(Daniel Vaz de Carvalho, in Resistir, 12/08/2025)

4 – Cenas do fim da ordem internacional baseada em regras
A Europa não é capaz de entender que não é o centro do mundo, só o foi no século XIX até meados do século XX, mas ainda se supõe como em 1885, na Conferência de Berlim repartindo o mundo. Comandada pelos EUA, vive na fantasia de poder decidir o que é certo e o que é errado; ser o modelo triunfante a ser imposto globalmente. Os que não o aceitarem sujeitam-se a serem liquidados.
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Dificilmente se consegue resumir melhor a posição da UE, e seus estados-satélites da NATO/EUA
“Bem podem os propagandistas sem pingo de vergonha defender o genocídio cometido por Israel em Gaza culpando o Hamas e ignorar os crimes na Cisjordânia. São marca indelével, como os crimes nazis, da falência moral do ocidente a da sua “ordem”. A hipocrisia da UE manifesta-se mais uma vez com um pretenso reconhecimento do Estado Palestino, quando nem uma sanção foi aplicada a Israel, nem mesmo proporcionou uma frota de ajuda humanitária a Gaza, quando milhares de milhões são entregues ao clã de Kiev e países da UE e NATO continuam a fornecer armas a Israel e prender manifestantes a favor da Palestina.”
Quanto à subserviência da von der Leyen, deve-se sobretudo ao facto de ser corrupta perante os interesses das oligarquias, e de ver os falantes de ídiche em Israel (um dialecto germânico com alfabeto e influência hebraica) como uma extensão da Alemanha, a sua pátria.
Já a subserviência de Marcelo Rebelo de Sousa e o governo português é apenas e só venal e visceral, por oposto à posição de Portugal aquando do movimento de independência de Timor-Leste, expondo com coragem massacres e limpeza étnica promovidos pela Indonésia à comunidade internacional e batendo-se pelos direitos humanos dos timorenses, mesmo sabendo que os EUA apoiavam o regime Indonésia de Suharto.
E parece que a Ucrânia já admite ceder territórios já controlados pela Russia em troca de paz, depois de dias de Herr Zelensky a armar se em pavão.
Se tal acontecer a Ucrânia pode perder mais de um quinto do seu território.
Se tal acontecer pode ser que aquele bandalho filipino, filho do antigo ditador do país perceba que aceitar ser proxy dos Estados Unidos contra um país maior e militarmente mais poderoso pode acabar mal.
Se tal acontecer não trata de volta os cerca de dois milhões de pessoas de ambos os lados que já morreram no conflito ucraniano.
Não trara de volta os que morreram nas masmorras ucranianas nem libertará o Ocidente da Ucrânia dos nazis.
Isso terá de ser o povo a fazer. Terá o povo de acordar, abraçar a paz e deixar de sonhar com a ascendência viking. Ascendência de um povo que nada mais fez se não invadir territórios e matar com uma crueldade inimaginável.
Se as Filipinas desistirem do papel que o bandalho filho do antigo ditador do país já garantiu que o país faria tal não permitirá a Rodrigo Duterte voltar vivo a sua terra.
Mas pelo menos a Europa deixara de gastar os recursos que não tem numa guerra que não poderá ser ganha.
Pelo menos por agora talvez deixemos de canalizar dinheiro para a Ucrânia enquanto o país arde e mulheres teem os filhos na rua com a ajuda dos pais porque a ambulância não chega a horas.
Não que esta gente não volte a carga mais tarde porque a russofobia europeia e terrível e também a vontade dos governos europeus de que uma área do mundo sem recursos alguns consiga pilhar uma terra onde nada falta.
Mas pode ser que vidas asiáticas sejam salvas.
Da Europa já nada de bom poderá vir.