A guerra dos 12 dias

(Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 27/06/2025)


Não deixa de ser insólito, no meio disto tudo, que os EUA tenham avançado rapidamente e do nada com o cessar-fogo, sem exigirem a celebração de qualquer acordo no âmbito nuclear.


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Passados 12 dias de uma confrontação que envolveu inicialmente Israel e o Irão e, posteriormente, os EUA, chegou-se a um cessar-fogo, pelas sete horas de 24 de junho, com uma razoável probabilidade de se manter. Indicador disso é a normalização do quotidiano israelita, com a abertura do comércio e das escolas. É agora, pois, possível avaliar, com a informação já disponível, se os três objetivos políticos que Israel se propunha atingir foram alcançadas – destruição do programa nuclear, mudança do regime político e destruição da capacidade balística iraniana – e o que nos poderá reservar o futuro, decorrente desta primeira avaliação.

Tanto Israel como o Irão cantam vitória e assumem-se como vencedores. Uma leitura dos acontecimentos de maior granularidade leva-nos a outras conclusões. Podemos nesta altura afirmar, sem margem de erro, que apesar de terem sido operações taticamente brilhantes, tanto o ataque israelita como o americano foram estrategicamente inconsequentes.

Mesmo ainda sem dados para se avaliar com detalhe a gravidade dos danos, podemos afirmar que o programa nuclear iraniano foi afetado, mas não foi destruído. Contrariando as afirmações triunfalistas de Trump e de Netanyahu sobre o sucesso da operação, os serviços de inteligência dos EUA sugerem, numa avaliação preliminar, que os ataques não destruíram completamente as instalações nucleares iranianas. Parece que as infraestruturas críticas do ciclo do combustível nuclear não foram afetadas ou terão sofrido apenas danos menores. A confirmar isso, a ausência de sismos na região, provocados por explosões no subsolo. Neste sentido, alguma comunicação social hebraica veio dizer que “não foi Israel, mas os Estados Unidos, que atingiram o objetivo principal, atrasando o programa nuclear do Irão de 6 meses a 1 ano.”

No rescaldo das operações, parece que o regime dos aiatolas saiu reforçado, servindo a agressão para reunir a população em torno da sua liderança, mesmo aqueles que se lhe opunham ou lhe eram indiferentes. As mesquitas ficaram cheias como não se via há muito tempo. As minorias étnicas não se sublevaram. Falamos em particular das azeri e curda, esta última incentivada a fazê-lo pelo líder curdo iraquiano.

Confrontados com a impossibilidade de provocarem uma mudança do regime, Netanyahu e Trump vieram posteriormente dizer que isso não fazia parte do plano. Trump já não queria uma mudança de poder no Irão porque não desejava criar o “caos”. Por outro lado, o sistema balístico iraniano ficou longe de ter sido destruído.

Os EUA e Israel não pretendiam envolver-se numa guerra de atrito, que lhes iria ser desfavorável. Julgaram que o “choque e pavor” do ataque da primeira noite, ajoelharia o Irão e o levaria a sentar-se à mesa das negociações com os EUA, no dia 15 de junho, numa posição de extrema vulnerabilidade e pronto para assinar tudo o que lhe pusessem à frente.

Uma guerra prolongada daria vantagem ao Irão porque possui energia, matérias-primas, agricultura, etc., e também dimensão geográfica. Israel é um pequeno Estado de 20 mil quilómetros quadrados (mais pequeno que o Alentejo), enquanto o Irão tem cerca de 1 milhão e 650 mil. Em termos de área, Israel representa 1,2% do Irão.

Esta guerra veio provocar uma alteração qualitativa profunda no comportamento iraniano. Israel ficou a saber que futuros ataques ao Irão não ficarão sem resposta. As Forças de Defesa de Israel (FDI) destruíram a sua mística e perderam a reputação de invencibilidade que até aqui gozavam.

Apesar do seu poderoso sistema de intelligence, Israel subestimou a capacidade iraniana. Telavive julgou que o Irão estava mais fraco do que nunca a nível interno. Com base em acontecimentos anteriores, pensou que o Irão não iria responder, ou que o faria de um modo tímido, e que a guerra ia ser curta. O Irão iria ser, mais uma vez, humilhado.

