Trump e a saída da ONU: um novo modelo global

(A l e x a n d r e D u g i n, in ArktosJournal, 21/02/2025, Trad. Estátua)

Os Estados Unidos querem deixar a ONU. Alexander Dugin revela o que vai acontecer a seguir.


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A iniciativa dos congressistas republicanos para que os EUA saiam das Nações Unidas não é surpreendente. A ONU há muito deixou de corresponder às realidades da política internacional. É um fantasma dorido: a estrutura das Nações Unidas reflete o equilíbrio de poder que surgiu após a Segunda Guerra Mundial, no qual havia dois blocos antagónicos e o Movimento dos Não-Alinhados. Mas foi precisamente entre esses dois blocos, capitalista e socialista, que toda a arquitetura real da política mundial se desenrolou.

Após o colapso da União Soviética, um dos polos foi eliminado. A partir daquele momento, a ONU não correspondia mais à sua função original e não refletia o real equilíbrio de poder. Os americanos queriam construir um modelo unipolar, substituindo a ONU por um “Fórum” ou “Liga das Democracias”, que cimentaria a unipolaridade da ordem mundial, a hegemonia dos EUA e das potências que concordassem em ser seus satélites.

A atual administração Trump acredita que o campo internacional realmente precisa de ser reestruturado.

Gradualmente, o mundo unipolar, que não estava ancorado no direito internacional, também foi amplamente superado. Como resultado, a estrutura de um mundo multipolar começou a formar-se, encontrando a sua expressão no grupo BRICS. Essa estrutura corresponde mais precisamente às novas regras e normas da política internacional. Mas, é claro, ainda não se tornou um substituto da ONU.

A administração Trump acredita que o campo internacional realmente precisa de reestruturação. Além disso, também numa chave multipolar, mas não dependendo do BRICS. Este é um modelo completamente diferente e alternativo de multipolaridade. Mas, em qualquer caso, a saída dos EUA da ONU e a cessação da existência desta organização na forma em que foi criada após a Segunda Guerra Mundial é inevitável. Mais cedo ou mais tarde, isso acontecerá, já que Trump está a conduzir reformas bem rápidas.

Quando os EUA finalmente saírem da ONU, eles podem ser corajosamente transformados em BRICS (ou UN-BRICS).

Embora sem a participação do Ocidente, é improvável que este projeto seja realizado como uma ferramenta completa de multipolaridade. Especialmente considerando que a União Europeia continua a manter posições globalistas. Portanto, é mais provável que, nas circunstâncias atuais, a saída dos EUA da ONU ponha fim à história da existência desta organização. Sim, como um rudimento, ela pode continuar a existir por algum tempo, embora já esteja, em essência, impotente, paralisada. Embora provavelmente insistamos na sua preservação por um longo tempo de forma persistente. E a nossa posição é provavelmente diplomaticamente correta, mas dificilmente produzirá qualquer resultado.

O mais importante para nós (Federação Russa) agora é negociar com a América sobre a instauração de uma nova ordem mundial.

Claro, também devemos envolver a China, a Índia e outras civilizações estatais neste processo de revisão da arquitetura global. Somente nessa base pode ser formado um novo modelo de relações internacionais e os sistemas legais que servirão como plataformas para sua regulamentação.

Fonte aqui.


5 pensamentos sobre “Trump e a saída da ONU: um novo modelo global

  1. A ilustração em estilo Grand Theft Auto está muito bem conseguida, facilmente o Trump poderia ser um boss nesse jogo de computador, instalado na sua Trump Tower, um Rei do Crime (Kingpin) como Wilson Fisk nos quadradinhos do Demolidor (DareDevil), do Homem-Aranha (Spider-Man) ou do Justiceiro (Punisher). Ele certamente terá inúmeros trabalhos e missões para os seus Minions, quer os que actuam dentro da lei, como os fora-da-lei. E muitos até actuam em ambos os cenários. É um admirável mundo novo, este dos empreendedores que não são políticos de carreira. Por cá na Tuga têm vários seguidores, e muito “solo virgem” para construir torres e instalar reis do crime, ou barões, vá, que reis não há muitos e papa havia um, falecido recentemente.

