A carneiragem

(Por Major-General Raúl Cunha, in Facebook, 15/11/2024)

Ovelhas, carneiros, ou ambos?

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Sabemos agora que os políticos europeus não tinham sequer, do quase dispensado Biden, autorização para mencionar a possibilidade de uma trégua, cessar-fogo, ou mesmo acordo de paz, no conflito ucraniano, até que Trump tornou essa hipótese aceitável após a sua eleição.

Mas mesmo isso assume, à primeira vista, uma muito maior dimensão do que parece: na realidade, confirma-se agora a existência de uma complexa matriz de controlo por um verdadeiro e global deep state, cujos fios invisíveis passam por toda a Europa. Ficou claro que, nos bastidores, os principais líderes mundiais são meramente porta-vozes de interesses mais poderosos — Scholz, Macron e outros só têm autorização para seguir uma certa linha política estreita, determinada superiormente, até que uma diferente “luz verde” lhes seja dada pelos seus controleiros.

Entretanto e por exemplo, a Ministra dos Negócios Estrangeiros alemã, Annalena Baerbock, admitiu aberta e repugnantemente que o orçamento da Ucrânia terá de ser financiado, nem que sejam necessários cortes sociais difíceis aos cidadãos alemães: inclusive, num seu discurso anterior, também declarou sem rodeios que a Ucrânia tem que ser financiada não importa o que pensem os eleitores alemães, porque ela fez uma promessa aos ucranianos. E isto, é depois de a Alemanha já ter assinalado, por várias vezes, que tem conhecimento do envolvimento da Ucrânia no ataque terrorista ao NordStream, que prejudicou brutalmente a sua economia e potencialmente até a condenou para sempre.

Relevo ainda a posição do atual Primeiro-ministro português que não se coibiu de prometer recentemente mais 52 milhões de ajuda militar a um governo notoriamente nazi, a somar aos 126 prometidos em julho e mais aos 100 do governo de Costa, isto apesar de, entretanto, continuar a deixar de tanga o nosso SNS, com sérias consequências no INEM. De facto, os políticos do nosso centrão, os ditos liberais e a esquerda libertária, deixam muito a desejar em termos de lealdade à Pátria.

Estas descaradas traições são incompreensíveis e cabem, na prática, na verdadeira definição do termo globalistas: pessoas cujas lealdades são para com a ordem global, governada por um pequeno cartel financeiro-militar-dinástico e não para com os seus próprios concidadãos. Nesse termo, têm também absoluto cabimento outros traidores, entre os quais muitos jornalistas e a maioria dos comentadores televisivos que, dada a sua condição de não possuírem coluna vertebral e de cultivarem um desprezo atávico à verdade, dizem com a mesma cara o contrário do que antes garantiam (alguns até já tiveram o arrojo de confessar que antes debitavam por necessidade uma falsa narrativa) e vogam assim ao sabor dos ditames dos seus patrões ideológicos e atrevo-me a acrescentar dos seus patrões financeiros.

São vermes, que poluem a nossa academia e os principais canais das nossas TVs, e que serão inevitavelmente desmascarados quando, terminadas as presentes situações, forem apresentadas as abundantes provas e testemunhos do seu rasteirismo, falsidades, duplicidade e, sobretudo, mau carácter.

22 pensamentos sobre “A carneiragem

  1. Os borregos não aprendem de maneira nenhuma. Preferem a metafísica do Correio da Manhã e confiam nos heroicos cangalhos da nossa Marinha para deter os ogres russos. Boa sorte quando ate Herr Zelensky parece estar a querer voltar o bico ao prego.
    Uma notícia boa no meio disto tudo. Robert Kennedy, um feroz denunciante das vacinas de MRNA vai ser o novo Secretário da Saúde do Governo Trump.
    Se isso significar que pelo menos nos Estados Unidos todos os que pressionaram outros seres humanos a dar cabo da saúde e até da vida com aquelas vacinas vão parar onde merecem já nem tudo e mau. Que os chulos, os assassinos, apodreçam na prisão. Que numa cadeia aqueles que perderam a saúde e perderam amigos os vejam morrer.

