A hora de André Ventura não chegou

(Boaventura Sousa Santos, in Brasil247, 31/01/2026)


A ideia da fragilidade da democracia portuguesa assombra os democratas portugueses por várias razões.


André Ventura (AV) é o líder da extrema-direita portuguesa. Com alguma razão, diz que na segunda volta das eleições presidenciais (8 de fevereiro) é ele o candidato da direita tout court. De fato, na segunda volta os dois candidatos são ele e António José Seguro (AJS), antigo secretário-geral do Partido Socialista (2011-2014), que se apresenta como candidato do centro-esquerda, humanista, progressista. Muitos antigos dirigentes e conhecidos militantes da direita moderada têm manifestado o seu apoio a AJS, o que mostra que só formalmente e por um período curto AV se pode designar líder da direita. Dados os evidentes sinais de rejeição de AV, é muito provável que AJS ganhe as eleições e seja o próximo Presidente da República portuguesa.

Prognosticar que a hora de AV não chegou é relativamente fácil. As grandes questões são duas: a hora de AV ainda não chegou ou não chegará nunca? E se a resposta for a de que ainda não chegou, a segunda questão é: O que deve ser feito para que nunca chegue? Claro que esta última pergunta só é feita por quem, como eu, não queira que Portugal volte a ser governado pela extrema-direita. Foi apenas há 52 anos que Portugal pôs termo a um regime de extrema-direita que durou 48 anos. O grande líder desse longo e trágico período foi António de Oliveira Salazar, a personagem a que AV tem apelado, afirmando que “Portugal precisa de três Salazares”. Portanto, quem estiver de acordo com o que esta frase revela fará a pergunta oposta à minha: O que deve ser feito para que a hora de AV chegue o mais rapidamente possível?

A questão existencial

A questão de saber se a hora de André Ventura chegou ou não é uma questão existencial para os democratas portugueses porque, ao longo da sua mais recente carreira política e tendo em conta os dirigentes de que se rodeou ou que a ele se chegaram, AV tornou-se um perigo para a sobrevivência da democracia portuguesa.

No subconsciente coletivo dos democratas portugueses domina a ideia de que a democracia portuguesa é muito frágil e que pode ser facilmente destruída por qualquer pulsão autoritária. Aliás, é bem possível que AV esteja bem ciente desse subconsciente coletivo e jogue com ele. Sabe que com a sua demagogia assusta os democratas, mas, ao mesmo tempo, alimenta a pulsão autoritária que o pode levar ao poder.

Significa isto que AV seja fascista? Não. Significa apenas que as mudanças que diz querer levar a cabo e a retórica violenta com que as formula faz crer que ou deseja impor uma ditadura ou está conscientemente a correr o risco de soltar forças autoritárias que podem vir a impor a ditadura, inclusive contra a sua vontade. Por isso, o perigo de AV para a democracia é duplo: reside no que ele controla e no que ele solta e não controla.

De onde vem o subconsciente coletivo dos democratas portugueses?

A ideia da fragilidade da democracia portuguesa assombra os democratas portugueses por várias razões. Em termos estritamente quantitativos, Portugal da época pós-revolução francesa só há pouco tempo contabiliza mais tempo em democracia do que em ditadura. Há uma sensação de instabilidade que contraditoriamente aumenta com a estabilidade da democracia. Os últimos cinquenta anos da história portuguesa não têm precedentes em termos de convivência democrática. Em 1974, Portugal regressava à Europa de que partira no século XV e regressava a uma Europa que, graças a duas Guerras Mundiais, se tinha convertido num lugar seguro para a democracia e livre do vírus do fascismo. São três as razões principais pelas quais a energia ascendente e democrática se tem vindo a enfraquecer e com isso a assombrar o subconsciente coletivo dos democratas.

