″Passos Coelho quer voltar a ser presidente do PSD e já começou a fazer contactos″

(Por Estátua de Sal, 21/09/2018)

Parece que estamos nos dias de todos os fenómenos da política em Portugal. Primeiro era o Expresso e o Observador a jurarem a pés juntos que a Joana Vidal já estava reconduzida e benzida por São Marcelo. Viu-se. Que grande flop do Ricardo Costa e do Expresso, mais uma “inventona” frustrada a juntar às muitas em que a política portuguesa se tem mostrado pródiga no pós Abril.

Agora é o Pedro Marques Lopes a anunciar que o Passos já está a preparar o seu regresso ao PSD, qual D. Sebastião ressurgido numa manhã de nevoeiro.

Ó Marques Lopes, eu espero que estejas mais bem informado que o Ricardo Costa no caso da Procuradora, porque senão também arruínas a tua credibilidade opinativa.

Andam todos a querer fazer concorrência à pitonisa do reino, Marques Mendes de seu nome. Ele é que, ao domingo, tem sempre novidades frescas que obtém nos bastidores dos palácios, já que ele é o rei da cusquice, o espião que tudo ouve mas passa despercebido devido à sua baixa estatura.

A ser verdade, mais uma boa notícia para António Costa e para a Geringonça. Primeiro foi o Santana, agora é o Láparo. Se calhar amanhã será o Montenegro a juntar-se à festa, para já não falar no André Ventura que promete arranjar 2500 assinaturas em três tempos para destituir o Rui Rio.

Com tanto peso pesado à ilharga do líder do PSD a disparar tanta artilharia mediática a estibordo, não há Rio que aguente… 🙂


Para Pedro Marques Lopes, comentador da TSF, não há outra explicação para o artigo que o ex-primeiro-ministro escreve no Observador a propósito da não recondução de Joana Marques Vidal….

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O Expresso e as fake news

(Estátua de Sal, 20/09/2018)

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No último fim-de-semana a caixa alta da primeira página do semanário dito “de referência”, era sobre a recondução da Procuradora-Geral da República, Joana Marques Vidal, como se pode ver na imagem acima.

O corpo do texto, nas páginas interiores, dava conta de Marcelo querer a toda a força renovar o mandato de Joana, enquanto que António Costa, não sendo defensor da recondução, não se iria opor à solução porque, segundo a notícia, “não quereria comprar uma guerra com Marcelo”.

E assim, durante vários dias, a comunicação social em geral, sempre enviesada à direita, foi dando a recondução como facto garantido, e exultando na onda do seu furor justicialista, apesar de Marcelo ter vindo a negar, em intervenções várias, que já houvesse da sua parte, uma decisão final sobre o assunto, pois aguardava a proposta do Governo, como está previsto na legislação sobre o tema.

Ora, acabámos de saber há algumas horas quem irá ser a nova Procuradora-Geral da República que tomará posse no próximo dia 12 de Outubro, Lucília Gago de seu nome (Ver notícia aqui).

Perante isto, o que dirá agora o director do Expresso, Ricardo Costa, sempre tão bem informado dos ventos que sopram de Belém? Que o Expresso é um reiterado fautor de fake news? Ou que era tudo verdade mas que, há última da hora, Marcelo deu o dito por não dito e lhes tirou o tapete, por não querer, ele sim, “comprar uma guerra” com António Costa?

O melhor, ó Ricardo, é dizeres a verdade (fico a aguardar explicações, pois os réus tem sempre direito a defesa). Foi apenas e só um balão de ensaio tendente a pressionar o Governo para que não insistisse em afastar a Vidal, pois tal teria um impacto negativo na opinião pública passando a ideia de que se estaria a afastar a campeã e paladina da luta contra a corrupção e contra os poderosos?  A ser assim, tal manobra só pode ser tida como uma despudorada acção de fake news, e como tal desmontada e verberada. Não é esta a postura que se espera de um orgão de comunicação social que critica e pretende não se confundir com um qualquer tablóide. Mas enfim, no melhor pano cai a nódoa, ainda que, nos últimos tempos, as nódoas comecem a alastrar com demasiada frequência.

Mas retomemos o cerne da questão. A notícia de que haverá uma nova personagem na Procuradoria-Geral da República, só pode ser bem recebida. Já nem discuto os méritos da acção de Joana Marques Vidal – que alguns terá tido -, ou os deméritos – que muitos também teve. A rotatividade nos cargos é o cerne da democracia e, se tivesse havido recondução com base nos méritos, estaríamos talvez daqui a seis anos a discutir se não lhe deveríamos creditar mais seis anos de permanência, tornando o cargo eventualmente vitalício e Joana Marques Vidal uma espécie de busto da República plasmado na pedra até à eternidade.

Acresce que, a fulanização das instituições contém sempre, lá no fundo, um germe de urdidura pouco democrática e pouco republicana. A nova Procuradora não poderá – nem deverá -, ignorar o trabalho da sua antecessora, mas imprimirá na condução do seu mandato, seguramente, uma nova marca. Esperemos que, para melhor, sobretudo nos itens em que Joana falhou redondamente.