Israel não só não conseguiu atingir os seus objetivos políticos como pagou caro a agressão ilegal ao Irão. Embora seja difícil ter uma noção exata dos danos causados pelo Irão, há factos indesmentíveis, como por exemplo, a destruição da capacidade portuária e aeroportuária israelita; a suspensão do comércio marítimo, as quebras generalizadas de energia elétrica, a economia devastada, etc. A Maersk suspendeu o trânsito pelo porto de Haifa, responsável por mais de 60% do comércio do país. As cidades israelitas arderam pela primeira vez. A isto junta-se a situação social no país causada pelas destruições causadas pelos mísseis iranianos.

Foi esta situação de debilidade, resultante dos ataques iranianos, que levou Telavive a pedir, mais uma vez, auxílio aos EUA. Desta vez, para negociar um cessar-fogo que terminasse com uma situação que se tinha tornado insustentável.

Os Estados Unidos

Embora não o reconheça publicamente, Israel está ciente das limitações da sua defesa aérea em deter os mísseis iranianos e da sua incapacidade em destruir o programa nuclear iraniano. O pedido de ajuda aos EUA visava envolvê-los diretamente no conflito, para fazerem aquilo que Telavive, por si só, não tinha possibilidade de realizar.

Se foram sempre claros os objetivos de Israel relativamente ao ataque ao Irão, o mesmo já não se pode dizer dos objetivos dos EUA. Descortinamos como possibilidade e em primeiro lugar, a do fim do programa nuclear iraniano, o que parece não ter corrido bem, apesar das declarações bombásticas de Trump e Netanyahu. Há rumores de que Washington teria informado Teerão antes dos ataques, o que complica ainda mais a análise, porque vem expor a falta de vontade dos EUA em defender o seu protetorado.

O ataque dos EUA às instalações nucleares iranianas foi seguido de ataques retaliatórios do Irão a várias instalações militares norte-americanas na região, em particular àquelas que se encontram sediadas no Catar, tendo sido as autoridades americanas previamente informadas. Teerão marcou, uma vez mais, a sua determinação em responder sempre que fosse atacado, ao mesmo tempo que evitou causar vítimas para não encurralar Trump e o empurrar para um maior envolvimento no conflito, algo que alegraria Netanyahu, mas em que Trump não estava nada interessado.

Com o ataque, Trump procurou agradar ao lobby israelita e aos setores belicistas do establishment político norte-americano, muitos instalados no partido republicano, mas, com a concretização do cessar-fogo a pedido de Telavive reconciliou-se com a sua base apoio. O seu discurso aparentemente errático, por vezes mal-entendido, refletiu a sua necessidade de satisfazer certos equilíbrios de poder internos.

Os ataques americanos às três instalações nucleares iranianas não só não impediram que Teerão desistisse do seu programa nuclear, como se poderão tornar num pretexto para Teerão se retirar do Tratado de Não Proliferação Nuclear (o que foi já declarado pelo seu ministro dos negócios estrangeiros), rever a fatwa de 2003 e obter capacidade nuclear militar.

A decapitação da estrutura superior das Forças Armadas e da Guarda Revolucionária provocada pelo insensato ataque israelita levou à ascensão dentro do regime da linha mais dura. Os militares vão ganhar mais poder e os gastos com a defesa aumentarão. Tudo isto poderia ter sido evitado, se tivesse sido levado por diante o que se encontrava na mesa de negociações entre os EUA e o Irão, antes do dia 13 de junho, isto é, a venda do urânio enriquecido a 60% a uma potência nuclear.

Não deixa de ser insólito, no meio disto tudo, que os EUA tenham avançado rapidamente e do nada com o cessar-fogo, sem exigirem a celebração de qualquer acordo no âmbito nuclear. Não terá sido apenas porque os israelitas tinham esgotado a sua defesa aérea, nos últimos dias incapaz de intercetar mais de cerca de 50% dos mísseis iranianos, passando estes a atingir as infraestruturas energéticas israelitas, uma vulnerabilidade bem conhecida de Israel, mas porque os danos passaram a ser incomportáveis. Só assim se explica a urgência de Israel em querer parar com os ataques.

O cessar-fogo não vai conduzir a conversações de paz e, por conseguinte, ao fim da guerra. Como afirmou o chefe do Estado-Maior israelita Eyal Zamir “a guerra não acabou — uma nova fase está para vir”, não sem dizer que Gaza continuará a ser a prioridade imediata. Poderão continuar as negociações entre os EUA e o Irão, mas não com Israel, que procurará manter com o Irão um modelo de relações semelhante ao que mantém com o Líbano. Não existirá um acordo de paz formal, mas um entendimento tácito de contenção e uma resposta militar cirúrgica, quando necessário.

