Endoideceram

(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 18/09/2025)

O problema é que nem a Europa nem a NATO querem o fim de qualquer das guerras, estão alinhadas de corpo e alma com o lobby israelita e com o lobby das armas.


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Andamos todos entretidos nas nossas vidas, tratando do que temos de tratar e discutindo outras coisas, umas importantes, outras não tanto, e não queremos entender ou rendermo-nos à evidência de que, num mundo à parte, um escol de dirigentes políticos endoidecidos se prepara para nos servir uma guerra mundial ao virar da esquina. Uma guerra cujas razões ou inevitabilidade não enxergamos e cujas consequências nem sequer conseguimos imaginar em todo o seu horror.

Não, em vida da minha geração o mundo nunca esteve tão perto da guerra. Não o mundo cuja forma habitual de vida é a guerra — em África, no Médio Oriente ou em disputas religiosas ou tribais por esses tristes trópicos. Mas sim o mundo inteiro, a Humanidade como a conhecemos. Em 1979, a União Soviética, de Brejnev, e o seu sinistro séquito de personagens resolveram instalar mísseis de longo alcance nos limites dos países da Cortina de Ferro, os SS-20, apontados às principais capitais europeias. A NATO convocou uma cimeira de urgência para o seu quartel-general em Bruxelas e eu estive lá a cobrir a reunião para a televisão portuguesa. Foi a célebre reunião em que milhares de manifestantes, vindos de vários pontos da Europa, gritavam “better red than death”, instando os dirigentes da ­Aliança a não responderem à ameaça soviética. Eu, porém, torcia intimamente para que respondessem, e foi o que fizeram: a instalação recíproca dos Cruises e Pershings II americanos apontados ao Leste não só fez re­cuar a ameaça iminente como, a prazo e em consequência, conduziria à implosão da URSS. Gosto de recordar este episódio porque há quem se esforce para nos convencer de que agora estamos exactamente na mesma situação. Mas é falso: primeiro, já não existe a União Soviética, mas sim a Rússia — que, mesmo que alimente veleidades imperiais, não se move por ideologia, mas por interesse nacional, o que é mais racional. Em segundo lugar, a NATO tem hoje 32 e não 12 membros e deixou há muito de ser uma organização militar estritamente defensiva para passar a ser o longo braço armado do cerco à Rússia. E, finalmente, em 1979 os russos tinham-nos na mira de novos mísseis nucleares de longo alcance, enquanto hoje o que leva o primeiro-ministro polaco a declarar que estamos à beira da Terceira Guerra Mundial foram 19 drones, de um total de 450, que, num ataque à zona ocidental da Ucrânia, ultrapassaram a fronteira e caíram no lado polaco, danificando um telhado de uma casa e um tejadilho de um carro. Um “teste”, uma “provocação” ou, melhor ainda, um “ataque”, como logo o classificaram todos os dirigentes nacionais da NATO, o seu secretário-geral e a imprensa que desde a invasão da Ucrânia os segue acriticamente, e que é quase toda. Obviamente, a explicação de um mero erro de cálculo não podia convencer quem se esforça para nos convencer todos os dias de que estamos à beira da guerra e que, se não nos endividarmos perante as empresas de armamento americanas, Putin passará o próximo Verão, não na Crimeia, como Tchékhov e tantos outros russos célebres, mas na Côte d’Azur ou na Comporta.

Assim lançados na sua velada de armas, os nossos dirigentes ocidentais mergulharam numa histeria de declarações, sanções, exclusões do espaço aéreo, convocação urgente do Conselho de Segurança da ONU e dos embaixadores russos nas suas capitais para “explicações”— que jamais seriam aceites. O nosso Paulo Rangel saltou logo na dianteira, convocando o embaixador russo em Lisboa para se ir explicar às Necessidades, no que eu imagino que tenha sido uma eloquente conversa: “Sr. embaixador, vocês quiseram atacar a Polónia para quê?”; “Bem, sr. ministro, nós não quisemos nem atacámos a Polónia”…; “Terá sido, sr. embaixador, a preparação para a invasão em grande escala da Europa?”.

