(Rui Pereira, in Facebook, 26/12/2025), Revisão da Estátua

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O Observatório Fiscal da União Europeia revelou que Portugal tem 40% do seu Produto Interno Bruto (PIB) “parqueados em paraísos fiscais: 115,8 mil milhões de euros”. Esta cifra torna-nos um dos países do mundo com mais riqueza exfiltrada (vamos chamar-lhe assim), para offshores.
Por outras palavras, quase metade da riqueza criada pelo trabalho dos portugueses é evadida para praças financeiras ao serviço do lucro privado, ver aqui).
Compreende-se, assim, o elogio da revistaThe Economist que, proclamando a economia portuguesa como “a melhor do ano”, fez com que, parolamente, os poderes instituídos transformassem o país, “cá dentro”, por via de uma apreciação jornalística “lá de fora”, numa espécie de “coelhinha” de capa da Playboy.
Aproveitando o balanço, o Primeiro-Ministro aspergiu papalmente votos de um “santo natal” para todos. Esquecendo a sua velha frase de 2015, “o país está melhor, as pessoas é que não”, omitiu as urgências hospitalares fechadas, a miséria de quem não tem trabalho e de quem o tem, o clima intimidatório da extrema viragem à direita do regime, a precariedade que passou de vínculo laboral a condição existencial. E esqueceu-se também de dizer como foi parar a offshores 40 por cento da riqueza produzida em Portugal. Preferiu falar de Cristiano Ronaldo, para prescrever aos portugueses uma “mentalidade” adequada.
É decerto por falta de mentalidade que dois milhões de portugueses, entre os quais quase 300 mil crianças, vivem abaixo do limiar de pobreza e não ao facto de 2,5 milhões de trabalhadores portugueses não chegarem a levar mais de 700 e poucos euros mensais para casa. Coisa que só lhes acontece por não terem mérito suficiente para se transformarem em Ronaldos da direita política, dos Conselhos de Administração das corporações do regime (deste e dos demais) ou, enfim, em Primeiros-Ministros disfarçados de Pai Natal.
Que, tantas vezes offside, Ronaldo aproveite o facto de ser usado por um príncipe saudita para fazer negócios de armamento com Donald Trump, compreende-se. Trata-se do CEO do qual Ronaldo é “colaborador”.
Que o Primeiro-Ministro tente apanhar uma boleia idêntica do futebolista, trata-se de outra coisa. Trata-se da vertiginosa derrapagem da mal concretizada ideia de democracia, para a ignomínia da sua transformação na mais rasteira e frívola demagogia que encobre o encontro, entre a alta finança e a baixa política, do qual é feita a “melhor economia do ano”.
Tens todo o direito a não ser democrata mas pelo menos vive como tal. Ou seja, vai para um país onde ela não exista ou esteja sob ataque. Por isso te sugeri os Estados Unidos.
Pessoalmente sou democrata, acredito na democracia e na liberdade de dizer e escrever o que me der na gana.
Não quero que gente como tu me diga o que devo pensar, o que devo comer, o que devo fazer, o que devo escrever. Ou até se posso sair do país. Como acontecia no tempo da Outra Senhora em que qualquer desgraçado que fosse funcionário público tinha de pedir autorização ao ministro da tutela para se ausentar do país em férias ou outro.
Não quero viver como um castrado mental e físico.
Percebeste ou e preciso que te faça um desenho?
Fascismo nunca mais. Liberdade sempre. A liberdade a sério e não a liberdade de dominar uma plebe sem direitos.
E eu que até podia ter sido fisiatra se me tivesse inscrito no curso de medicina, porque carga de água haveria de ser democrata? Tinha habilitações: sétimo F com Bom em matemática, física e ciências naturais: nucleares.
Preferes o fascismo? Olha, avião para os Estados Unidos há todos os dias, só me parece e até não te querem lá. Talvez passes um tempinho de férias na Alcatraz dos Jacarés antes de ires de férias para o Ruanda.
Fascismo nunca mais. Democracia sempre.
Só o povo pode ser democrata e poucos podem ser democráticos.
Para que povo seja democrata é necessário que cada um se considere súbdito dele e o transforme em coisa verdadeira e aceite por todos.
Quando se não define nada, não se ajuiza sobre nada, não se sai dum discurso onde não se qualifica ficando tudo no caos.
Uma maneira das pessoas aceitarem a ordem e hierarquia era aprender a contar. Poucas pessoas o sabem fazer.
Pergunta: com desinar um dúzia? Resposta 12. Errado! Correto 10.
Puseram o pé em falso no degrau. O patamar estava dois degraus mais abaixo. Mergulho no abismo da caverna.
A desordem tudo invade
Na rua mendiga-se direito
Não existe outro jeito
Ordem hierarquia autoridade.
Democracia é o que se queira
Cada um sua definição
Jornais radio e televisão
Fazem monocultura da asneira.
Democracia é de qualquer jeito
Cada um chama-lhe nossa
O povo está cheio de mossa
Marcas das lesões do direito.
Democrata é rasca de verdade
Não merece qualquer abono
Cão que não conhece dono
É só o autor da autoridade.
Pesa-lhe tanto a autoridade
Vive no equívoco e no engano
Eleva o povo a soberano
Para calcar sem dó nem piedade.
Democracia é nado morto
O autor perde a autoridade
O próprio perde a propriedade
Há igualdade no direito e torto.
Democrata é cara de cu
Seu cérebro vira intestino
Seu país vira desatino
Seu soberano passeia nu.