Os vigaristas dos 3% para a NATO

(Carlos Matos Gomes, in Facebook, 16/12/2024, revisão da Estátua)


Há uns tempos apareceu na comunicação social o anúncio vindo dos estados Unidos que os países da NATO tinham de contribuir com 3% dos orçamentos para as despesas militares. Era o devido. Com 3% os países europeus podiam vencer a Rússia e o mais que viesse.

Ninguém, nem entre especialistas de comentário, de opinião, de invenção, de comentário e de opinião perguntou pelo racional dos 3%. Três por cento porquê? E porque não treze, ou trinta, ou qualquer outro valor? Estamos perante uma – mais uma – mistificação que os dirigentes nos querem meter pela goela como se se fôssemos gansos destinados a produzir fois gras.

Se um mestre-de-obras nos dissesse que precisávamos de gastar 3% do nosso orçamento na remodelação da nossa casa, a primeira pergunta que faríamos seria: e com esse dinheiro faço o quê? Melhoro o quê?

Acresce que não vivemos todos na mesma casa. 3% do orçamento da Alemanha é capaz de dar para comprar uma frota de F35 e um porta-aviões, mais dois submarinos e um satélite.  3% do orçamento português deve  dar para comprar um barco patrulha Mondego e promover uma meia dúzia de generais e almirantes.

Nenhum secretário da NATO, nem nenhum ministro da Defesa explicou a razão dos 3%. E mais. Nenhum secretário da NATO, nem nenhum ministro da defesa de qualquer país da NATO (nos outros é idêntico) é capaz de explicar o custo de um qualquer sistema de armas. Nenhum é capaz de estabelecer o custo de produção de um avião, de um helicóptero, de um navio, de um carro de combate. Nenhum dos políticos que reclamam 3% para compras de armamento é capaz de apresentar a estrutura de custos de um qualquer sistema de armas. Nenhum faz ideia do custo de uma hora de operação de um avião ou de um navio.

Mas é evidente que há um preço que o comprador paga: mas esse preço é fixado pelo vendedor de acordo com os seus interesses em vender e dos benefícios que pode obter: por exemplo, pode obrigar o comprador a adquirir um programa de treino e manutenção – depois vende os sobressalentes ao preço que quer.

A hora de operação de um sistema de armas é calculada por referência a um dado modelo ou equipamento. Do género, a referência base é um C130, que tem um coeficiente 1, um F16 será, p.ex, vezes 2,6. E é assim que os orçamentos se cozinham. Outro modo (americano) é estabelecer um orçamento base incluído no orçamento da Casa Branca depois gasta-se o necessário para operar os meios. Nenhum político saberá, pois, dizer quanto pagou o Estado para Investigação e Desenvolvimento, em direitos de propriedade intelectual, ou em subsídios às universidades.

Em resumo, quando alguém falar em 3% para despesas militares peçam a fatura discriminada, como se faz nos restaurantes. O resto é discurso de vendedores de banha da cobra.

O Desafio da Tecnologia à Deontologia

(Carlos Matos Gomes, in Medium.com, 15/12/2024, revisão Estátua de Sal)


Discutir o papel da inteligência é discutir o tipo de sociedade em que queremos viver. É discutir a democracia. É discutir a responsabilidade individual e coletiva, é discutir os limites dos mandatos que delegamos nos nossos representantes.

Sou militar — ou fui no tempo em que os comandantes se encontravam nos campos de batalha e tinham de conduzir os seus comandados. Conheci grandes comandantes. O que os distinguia? A arte de representar a coragem, a arte de representar a incerteza da decisão com a maior convicção, como se fossem o resultado da resposta de um computador que resolvia a angustia do guarda-redes antes do pênalti? (Peter Handle) Ou a do marcador do pênalti.