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Na véspera, por infeliz coincidência, Israel tinha repetido uma operação inaudita em termos de lei internacional: tinha bombardeado a capital de um país terceiro para matar no seu solo inimigos internos que perseguia. Com a agravante de os alvos serem os mesmíssimos negociadores do Hamas com quem era suposto estar a tentar chegar a um acordo de paz para Gaza e de o país agredido ser o país anfitrião das negociações e a que Netanyahu passou a chamar um país que “alberga terroristas”. Todos os dias, aliás, numa televisão em frente de si, os poucos repórteres de imagem palestinianos que ainda não foram mortos — e os únicos que Israel não pode impedir de lá estarem — mostram aos nossos estimados dirigentes ocidentais torres de habitação a serem destruídas como no 11 de Setembro em Nova Iorque, hospitais e acampamentos a serem bombardeados, crianças esfaimadas a serem mortas a tiro quando querem arranjar comida. Mas, com excepção de Espanha e de Pedro Sánchez, eles não vêem nada, fazem-se de mortos. Pior: nos Estados Unidos da América expulsam-se estudantes, professores, funcionários públicos ou jornalistas de televisão que mostrem alguma espécie de solidariedade para com os palestinianos; em Inglaterra prendem-se centenas de manifestantes contra o genocídio de Gaza; na Alemanha cancelam-se todos os que ousem condenar o maior crime a que estamos a assistir neste século. Assim vão as democracias ocidentais de referência. Assim se comportam, como coniventes com a loucura assassina de Israel, os que nos querem antes arrastar para uma guerra terminal com a Rússia por causa de uns drones que falharam o alvo. Sim, Putin é um assassino, não há qualquer dúvida sobre isso, mas Netanyahu é bem pior, em quantidade e em ostensiva indiferença; sim, a invasão da Ucrânia é ilegítima e intolerável, mas tudo o que se passa na Palestina desde há décadas é bem mais grave e insuportável. E há — eu pelo menos acredito — outra diferença fundamental: querendo, a Europa poderia conseguir o fim da guerra da Ucrânia, mas o fim do genocídio em Gaza duvido. O problema é que nem a Europa nem a NATO querem o fim de qualquer das guerras, estão alinhadas de corpo e alma com o lobby israelita e com o lobby das armas. Mas, descuidando-se, arriscam-se a ver o início de uma guerra nuclear, não por causa da Rússia na Ucrânia, mas por causa de Israel com todos à sua volta.

Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia

18 pensamentos sobre “Endoideceram

  1. Valha me o santo protector dos cachalotes, também nunca houve corrector nem gralhas de tipógrafo.
    Claro que os hereges nunca foram queimados em figueiras pois que talvez a figueira não seja a melhor lenha para fazer as altaneiras fogueiras em que muitos milhares arderam por essa Europa toda sob acusação de heresia ou bruxaria.
    Mas cá me parece que estás só a tentar armar em humorista quando o assunto e sério.
    E sim meu menino, houve fronteiras a régua e esquadro em África, criadas por colonialistas até não queriam nem querem conhecer os povos que por lá viviam.
    E se achas a situação de podridão que estamos a viver merece piadolas pelas partidas que o teclado e o director nos faz não sei que te faça. Dizem por aí que rir e o melhor remédio mas nem sempre e a melhor opção. Vai te lá rir num enterro a ver o que te acontece.
    E talvez estejamos a assistir ao enterro dos nossos direitos a saúde e reformas em nome do apoio a nazistas enquanto sonham com a destruição da Rússia.
    Já Putin podia repetir aquela rábula do Nicolau Breyner “e o pirata sou eu?”.
    Bajulou o Ocidente, pediu duas vezes para aderir a corja de assassinos que e a NATO, tentando assim proteger o seu país das ações de pilhagem de que foram vítimas outros como o Iraque e a Líbia, levou sopa, foi enganado, e acabou a pedir perdão ao seu povo por não ter percebido o racismo.
    Mas o Miguelinho acha que o assassino e ele. Talvez gostasse de explicar a sua teoria aos familiares das muitas vítimas de Herr Zelensky.