A Troika forever

A partir da crise financeira de 2011, algo começou a abalar os termos de referência da convivência democrática no contexto europeu. Portugal foi ferido na sua autoestima pela Troika (Comissão da União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) ao ser tratado como um país mal governado, incapaz de exercer eficazmente a sua soberania, ao contrário dos países mais desenvolvidos da Europa. Aliás, foi tratado por dois destes, a Alemanha e a Holanda (o Primeiro-Ministro Mark Rutte chegou a dizer “não se pode gastar tudo em mulheres e álcool e depois pedir ajuda”), com alguns laivos de racismo, do tipo daquele racismo insidioso que sempre tem dominado as relações entre países desenvolvidos e países subdesenvolvidos. A tragédia agravou-se quando o novo Primeiro-Ministro, Passos Coelho, não só se propôs seguir o receituário troikiano, como decidiu aumentar a dose austeritária. Com um certo masoquismo, aceitava-se a punição e declarava-se a rendição. Era uma pulsão autoritária de tipo novo que adotava o miserabilismo salazarista de maneira anti-salazarista. Enquanto Salazar manobrava com o seu servilismo, Passos Coelho exultava com ele.

Desde então, Portugal nunca mais recuperou as energias ascendentes que tinham emergido com a revolução do 25 de Abril de 1974. Houve um momento de esperança no meio da tragédia. Durante a pandemia do coronavírus, Portugal foi um dos países que melhor procurou proteger a sua população. Fê-lo porque tinha ao seu dispor, ainda que já em crise, a grande arma democrática do pós-1974: o Serviço Nacional de Saúde, que durante um breve período foi considerado um dos melhores do mundo. Acontece que a pulsão democrática que se instaurara em 2011 impediu que se tirasse a única conclusão capaz de fortalecer a democracia: reforçar o SNS para o tornar mais robusto de modo a continuar a ser a expressão viva do que é um serviço público ao serviço de todos. Pelo contrário, a degradação do SNS agravou-se depois da pandemia e o fantasma da pulsão autoritária ganhou mais força.

Uma nova geração de políticos de centro-esquerda ou de direita dita moderada foi emergindo e, quase sem distinção, não se deram conta de que toda a austeridade é autoritária porque é sempre seletiva e atinge sempre aqueles que mais precisam de serviços públicos robustos. A miséria moderna nasce sempre de paredes meias com a opulência moderna. Não há pobres, há grupos e classes sociais empobrecidas porque há grupos e classes sociais enriquecidas. A geração Troika ficou conosco depois de a Troika externa ir embora. Assim se foram corroendo as expectativas democráticas dos portugueses.

Houve muitos mini-André Venturas antes do André Ventura. E mais virão depois dele. Estão a ser incubados tanto na Iniciativa Liberal como no Chega. São dois partidos gêmeos, uma vez que as propostas que qualquer deles propõe só podem ser implementadas em ditadura.

A idade de ouro salazarista

A segunda razão do específico subconsciente coletivo dos democratas portugueses é a insidiosa reabilitação do passado salazarista. Precisamente a partir da mesma altura da Troika, tornaram-se mais audíveis as vozes que visavam reabilitar o regime ditatorial, separando-o sutilmente da figura do ditador. Conhecidos cientistas sociais que há anos mantêm colunas de opinião semanais nos jornais de referência foram construindo a ideia de que o ditador Salazar foi um dos grandes estadistas portugueses do século XX. E fizeram-no recorrendo aos meios de comunicação cada vez mais capturados pelas forças políticas de direita de modo a inculcar essa ideia no subconsciente dos portugueses. A repressão, a censura, a tortura, a guerra colonial, a miséria foram desaparecendo do imaginário português sobre Salazar. A austeridade seletiva, que foi o seu modo de governar, foi subliminarmente substituída pela figura austera do ditador.

As realidades do país da época do salazarismo evaporaram da memória dos portugueses. Em 1970, eu estava a trabalhar para o meu doutorado na Universidade de Yale. No dia 31 de agosto escrevi no diário: “Uma notícia do NYT (New York Times) traz-me à realidade do país que deixei para trás: ‘auxílio americano a Portugal em queijo, leite e farinha (distribuído pela Caritas) vai ser suspenso: 350.000 crianças dependem dessa alimentação. Triste país o meu’. E dois dias depois, também no NYT: “crise da indústria de conservas de sardinha em Portugal: mais um foco de emigração do Algarve para Gibraltar”.

Isto não é o produto de trabalho sociológico, é apenas um registro jornalístico que põe a nu o que era Portugal em 1970, quatro anos antes da Revolução de Abril. A idade de ouro dos empresários da reabilitação do passado era afinal uma idade de fome e chumbo para a maioria dos portugueses que nela viviam e morriam.

