(Vanessa Martina-Silva, in Diálogos do Sul, 30/01/2025)

Proposta prevê Ucrânia fora da NATO, adesão à União Europeia, fim das sanções à Rússia e reconhecimento dos territórios ocupados. Conferência internacional e eleições ucranianas também integram cronograma.
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Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, estaria articulando um plano de paz de cem dias para encerrar a guerra por procuração na Ucrânia. A informação consta de um documento vazado pelo periódico ucraniano Strana, que detalha nove pontos para finalizar o conflito. De acordo com o jornalista Tim White, há relatos de que autoridades da União Europeia teriam enviado detalhes do plano a Kiev. O documento, no entanto, não foi confirmado por nenhuma fonte oficial.
A Europa recebeu mal a informação e os principais jornais do bloco manifestaram repúdio a uma negociação que não contemple os sócios da Otan, verdadeira impulsionadora da guerra. Desde o início do conflito, a União Europeia e o Reino Unido têm se comportado como vassalos dos Estados Unidos contra a Rússia. Na prática, os europeus abriram mão de sua soberania em troca de uma falsa sensação de segurança, se alinharam cegamente aos interesses estratégicos estadunidenses e terão que arcar com a fatura da guerra.
Mais um “Dia da Vitória” contra os nazis
O jornal Strana revelou que o plano de 100 dias, atribuído a Donald Trump, está sendo intensamente discutido nos círculos políticos de Kiev, que vê sua força militar minguar junto com a popularidade de seu governante, Volodmir Zelensky, que conta com a aprovação de apenas 34% da população, de acordo com o instituto ucraniano Razumkov.
.O primeiro passo do cronograma carregado de simbologias seria a revogação, por Kiev, do decreto que proíbe negociações com o presidente russo, Vladimir Putin. Em seguida, Trump se reuniria com representantes de ambos os países para estabelecer os parâmetros do processo de paz.
Neste ano, a Páscoa cristã, celebrada por católicos e protestantes, coincide com a comemoração ortodoxa. Esta data, 20 de abril, marcaria o inícío de um cessar-fogo, com a retirada definitiva das tropas ucranianas da região russa de Kursk. No fim de abril, seria realizada uma Conferência Internacional de Paz, mediada pelos EUA, China, países europeus e do Sul Global, com o objetivo de formalizar o fim da guerra.
Já a assinatura oficial do acordo ocorreria em 9 de maio, coincidindo com o “Dia da Vitória” da antiga União Soviética sobre a Alemanha nazista, em 1945. A simbologia viria carregada de significados, já que a Rússia diz estar travando um combate pela desnazificação ucraniana. O cronograma ainda contempla eleições presidenciais na Ucrânia em agosto de 2025 e parlamentares em outubro do mesmo ano.
Pilares do acordo de paz
O que tem chamado a atenção europeia e ucraniana é que o documento vazado detalha o processo para a paz sem garantir espaço para revisões ou negociações. Manchetes como “Europa teme ser relegada por Trump em negociações de paz sobre Ucrânia”, publicadas pelo o El País, evidenciam essa insatisfação. Para os europeus, o plano, como está sendo proposto, retira seu protagonismo em uma guerra na qual investiram cerca de US$ 135 bilhões em três anos, somando assistência militar, econômica e humanitária.
Os termos do acordo são:
- Neutralidade da Ucrânia e proibição de seu ingresso na Organização do Tratado Atlântico Norte (Otan).
- Adesão da Ucrânia à União Europeia, prevista para ocorrer até 2030.
- Manutenção do Exército Ucraniano e continuidade do apoio norte-americano à modernização das Forças Armadas do país.
- Os territórios ocupados pela Rússia não poderão ser reivindicados pela Ucrânia, embora não haja reconhecimento formal da soberania russa nessas regiões.
- Levantamento gradual das sanções impostas à Rússia no prazo de três anos.
- Retirada das restrições de importação de energia russa pela União Europeia, com a implementação de uma taxação especial destinada à reconstrução da Ucrânia.
- Fim da proibição de partidos políticos pró-Rússia, permitindo que participem do sistema eleitoral ucraniano.
- Revogação das restrições ao uso do idioma russo e à Igreja Ortodoxa Ucraniana.
- Possível presença de forças de paz europeias após o cessar-fogo.
Moscovo em posição confortável
Em declarações recentes, Putin confirmou disposição de conversar com Trump, mas negou quaisquer negociações com Zelensky, cujo mandato presidencial acabou em maio do ano passado.
Diversos analistas avaliam que Moscovo se encontra em uma posição favorável demais para ceder em negociações. Entre outubro e dezembro do ano passado, as tropas russas avançaram 593 km², uma média de 18 km² por dia em solo ucraniano.
Além disso, conquistaram localidades estratégicas, como Velika Novosilka, ao sul de Donetsk, e prosseguem com avanços em várias frentes, incluindo Kurakhovo, consolidando seu controle sobre áreas vitais. Por sua vez, a Ucrânia se encontra debilitada militar e economicamente em sem a ajuda dos Estados Unidos, poderia perder definitivamente a guerra em meses.
Butim de guerra europeu
A Europa abraçou a política dos EUA, via Otan, de agredir a Rússia militar – via Ucrânia – e economicamente – via sanções. A Europa se calou diante da destruição do gasoduto Nord Stream 2. A Europa abraçou a proibição do fornecimento de energia russa, ainda que isso custasse o desempenho da sua indústria. A Europa financiou a aventura militar ucraniana.