  2. Claro que isso é a única coisa em que o homem está certo. Desde o início que esta gente nos está a preparar para uma guerra pois que a ideia e de que se temos mais homens e mais armas teremos por força de vencer.
    Mesmo que os russos tenham tempo de destruir muita coisa por cá e destruir milhões de vidas europeias.
    O que até agora os conteve foi a esperança que as sanções dessem resultado, a economia russa colapsasse e a Ucrânia acabasse por ganhar a guerra.
    Agora que o sonho morreu clamam mais alto por guerra tentando convencer gente afundada na russofobia de que e a única maneira de não acabarmos ocupados pela Rússia.
    E tentando convencer nos que a morte de uns milhões de europeus e um preço que vale a pena pagar pela paz eterna que se seguira sem a sombra da Rússia, para sempre destruída.
    Mas isto não é loucura. E cálculo frio. Sabem muito bem o que estão a fazer.
    Simplesmente as nossas vidas não lhes interessam nada.
    Pessoalmente, se acontecer a tal guerra espero estar entre os que morrerão.
    Porque a vida sob o domínio desta gente sem que temam nada e a poder dispor das nossas vidas a bel prazer e um tormento que só termina com a morte e não quero passa-lo.
    Já chega o que passei com as vacinas. Não me imagino com outras doença, outra vacina, não ter por onde fugir e passar por tudo isto outra vez. Ou pior. O que está a passar a pessoa de quem cuido.
    Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.
    Agora de louca esta gente não tem nada.

  3. Há no entanto uma coisa que Sousa tavares escreve e que é absolutamente verdade: os líderes Europeus estão vidrados em nos levarem a todos para um conflito global, porventura o último. Eles sabem que a Ucrânia está derrotada. Sabem que a única possibilidade que resta ao escroque de Kiev é o alargamento do conflito e estão a fazer tudo nesse sentido.
    Hoje mesmo, após algo de banal, como uns caças russos que por meia dúzia de minutos entraram no espaço aéreo da Estónia, parece que está cair o carmo e a trindade. Eles querem, têm sonhos húmidos com uma guerra global.
    O escroque de Kiev desde sempre que apostou tudo nessa carta. Já em novembro de 2022 um míssil ucraniano aterrou na Polónia e zelêndias de imediato exigiu o artigo 5 da NATO. Até hoje, o governo de Kiev nunca pediu desculpa pelos dois cidadãos polacos que morreram no incidente. Estão em pulgas pelo alargamento da guerra e, como bem diz MST, os líderes europeus são uma cambada de doidos, doidos muito perigosos.

  4. Concordo. Não deve surpreender vindo do MST que também nos brindou com uma especial crueldade russa porque havia empalamento de inimigos do czar as portas do Kremlin.
    Pela mesma época em que por cá se sucediam caças as bruxas e queimas de hereges na figueira, o infame suplício da roda, esquartejamento por quatro cavalos e até gaiolas onde um desgraçado era suspenso, sem se poder mexer, até morrer de fome e sede ante quem passava na rua, muitas vezes começando a ser comido ainda vivo por aves de rapina.
    Os ocidentais tracaram fronteiras a régua e esquadro, enfiando mais tarde no mesmo país povos, a que MST chama tribos, que nunca se deram bem.
    Foi essa a raiz de muitos conflitos que ainda hoje ensanguentam África.
    Dizer que os povos da Ásia Ocidental teem a guerra como modo de vida e esquecer quem foi lá colocado pelo Ocidente para continuar o seu projecto colonial.
    Esses povos gostam tanto de paz como quaisquer outros, não teem qualquer pulsão para a morte ou ser mártires, com outro articulista uma vez aqui disse.
    Simplesmente o Ocidente nunca lhes permitiu tal coisa.
    Foi sempre o Ocidente que inventou os meios de guerra mais letais e basta ver o que acontecia na Europa Medieval em que reis e senhores feudais consumiam os seus povos em guerras muitas vezes por motivos fúteis.
    E com o Renascimento, exportaram esta mentalidade para todo o lado.
    Desde que deixou de ter medo da União Soviética, o Ocidente embarcou na guerra e na destruição de países uns após os outros.
    Simplesmente a Rússia tem se revelado um osso muito mais duro de roer do que eles pensavam.
    Em resumo, no texto nao se aproveita nada e mais valia ao Niguel ter ido ver se o mar da choco.