A imagem da Justiça, aos olhos dos portugueses, arrasta-se penosamente pelas ruas da amargura, segundo revelam variados estudos de opinião. Os julgamentos na praça pública, com peças processuais transcritas nos jornais, com filmagens de diligências e inquirições a passar nas televisões, só descredibilizam a Justiça. Perante estes acontecimentos, Joana Marques Vidal, foi incapaz de se opor ou de, pelo menos, descobrir os culpados e de os penalizar em conformidade.

A ligeireza – ou pelo menos a falta de explicações cabais -, com que diversos processos mediáticos, envolvendo figuras da direita, foram arquivados – tendo alguns deles suscitado condenações em jurisdições estrangeiras -, também não é abonatória de uma Justiça isenta e imparcial. Leva a opinião pública a suspeitar da existência de uma cartilha política oculta por detrás de muitas das decisões de juízes e de procuradores.

Se a acção da nova Procuradora contribuir para melhorar a imagem que os portugueses tem do seu sistema de Justiça, ajudando a limar muitas das suas pechas e vícios, a democracia terá saído reforçada de toda esta farsa político-mediática com que a comunicação social, com o Expresso à cabeça, nos presenteou nos últimos dias.

É esse contributo que esperamos si, Dra. Lucília Gago, pelo que só posso endereçar-lhe os meus parabéns pelo seu novo cargo. E para ti, Ricardo Costa, os meus pêsames. Pregaste mais um prego na credibilidade de um jornal que já a teve, e muita. Se calhar, tal como a Joana, também estás a precisar de ser substituído.

O último enciclopedista

(Por Estátua de Sal, 18/08/2018)

Homem enciplodédia

Imagem in Blog 77 Colinas

Dizem os Evangelhos que a inveja é um pecado mortal, muito feio, sendo por isso apanágio das consciências mal formadas. Mas que seja. Eu, Estátua, pecador me confesso e, como também rezam os Evangelhos, a confissão é meio caminho andado para alcançar o perdão.

Mas, afinal de quem é que eu tenho tanta inveja, tanta que me farto de pecar quase diariamente? Pois bem, aqui fica a minha confissão. Tenho uma inveja danada do Dr. Balsemão. E qual a razão? Podem avançar com palpites, digo eu. E perguntarão os meus leitores:

— Será por ele ser rico e dono de um empório de comunicação? Nada disso. Até dizem que a Impresa está meia afogada em dívidas e já viu melhores dias.

— Será por ele aparecer – ainda que cada vez menos -, nas revistas sociais, sempre no meio de gente fina, e morar nesse recanto selecto que é a Quinta da Marinha? Nada disso, cada vez mais frio, estou-me nas tintas para essas manifestações de vacuidade social.

— Será por a SIC e o Expresso continuarem a ser, ainda hoje, potentes instrumentos  de formatação da opinião pública, o que torna o Dr. Balsemão um homem poderoso, respeitado e, ao mesmo tempo, temido por tudo quanto é político no activo, à esquerda e à direita? Também não, nada disso, nunca quis ser missionário de qualquer ideologia ou crença, pelo que nunca me quereria colocar no papel de grande educador do povo.

Pronto. Como não acertaram eu deslindo o caso: invejo a vocação inata do Dr. Balsemão enquanto gestor de recursos humanos. Só um grande patrão, de fina e arguta sensibilidade na escolha do pessoal, poderia alguma vez ter contratado esse notável comentador que é o José Gomes Ferreira! Eu explico, então, a razão da minha inveja, mesclada de admiração, ainda assim.

Contratar alguém que nem sequer é licenciado em economia ou finanças para comentar assuntos de economia e finanças numa televisão, não é para qualquer gestor de recursos humanos. Mas, o Dr. Balsemão, conseguiu ver para lá dessas mesquinhas evidências curriculares. E que viu ele? Que o Gomes Ferreira era uma espécie de canivete suíço do comentário.

Ele perora sobre economia, sim, mas também sobre incêndios, pontes, electricidade, Direito, Justiça, política nacional e internacional, animais de estimação e, se preciso for, sobre os anéis de Saturno ou sobre a vida sexual das baratas. Consta até que lê mais rápido que o Professor Marcelo, conseguindo decorar diariamente 100 páginas da Wikipédia.

Já viram a poupança que o Dr. Balsemão já fez estes anos todos? Em vez de contratar dez comentadores, só tem que pagar ao Gomes Ferreira! Ele dá conta do recado, na hora e ao vivo, cobre todos os directos sem pestanejar, e explica aos espectadores tudo o que se está a passar com uma surpreendente e prolixa erudição.

É daí que vem a minha inveja. O Dr. Balsemão é um predestinado para a gestão. É que essas coisas não se aprendem. Nascem com as pessoas. Herdam-se das linhagens. Vem lá dos Palmelas, dos Fronteira, dos Alfarrobeira, que sei eu.

Ora, como eu nunca contrataria o Gomes Ferreira – reconheço que por falta da visão empresarial e de gestão do Dr. Balsemão -, não posso almejar a ter um império de comunicação social, e limito-me a ter um blog.