Crónica dos mil pascácios

(Miguel Castelo Branco, in Facebook, 25/02/2025, Revisão da Estátua)


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Os mil pascácios, que ainda há um mês se julgavam o centro da Terra e exerciam tiranicamente a langue de bois dessa cangalhada maltrapilha de supostos conceitos, tais como «ordem internacional regida por normas», «Ocidente alargado», «democracias liberais vs. iliberais», «o lado certo da História», «bombas de gasolina com armas nucleares» e «a nossa maneira de viver»,  enquanto pronunciavam fatwās pelas quais excomungavam a torto e a direito todos os que pudessem levantar a mais benigna objeção, acusando-os de alinhamento com as «autocracias», calaram-se subitamente e alguns até já ensaiam argumentos toscos para demonstrar que estão em trânsito para a nova situação.

De facto, essa gente envelheceu 100 anos num mês e transformou-se em Donas Elviras imprestáveis, calhambeques de outro mundo, pelo que vão ter de purgar gota a gota tanta jactância, adaptar-se ao novo tempo e procurar cabidela na era que agora lhes caiu aos trambolhões sobre os costados.

 Em 1524, fez agora 500 anos, a Europa esperou, ansiosa, o fim do mundo previsto por astrólogos. O erro terá sido de meio milénio, pois esse fim de um mundo aconteceu-lhes agora. Não sinto a mínima pena, embora já os esteja a ver a chegar a Moscovo com a cestinha na mão para vender grelos e cenouras no Aviapark.

14 pensamentos sobre “Crónica dos mil pascácios

  1. Pois, informações erradas, se calhar como a que ela deu quando garantiu que os russos andavam a desarmar maquinas de lavar para fazer mísseis.
    Ou quando disse que as vacinas COVID eram eficazes e seguras.
    Que belo haltere enfiado pelos cornos abaixo que se esta perdendo.

    • Eu daria uma melhor utilização ao haltere e publicaria o resultado no Pornhub…acredita que a malta ia gostar… não pela actriz mas pelo efeito grafico!

  2. Sim, o homem tem nos últimos tempos feito o que tem podido para nos envergonhar.
    O único alívio que tenho no meio disto tudo e de nunca ter votado em tal traste.
    Um apoio tão descarado a um nazi ainda e mais nojento vindo de alguém que nunca seria propriamente considerado ariano muito menos descendente de vikings e que se fosse cidadão comum a viver na Ucrânia nazi talvez já tivesse o competente tiro nos cornos.
    Vergonhoso mesmo.

  3. Ora vamos lá a falar de pornografia. Ainda que a criadagem órfã de Bruxelas e Estrasburgo há muito nos tenha habituado a comportamentos indignos, que nos envergonham como europeus e como homens (e mulheres, claro), a cena mais obscena que vi nos últimos tempos foi protagonizada por um pascácio português. Refiro-me ao molusco António Costa e ao seu (re)encontro, ontem, com o pirilau pianista de Kiev. Os saltinhos ridículos com que correu, nos últimos cinco metros, para os braços “viris” do pilopianista, qual noiva que há meses não vê o noivo; o “entusiasmo” plastificado com que, representando como canastrão, abraçou o anfitrião; a ternura obscenamente forçada de quem parecia reencontrar um irmão perdido desde a infância, com um esgar de prazer teatralizado a abrir-lhe a tromba de orelha a orelha, imitando um sorriso, enfim, toda a representação do viscoso gastrópode convidava ao vómito. Pornografia hard score, caros amigos, companheiros e camaradas! A vergonha que eu senti por aquele gajo ser português, porra!

  4. Todos os pascácios que afirmavam até poucas semanas atrás que o esforço de guerra era para continuar, “custasse o que custasse”, se converteram de súbito à paz, “mas não a qualquer custo”.
    Ele é o Professor Marcelo, que agora afirma à boca cheia que todos querem a paz. Ele é Primeiro Ministro, ele é até mesmo o inefável Ministro da Defesa, Nuno Melo, que agora afirma que além da paz, e só depois da paz, se poderá pensar em colocar forças armadas portuguesas na Ucrânia. De repente viram a luz e a paz transformou-se de tabu inconsiderável em meta a curto prazo, objectivo desejável, “mas não uma paz qualquer”. A guerra poderia estar a destruir a Ucrânia, as suas infra-estruturas, centenas de milhares de vidas, de deslocados e migrantes, de pobres, que era para continuar a todo o custo. De súbito, com a mudança de hiPOpoTamUS na Casa Branca, eis que o alinhamento das directrizes a que obedecem todos os apêndices europeus os fez mudar de perspectiva, e passaram agora a considerar a paz, antes proibida, “mas com reservas” e “à medida”, como fato de alfaiate. A miséria, morte e destruição que entretanto causaram 3 anos de guerra absurdamente promovida serão varridas para debaixo do tapete e todos os sabujos da administração Biden que repetiram a cassete da guerra a qualquer custo e apontaram o dedo aos “putinistas” serão agora as virgens vestais dos meses e anos vindouros, os “atlantistas moderados”, “com reservas”, mas sempre insistindo na corrida ao armamento, que nem a “nova pax americana” pode restringir, pois foi pensada para fomentar o medo da desprotecção e a carência de zelo do Grande Irmão, e gerar o pânico nos pascácios, nos “pazcácios” e nos “paxcácios”.