  5. E também se esqueceu de dizer que um drone até sobrevoou edifícios governamentais polacos pondo todos a grasnar como galinhas histéricas foi na realidade lançado por um jovem ucraniano que vai ser, ou já foi, recompensado com a deportação para ter oportunidade de lançar drones a partir da linha da frente.
    A saber quantos desses drones não tiveram proveniências idênticas porque os ucras só estão a procura de um pretexto para juntar todo o Ocidente a uma guerra que eles já viram que não poderão ganhar.
    Já agora quanto a Israel. Outra mentira repetida até hoje e a de que foi a intervenção dos países árabes contra Israel que desatou a nakba.
    Quando os países árabes entraram já os porcos sionistas tinham feito mais de 20 massacres, destruído duas mil aldeias e expulso 200 mil pessoas.
    Nunca aqueles assassinos fanáticos quiseram partilhar terra com quem lá vivia. A terra seria apenas deles por lhes ter sido dada por Deus.
    Os países árabes, arrasados por séculos de colonialismo e exploração ocidental nada podiam fazer contra assassinos fanáticos, de crueldade bíblica e armados pelo Ocidente ate aos dentes.
    Mas a mentira continua a correr até entre quem reconhece razões aos palestinianos.
    O sionismo e uma doutrina de crueldade, perfídia e mentira.
    E vao chamar antissemita ao diabo que os carregue.

    • Assino por baixo, e aponto também o dedo a esta mentira do Miguel Sousa Tavares (MST), com contornos xenófobos e neocolonialistas, pelo menos contornos de umbiguismo (quiçá falta de noção) ocidental:

      «Não o mundo cuja forma habitual de vida é a guerra — em África, no Médio Oriente ou em disputas religiosas ou tribais por esses tristes trópicos.»

      Isto é uma alarvidade! Os países mais envolvidos em guerras (directas, proxy, provocações de guerras “civis”, terrorismo, etc) são os ocidentais! Desde 1945 que é assim! Com os EUA à cabeça, e os vassalos a cheirar-lhes o traseiro.

      Angola, Moçambique, e Guiné-Bissau tiveram de guerrear para ter a LIBERDADE. Quem tinha a guerra como forma de vida habitual eram os colonizadores Europeus. Não eram os desgraçados que só se queriam ver livres dos invasores e opressores.

      A mesma coisa no “Médio Oriente”. Aliás, até o próprio termo mostra quem o MST é. Não é “Médio Oriente”. É Ásia Oeste/Ocidental, ou Levante, ou Mesopotâmia, etc, dependendo do exacto ponto geográfico de que estamos a falar. Só é “Médio Oriente” se for observado a partir do umbiguismo ocidental.

      Quem é que destruiu o Vietname, Laos, Camboja? Quem é que pôs por duas vezes os Talibã no poder no Afeganistão? Quem é que desenhou os mapas nos tempos coloniais e assim semeou as bases para tantos conflitos nas décadas seguintes? Quem é que invadiu a Palestina com um projecto colonial genocida chamado “israel” para enganar os apalermados que acham que aquilo é a Israel bíblica? Quem é que destruiu a Sérvia, anexou o Kosovo e o Montenegro, destruiu a Líbia, Iraque, paga a mercenários no Sudão, a terroristas na Síria? Quem é que cometeu genocídio no Congo, e no Bangladesh? Etc.

      É sempre o Ocidente, sempre liderado por esta potência colonial, ou por aquela potência imperial, que se foram revezando na liderança de tal estupidez ao longo dos séculos: Reino Unido, França, Portugal, Espanha, Bélgica, Países Baixos, Itália, Alemanha, EUA/NATO, e naZionistas em geral.

      E sempre de mãos dadas com a pior escumalha que se encontra em cada um dos locais: CONTRA, al-Qaeda, HTS/al-Nusra, IDF (as milícias naZionistas originais que deram origem a este “exército”), RSF no Sudão, nazis ucranianos, fascistas venezuelanos e cubanos e bolivianos e brasileiros, etc.