  2. “São vermes, que poluem a nossa academia e os principais canais das nossas TVs, e que serão inevitavelmente desmascarados quando, terminadas as presentes situações, forem apresentadas as abundantes provas e testemunhos do seu rasteirismo, falsidades, duplicidade e, sobretudo, mau carácter.” Infelizmente, tenho duvidas de que isto venha a acontecer. A memória é curta e as contorções de coluna frequentes…

  3. Hoje na primeira página do Correio da Manhã, Pasquim que vale o que vale mas e o mais lido pela borregagem.
    “Marinha em alerta. Aumento de navios russos em águas portuguesas”.
    A sério que se não fosse a nossa heróica marinha cheia de chacos a cair de podres já teríamos os russos a ocupar o Terreiro do Paco e a banhos no Algarve?
    Valha lhes um burro aos coices. Para nossa desgraça já não e possível fazer outro 25 de Abril para acabar com o estado a que isto chegou.
    Já agora, uma notícia destas e sim pura metafísica. Ou melhor, palha para jumentos.
    Nao terão esses presstitutos nenhuma maneira honesta de ganhar a vida?
    Vão ver se o mar da megalodonte.

  4. E depois temos um c*galhao a beira mar plantado no cu da Europa, que não se aguenta com meio míssil se as coisas correrem mal, a por se em bicos de pés mostrando como os chacos da nossa Marinha acompanham os perigosos navios russos que passam pelas nossas águas.
    Temos o heróico almirante que coordenou a experiência científica malévola que foi a vacinação contra a COVID 19 a dizer como isso e importante para a segurança colectiva dos membros da santa aliança que e a NATO.
    Isto só com m*rda no focinho.
    O problema é a carneiragem que paga impostos continua a acreditar em todas estas balelas pois que na pesquisa Google um dos temas mais pesquisados e justamente o dos navios russos.
    Já agora sempre gostava de saber o que sente o tripulante de um navio russo ao ver um heróico chaco da nossa Marinha a cheirar lhes o cu.
    Só estou a espera e do dia em que um chaco daqueles comece a meter água e tenha de pedir ajuda ao perigoso navio que anda a guardar.
    Ou a lançar os seus tripulantes nas balsas de salvamento enquanto esses perigosos ogres de escangalham a rir.
    Provavelmente era isso que teria acontecido aos tripulantes do Mondego se não se tivessem recusado a embarcar no chaco.
    Mas foram enxovalhados de tudo, entretanto o chaco foi remendado e outra heróica tripulação foi proteger nos dos perigosos navios russos que se assim não fosse desatariam a bombardear o Terreiro do Paço quais piratas ingleses.
    Isto a vergonha no focinho na se vende nos supermercados e nas farmácias não há. E mesmo havendo nao me parece que essa gente o comprasse.
    Mas o povao que paga isso tudo, enquanto perde familiares porque o INEM chega atrasado também acha que assim está muito bem e não acorda só tem aquilo que merece.

  5. Um retrato fiel do comportamento das elites dirigentes da Europa, da UE a que eu acrescentaria que este estado resulta da falta de sentido, de inutilidade política pública das principais Instituições da República (AR, AM, CE, na presumida anodia que são as reuniões partidárias dos partidos que se “apoderaram” dos governos nacionais e municipais), pois da discussão, “confronto” entre os diferentes partidos políticos desconhecem-se as razões públicas para a ausência do conceito de soberania nacional e os argumentos para o seu abandono, a frequente ausência de idoneidade e integridade de demasiados dirigentes políticos, a ausência de projectos soberanos de desenvolvimento para o país quando confrontado com interesses antagónicos de outros. Ao que resulta que aqueles partidos políticos serão meros adereços políticos para marketing financeiro ao serviço de interesses que os opõem aos das populações e, portanto lesivos do interesse nacional.