A política do ódio, o nacionalismo excludente e a esquerda suicida

O fantasma que assombra o subconsciente coletivo dos democratas portugueses é alimentado por um terceiro fator. Consiste no modo como, no curto período de uma geração, o estilo de convivência que existia entre as diferentes forças políticas e entre os cidadãos se alterou profundamente. A cultura da exclusão tomou o lugar da cultura de inclusão. Isso ocorreu a muitos níveis. A desigualdade social, que era uma manifestação de injustiça, passou a ser uma fatalidade, uma culpa dos excluídos ou até mesmo uma condição da prosperidade coletiva. Um país com uma longa tradição de emigração assumiu-se como país anti-imigração. Um país com uma forte componente islâmica na sua cultura tornou-se islamofóbico. Uma cultura de fronteira propensa ao interculturalismo tornou-se xenófoba. Um país com uma baixa taxa de criminalidade e sem ameaças externas converteu a segurança na sua grande prioridade, reforçada pela subserviência ao bunker político de Bruxelas que inventou uma ameaça externa (a russofobia) para reinventar a sua sobrevivência enquanto classe política parasitária.

Esta energia descendente, porque destrutiva, consome as mentalidades e as relações sociais, sobretudo as juvenis, corrói os laços de solidariedade entre gerações, alimenta o narcisismo e transforma a egolatria na única forma de altruísmo. As forças políticas que sempre estiveram ao lado dos excluídos (classes de trabalhadores com trabalho e de trabalhadores sem trabalho, povos e populações discriminadas), que sempre propuseram a inclusão das grandes maiorias e que mais recentemente se tornaram mais sensíveis à discriminação sexual, racial e cultural, estão hoje reféns da política do ódio e da balcanização das consciências que ela produz.

Para que a hora de AV nunca chegue

Os três fatores que alimentam o subconsciente coletivo dos democratas portugueses são suficientemente evidentes para mostrar que os democratas têm de mobilizar-se para que a hora de AV nunca chegue. Devem estar conscientes de que se nada fizerem, essa hora chegará. Sem o disparo de um tiro. Os tiros virão depois e as balas entrarão tanto no corpo como na alma. Por agora, as forças de esquerda ainda não souberam identificar onde estamos. Se não soubermos onde estamos, nunca saberemos para onde vamos ou devemos ir. Torna-se evidente que para lutar contra a pulsão autoritária que hoje AV e amanhã a AV&Co representam é preciso ir contra a corrente. Ora, as esquerdas sempre foram na corrente da divisão. Enquanto não aprenderem a ir na contracorrente da união, os minutos da hora AV vão contando.

Fonte aqui

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13 pensamentos sobre “A hora de André Ventura não chegou

  1. Vamos lá agitar um pouco as águas.

    Os 3 Salazares.

    Se tivéssemos 3 Salazares, o que é que aconteceria?
    Teríamos a dívida da Bancarrota herdada, paga num terço do tempo?

    Uma coisa teríamos quase pela certa, 3 secretários-gerais-únicos, licenciados.

    Eu sei que a wiki é controlada pela Cia, Sionistas & Cia Ltd, mas também sei que houve mão dos “esbirros” portugueses, colocados junto da Secretaria-Geral da Presidência do Conselho de Ministros, quando na ‘internet’ andava uma feroz discussão sobre a licenciatura de um primeiro-ministro socialista, na sua página na wiki.

    https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81lvaro_Cunhal

    … 1940, a cumprir pena de prisão pela segunda vez, Cunhal é escoltado pela polícia à Faculdade de Direito de Lisboa, onde apresenta a sua tese da licenciatura em Direito, preparada e concluída na cadeia, sobre a temática do aborto e a sua despenalização, tema pouco vulgar para a época em questão. A sua tese, apesar do contexto político pouco favorável, foi classificada com 16 valores. Do júri faziam parte Paulo Cunha, Manuel Cavaleiro de Ferreira e Marcello Caetano.[6][31][32] Depois de solto, em 1941, trabalha como regente de estudos no Colégio Moderno, a convite de João Lopes Soares; em dezembro desse ano entra de novo na clandestinidade, sob o pseudónimo Duarte e assume informalmente a liderança do partido em 1942, com José Gregório.[22][26][27]

    😲

  2. Espero que os dois comentários de Adília Maia Soares (que pelo que escreve, penso que não tem parentesco com a Maia Sandu 😉) sejam lidos pelos Estados-Maiores da Esquerda.