      Eu ia todo entusiasmado ler o texto do MST, devido ao excelente título e certeiro subtítulo/introdução, mas depois cheguei a esta frase alarve do MST e parei. Não vou ler mais. Para alarvidade, ignorância, preconceito, xenofobia, estultícia, etc, já chegam aqueles tresloucados (os tais que endoideceram) que este blog (e muito bem) nem sequer cita/publica.

  6. Já agora, há mais um aspeto em que Sousa Tavares está equivocado e nem falo do insulto primário a Putin, destinado a contentar os finos leitores do “expesso”, ou da alegada invasão; o facto é que para além de ser muito duvidosos que os drones que chegaram à Polónia tivessem vindo da Rússia, o Ministério da defesa polaco confirmou que os danos à tal casa não foram produto de um drone mas antes de um rocket lançado por um F16 polaco….

  7. Vejo com agrado que os comentários aqui inseridos revelam pessoas que não são enganadas pelo M.Sousa Tavares que dá uma no cravo outra na ferradura como soe dizer-se.
    Mas o que mais chateia é que ele de certeza sabe que não está a dizer a verdade toda.
    Pode escrever para alguns leigos leitores do Expresso, mas aqui não se safa. Pena é que ele talvez não se dê ao trabalho de ler os referidos comentários.

  8. Finos e muitos deles a viver ainda no tempo da Guerra Fria e a acreditar piamente que os soviéticos comiam crianças ao pequeno almoço e que os russos continuam a faze lo.
    Claro que a guerra da Ucrânia não começou em 2022 porque o Putin acordou de mau humor.
    Já antes de 2014 a Ucrânia estava literalmente partida em duas com as populações do Leste a sofrer discriminações terríveis a ponto de que qualquer desgraçado que tivesse a desdita de ser condenado a fazer tropa num quartel da Ucrânia Ocidental nem poderia ter a certeza se sairia de lá vivo.
    E muitos não saíram.
    A partir de 2014 os nazistas carregaram no acelerador e não foi do contra o Leste. Foi também a apoiar tudo quanto foi movimento violento de extrema direita na Europa dando incluindo treino militar a gente dessa.
    Era ponto assente na Alemanha que todos os fascistas violentos, alguns dos quais cometeram crimes de morte como o contra o deputado da CDU que defendia que era preciso mesmo acolher refugiados sítios, eram treinados na Ucrânia.
    Havia reportagens sobre as marchas nazistas e o revivalismo de “heróis” como o infame Stepan Bandera.
    Tudo isto foi devidamente esquecido em 2022 e foi ver os nossos políticos em romaria a Kiev, alguns escoltados por beber portando símbolos nazis. Vao ver se mar da choco.

  9. O Sousa Tavares filho e aquelas adjectivações pacóvias e mentirosas sobre Putin para os finos leitores do Expresso. Há livros e outros textos sobre a origem da guerra na Ucrânia, como sabem na Estátua de Sal. Os conflitos nunca começam quando são anunciados. Saudações.

  10. Certíssimo. Mas o Miguel não se importa muito com pormenores como o facto de que a destruição da União Soviética sempre foi o sonho molhado do Ocidente desde a sua criação.
    Foi esse sonho molhado que fez com que se fechassem os olhos bem fechados ao expansionismo nazi na esperança de que este destruísse a União Soviética antes de cair.
    Após a guerra, o genocida Churchill cunhou o termo Cortina de Ferro e tentou que os Estados Unidos destruissem a União Soviética com armas nucleares, a infame Operação Impensável.
    Talvez por os Estados Unidos não terem a certeza se a União Soviética tinha ou não tinha armas nucleares os Estados Unidos acharam mesmo a coisa impensável e isso poupou o povo soviético a uma destruição terrível depois da que já tinham infligido os nazis.
    Mas depois o Brejnev e que foi sinistro e agora o assassino e o Putin e esta cambada de psicopatas loucos são só loucos e não uma cambada de assassinos frios e calculistas que se estão nas tintas para as nossas vidas.
    Valha lhe um burro aos coices.