  2. Acontece que a coisa pode correr bem mal para os mexilhões europeus, comandados por um bando de psicopatas, com uma população anestesiada pela propaganda, abandonados por um tubarão poderoso que se serviu de nós para o que bem entendeu e odiados por um vizinho poderoso.
    Dizem que precisamos de 350 mil militares para substituir as tropas norte americanas na Europa.
    Trabalhar pela paz não passa pelos planos dessa gente.
    Alguém perguntou de onde virá o dinheiro para alimentar essa gente, para os alojar, para lhes pagar armas, fardas, equipamento, ordenados?
    De onde virá a mão de obra para os substituir?
    Acham mesmo que a eutanásia, de que a terra de Mark Rutte foi pioneira vai garantir dinheiro para isso tudo por não ser preciso cuidar de gente com doenças dispendiosas?
    Pois e, estamos metidos num belo sarilho que era bem escusado se tivéssemos vergonha no focinho e não quiséssemos continuar a viver a custa da miséria alheia.

  3. O fim da ONU por muito natural me inevitável que seja não é o fim da história. Os interesses económicos das diversas burguesias por esse mundo fora mantêm-se e continuarão em guerra uns com os outros sempre que puderem e vislumbrarem vitórias. Claro que o mexilhão continua na sua, a trabalhar para sobreviver e aguentar as porradas que hão de vir tão inevitavelmente como o fim da ONU e qualquer outro areópago internacional, BRICS incluídos.

  4. Estamos metidos numa bela camisa de 11 varas.
    Trump estasse nas tintas para a Europa, o negócio dele e outro.
    O que o sujeito já percebeu e que a derrota militar da Rússia e impossível pelo que agora e tudo uma questão de negociar zonas de influência e a verdade e que por muitos soldadinhos de chumbo que armemos não podemos haver nos com a Rússia numa guerra total tendo a certeza que os Estados Unidos não mexerao uma palha.
    Os dirigentes europeus embarcaram na russofobia e não foram capazes de ler a escrita na parede.
    E sempre esteve escrito. Numa população ignorante, supremacista, de valores cavernicolas a que decidimos eufemisticamente chamar conservadores que podia muito bem um dia votar num sujeito destes.
    A nossa sorte poderá ser a Rússia não precisar de nós para nada mas aqui pode haver uma certa medida de vingança.
    Nos últimos três anos e já antes, os nossos dirigentes escarraram ódio contra a Rússia.
    Uns mais outros menos, fornecemos todas as armas que pudemos e mandamos para a Ucrânia milhares de combatentes.
    Calculasse que pelo menos dois mil polacos tenham perdido a vida nas estepes ucranianas.
    Deixamos recrutadores assediarem cruelmente jovens da diaspora.
    Acima de tudo justificamos os crimes mais cruéis e a destruição física de dirigentes russos.
    Em França chegou a haver debates televisivos em que o que se discutia a cara podre eram maneiras de assassinar Putin.
    E vejamos, Portugal poderia agora estar em guerra com Espanha e eu daria uma boa barbatana de baleia no focinho a quem defendesse que éramos parte de Espanha.
    Mas nunca defenderia que lhe pudessem uma bomba no carro. Não acredito na morte de gente por opiniões, por muito envinagradas que sejam.
    Foi esse remédio radical que terroristas ucranianos tentaram aplicar ao articulista tendo morrido a sua filha no seu lugar.
    Eu não quero imaginar as boas contas que um sujeito destes nos quer e como ele os familiares das vítimas do ataque ao Crocus City Hall, de jornalistas e outra gente morta pelo terrorismo ucraniano que apoiamos sem vacilar estes anos todos.
    E, na segunda feira, vamos todos em carreirinha a Kiev garantir o apoio a mesma corja.
    Sabendo que o nosso Grande Irmão se está nas tintas para nos.
    Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.

    • Vai haver nova excursão das Macronettes, ou melhor, Morconettes, a Kyev, perdão, a Kyiv? O Costa e a vontade der Leyen também vão? Andam sempre a passear de um lado para o outro, em almoços e jantaradas… Boas vidas. O pior é o que provocam às vidas dos outros europeus. Enquanto não forem presos, vai continuar este regabofe. Por muito menos, pelas alegadas luvas que recebeu do Kadhafi, prenderam o Sarkozy. Estes, com tanto dinheiro que desviaram dos europeus para o regime mais corrupto da Europa, o da Ucrânia (já era antes da guerra, ainda mais se tornou), andam de vento em popa. Até os Pandora Papers do Zelensky foram transformados em avioezinhos de papel, para ajudar o Fantasma de Kyev, perdão, Kyiv a derrubar os MiG russos. Mas há quem a-poie tudo isto. Pategos na Europa é o que não falta, e bimbos também.

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