Poderemos, pois, encontrar-nos perante uma alteração do modo como Israel fará a guerra no futuro. Em vez de optar por manter um confronto de atrito prolongado, em múltiplas frentes e com custos humanos e políticos elevados, Israel poderá optar por operações cirúrgicas e limitadas no tempo, mas com impacto estratégico. Falamos de golpes de precisão para enfraquecer a capacidade do inimigo, mas sem entrar num conflito total. Manterá a pressão e deterá os avanços do opositor, sem se envolver em guerras convencionais prolongadas.

Falamos de um arranjo funcional e pragmático que permita gerir o conflito sem resolver as suas causas. A situação de guerra não desaparecerá, mas transformar-se-á. Deixará de ser guerra total para se tornar uma gestão permanente e controlada da atrição, como a que se vive no Líbano. Este é o modelo que Israel procurará reproduzir. Nem vitória, nem paz, mas dissuasão e controlo permanente. Simultaneamente, Israel vai manter o equilíbrio de forças na região, evitando tanto a ascensão hegemónica xiita como a sua substituição por forças sunitas radicais.

8 pensamentos sobre “A guerra dos 12 dias

  1. Claro, a dar uma no cravo e uma na ferradura vai se conseguindo passar pelos intervalos da chuva…
    Já quem diz blasfémias como por exemplo que é mais fácil o Inferno congelar que a Ucrânia ganhar a guerra ou que Israel na realidade não existe nem nunca existiu,
    homicida, genocida e jagunço a soldo do Ocidente toda a gente pede que seja de vez colocado no Index.
    Típico da falta de vergonha na cara.
    Vão ver se o mar da megalodonte.

  2. Desde a sua fundação Israel foi criado como um estado “jagunço” para garantir o controle dos recursos do Médio Oriente já que não havia mais remédio a não ser descolonizar.
    Os serviços secretos ocidentais cedo viram o potencial dos sionistas para matar com crueldade e sem qualquer remorsos.
    E foi uma sorte fantástica que a terra que essa gente garantia ter lhes sido dada pelo próprio Deus ficasse numa terra tão rica em hidrocarbonetos.
    Seria uma grande chatice que essa terra tivesse sido na Península Ibérica e se tal tivesse acontecido ou descobriam mesmo aqui rios de petróleo ou ninguém lhes teria dado terra nenhuma.
    Porque a outro povo massacrado, os ciganos, também alvo das mesmas perseguições milenares, primeiro na Índia, de onde foram expulsos, depois na Europa, ninguém deu a ponta de um corno.
    Continuam a ser marginalizados e são um dos bodes expiatórios que alimentam o crescimento da extrema direita ate hoje.
    Por isso vao todos ver se o mar da megalodonte com essa história de que a criação desse estado jagunço e o apoio sordido que lhes dão até hoje tenha sido resultado de um sentimento de culpa por parte de uma gente que durante séculos nada mais fez que colonizar e exterminar muitos povos do mundo por vezes em escalas ainda piores.
    Os nativos americanos ou australianos que o digam.
    Pensar que mesmo um assassino messiânicos como Netanyahu se atreveria a atacar um país com pelo menos 60 vezes a superfície do seu e com dez vezes mais população sem ordens expressas dos amos americanos e o seu apoio se a coisa corresse mal e pensar na realidade possibilidade de haver unicórnios cor de rosa.
    Alias o chanceler alemão disse o com as letras todas “Israel faz o nosso trabalho sujo”.
    E a operação de 13 de Junho foi insidiosa e traiçoeira mas nada teve de brilhante. Não há brilhantismo nenhum em atacar de todas as formas possíveis um país que está em processo de negociações, escolhendo um dia de sexta feira, por lá um feriado cumprido a risca por ser dia que deve ser dedicado a oração.
    Brilhantes foram sim os engenheiros iranianos que em 10 horas trouxeram de volta os sistemas sabotados, a hierarquia iraniana que se soube reinventar e reorganizar e que na noite de dia 13 para 14 já estava a ir aos focinhos dos sionistas depois de durante o dia lhes ter mandado 100 drones fraquinhos que puseram os nossos comentadeiros a beira de um orgasmo falando num “tigre de papel” e sonhando já com um regresso da monarquia ao país.
    Porque e que ninguém fala no brilhantismo que foi a resposta iraniana a um ataque vicioso?
    Não queremos admitir que um estado teocrático também pode ser brilhante? Aceitem que doi menos.
    E o que quer que Israel faça a seguir será sempre por ordem dos seus amos ocidentais.
    Israel não existe como estado soberano, tal como a Ucrânia. O resto e conversa para boi dormir.
    Quanto a ideia de uma cultura judaico cristã claro que tal coisa não existe.
    O cristianismo foi uma ruptura com o judaísmo e tanto assim foi que a elite judaica arranjou maneira de pendurar o homem visto como o seu fundador numa cruz. Uma das mais cruéis formas de execução da história da humanidade.
    Se alguma coisa o Cristianismo herdou do judaísmo foi justamente o que foi renegado por Jesus.
    Misoginia e alguma crueldade.
    Aquele que se auto proclamou Apóstolo Paulo foi provavelmente um infiltrado que tentou minar por dentro um movimento que, cedo viram, não podia ser controlado com cruzes e pedras.
    Nalgumas das suas cartas o homem diz das mulheres o que Maome não disse do toucinho preconizando medidas restritivas, “se a mulher não quiser ser tosquiada que se cubra”.
    Foram essas palavras que justificaram a subaltenizacao da mulher também pelo Cristianismo, ao arrepio de tudo o que segundo os Evangelhos Jesus fez ou disse.
    Mas quem se afirmar cristão terá forçosamente de romper com uma religião que pregou o seu fundador numa cruz.
    Com uma religião que ainda hoje diz que os seus crentes são superiores aos outros povos, nação e raça escolhida.
    Ou então é tão cristão como eu, que não professo religião alguma.
    Vão ver se o mar da megalodonte.