  11. Já aqui critiquei Miguel Sousa Tavares (MST) por, na ocasião, se ter socorrido da narrativa ocidental para referir a crise dos mísseis soviéticos em Cuba, já que se “esqueceu” de referir que quem primeiro apontou mísseis à URSS foram os EUA, que os tinha já colocado na Turquia.

    Agora volto a criticá-lo por, mais uma vez adulterar a verdade, referindo a versão revisionista do ocidente de que foi Brejnev o primeiro a colocar mísseis nucleares à Europa Ocidental, o que não é verdade.

    Vejamos:

    A URSS começou a desenvolver e instalar SS 20 Sabre em 1976–1977, na Europa Oriental.
    Esses mísseis eram móveis, de médio alcance, e tecnicamente podiam atingir a Europa Ocidental.

    No entanto, os soviéticos não foram os primeiros a apontar mísseis nucleares à Europa

    A NATO já tinha bases com mísseis nucleares de médio alcance nos anos 1960–1970 (Júpiter e Pershing I na Alemanha Ocidental, Itália e Turquia).

    Quando a URSS colocou SS 20, houve uma simetria e escalada, não um “ataque inicial unilateral” de Moscovo.

    Dizer que a URSS foi a “primeira” trata-se de revisionismo na narrativa ocidental e, consequentemente, de Miguel Sousa Tavares.

  12. Putin …. Assassino ? Faça me o favor ! Menos ! Um dirigente nacionalista que defende a soberania do seu país … apenas isso … Bajulou o Ocidente tentando acordos e parcerias… Foi sistematicamente traído … e de certa forma humilhado …. Menos meu senhor …

  13. E o ataque ao Catar nada tem de inédito. Israel já tinha atacado em Teerão para acabar com o desgraçado que chefiava a equipa de negociadores do Hamas, Ismail Hanieh, que já tinha sofrido o assassinato de toda a sua família directa.
    O que talvez ainda não tinha acontecido era um pais USA friendly sofrer um ataque. No caso com avioes dos Estados Unidos a levantar voo em apoio a partir do próprio território do Catar.
    Mas há muito que Israel ataca em todo o lado para destruir inimigos internos estando se nas tintas para se há “danos colaterais”. Porque para eles nenhum gentio vale uma casca de alho.
    E neste caso não e só Netanyahu o assassino mas toda uma sociedade onde as sondagens dizem que a esmagadora maioria da população se está nas tinhas para a fome em Gaza e considera os palestinianos subhumanos e que devem ser todos expulsos ou mortos. De preferência mortos que assim não há perigo.
    Netanyahu e um assassino que escarra ódio desde os anos 80 do Século passado, um lobo em forma de gente mas tem ente os seus correligionários milhões como ele.
    Em resumo, temos em Israel uma sociedade assassina e doente que se põe no lugar dos arianos do nazismo e põe os palestinianos no lugar que a sua raça ocupava nos tempos do nazismo.
    Mas como por cá também há muita gente doente sao recebidos em todo o lado e quem protesta leva com o labeu de antissemita, malha com as costas na cadeia ou até e corrido do emprego, conforme o sítio deste Ocidente sem vergonha no focinho onde tem a desdita de viver.
    E por muitas críticas que eu tenha ao Putin, o homem não merece ser nem um bocadinho comparado a um animal destes nem a sociedade russa merece a comparação com a israelita.
    Eles esperaram oito anos a ver se era possível negociar com esta gente. Nesse tempo o que esta gente fez foi armar até aos dentes o nazismo ucraniano.
    Quanto a Israel entretinha se a apertar o garrote em torno do pescoço dos palestinianos de Gaza e Cisjordânia.
    Em vésperas do famigerado 7 de Outubro centenas de pessoas tinham sido assassinadas nesse ano na Cisjordânia por soldados e colonos.
    Se a Rússia fosse nem que fosse 10 por cento como Israel já a Ucrânia Ocidental teria sido destruída com armas nucleares e depois fossem se queixar ao Papa.
    Realmente o Miguel deve estar a apanhar muito sol no Alentejo. E isso faz muito mal a cachola.