  6. E os carneiros continuam a querer dar mais e mais dinheiro ao nazismo ucraniano e a nazi que será a próxima representante da diplomacia europeia sucedendo aí camuflado Borrell, a Kaja Kallas, que não se cala, exige que a China pague mais caro por apoiar a Rússia.
    Ou seja, estando já de tanga com as sanções a Rússia querem continuar com sanções a outro país que terão certamente o mesmo efeito boomerangue.
    O que esta canalha se esquece e que o Ocidente alargado são um bilião de habitantes e o resto do mundo sao outros seis.
    Por muito menor que seja o poder aquisitivo dessas populações acabara sempre por compensar e ninguém vai morrer a fome por perder este mercado.
    Especialmente se continuarmos a empobrecer as populações, deixando as sem dinheiro para comprar nada, porque temos de sustentar os nazis da Ucrânia e de Israel.
    Mas se a carneirada já começa a balir ainda mais alto, com o Parlamento Europeu a recomendar o fecho do Canal da Mancha ao trânsito de navios russos e porque do outro lado do mar já se decidiu que a guerra contra a Rússia por intermédio da Ucrânia e para continuar e até para escalar.
    Apesar do que o aldrabão do Trampas prometeu em campanha e tal como eu previa.
    Nenhum destes bandalhos sem espinha se atreveria a continuar a ladrar tão alto contra a Rússia se tal não lhes tivesse sido já ordenado pela futura administração norte americana.
    Por isso vamos continuar a empobrecer para sustentar a corja de Herr Zelensky e dos mercenários nazis de todo o mundo que para lá vão.
    Mas se o povo não acorda não há mais remédio que aguentar.

  7. “ (…) é debatível que a substituição do Capitalismo por outra coisa pudesse levar à correção da situação.”

    Tudo é suscetível de ser debatido, é certo, mas, tem um mas, se nos colocarmos na posição acima referida, então o convite que estamos a fazer a nós mesmos é o do imobilismo na ação, é o de falar apenas para extravasar a nossa indignação, o que pode ser terapêutico para cada um de nós mas pouco e às vezes nada efetivo em termos de mudança social.

    Vivemos em sociedades capitalistas e sugerir sequer que nada garante que a substituição do capitalismo por outro regime resolva os nossos problemas é derrotismo, é aceitar aprisionar a imaginação; é conformar-se com o que já existe, e não está muito longe do tristemente célebre :“Não Há Alternativa”.

    Acresce ainda que atirar as culpas para a natureza humana, assumir que o “Homem é lobo do Homem”, vai no mesmo sentido. Eu também penso que a nossa Humanidade deixa muito a desejar, mas, por isso mesmo, temos de o reconhecer e procurar encontrar instrumentos que nos protejam de nós mesmos e com isso contribuir para uma sociedade melhor. Dizendo por outras palavras, temos de partir de uma conceção filosófica materialista e não de uma conceção idealista que tem sido a que até ao momento tem estado subjacente a todas as formulações económico-politicas nomeadamente à capitalista e que o próprio “socialismo real” ignorou (como ignorou muitas outras coisas).

    O que eu quero dizer, e se calhar não consegui ainda de modo efetivo, é que temos de construir uma alternativa ao sistema em que vivemos e que é tanto mais insuportável quanto mais hegemónico se tem vindo a tornar.

    Se gastarmos a nossa energia, por exemplo, a diabolizar os políticos, a insultar estes ou aquelas (curiosamente aquelas são sempre muito mais apetecíveis como alvo de insultos soezes, vá-se lá saber porque?!) extravasamos as nossas raivas, mas perdemos o foco e não nos concentramos no que realmente importa. E o que importa é procurar perceber como o sistema funciona, como é movido, como se podem pôr pedras no meio do caminho (‘há uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho há uma pedra’, cito de cor) e sobretudo como se poderão encontrar as coordenadas de um outro sistema.
    O que importa é ser realista – exigir o impossível!

  8. Também temos um site, o Notícias ao Minuto, que grafa Kiev como Kiyv porque em ucraniano e assim que se escreve.
    A esse preço começávamos a grafar Copenhaga como Kobenhaven, Londres como London e assim por diante.
    Aquela cidade começou como russa e em russo e Kiev. A única concessão que seria permitida em português seria quieve pois que em português a letra K não existe.
    E sim, a nossa forma de ler o que está escrito e similar a russa e não a anglo saxonica.
    Pelo que em português Kursk le se como se escreve e se alguém lê de outra maneira e mesmo porque está aculturado e serve outros anos em vez de servir o seu país como deveria pois e para isso que os contribuintes do seu país lhe pagam.