    A Adília sabe mais do que eu, há um ou outro pormenor que não compro, mas que não me impedem de achar que, o que escreveu, está bem escrito.

    A Esquerda deve implementar o Ciclo de Análise.
    Deve estudar, deve analisar, deve concluir, deve rectificar, … Penso que é isso que a Esquerda deve fazer, se calhar, por incapacidade minha falho em dizer isso de maneira clara. Adília disse-o.

    Com tanta gente que tem cursos na área da Sociologia, da Antropologia, da Estatística, … infelizmente poucos são os que o fazem e quando o fazem, fazem-no com a camisola ideológica e não como analistas.

    Não li, mas também não leio tudo o que se passa em Portugal, explicações sobre o porquê da Esquerda andar pela Rua da Amargura em número de votos.
    Não li, para além das bacoradas de gente sem miolos, os porquês do voto ter passado da Esquerda para a Direita.
    Li o que Emmanuel Todd diz acerca do assunto, mas não posso, nem devo dizer, como se chega às obra sem $$$.

    Explicações profundas precisam-se e não chorrilhos de “fascista!” “fascista!”…

    Fico a aguardar o que vai acontecer em termos de relevo a estes dois comentários.

  3. BSS fala na fragilidade de democracia portuguesa; contudo, em boa verdade não se trata da fragilidade da nossa democracia, mas pura e simplesmente da fragilidade, ou melhor, das contradições das democracias liberais capitalista. Vamos ver se nos entendemos, a democracia é um regime politico que tem subjacente um sistema económico e este sistema é que é o elemento determinante. Hoje mais do que nunca há evidencia factual que o comprova e não mais é possível tentar tapar o sol com a peneira. Portanto pretender atribuir o sucesso da extrema direita portuguesa a fragilidade da nossa democracia é um equivoco já que os pergaminhos das democracias europeias também andam pelas ruas da amargura; para não falarmos já nos Estados Unidos da América onde se alternam dois partidos no poder que acabam sendo duas faces da mesma moeda.
    Cumpre ainda dizer-se que a Europa, mesmo do pós guerra , nunca foi, como aqui se pretende um lugar seguro para a democracia; explicando melhor, na Europa do pós guerra só se implementaram sociais democracias, ‘mais amigas do povo’, por puro oportunismo político, à conta do medo que a União Soviética e a promessa socialista representavam; tao logo esta ameaça desapareceu, a democracia liberal assumiu a sua verdadeira face a que se tem dado a nome de neoliberalismo.

    Já “A política do ódio e o nacionalismo excludente”, que BSS refere, são efetivamente os instrumentos que o neoliberalismo alimenta, fingindo hipocritamente que os rejeita – lembremos que a hipocrisia é o preço que o ódio paga à virtude – para distrair a atenção do povo, das pessoas comuns, dos seus reais inimigos – a elite capitalista.
    Estas politicas não aparecem por acaso, são alimentadas e aqui de facto os partidos de extrema direita dão uma ajuda de peso, fazendo o trabalho sujo. Devemos ainda reconhecer que nós, seres humanos, continuamos animais predadores, e que a bondade é uma virtude que tem de ser cultivada, não nasce por geração espontânea.
    A desigualdade social, diz BSS, antes vista como injusta, é hoje encarada como uma fatalidade; mas deveria acrescentar que tal decorre da aceitação do critério da meritocracia que as democracias têm exaltado à saciedade, sem perceberem que não há mérito nenhum em se nascer e crescer em meios favorecidos que definem à partida as regras do jogo, sem perceberem que a meritocracia – governo do mérito – foi o critério que a burguesia da era moderna inventou para se contrapor à aristocracia – governo dos melhores – e levar o povo no engodo.
    Ora é papel da esquerda denunciar estas e outras estratégias dolosas que tiram legitimidade à democracia liberal capitalista, mas não se vê a assumir esse papel, continua a fazer uma defesa, permita-se-me a expressão, acéfala da democracia. Não ganha nada com isso já que de tal modo nem sequer se afasta dos partidos do centro e da direita moderada e empurra muitos para o regaço da extrema direita.

    • A dita esquerda, salvo algumas exceções, não parece perceber que usa a linguagem to neo liberalismo em todas as suas reivindicações. Por exemplo, tambem eles falam de crescimento económico e postos de trabalho, sem enxergar que toda essa conceitualidade já esta desatualizada e serve apenas ao propósito do capitalismo voraz em que nos inserimos enquanto sociedade.

