas! Espingardas sim e, por isso, a primeira coisa que começaram a fazer foi contá-las, que é aquilo que também usam chamar à cooptação de militantes para o seu lado da barricada! Para os preparar, claro que em maioria, para a tal ” batalha”…

Mas um deles, o Pedro, não confiante na fiabilidade dessa contagem e temeroso quanto à capacidade de antecipação do Rui, reclamou ao seu contentor a realização de vinte e um duelos (21!), que é aquilo que lá chamam aos debates…

Mas o outro, o Rio, não aceitou, com medo de algum jogo sujo do seu contentor, isto é, de em vez de levar espingardas levar basucas pois que, para já, quem tem a chave do paiol é precisamente o Pedro, mas o outro, o desistente.

E neste vou não vou, ambos partiram para o aliciamento dos generais, que são aquilo a que os tais comentadores chamam aos “barões”, essas figuras lendárias e míticas, que fizeram daquelas “batalhas” dos Coliseus e campos de batalha assim, narrativas que, de tão inolvidáveis, passaram a fazer parte do nosso cancioneiro da fabulosa arte circense.

É que por essas ” batalhas” passaram soldados cuja estirpe ficou para sempre na nossa memória, tendo um deles sobressaído pela destreza da sua representação, ao nível de um Popov, no mínimo: o companheiro Marcelo!

Mas houve outros, como aquele que saiu a chorar do campo de batalha, insultando os seus adversários de sulistas e coisas assim, tal como se estivesse na guerra da Secessão e, ainda, um outro que imitando o ” Little Big Man” da batalha de Little Bighorn, mas mais conhecido pelo seu dom de prestigiador, ficou célebre também como o ” regenerador”, por barrar a luta a alguns infiéis e pecadores que, agora, regenerados, voltaram à liça.

Mas há um que, tal “compère”, sempre por elas, ” as batalhas”, passou e até ficou conhecido por ” menino guerreiro”! Mas na verdade ele nunca foi um soldado a sério e se espingardas usava elas eram de plástico! Ele foi, isso sim, um permanente animador das tropas, um eterno “enterteiner” com qualidades várias.

Por isso lá sempre foi e luta alguma ganhou. Foi para lugares sem nunca ter competido. De uns foi destituído e de outros desistiu. Mas vai sempre…e agora?

Qual deles conseguirá arrebatar mais ” espingardas” do tal paiol que, todos sabem, levou um tremendo rombo no consulado do outro Pedro, outro desistente, e até dizem que assaltando mesmo.

O seu contentor, o Rui, em modo desafiante, assim como naquelas apresentações pre-match dos combates de Boxe em que cada um se ergue sobre o outro querendo demonstrar mais pujnça e força, pergunta-lhe: Mas quem és tu? Eu sou e sempre fui o Pedro e não me arrependo de o ser e sempre ter sido…mais ou menos isto!

E tu, quem és tu, pergunta ao Rui o Pedro, com a leve esperança que ele desatento dissesse ” ninguém”? Eu sou o Rui, mas tu nunca serás Pedro porque esse negou Jesus três vezes! Eu nunca reneguei ninguém e fui o único com coisos para fazer a refiliacão, isto é, a remontagem, o inventário, em suma, para extirpar o paiol das espingardas enferrujadas e inoperantes…

Eles são o Pedro mais o Rui, o RuiPedro e vão apresentar ideias. Um as ideias do Pedro, do outro, o desistente, do qual reclama herança, em estilo tipo “stand up”, que ele adora! O outro, o Rui, mesmo não tendo renegado Jesus três vezes, renegou o Pedro, o outro, o tal que abandonou a “batalha”, assegurando ser um sério contabilista, coisa que ele, o Pedro, nunca foi.

Haver duelos parece fora de questão, pelo que ouvi, mas vai ser um verdadeiro “Waterloo” essa batalha do RuiPedro, a do PPD contra o PSD.

E eu vou assistir sentado porque de pé cansa muito…!


Fonte aqui