Dir-me-ão que uma das vantagens da decisão baseada em inteligência artificial é a ausência das emoções. Aparentemente assim é: o robot humanoide que pilota um F35 sobre Gaza não sente qualquer emoção ao lançar uma bomba. Mas as centenas ou milhares de seres humanos que sofrem os seus efeitos sentem e, mais, os milhões de outros seres humanos espalhados pelo planeta que veem as imagens também sentem, emocionam-se e formam opinião. A robotização do piloto — a inteligência artificial que o conduz desde a descolagem até ao alvo — provoca consequências políticas e sociais. Robotizar um ser humano para o transformar num assassino desresponsabiliza quem? O autor da desumanização do humano? O humano torna-se inimputável a partir do momento em que cumpre o seu programa de inteligência artificial? O capacete de um piloto de um caça, de um carro de combate, de um drone, contem inteligência artificial? Quem ou o que está dentro de um capacete de um piloto de bombardeiro ou de um Carro de Combate, ou até na cabeça de um general de cinco estrelas?

Os capacetes que vemos na cabeça dos soldados não servem para lhes proteger a cabeça, mas para determinar o que ele deve realizar, servem para lhe retirar a consciência da consequência dos seus atos.

O que define a essência da inteligência não é de modo algum o de ela ser natural ou artificial, mas o que Maquiavel designou como a virtú, que era, como se sabia desde Cicero, indissociável da vida pública. Ou seja, o homem que almeja a virtude não pode perder de vista a noção de dever para com os outros.

Mas este dever para com os outros é inerente a todos os seres vivos — das abelhas aos lobos, das formigas aos golfinhos. Quando um gnu fica para trás para servir de presa a um predador e aumentar a possibilidade de sobrevivência do seu grupo essa atitude não poderá ser considerada ética? Por isso a inteligência dos humanos deve ser compatível com a dos outros seres e com o respeito pelo ambiente. A Inteligência artificial integra estes fatores nas suas elaboradas computações?

A deontologia é definida como um forte sentido de serviço comunitário, realizada com um profissional com profundo sentido da responsabilidade. Como se atribui sentido de responsabilidade a um artefacto obra de um ser humano distinto do sentido de responsabilidade dos interesses do seu criador?

O Manual de Deontologia Militar que constava do currículo na Academia Militar — não sei se a disciplina ainda existe nos curricula das Academias Militares portuguesas ou estrangeiras, ou das modern schools of business or technology — apresentava-a como o estudo da finalidade das Forças Armadas e dos princípios que devem reger os seus membros tanto em tempo de guerra como em paz, a identificação da moral, ou do comportamento moral, que deve orientar os militares na sua vida, por forma a que, sem faltarem ao cumprimento dos seus deveres para com os camaradas, (subordinados e superiores), os cumpram também e igualmente para com o inimigo, para com a sua Nação e, acima de tudo, para com a comunidade nacional e internacional, as suas leis universais, caso da Carta dos Direitos Humanos da ONU ou da defesa dos bens considerados património da Humanidade.

A Inteligência Artificial anula a Deontologia do ser que está no cockpit de uma aeronave, na ponte de comando de um navio, na torre de um Carro de Combate? Retira-lhe a qualidade de ser cidadão? De ser julgado? De ser politicamente avaliado? Os tribunais internacionais, marciais, de honra julgam quem age predeterminado, programado, ou quem determinada e programa?

O que distingue os seres humanos não é a capacidade técnica, é a sujeição a leis — a julgamento. O que distingue os seres humanos dos outros seres não é a inteligência, mas a capacidade de entenderem a sociedade, como um todo, a capacidade de escolher e julgar.

Com a admissão de que a inteligência artificial é um acrescento novo na história do mundo — e não da humanidade — Esopo não escreveria as fábulas onde os animais falam e pensam, porque nos programas apenas os humanos são inteligentes. Nem teríamos o Triunfo dos Porcos, de Orwell.