  3. Carlos Branco parace não perceber duas coisas básicas:

    1) não existe “israel” e EUA enquanto duas entidades separadas. Este ataque foi, desde início, planeado, armado, e financiado pelos EUA. I

    O que aconteceu, desde culpar só Netanyahu, a fazer de conta que os EUA não estão por trás de tudo, está amplamente descrito em relatórios de think tanks ligados ao Pentágono.

    E por sua vez, os políticos dos EUA que implementam tal coisa, estão todos na folha de pagamentos da AIPAC (o “lobby” dos sionistas).

    Ainda caiam as primeiras bombas de “israel” no Irão na madrugada, e já as VASSALAS PROSTITUTAS CORRUPTAS (Leyen, Macron, etc) repetiam todos as palavras que os donos lhes mandaram:
    “israel tem o direito de se defender, o Irão não pode ter armas nucleares”.

    2) a outra coisa é o extremismo sunita, que não só não é evitado bem travado pelos EUA/”israel”, como bem pelo contrário é usado, armado, financiado, e até publicamente apoiado pelo império ocidental inteiro: EUA/israel e vassalos corruptos.

    O Pentágono e as IDF, a CIA e a Mossad, são unha com carne com os TERRORISTAS da AL-QAEDA na Síria, que os “democratas” ocidentais colocaram no poder na nova ditadura (muitíssimo mais brutal, por acrescentar extremismo religioso a um país onde o regime era secular) em Damasco.

    O al-Sharaa, novo ditador da Síria, ainda há uns meses atrás chamava-se al-Julani e era líder do HTS (Hay’at Tahrir al-Sham) depois de ter passado pela al-Nusra também. I.e. um braço da al-Qaeda na Síria, um terrorista com extenso currículo em decapitações e terror contra civis que não sejam tão Sunitas Salafitas quanto eles: a al-Qaeda e o ISIS.

    E, claro, ainda o al-Julani tinha 7m mandato de captura de 10 milhões de dólares nos EUA, e já a CNN dizia wue isto era uma “transição democrática” e um “jihadismo inclusivo”. Uma mera dessincronização na propaganda do império…

    Ora, estes terroristas Sunitas foram colocados no poder na Siria por EUA/israel para quê? Para matar xiitas, alawitas, druzes, cristãos, ateus, e em particular membros e simpatizantes do Hezbollah e aliados do Irão.
    As armas dos EUA usadas por “israel” foram usadas para destruir quase todos os meios militares que sobravam na Síria, e ainda invadir mais um pouco para lá dos Montes Golã.
    E o que é que al-Sharaa/al-Julani fez? Juras e amor a quem estava a bombardear o “seu” país…

    É gravíssimo que o menos mau do comentário em Portugal sobre geopolítica assuntos militares seja mesmo assim alguém que está tão a leste da realidade, como é o caso do Carlos Branco. O menos mau…
    Que situação triste, a deste Portugal.

    Nota: como já anunciado em posters em “israel”, e pelo Twitter/X/Truth do Trump, a Síria será um dos próximos vassalos a assinar os vergonhosos Acordos de Abrão, que reconhecem a anexação dos Montes Golã e muito mais.
    Uns acordos rejeitados pela larguíssima maioria dos Árabes, incluindo dos países (ditaduras) que os assinaram: Bahrein, Emirados (Dubai), e Marrocos.