  4. Claro que democracia liberal não é fascismo pois é muito mais palatável sobretudo para aquele setor da população que gosta de expressar o seu descontentamento na praça publica e que acredita nos méritos do sistema eleitoral pluripartidário.
    Todavia não podemos esquecer, e BSS parece esquecer, que tal democracia é liberal mas também é capitalista, portanto quem tem a força para dispor dos nossos destinos são os que manipulam o sistema económico capitalista que, de uma maneira mais ou menos escancarada, controlam o aparelho politico. Quando se esquece isto, e os nossos democratas e mesmo os nossos intelectuais de esquerda tem uma tendência incontrolável a fazê-lo, as análises políticas ficam enviesadas e não só não explicam a realidade como tem nulo potencial para a alterar. Lembremos que, para alterarmos uma realidade que se nos apresenta como negativa, temos de a conhecer, identificar as suas caraterísticas , os fatores causais que se encontram na sua origem, para decidirmos se estão ou não reunidas condições para os eliminar e assim eliminar os seus efeitos.

    Em síntese, enquanto a análise não identificar corretamente o que está na origem do reaparecimento do fascismo este vai continuar de boa saúde, por mais impropérios que contra ele dirijamos. Ainda uma referencia breve, o espectável, na minha opinião é que o neoliberalismo , como questão de sobrevivência, leve inevitavelmente ao fascismo, não é que os defensores do neoliberalismo gostem do fascismo, mas é uma questão de sobrevivência: vão-se os anéis, fiquem os dedos.
    O que me custa mais, é que um intelectual de esquerda como B.S.S continue com a ilusão da democracia liberal, e com ele muito boa gente que tinha obrigação de abrir a pestana e proceder à tarefa urgente e imperiosa da desmistificação!

    • Claro. O fascismo como sempre o fez historicamente, é o travão de emergencia quando o capitalismo e as suas falácias, tipo ‘trickle down economy’ deixam de funcionar.

    • Mais um link para os “não-sectários” sondarem? Será que tem ouro do outro lado, como no pote na extremidade do arco-íris? Ou será só o estrume do costume que o próprio aqui assume? Que também pode servir para adubar o espírito e a mente de quem cultiva o “não-sectarisno”? Que generoso é o nosso ardina da Folha Nacional!