Uma definição de artificial é a de algo produzido pela humanidade. É uma definição arrogante: um ninho de uma ave é uma obra mais natural que uma cabana de um hominídeo? Um formigueiro é uma obra natural? Uma teia de aranha? A minha questão não é a da existência de uma inteligência natural, mas sim da não existência de uma inteligência que não seja artificial. E mais, que a inteligência não é um exclusivo dos humanos. E é o facto de existirem inteligências compatíveis entre espécies que permitem o diálogo entre elas, entre humanos e cães, golfinhos, corvos, serpentes, de cavalos com cães e com aves.

Aquilo a que temos dado o nome de Inteligência Artificial é, na realidade um ensimesmamento. Uma vida de clausura como a da gruta de Platão. Um onanismo. Um ser humano interroga uma máquina e esta responde. Pura mistificação: o homem apenas obtém as respostas que já se encontram dentro do mundo descoberto, e, mais perigoso, descoberto por outro que o quer explorar. Aquilo que Elon Musk, para citar uma personagem conhecida, apresenta como inteligência artificial é a velha técnica do alquimista: vender como ouro o pechisbeque, por novo o que é velho.

A utilização de super computadores, agora os computadores quânticos, com cada vez maiores capacidades de resolução não altera as duas questões fundamentais: estamos perante um produto conhecido e temos de nos concentrar na utilização que é dada a essa renovada velharia. E a renovada velharia é descendente dos velhos astrónomos e adivinhos, de curandeiros e feiticeiros, dos ditadores, dos profetas, dos salvadores, dos pregadores de cruzadas. Os campos de concentração, os mais atrozes instrumentos de tortura foram e são obra da inteligência humana. Importante, pois, é que o sistema político que os gerou seja dominado por aqueles a quem repugnam e náo por aqueles a quem servem. E os campos de concentração e tortura criados com o apoio da Inteligência Artificial não são distintos dos seus antecessores, apenas com o acrescento da perversidade que os faz parecer mais aceitáveis.

Uma experiência pessoal. No início dos anos 90 fui nomeado para uma comissão técnica que iria aconselhar o Exército a adquirir um simulador de tiro e tática para carros de combate. Entre as companhias concorrentes encontrava-se uma israelo-americana e fui a Israel apreciar o desempenho dos aparelhos. Conhecia os CC da geração da II GM e da Coreia — M47 e 48 — os novos CC eram um painel de computadores quer na torre quer no compartimento de condução. Os CC atuavam coordenadamente com helicópteros e isso exigia um controlo que apenas podia ser executado por computadores. E as imagens eram sempre a verde ou a preto e branco, independentemente ser de dia ou de noite e os inimigos eram apenas um ponto luminoso onde o apontador colocava uma cruz e fazia desaparecer. Não havia restos de corpos, nem ruídos, apenas a voz dos auscultadores, nice shot.

Nos anos 90, a voar a cerca de 30 km da marginal de Beirute, o ecrã do painel de instrumentos de um helicóptero israelita lia as matriculas das viaturas com um instrumento designado FLIR e uma arma podia ser apontada através do eixo de visão do apontador.

Os modernos sistemas de há 20 anos já tinham um dispositivo designado IFF — Identificação amigo — inimigo — com um código de reconhecimento e regras estritas de emprego. Vi a filmagem de um incidente causado pela tecnologia, dois helicópteros dos EUA, um do Exército e outro dos Marines a voarem no mesmo campo de batalha, cumprindo missões diferentes interrogam-se através do IFF, são visíveis as silhuetas dos helicópteros, ainda hoje em utilização os Black Hawk e os Sea Hawk, americanos, do mesmo fabricante, a Sikorsky. A resposta do helicóptero dos marines não foi reconhecida pelo do Exército e este disparou sobre ele automaticamente.

São exemplos de há mais de um quarto de século. Hoje interrogo-me a que ponto de desumanização chegámos quando o jovem piloto israelita, aos comandos do mais avançado caça um F35, superprotegido por toda a tecnologia, toca com um dedo num ecrã e sabe que duas toneladas de explosivos vão destruir uma escola, um hospital, um campo de refugiados. E o que pensam os dirigentes políticos que foram eleitos quando investem os recursos da inteligência humana a preparar seres robotizados que executam estas ações?