    E sempre a p*ta da Bíblia (Acordos “Abrão”) a ser misturada com estes assuntos de forma propositada pelos sionistas.
    É um dos seus intrumentos preferidos para vender este COLONIALISMO ILEGÍTIMO E GENOCIDA à maioria do povo ocidental: vítimas ignorantes desta propaganda que, como um cão de Pavlov, ouvem estes termos Bíblicos, e a primeira reacção que têm é: “Abrão, israel? Isso está na Bíblia, logo é aquilo em que eu acredito”.

    Por isso é que cada vez mais se ouve a expressão “tradição judaico-cristã” quando na verdade não há tradição nenhuma em comum.
    Um Judeu que passe a acreditar em Jesus, deixa de ser Judeu.
    E um Cristão nega tudo aquilo em que os Judeus acreditam.
    As interpretações do Antigo Testamento entre estes dois credos, são tão distintas quanto um Benfica x Sporting.
    Agora imaginem alguém falar na “tradição benfiquisto-sportinguista” para se referir ao futebol português…
    Nesta analogia obviamente o Porto seria o Islão, mas mais vale acabar por aqui.

  4. O problema é que até os assassinos sionistas já devem ter percebido que qualquer ataque cirúrgico ao Irão dará origem a nova chuva de batatas quentes sobre aquele Alentejo que queima.
    O Irão já mostrou que perdeu completamente a paciência.
    Por isso agora dedicam se ao que realmente sabem fazer bem.
    Matar gente indefesa em Gaza e na Cisjordânia e de vez em quando bombardear o Líbano.
    Portanto se voltarem a tentar qualquer coisa contra o Irão tentarao novamente uma guerra total. Que espero sinceramente, lhes corra ainda pior que correu esta.
    E mais uma vez temos aqui outro povo que sempre vimos como coitadinhos, os curdos, a fazer uma figura indecente.
    Na Síria foram os curdos os grandes cúmplices da pilhagem dos recursos do Norte do país por conta dos Estados Unidos.
    Já antes, na primeira guerra do Golfo, acharam por bem atender só apelo de Bush pai e revoltar se contra Saddam.
    O seu futuro foi aquele que se viu, gente faminta a tentar desesperadamente fugir para o Irão e crianças a morrer como tordos de frio e de fome.
    Porque os Estados Unidos usam nos e deitam nos fora.
    Mas os bandalhos não aprendem nada, vendem se ao Ocidente que lhes promete um estado e depois quanto sofrem consequências lá lhes chamamos coitadinhos.
    Ora coitadinho é corno e ainda bem que os curdos iranianos tiveram mais juízo que isso.
    Porque se atendessem ao apelo provavelmente uns seriam massacrados e os chefes balançariam na ponta de uma corda num merecido castigo por se terem levantado a voz dos assassinos sionistas.
    E qual é a admiração por as mesquitas estarem cheias? Provavelmente no Irão ninguém matou aulas de história porque certamente lá não houve, como ca, interesse por parte do novo regime instalado em branquear os hediondos crimes do antigo.
    O que eu soube sobre o regime antigo foi das histórias cruéis dos meus pais e avós. O “programa” nunca era cumprido até ao fim e nunca chegavamos a fria madrugada.
    Hoje e pior ainda, o periodo por 25 de Abril e retratado como um período caótico em que milhares abandonaram o país.
    Sobre os exilados e até migrantes económicos que voltaram porque uma nova esperança nascia nem uma palavra.
    O antigo regime é visto como uma coisa boa que até nos livrou da participação na II Guerra Mundial.
    Da guerra em três frentes que sustentamos durante 13 anos, dos mortos e estropiados, dos crimes de guerra, dos que fugiram do país para não lá ir, pouco ou nada se diz.
    A polícia política e tratada pela rama.
    Por isso temos muitos jovens a dizer que nesse tempo é que era bom.
    Já no Irão, calculo que a ideia de voltar a ter uma monarquia gerida por um filho do louco deposto em 1979 depois de ter o país devastado por ataques sionistas deve ter feito mais de um ter vontade de borrar as calças.
    Mas antes de borrar as calças, o povo uniu se, lutou e frustrou os crueis planos sionistas e ocidentais.
    Um bravo a um povo que, ao contrario do nosso, não esqueceu a história.
    Todos os que não a esquecemos somos iranianos.

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