  9. O embaixador de Portugal nas Nações Unidas votou esta semana contra a condenação do nazismo e a discriminação racial. O PSD está contra a Constituição da República Portuguesa. Os nazis começam a levantar cabelo. Há que manter a vigilância.

    Assembleia Geral das Nações Unidas

    O Comité aprovou o projecto de resolução, “Combate à glorificação do nazismo, do neonazismo e de outras práticas que contribuem para alimentar formas contemporâneas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância conexa”.
    https://press.un.org/en/2024/gashc4428.doc.htm

  10. Um desses carneiros é general ou coronel ou o raio que o parta (não faz diferença, pois dentro da NATO essas promoções não são baseadas em mérito), que apareceu no canal NOW, ao qual fui dar uma espreitadela só para em meros segundos confirmar wue não passa de mais um cano do mesmíssimo esgoto dos restantes bordéis da PRESStituição ocidental.

    Foi apresentado como “especialista em geopolítica”, e no seu comentário estava a falar da invasão UcraNazi na região Russa de Kursk.

    Ora, Kursk, seja em Russo ou em Português, diz-se exatamente com a mesma pronúncia. O “Ku” é como o nosso cú… lol, ou melhor, o “Kurs” diz-se como on “curs” na palavra curso. O “k” final é como se em Português escrevêsemos um “que” curto.

    Pois bem, o tal militsr do NOW especialista em geopolítica, nem disse o nome da régua no sotaque Russo nem em Português, na prática iguais.
    Ele disse assim:

    “kharssskh”

    Como é que isto soa? Soa a um anglo-americano a tentar (e a falhar) dizer uma palavra que não é inglesa, mas usando totalmente a sua pronúncia anglo-americana como se de uma palavra inglesa se tratasse.

    O “kha” soa ao início ‘cha’ de ‘characteristic’.
    O “r” foi ainda mais subtil, como os anglo-americanos fazem por incapacidade de língua (literalmente) dizer os “r” de forma mais pronunciada.
    O “sss” foi alongado, como em ‘disk’, como se fossem cobras a falar com a língua de fora (peço desculpa às cobras pela comparação).
    E o “k” final, foi aquele ‘ch’ novamente.

    Isto tudo para eu chegar onde? A um facto indesmentível: quem é Português não falante de mais nenhuma língua, ao ler “Kursk”, diz “cúrsque”, tal e qual como na pronúncia Russa da palavra.
    Quem é mesmo especialista em geopolítica, tem o cuidade de usar a pronúncia nativa da palavra em questão, ou a pronúncia correcta da sua própria lingua (pois é para os seus compatriotas que está a falar). No caso de Kursk, isto é ainda mais simples, pois são pronúncias iguais.

    Mas o que este corrupto vigarista fez, foi repetir a palavra tal e qual como ela lhe foi ensinada, pelos seus “professores” (corruptores) anglo-americanos.
    O que mostra bem qual é realmente a sua especialidade: não é geopolítica, é propaganda em nome do império nazi-sionista genocida anglo-americano.
    Ele é militar Português, mas Portugal está na NATO, logo ele não defende Portugal. Ele defende o imperador a quem Portugal presta vassalagem e paga tributo.

    Aliás, outra coisa não seria de espersr num novo canal “português” cujo nome é em inglês “Now”. Parece que já não ska bem dizerem “Agora”. Para eles, o “agora” soa a estrangeiro, pois a língua deles é o inglês.
    Ou como o Major General Raúl Cunha bem diz, eles, os Globalistas, não têm pátria. Eles obedecem a um poder wue vem de fora das suas fronteiras.

    E pronto, fiquei mais orgulhoso de mim próprio por ter chegado a tal ponto de imunização contra a propaganda anglo-americana, que até já a farejo num simples sotaque numa única palavra.
    E não precisei de mais do que alguns segundos para com toda a certeza saber que o Now é mais um instrumento de propaganda com zero credibilidade.