  5. Os retratos que por aqui vão surgindo fazem todo o sentido, mas os receios sentidos pelas elites (galinhas) serão tudo menos surpresa. Sempre foi evidente que o conflito é entre os EUA e a Rússia através de uma entidade sacrificial intermédia que foi fornecendo a carne para canhão. Assim sendo, quando o novo inquilino da C. Branca se dedicou à paz, é naturalíssimo que as conversas mais importantes surgissem entre os dois contendores, deixando para lugar secundário ou terciário o resto do galinheiro ou dos palhaços do circo, como se queira. O seu patético esforço para se ergurem em bicos de pés e fingirem um protagonismo que nunca tiveram torna-se tão ridículo que chega a meter dó. Se as elites europeias sempre apostaram tudo na guerra e boicotarm os caminhos para a paz, agora querem o quê? Com a guerra a acabar, andam desesperados a intensificar a corrida aos armamentos? Ah, a segurança, pois claro. Já Hitler dizia:” quanto mais canhões se fizerem, mais paz haverá”, e ele sabia do que falava. Nunca ninguém estará seguro até que todos estejam seguros.

  6. Grande texto! E o comentário de Whale também muito esclarecedor. Um dos gravíssimos problemas nesta situação é que esses políticos sociopatas neoliberais neonazis que agora já estão cheios de medo, como cobardolas que são, assassinaram milhões de pessoas e deixaram muitas outras completamente à deriva, tanto na Ucrânia como na União Europeia e também no resto do mundo, onde têm metido as suas garras. Agora querem sair incólumes, como se fossem pessoas normais e não tivessem causado nenhum dano aos outros. Eles deveriam ser condenados a prisão perpétua e confiscados todos os seus bens (e aqueles que ganharam de forma ilícita e colocaram no nome de familiares). Isso era fazer a devida justiça. As vítimas merecem. Será que ela algum dia será feita? Na união europeia, uma grande parte da população continua a trabalhar no duro para eles espatifarem o dinheiro e assassinarem pessoas e a deixar-se manipular uma vez e outra. Quando é que nos libertamos de vez destes criminosos? Ou ainda temos é de pedir encarecidamente ao Putin que o faça?

  7. Um consolo para malta como eu que passei meses a ouvir atrocidades como as descritas no artigo.
    Isso e as tais fatwas contra dissidentes e, pior que tudo, uma russofobia de crueldade extrema e um discurso de ódio contra o seu dirigente que tocava as raias da insanidade.
    A alegria insana sempre que se notíciava a morte de soldados russos era arrepiante e, claro, a treta de Bucha foi engolida com anzol, linha e chumbada.
    Eu as vezes pensava que era mesmo falta do que fazer.
    Eu tinha trabalho até às tetas e não tinha tempo para nada. Muitas vezes pensava que podia aparecer por ali o Putin montado num urso que eu nem lhe olhava e se o fizesse seria para lhe pedir uma ajudinha que outra intenção não podia ter.
    Seis meses volvidos acabei a mudar de serviço em estado de pura exaustao.
    Passei aqueles meses a ir assim que acordava ao Site do Resistir porque sabia que ali encontraria, se tivesse acontecido, qualquer notícia que alvoroçasse de vez aquela galinhagem tipo uma derrota épica russa ou, o desejo mais profundo daquela cambada, o assassinato do Putin.
    Era altura de meter atestado porque a perspetiva ainda por cima me assustava.
    Estava as voltas com sequelas da vacina, depois de meses de danos cognitivos a coisa estava me literalmente a ir ao osso.
    Emagrecia a olhos vistos, estava num estado de exaustão cada vez maior e não me conseguia imaginar a viver num mundo dominado totalmente por a gente que tinha sido capaz de me fazer aquilo.
    Ainda hoje, praticando musculação e o estilo de vida restritivo associado, para não virar um peixe seco a perspectiva me arrepia. Esqueçam esses filmes em que o praticante sai do ginásio e vai beber jolas e mesmo assim e todo bombado.
    Arrepia me também que esta gente da União Europeia não desista e nos queira mesmo convencer a endividarmo nos ainda mais e a hipotecar as nossas vidas para gastar em armas que, mais tarde ou mais cedo serão usadas numa confrontação com a Rússia com um pretexto qualquer.
    Não sei nem me interessa como andara aquela galinhagem agora mas espero que tenham medo, muito, de ver mesmo o Putin montado num urso.
    O problema e que esse medo vai levar a galinhagem em geral a achar normal que continuemos nos a fazer a guerra a Rússia no território da Ucrânia.
    O que esta gente não percebe e que se mandarmos oficialmente as nossas tropas para lá entramos em guerra com a Rússia. E a Rússia não terá motivo nenhum para não expandir a guerra aos nossos territórios em especial se atacarmos o seu território e há muito que ajudamos os ucranianos a fazê-lo.
    E sendo que temos menos de um terço do território da Rússia e 450 milhões de habitantes em cagalhão num espaço muito mais pequeno podemos sofrer baixas civis terríveis. Em especial se os
    Estados Unidos cumprirem a promessa de não mexer uma palha.
    Acham mesmo que vale a pena arriscar as nossas vidas porque se não vêem aí os russos destruir o nosso modo de vida.
    O que não vêem e que torrar dinheiro em armas em vez do que realmente interessa pode cortar a vida a muito boa gente e uma guerra pode deixar muita gente sem vida nenhuma.
    Mas como ninguém acorda e sai para a rua dizendo “nem mais um cêntimo para armas, nem mais um tostão para a ditadura de Zelensky”, vamos mesmo ter de levar com isto tudo apesar da lucidez de alguns que andam por aqui.
    Efectivamente e sempre um consolo tropeçar em gente lúcida.

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