(Bruno Amaral de Carvalho, in Facebook 01/11/2026, Revisão da Estátua)

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Os insultos que tenho recebido mostram que há quem ache que o único jornalismo que importa é aquele que confirma as suas opiniões. Foi assim que muitos fecharam os olhos quando o regime fascista começou a encarcerar jornalistas para os silenciar.
Infelizmente, vários repórteres que trabalharam ao meu lado morreram debaixo das bombas, ou dos drones em diferentes cenários de guerra. É outra forma de calar quem quer dar voz às populações indefesas e contar o que se passa, não a partir do hotel, mas do terreno onde se dão as guerras.
Ontem, o cenário foi diferente mas não isento de perigos. A prova disso é o facto de um repórter da CMTV ter levado com uma bastonada da polícia no Porto, assim como a quantidade de manifestantes feridos em várias noites de cargas policiais.
Os muitos que perguntam porque é que eu levava capacete não fazem a mesma pergunta aos polícias que os usam. Todos temos o direito de nos protegermos num cenário de tensão social e violência policial.
Eu não escolhi ser jornalista para estar numa redação a reproduzir os comunicados enviados pelas agências de comunicação que trabalham para os grandes grupos económicos e financeiros.
Do Donbass ao Líbano, das greves gerais às barricadas nas acampadas, o que me faz respirar é estar onde muitos não querem estar. E o que o governo está a fazer é mostrar que tem medo de quem não se cala e de quem dá voz àqueles que não se calam.
Arriscando-me a chocar a maioria dos clientes desta pastelaria, devo dizer que considero o comportamento dos dois Luíses relacionado com as manifestações pelo direito à habitação, primeiro, e pelo direito de manifestação, depois, absolutamente exemplar do ponto de vista pedagógico. Os Luíses Neves e Montenegro prestam, sem sombra de dúvida, um inestimável serviço público ao deixarem claro para o país inteiro, principalmente para os até agora parcialmente adormecidos jovens da geração Faecesbook e afins, para que serve mesmo e como funciona o poder alegadamente “democrático” e seu instrumento de eleição, a polícia. Nomeadamente quando no poder estão os porcos, como é claramente o caso deste verdejante canteiro de urtigas do viçoso jardim europeu.