    —–//—–

    Queria só falar de um post do IntelSlava, agente da propaganda Russa que de vez em quando até diz umas coisas interessantes. Neste caso, fez um apanhado de três notícias e a ligação entre elas. É delicioso:

    “A fascinating uranium chronology in three points:

    – The US Treasury Department lifted the ban on Russian banks on resource transactions, and in particular on uranium;

    – Biden administration officials have backed increasing the U.S. nuclear arsenal to simultaneously deter China, Russia and North Korea;

    – Mishustin signed a decree according to which Russia temporarily stops deliveries of enriched uranium to the United States in order to redirect it to India, Iran and China – those countries in which domestically produced reactors are installed.”

    Fonte: https://t.me/intelslava/69975

    Ou seja, explicando em Português:

    — os EUA impuseram à UE sanções, uma delas o fim de compra de combustível nuclear, ao ponto de isso ter sido apresentado como “transição verde” (i.e. encerra centrais nucleares limpas, para passar a queimar mais carvão Polaco e mais LNG USAmericano e Norueguês);

    — mas os EUA depois criaram, só para si, uma excepção a estas sanções, para poderem continuar a comprar combustível nuclear à Rússia;

    — ora, os Russos, sabendo que a intenção dos nazi-sionistas genocidas é fazer mais armas nucleares para apontar ao não-Ocidente, resolveram minar os planos USAmericanos e proibiram essa exportação para o seu inimigo EUA.

    — e agora, Índia, Irão, e China, todos BRICS+, passaram a ter acesso a ainda mais combustível nuclear Russo, o que lhes dará não só mais uma vantagem na produção energética e portanto competitividade industrial, como lhes coloca ao dispor mais recursos para os seus programas militares nucleares.

    Ou seja, os EUA sacrificaram a rainha (Europa) e, estavam ainda a planear as jogadas seguintes com as peças restantes, viram os Russos fazer checkmate logo a seguir num só movimento. É caso para dizer que a húbris imperial cega mais que a própria cegueira.

  11. Annalena Baerbock e as saudades do pasquim continuando a achar que a expansão a leste é uma obrigação vital alemã e ocidental para além do risco da BlackRock perder os milhões gastos a terras.

  12. “Estas descaradas traições são incompreensíveis”

    Concordando com o conteudo do texto, mais uma vez tenho de discordar do tipo de formulação que destaco acima.
    Afinal com esse tipo de formulaçao encobre-se, deixa-se na sombra, que essas ditas traições afinal não são traições, são fidelidades. São fidelidades de políticos e governantes de democracias liberais que, como todos e todas deveríamos saber, são capitalistas.
    De uma vez por todas percebamos: o regime que nos governa nos nossos ‘democráticos’ países é uma democracia liberal capitalista, cuja função é dar suporte ao capitalismo, o qual, estando estritamente ligado à esfera económica, pressupõe um suporte politico e um determinado tipo de arranjos sociais. Fazer-nos esquecer isto tem sido uma peça imprescindível ao sistema que usa a formatação ideológica para “manufaturar o nosso consentimento”.
    É neste contexto que se inscreve o processo de ‘idiossubjetivação’ , ou seja o processo de formação de sujeitos idiotas, que não são necessariamente burros (com todo o respeito que estes simpáticos animais merecem). São sujeitos que agem de forma pouco inteligente ou porque não tem instrumentos para compreender o que se passa ou porque lhes convém não compreender porque afinal são beneficiários diretos do sistema que os premeia com certa magnanimidade.
    Se quisermos um exemplo, pensemos como tem sido fácil, através de golpes mais ou menos sujos mas sempre justificados e legais ou pelo menos legitimados, afastar do poder alguns poucos governos e governantes que têm a veleidade de, esses sim, atraiçoar os interesses que os poderosos, a elite verdadeiramente dominante, esperava que protegessem.
    Por isso, é preciso estar atento, porque o problema é o capitalismo e deveria ser para ele que deveríamos dirigir o foco da nossa atenção. Os políticos são a espuma das ondas. Os políticos são a brigada especial de soldados rasos com que os capitalistas contam para apanharem pancada enquanto eles tratam, no conforto das suas corporações, do que realmente importa. Raramente dão a cara, se bem que agora começam a mostrar as patinhas ou melhor, as garras, como acontece, por exemplo com a nomeação do Elon Musk, que em vez de partir para Marte, seu desterro favorito, aceitou a nomeação para um cargo importante na próxima administração norte americana. É que com uma democracia liberal capitalista fascistoide, musculada – legitimada pelo voto popular (lá esta a idiossubjetivação) – já se pode abrir mais o jogo.