  14. Mais um grande artigo. Nao concordo com tudo o que está escrito, mas é a minha opiniao. Discordo de ele chamar assassino a putin, porque nao é diferente de outros, que fazem, fizeram e farao no futuro exactamente o mesmo. E é assasino porquê??? Por ter invadido o leste da ucrania, que já era separatista da ucrania depois do golpe que roubou os votos legitimos e democraticos de uma grande fatia dos ucranianos, que como sabemos eram na sua grande maioria pro russos???? Quando ele sempre afirmou que os defenderia de uma agressao ucraniana?? E curiosamente só o fez p+assados 8 anos após o golpe. Quantos paises invadiram, atacaram e bombardearam outros paises, sem qualquer motivo??? Lembram-se da ex jugoslavia, entao o presidente dos rua que ordenou esse ataque, tambem devia ter passado para a historia como um assassino. O bibi de israel tambem é um assassino, todos os presidentes e primeiros ministros que apoiam implicitamente israel com as vendas de armas que vao assassinar mulheres, crianças, velhos e civis, tambem sao assassinos, o actual presidente dos eua, vulgarmente conhecido com um coiso, vulgo palerma. tambem é um assassino com o ataque ao Irao. O que é que o Irao fez aos eua para ser bombardeado?????? Portanto chamar assassino a alguem é muito subjectivo. Concordo que o mundo está louco, e que o ocidente procura a todo o transe uma 3ª guerra mundial, pouco se importando que leve as suas populaçoes para a idade da pedra. O ideal seria todos estes responsaveis serem abatidos, antes que avançem com este plano louco!!!!!!!!!!!!!!!!

  15. Nao sei porque e que o reforço da destruição mútua assegurada pois que esta aconteceria sem mísseis ou sem mísseis apontados onde quer que fosse, com a diferença que em vez de serem os Estados Unidos os primeiros a levar com os cogumelos no focinho seria a Europa, poderia levar a implosao do que quer que fosse.
    Alias era pela certeza de que a Europa seria a primeira a ser destruída que fazia muita gente não querer a tal resposta da NATO pela qual o Miguel torcia certamente por preferir a morte a sorte de viver sob a especial crueldade russa de que já aqui falou duas vezes.
    Por essa altura se calhar também via um agente do KGB em cada desgraçado que protestava.
    Mas o Miguel achou o maximo e que foi isso e não a traição de um senhor sinistro de mancha na cabeça chamado Gorbatchev temperada com propaganda ocidental a todos convencendo a população que por cá todos tínhamos casa com garagem, dois carros, três filhos e dois cães sem quase ter de trabalhar que nos levou a situação em que estamos.
    Nas unhas de psicopatas ladrões que não teem medo de nada nem ninguém e que continuam de olhos postos no prêmio, o saque dos recursos da Rússia.
    E que se estão nas tintas para as nossas vidas, tal como os senhores dos Pershings.
    O resto e conversa para boi dormir.
    E claro, o Putin e um assassino e Herr Zelensky e um santo homem que adora jornalistas e quem quer que o critique.
    Talvez gostasse de explicar essa teoria ao pai de Daria Dugina, a família de Gonzalo Lira e a de tantos outros jornalistas e críticos em geral assassinados pelo sinistro SBU.
    Cara a cara.
    Putin e um assassino apenas porque tratou de impedir que o que se esta a passar em Gaza se passasse no Dombass e na Crimeia.
    Houve ameaças de nazis ucranianos nesse sentido mas certamente o Miguel também achou que as explosões eram da malta a festejar Putin ter finalmente percebido que com tal febre não havia negociação possível e ter reconhecido a independência daquelas regiões sob cerco e assalto há oito anos.
    Quanto a indiferença em relação a Gaza tem a ver com o mesmo. Tão como há racismo contra os pretos da neve também há contra os pretos da areia, na maior parte muçulmanos, infiéis, ainda por cima. Ao contrário do que pensa o Miguel, e de psicopatas assassinos mas faz sentido. E com psicopatas assassinos e populações de cérebro lavado que estamos a lidar. E parece que o cérebro do Miguel também está um bocadinho lavado, tal como estava em 1979.
    Em resumo, va ver se o mar da choco, do grande, do que e bom para grelhar.

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