Ao fim da guerra, a obediente Europa deverá reconstruir a Ucrânia e aceitá-la como membro da UE até 2030. A Europa também deverá voltar a importar gás e petróleo russo e deverá pagar uma taxação especial destinada exclusivamente para financiar a reconstrução da Ucrânia.
O documento vazado pode ser um balão de ensaio para sentir as reações globais, como muitos analistas consideram, mas a moral da história por ora é: o império nunca respeita seus vassalos. A lição cabe também à América Latina e a governos entreguistas da nossa região: submissão não compra soberania
* Com informações de Strana Today, El País, Newsweek e podcast La Base
Fonte aqui
E, claro, se algum plano de paz for para a frente será apenas a Europa a pagar a dispendiosa reconstrução da Ucrânia sendo certo que empreiteiros estado unidenses não deixarão de lá estar.
Nesta guerra por procuração só haverá um vencedor, a nação indispensável.
A Europa enterrou recursos e ate muita gente pois que nunca saberemos quantos europeus que para lá foram como mercenários encontraram a morte nas estepes da Ucrânia.
E terá de enterrar muito mais se for forçada a pagar a reconstrução.
Tudo por uma clique dirigente revanchista que não soube fazer o que fez Portugal terminadas as Guerras da Restauração, seguir em frente.
Mas tivemos uma Polónia a querer vingar se, um bálticos raivosos e dirigentes alemães a querer vingar avós mortos e entradas do exército russo em Berlim.
Em vez de seguir em frente decidiram regressar a Napoleão e Hitler pensando que a terceira seria de ver até por desta vez termos as maravilhosas armas estado unidenses.
Agora estes dizem que não vão continuar a pagar a conta e se queremos continuar a guerra teremos de a pagar. Claro como a agua sendo certo que a reconstrução vamos paga la nos.
Pode ser que desta vez aprendam que o que e dos outros não se pode ter. Mas duvido muito.
Pau que nasce torto tarde ou nunca se endireita.
Ao contrário de Herr Zelensky, que assim conseguiu enganar a maior parte da população no massacrado Leste do país, estes nossos candidatos do mal dizem claramente ao que vêem.
Se toda a gente que na Ucrânia não era nazi e não andava a delirar com uma descendência viking pode dizer que foi enganada, aqui quem votar Melo ou Ventura não pode dizer que foi enganada.
Muitos italianos que votaram Meloni podem dizer que foram enganados.
Claro que a senhora prometia dividir, prender, expulsar. Mas prometia também fazer finca pe a NATO e deixar de enterrar recursos italianos na guerra por procuração na Ucrânia. E fazer finca pe ao verdadeiro espartilho que sao as regras orçamentais comunitárias.
Para na manhã do seu triunfo acordar miraculosamente convertida a necessidade imperiosa de combater os russos, apoiar a NATO e seguir as regras europeias.
A única parte que cumpriu foi mesmo a de contribuir activamente para que mais gente se afogue no Mediterrâneo, seja torturada na Libia ou enfiada em campos de concentração na Albânia.
E e cavalgando a cada vez maior oposição dos povos ao enterrar de dinheiro no buraco negro da Ucrânia que a extrema direita em todo o lado tem crescido. Para no outro dia dar o dito pelo não dito.
Já aqui, sendo que a russofobia salazarenta ficou bem cravada na população e descendentes, eles podem dizer claramente ao que vêem em todo o lado.
O almirante até já disse com as letras todas que morreremos onde tivermos de morrer.
Por isso, se o pior acontecer vão se queixar ao Papa porque ninguém pode dizer que foi enganado.
E hora sim de abrir a pestana.
Ou isto pode correr muito mal.
O Zelensky também era outro que “ia limpar” a Ucrânia. Também iludiu muita gente na televisão, antes de ser político, numa antecâmara de mediatismo para recolher popularidade, não a comentar futebol com cegueira clubista de conversa de tasca, mas a representar um cidadão comum fictício, cheio de boas intenções, valores nobres e patriotismo, que se tornou um político e chegou a presidente da república, inaugurando aí a era dourada do virtuosismo, do progresso e da felicidade da nação ucraniana, ou a fazer números cómico-ridículos como actor de variedades.
Os resultados deste “homem providencial”, meio fictício, meio propagandístico, estão à vista no que a Ucrânia se tornou. Logo ele, que prometia pluralidade étnica, linguística, cultural e religiosa, e nem apregoava leis de segregação racial, como outros “homens providenciais fazem”… agora pensem. O conto do vigário tem muitas formas, o fim é sempre o mesmo, o vigário pode ou não ser apanhado e pode ou não ser punido e pagar caro, os vigarizados pagam sempre, e quanto maior for a dimensão da vigarice, mais ficam a perder.
E quem diz pluralidade étnica, linguística, cultural e religiosa diz também política, associativa, sindical, cooperativa… os “homens providenciais” que as prometem, como Zelensky, esse grande estadista, não as cumprem depois e justificam-o, claro, com um bode expiatório, uma “quinta coluna” ou “influência estrangeira”, com motivos de “força maior”, como que forçados a tal e contrariados.
Agora imaginem o que farão os “homens providenciais” que assumem que é precisamente para segregar, dividir, expulsar, prender, proibir e oprimir que querem ser eleitos “salvadores da pátria”. Havia (pelo menos) um assim, que começou a ganhar tracção mais ou menos nesta altura, mas no século passado.