    • Acho que não há discordância nenhuma. O Raúl Cunha disse o mesmo por outras palavras, aqui;

      “confirma-se agora a existência de uma complexa matriz de controlo por um verdadeiro e global deep state, cujos fios invisíveis passam por toda a Europa. Ficou claro que, nos bastidores, os principais líderes mundiais são meramente porta-vozes de interesses mais poderosos”

      E aqui:

      “globalistas: pessoas cujas lealdades são para com a ordem global, governada por um pequeno cartel financeiro-militar-dinástico e não para com os seus próprios concidadãos.”

      Se depois queres transformar isto num debate Comunismo vs Capitalismo, ou “ditadura” do proletariado VS “democracia” (da oligarquia) Liberal, isso já é outra conversa.

      O Major-General Raúl Cunha abordou a situação, e tu estás a abordar as causas da situação. É outra coisa.

      E é debatível se a causa da situação é o Capitalismo em si, e não outros mecanismos/dinâmicas da própria sociedade que aconteceu independentemente do sistema económico em vigor. Tal como é debatível que a substituição do Capitalismo por outra coisa pudesse levar à correção da situação.

      Afinal de contas, durante a URSS (СССР no alfabeto cirílico), os governantes dos Estados satélite também eram em muitos casos mais leais a Moscovo do que aos seus próprios cidadãos.

      E no caso Chinês, nada impede que a qualquer momento haja uma captura do aparelho (Comité Central) por outros interesses maiores. Afinal de contas, a corrupção é uma característica da natureza humana, não é exclusiva deste sistema económico ou daquele regime político.

      E falta-te ainda analisar uma outra causa, que o Major-Gener Raúl Cunha indiretamente referiu ao usar a palavra “dinástico”.
      Muito do que se passa é ainda afectado por dinâmicas que vêm de trás, de relações entre diferentes elites, sejam elas nobreza ou burguesia, em controlo dos regimes ou em famílias afastada do poder (e nalguns casos expulsas dos seus países).

      O exemplo mais claro é a forma como o dinheiro da família real do Irão, os Palavi, corrompe os NeoCon ocidentais, e os motiva a serem inimigos da República Democrática do Irão. Isto nada tem a ver com Capitalismo.

      E este tipo de relação/dinâmica também existe no restante ocidente, umas vezes por parte de casas reais (ex: a coroa do Reino Unido), outras vezes por parte de lutas entre burgueses/empresários (ex: Musk vs Gates). Isto sempre existiu, mesmo muito antes da existência do Capitalismo. É algo tão antigo como a própria definição de riqueza, e de poder, anterior até à existência de moedas e de nações. É da natureza humana.

      Aliás, a luta dos seres vivos pelos recursos, a competição mortal para ver qual o DNA com mais sucesso para ser deixado em herança às gerações seguintes, é algo da natureza da própria vida. O mais forte come o mais fraco. O que comeu, tem filhos e deixa herança. O que foi comido, acabou. Não existe mais nada.
      Assim, enquanto existirem recursos e competição, esta realidade mantém-se.

      Após o fim do Capitalismo, os recursos continuam a existir, e são de quem for mais forte. E a competição continua a existir, entre indivíduos, entre nações, e entre espécies.
      Haverá sempre alguém (chama-lhe capitalista, senhor feudal, líder da tribo, alfa da alcateia, etc) com mais e outros com menos. E esse mais, vai sempre traduzir-se em poder e influência.
      Se quisere algo diferente, não basta o fim do Capitalismo. Precisarias primeiro de criar um outro universo com leis da física e da biologia completamente diferentes.

      Não podemos mudar a natureza das coisas, de nós próprios, mas podemos pensar em melhores formas de realçar as qualidades e diminuir os defeitos, de distribuir melhor a riqueza e o poder, e de cooperamos mais e competirmos menos. Com certeza. Mas isso seria ainda outra conversa, ainda mais longa e complexa, não sobre a situação em que estamos, nem sobre as causas dessa situação, mas sim sobre como corrigir (ou pelo menos limitar) as causas. Dá pano para mangas. Fica para outra altura.

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