Uma Invasão provocada

(Major-General Raúl Cunha, in Facebook, 09/02/2025)


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Um dos aspetos que importa agora reconhecer é que a invasão da Ucrânia pela Rússia foi, de facto, provocada! E isso é importante pois, na prática, permite perceber que existem soluções diplomáticas para terminar este conflito e para dar resposta às inerentes questões de segurança.

No entanto, um dos problemas é que ainda atualmente e apesar de serem cada vez mais óbvias as evidências sobre a realidade do que tem vindo a ocorrer, um grupo de políticos, académicos, comentadores e jornalistas mal intencionados continua a propagar, falsificar e distorcer os factos, levando a que a generalidade das pessoas persista em aceitar uma narrativa de guerra construída para apoiar essa propaganda do dito “ocidente alargado” e que toma fevereiro de 2022 como o ponto de partida do conflito, negligenciando toda uma história importante desde o golpe de estado fomentado por esse mesmo Ocidente em Kiev, em 2014.

Nessa altura, os EUA instalaram um novo governo com um novo chefe dos serviços de informações ucranianos, e a primeira coisa que o novo dirigente desses serviços fez, no primeiro dia após o golpe, foi pedir o apoio da CIA e do MI6 para iniciar uma guerra secreta contra a Rússia. Isto precedeu mesmo a anexação da Crimeia pela Rússia e o conflito no Donbass. Foram então estabelecidas bases da CIA para espionagem, roubo de tecnologias confidenciais e até para incursões no território russo. A população ucraniana foi, entretanto, submetida a uma desrussificação, sendo-lhe negados direitos linguísticos e religiosos (mais de 60% da população utilizava diariamente a língua russa e praticava a religião ortodoxa canónica), enquanto todos os partidos da oposição política e a quase totalidade dos meios de comunicação social foram expurgados.

Os alemães e franceses (que testemunharam os acordos de Minsk) e os ucranianos já vieram admitir que não havia qualquer intenção de implementar esses acordos, mas que o objectivo era ganhar tempo para mudar a realidade na região através da construção de um grande exército ucraniano.

As principais potências da NATO modernizaram as forças armadas ucranianas fornecendo grandes quantidades de armamento, sobretudo de artilharia, defesa aérea e anticarro, e intensificaram-se os exercícios militares simulando e preparando uma guerra contra a Rússia.

A recusa e evasão a todas as tentativas do presidente russo para negociar uma melhor arquitetura de segurança europeia e para levar a cabo o cumprimento dos acordos de Minsk, bem como as declarações do presidente ucraniano de desejar que a Ucrânia fosse admitida na NATO e recebesse armamento nuclear, levaram a um forte acréscimo das tensões locais e, finalmente, a postura das forças militares ucranianas no Donbass com um aumento exponencial dos efetivos em contacto e sobretudo com o início de intensos fogos de artilharia (testemunhados e registados pela Missão de Verificação da OSCE no local) característicos da preparação de um assalto, convenceram a Rússia de que tinha que atacar a Ucrânia, de forma a evitar a chacina pelos nazis ucranianos das populações do Donbass e Crimeia ou mesmo de ser atacada no seu próprio território.

8 pensamentos sobre “Uma Invasão provocada

  1. Muito obrigado, sr. Major-General pelos esclarecimentos factuais que só podiam ter epílogo numa guerra de procuração, imperialista, instigada pelo “ocidente alargado” (parece que este conceito entrou em desuso no cardápio vulgar e estupidificante dos comentadores pavlonianos da CNN, Now, da Sic rogeirianamilhaziana e quejandos).
    Grato pela sua coragem e lucidez!

  2. O MJ Raul Cunha traçou um quadro bem objectivo da situação, o que, vindo de um elemento das FA supostamente próximo da NATO, não deixa de ser notável, ao contrário de outros colegas seus, comentadeiros encartados, que não hesitam em bajular os falcões dessa santa aliança defensiva. Gostava de acrescentar um detalhe particularmente significativo, ainda que muito pouco conhecido. Aquando do golpe nazi de 2014, uma das primeiras acções do novo governo prontamente reconhecido pelas democracias ocidentais, as tais defensoras dos valores, foi enviar de imediato para os EUA a totalidade das reservas de ouro do país. Algumas pessoas testemunharam o facto e viram as caixas ser carregadas num avião descaracterizado. Note-se que não foram enviadas nem para a Suíça nem para Londres, desmentindo assim a tese de que o novo governo teria agido com receio de uma invasão russa. Traduzindo: – sim, nós apoiamos, mas vocês passam para cá a totalidade das barrinhas do preciso metal e bolinha baixa!!!