A associação da guerra à tecnologia, sendo o motor da civilização, é também o detonador da destruição. E todos nós conhecemos, mesmo que seja do cinema, o que é um explosor– um aparelho (antigo) com um manípulo e que apenas um especialista manejava à ordem de fogo.

Hoje existem nuvens de explosores comandados por sistemas de que os cidadãos não conhecem a lógica de disparo. Não há democracia, nem cidadania. Os cidadãos regressaram à condição servil.

A tecnologia pode e está a destruir os valores que considerávamos basilares para a sociedade: a capacidade de alterar comportamentos nos decisores de todos os níveis dos mais altos aos mais baixos. De seleção de decisores e operadores de sistemas programados para tomarem determinadas decisões possibilidades reais. Não há Deontologia que possa ser ensinada porque há meios tecnológicos para cortar o acesso a essas áreas do cérebro, como se cortava e corta com vesicante os tendões dos cavalos para eles não sentirem dor ao galopar e ao saltar.

Inteligência Artificial e Perversidade Natural (1)

(Carlos Matos Gomes, in Medium.com, 15/12/2024, revisão Estátua de Sal)


Aquilo que para efeitos de propaganda passou a ter a designação de Inteligência Artificial nada mais é que a aplicação de uma tecnologia para impor um domínio. Os nossos antepassados também utilizaram as suas capacidades físicas e intelectuais para afiar pedras de sílex porque estas lhes garantiam vantagens na luta contra os inimigos. Não por acaso, ao longo da história, os departamentos de guerra dedicaram tantos recursos a desenvolver meios tecnológicos que lhes permitissem ganhar vantagem sobre o inimigo. Um mero exemplo: o GPS é gerido pelo Departamento de Defesa dos EUA; não é a voz de Inteligência Artificial que nos diz para viráramos à esquerda e direita num cruzamento é um instrumento de domínio político e social. É uma arma real, operada por dirigentes políticos reais, para atingir objetivos políticos reais pela força.

No caso dos seres humanos, que têm a perversidade como o pilar da ação para impor um domínio, o que atualmente se designa por inteligência artificial, é a versão atual da perversidade natural do homem que o leva a cumprir o seu desígnio: dominar, seja os seres da sua espécie, os das outras e o meio onde existem.

A descoberta da pólvora, da roda, do ábaco, da escrita, da bussola, do radar e do computador resultam de expansões das capacidades humanas. A fissão nuclear é uma expansão de capacidades existentes e coloca à humanidade o mesmo tipo de questão que já constava em quase todas as grandes religiões — os sistemas ideológicos: o Dilúvio, o Fogo devorador e destruidor, o Apocalipse, o Julgamento Final colocam, desde o início da sua história, como os humanos – enquanto espécie distinguível dos outros seres vivos -, se confrontam com os fenómenos naturais e que respostas lhes dão.

Darwin encontrou uma resposta para a questão: os seres humanos resultaram da evolução de outros que procuraram melhores soluções de sobrevivência e domínio. Melhores defesas, melhores locais de ataque. Houve seres que voaram para as alturas, outros que mergulharam nas profundezas das grutas ou dos oceanos. Uns protegeram-se com carapaças, outros com venenos, outros com a agilidade e a velocidade. Em todo o caso, a inteligência enquanto condição de sobrevivência.

Aristóteles defendia que as coisas naturais podiam produzir mudanças dentro de si mesmas, enquanto as coisas artificiais não se podiam autoproduzir, nem existencialmente nem em mudanças, porque apenas o natural possui uma essência; o artificial apenas possui apenas matéria da qual é feito. A propriedade gerativa do artificial está na alma do artesão. Não existe inteligência artificial. Ou então somos criaturas artificiais!