  5. Temos pena mas um bandalho que diz que Portugal precisa de três Salazares se não e fascista imita muito bem.
    Um sujeito que repete os lemas Deus, Pátria e Família e ladra contra quem não processa o cristianismo, seja por ser hindu, muçulmano ou ateu e um fascista encartado.
    O bom povo prefere os discursos populistas por uma razão muito simples.
    Porque já não acredita que a sua vida pode melhorar se tiver um pouco de trabalho.
    Mas já que a vida não melhora sempre podemos fazer a de outros que já a teem complicada tornar se um pouco pior.
    Depois um dos grandes trunfos desses bandalhos e até todos temos um ódio de estimação e a extrema direita apresenta nos uma lista boa de escolhas.
    Ora vejamos, temos negros, ciganos, muçulmanos, homossexuais, mulheres e devo me estar a esquecer de alguém.
    Por ser mulher, uma criatura pode não querer votar nesses bandalhos mas depois lembrar se que os muçulmanos sao muito maus para as mulheres e por isso teem de ser todos corridos daqui para fora.
    Em casa até leva nas trombas do seu marido bom cristão mas nem sequer percebe que com a extrema direita no poder a coisa só pode piorar porque qualquer direito que se dê as mulheres e ideologia de gênero e isso e muito mau.
    E também a fêmea espancada pode partilhar um ódio contra qualquer dos outros grupos e achar normal a extrema direita que promete po los com dono.
    Parece simplesmente estúpido ninguém disse que o votante na extrema direita e inteligente.
    O homem poderá sempre escolher entre um destes ódios. Pode até não espancar a sua mulher nem ter nada contra mulheres mas odiar ciganos, são a etnia mais odiada em Portugal, já o eram antes e por isso foram o primeiro alvo escolhido pelos nossos novos fascistas.
    Pode não ter nada contra ciganos mas odiar pretos.
    Pode não ter nada contas ninguém mas a paneleiragem devia ser capada.
    E o melhor de tudo, a extrema direita permite nos odiar a vontade, qual politicamente correcto qual conho.
    Liberdade para espancar a mulher, para matar ciganos e pretos, para espancar bichas. Para mandar bocas porcas na taberna.
    Isso de solidariedade, vida decente para quem trabalha, e uma chatice.
    E por cá o PC também disse que a vida tinha de continuar apesar do coronavirus e quando fez a Festa do Avante todos lhes cairam em cima.
    Correram fake news de todos os feitios e tamanhos. Um sujeito que apanhou o bicho sem lá ter posto o cu foi dado como se tendo contaminado na Festa.
    Nem la foi porque não concordava que a coisa se fizesse. Mas houve quem o visse na Margem Sul do Tejo quando o desgraçado mal saiu de casa.
    Outro que foi apanhou o bicho quase um mês depois e ainda hoje há quem diga que foi contaminado na Festa. Grande período de incubação tinha o bicho.
    Quando no Outono, com a volta do frio e a saída dos turistas se voltou a falar de COVID houve quem deitasse culpas a Festa. Muitos deles da linha política do CU.
    Mas a verdade e que nesse tempo ninguém podia falar contra as restrições covideiras e nem o teu CU falou.
    Simplesmente aproveitou para lançar mais umas farpas contra o seu principal ódio de eleição propondo arrebanhar a força os ciganos para “espaços de confinamento especiais” por estes não cumprirem as ditas restrições.
    E os bandalhos do teu partido não falaram mal do tal veneno as três pancadas, apenas houve uma teoria da conspiração sobre a possibilidade de o CU poder ser envenenado por enfermeiros socialistas se se fosse vacinar.
    O que eu mais gosto em vocês e a vossa memória curta e de peixe.
    Andam atras de um bandalho, um troca tintas, que diz uma coisa e o seu contrario e tem como ídolo um miserabilista capado como foi Salazar.
    Espero que a única hora que chegue ao CU seja aquela a quem nenhum de nós poderá fugir.
    E não, não estou a desejar que seja agora, que seja prematura.
    Mas que simplesmente tenhamos mais gente inteligente e humana que gente grunha e burra como um cepo.
    E que comecem a abrir o olho e a ver que em nenhum lado onde se votou em fascistas a vida melhorou.
    Vai ver se o mar da choco.

  6. BoaVentura nunca foi intelectual que me falasse e eu o ouvisse.

    Cada um tem a sua definição de democrata, ele tem a sua, eu tenho a minha. Penso que não estava a falar para mim, quando falou aos democratas.

    Da minha parte só dois reparos.

    O primeiro é que não chamou ao André Ventura, fascista. Registo.

    O segundo, “…Durante a pandemia do coronavírus, Portugal foi um dos países que melhor procurou proteger a sua população. Fê-lo porque tinha ao seu dispor, ainda que já em crise, a grande arma democrática do pós-1974: o Serviço Nacional de Saúde …”
    Registo também que, não usou o termo da novilíngua: “covid”.
    Tenho as minhas dúvidas que o governo do PS tenha querido proteger a população, se o tivesse querido, tinha usado o princípio da precaução com uma droga feita a martelo, por gente do calibre do agora famoso Gates por outras razões.
    Usou, isso sim, com a concordância de todos os democratas, do amedrontamento, agora parece que se diz ‘bullying’ é mais chique, da repressão e da ditadura, mandando às urtigas a CRP.
    A não ser que se esteja a referir aos tradicionais abstencionistas na AR quando a coisa pode dar para o torto, eles fogem com o rabo à seringa. Mas quem se abstém, é parte, não é contra. Na Rússia o PCFR, da Camarada Ziuganov, falou grosso contras as medidas descabeladas tomadas à pala do Corona, mas ele é o 2º partido em votos, por cá, é o que se sabe. Depois admiram-se que os que trabalha e sofrem, não acreditem nos Amanhãs Que Cantam e prefiram o discurso populista, que mais uma vez digo, deveria ser Nacionalista.

    • DIscurso populista que tu replicas por aqui, com links do orgão de propaganda oficial do partido do CU, e também com as notícias falsas com que o CU encanta pategos como tu.
      Lágrimas de crocodilo (“deveria ser Nacionalista”)…

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