  3. A Congregação para a Doutrina da Fé também começou plena de boas intenções, visando reforçar as boas práticas católicas. Acabou a torturar, amputar, e matar pessoas por dá cá aquela palha, por bufaria de gente grunha e patega. Nos séculos seguintes a Igreja Católica consolidou-se internamente como um antro de corrupção, ladroagem, extorsão, vigarice, depravação e pedofilia.
    Claro que o demagogo Trump não vai deixar que nas Américas, com os seus farolins Liberdade e Democracia, a coisa descambe a esse ponto. E com uma senhora a controlar essas operações de fé, certamente não queimarão bruxas na fogueira ou afogarão apóstatas, pelo que podemos ficar todos descansados – isto é tudo para mais gente ir parar ao Céu da divindade cor-de-laranja, e quanto mais directamente, melhor, para não se perderem pelo caminho.
    Seja como for, cá na Pategónia já temos um profeta desse culto, o 4.o pastorinho, que vai vender Bíblias homologadas e com o selo de aprovação do Grande Irmão enquanto prega a castração química para pedófilos e a amputações das manápulas a gatunos inveterados, incluindo os que o elegeram dentro do seu partido e por lá se têm dado tão bem a defender essas mesmas causas.
    Ah, estes ventos de mudança, este vanguardismo futurista… só podia ser na terra dos livres, casa dos bravos. Agora vamos ver se a Dona Úrsula não quer ela própria instaurar ministério semelhante, invocando a sua imunidade como bruxa não eleita para que a deixem continuar a ir ao pote e a distribuir picas e bazucas. As vezes que forem precisas. Vai ficar tudo bem…

    • Mas os assassinos fardados não precisam de perder o sono, e podem ficar descansados, estão desde já absolvidos e abençoados pelo homem-novo que trata Nossa Senhora de Fátima por tu. Louvados sejam, desde que mantenham a farda bem engomada e aprumada, as botas a brilhar, e a sua disponibilidade para seguir o apóstolo supremo fanaticamente e beber dele a sabedoria, seja ele um T-Rex cor-de-laranja, um sumo de Abascal tonificado com palhinha de plástico, uma Le Pen com tinta que não é da China, ou um Geert Wilders bom selvagem e também ele alaranjado, há de todas as variedades e para todos os gostos, assim pregava o Intruja.

  4. Já agora, o Tiranossauro criou mesmo um tal de “Departamento da Fé” que visa, segundo o próprio, combater o preconceito anti cristão e defender os cristãos.
    Será chefiado por uma televangelista, Paula White de seu nome.
    Aviso já, não ponho o traseiro em culto nenhum e não pago dizimo a cabrao de pastor nenhum.
    E podem me chamar quantos nomes quiserem mas só acredito vagamente num santo protector dos cachalotes e quero que os pseudo cristãos vão ver se o mar da tubarão branco cheio de larica.
    Já agora, o dinheiro custa me a ganhar.

  5. Claro que a coisa foi provocada.
    Quando Herr Zelensky disse que a Ucrânia teria capacidade nuclear lá para o Verão e que iria ocupar militarmente a Crimeia estava literalmente a convidar a invasão.
    Dissesse o presidente do México que iria ter armas nucleares e reconquistar a Califórnia e o México hoje só constaria nos livros de história.
    Depois era mais que certo que os nazis ucranianos se preparavam para uma grande limpeza étnica nas regiões russofonas.
    Uma limpeza que causaria revolta na Rússia e que provavelmente terminaria com Putin a enfrentar um pelotão de fuzilamento.
    A Rússia tem uma moratória sobre a pena de morte há uns 20 anos mas ela não deixaria de cair em cima de quem fosse acusado de deixar acontecer um massacre de um milhão de mortos.
    Era quantos os nazis achavam necessário matar para garantir a completa limpeza do território e isso foi dito claramente por muitos.
    Um comentador reconheceu que Putin foi colocado entre a morte e fazer a guerra e se era verdade que o Ocidente não queria a guerra nunca poderia ter colocado o homem perante essa escolha.
    E claro que a escolha seria essa pois que ninguém tem vocação para Cristo.
    O que ninguém pensou e que a Rússia resistiria as nossas maravilhosas armas, as nossas sanções e aos exércitos mercenários.
    Mas passaram três anos, a economia russa continua firme, a Europa definha e isto não tem fim a vista.
    Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.

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