Decisivo, na história do mundo que conhecemos, é saber quem controla o saber que permite impor um poder. As religiões, com os seus Criadores do Universo, foram o mais poderoso e eficaz meio de domínio da humanidade com a crença na existência (artificial) de um ente super inteligente. O computador absoluto e omnipotente. O computador que se criou a si mesmo.

Cabe interrogar se os Dez Mandamentos, que segundo a narrativa bíblica foram entregues por Deus a Moisés no Monte Sinai, são obra de inteligência dita natural ou artificial? Que razões levaram Deus a criar os Mandamentos, a não ser a ameaça da desobediência, ou do desprezo, ou da troca pelo Bezerro de Oiro? Deus, pela voz dos seus sacerdotes, recorreu à inteligência artificial para vencer uma ameaça e impor o seu domínio? Ou ao medo natural para obter a aceitação do seu domínio? Ou à perversidade para converter os infiéis, isto é, os que não o reconhecem?

O bem de maior valor no interior de um computador é o poder que a informação confere. Trata-se do domínio político do saber. Tão velho como o controlo do Oráculo de Delfos. Quem estava por detrás dele? Ou do espião que descobriu a brecha nas ameias do castelo, ou de Josué que com o seu exército conquistou toda a região do Negueve, da área das planícies costeiras e das montanhas escarpadas. Liquidaram toda a gente da terra, segundo a ordem do Senhor, Deus de Israel; desde Cades-Barneia até Gaza e desde a terra de Gosen até Gibeão. Tudo realizado numa só campanha, porque o Senhor, o Deus de Israel, estava a lutar pelo seu povo. Só depois disso é que as tropas de Israel, sob a chefia de Josué, regressaram ao seu acampamento em Gilgal.

Quando os atuais manipuladores da opinião colocam a metade da humanidade mais informada a discutir se existe uma inteligência natural dentro das caixas cranianas e uma artificial no interior de uma caixa de computador estão a desviar a atenção do essencial e que é o poder político e económico que a informação contida nas bases de dados confere.

O que se encontra por detrás do que o marketing designou como IA é o poder, é a essência da política: que grupo domina a sociedade. Todos os artefatos produzidos pela inteligência são artificiais e todos servem a imposição de um poder. Tecnologia ao serviço do poder. Política em estado puro. Nada mais do que a tecnologia resultado da inteligência se encontra embarcada num bombardeiro F35, mas também nada mais que inteligência se encontra na manobra da águia que leva o corvo até uma altitude em que ele não consegue respirar em vez de gastar energia a sacudi-lo.

A IA coloca em causa a nossa civilização. A Inteligência Artificial tem e deve ser tomada pelos cidadãos, pelos políticos e pelos atores sociais como um negócio sujeito às mesmas regras que podemos encontrar em qualquer outro em que um detentor de uma posição dominante corrompe um decisor para manter os seus privilégios. Elon Musk não é um génio da inteligência — seja natural ou artificial — é apenas um pirata que se estabeleceu num ponto dominante e o defende. Tal como George Rooke, um inglês, fez ao ocupar Gibraltar com forças anglo-holandesas em 1704. Ou como fez Afonso de Albuquerque com a estratégia de ocupação de estreitos no Índico.

Os construtores de opinião forçam-nos a acreditar que existe uma inteligência natural e uma outra artificial. A inteligência de Elon Musk ou do falecido Kissinger é natural ou artificial, e a de Trump, ou de Biden, ou de Putin, ou de Netanyahou ou de Xi Ji Ping? E que importância tem essa discussão a não ser a de nos cegar para o essencial que eles pretendem dos cidadãos: obediência e fé. Regressamos ao fundamentalismo da Idade Média.

E é obediência e fé que os humanos do século XXI pretendem que os seus sistemas políticos lhes ofereçam enquanto seres dotados de inteligência? É? Fica a interrogação para os eleitores e devoradores de telejornais.