(Andrés Piqueras, in Observatoriocrisis.com, 20/10/2024, Trad. Estátua)

O direito internacional acabou, tudo o que resta é a guerra.
Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

A globalização unilateral está a implodir a favor de um mundo regionalizado com três grandes áreas proeminentes que respondem de alguma forma à “dissociação” civilizacional chinês: América do Norte, China-Rússia, Sudeste Asiático-Pacífico e um espaço europeu em claro declínio em termos de seu peso económico e político global.
Com esta fragmentação, dissolve-se também todo o quadro sócio-político-institucional que conhecemos desde a Segunda Guerra Mundial e o fim da Guerra Fria. O longo século XX está a chegar ao fim, embora possa fazê-lo da forma mais dramática. Com isso, as instituições herdadas daquele século também perdem destaque.
De 2017 até ao final do mandato de Trump, em janeiro de 2021, os EUA desmantelaram diferentes pactos ou esperam ainda quebrá-los. Para começar, com a ascensão económica chinesa, tanto a entidade estatal norte-americana como os seus subordinados “ocidentais” decidiram dar cabo da Organização Mundial do Comércio, deixando-a em coma profundo (as regras do “mercado livre” já não são assim tão queridas, quando aqueles que historicamente as impuseram, não são os que ganham com elas).
E a lista é longa. Em 1º de junho de 2017, os EUA anunciaram a saída de seu país do acordo climático de Paris, assinado em 2016. Em 23 de janeiro de 2017, retiraram-se da Parceria Trans-Pacífico (TPP). um pacto assinado em fevereiro de 2016 por 12 países que, juntos, representam 40% da economia mundial e quase um terço de todo o fluxo de comércio internacional. Os EUA (que são o segundo país que cumpre menos resoluções da ONU, depois da entidade sionista estabelecida na Palestina) também abandonaram o Pacto Global das Nações Unidas sobre Migrações e Refugiados, bem como a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). Também modificaram unilateralmente o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), um acordo comercial entre este país, o Canadá e o México (e ainda impõe tarifas sobre as importações mexicanas).
27 anos antes, em 1994, o então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, assinou um acordo com a Coreia do Norte para desmantelar o programa nuclear deste país asiático. Quase uma década depois, ao mudar o mandato, o Presidente George W. Bush chamou Pyongyang “eixo do mal” e abriu o caminho para quebrar o acordo. Depois disso, ocorreu o aprofundamento da ignorância e até do repúdio norte-americano às decisões das Nações Unidas (e do Conselho de Segurança) que constituem a legalidade internacional.
Num processo lento mas seguro de desconstrução do direito internacional e da própria ONU, os EUA reconheceram Jerusalém como a capital de Israel (outro país que se orgulha de não cumprir as resoluções da ONU). Anunciou então que se retirava do Plano de Acção Conjunta Abrangente assinado com o Irão, bem como do Tratado de Armas Nucleares com a Rússia. Além disso, em 25 de Março de 2019, os Estados Unidos reconheceram a “soberania” de Israel sobre o Golã ocupado, o que equivale a aceitar a aquisição de territórios através da guerra. A hegemonia em declínio também não para diante da violação manifesta de embaixadas, como a da Coreia do Norte em Madrid ou a da Venezuela em Washington; o que serviu de exemplo para que outros fizessem o mesmo, como aconteceu com o governo de Noboa que violou a embaixada mexicana no Equador.
Um trabalho de demolição sistemática das instituições internacionais, do sistema de relações e compromissos multilaterais, que tem preparado o terreno para a Guerra Total em que já estamos imersos.
Talvez mesmo nessa altura não estivéssemos preparados para ver até onde o Império Ocidental, com o seu líder americano, poderia ir nesse caminho, desencadeando a barbárie nazi na Ucrânia e o massacre de Donbass. E sobretudo com o papel do seu “braço louco” sionista, que, livre de quaisquer vínculos jurídicos internacionais ou de considerações humanas, comporta-se como uma fera raivosa descontrolada na Ásia Ocidental para incendiar aquela frente de batalha da Guerra Total. Pode ser “uma fera raivosa”, mas na realidade é bem controlada pelo seu mestre norte-americano e apoiada pela Europa cada vez mais subalternizada. Ver vídeos aqui.
E é ela, a entidade sionista, que comete atrocidades sem nome, derrubando a humanidade vários degraus de uma só vez na escada evolutiva e mergulhando-a cada vez mais fundo no poço da barbárie. A falta de reação e o duplo padrão para comparar as suas acções com as dos outros também destroem a legalidade internacional e os seus Tribunais, bem como, em geral, a legitimidade do Sistema imposto ao mundo pelo Império Ocidental e pelas suas “democracias”.
A entidade sionista tem assassinado centenas de funcionários da ONU em Gaza durante anos, mas agora quer dar um passo em frente e está agora também a disparar diretamente contra os capacetes azuis da ONU, ordenando a essa instituição – da qual incompreensivelmente continua a fazer parte apesar de não cumprir nenhuma de suas resoluções e declarar seu secretário-geral “persona non grata” -, que deve sair do caminho.
Ou seja, os EUA e a sua fera já estão a assassinar definitivamente a ONU, e com isso todo o quadro internacional, construído ao longo do último século, para se tentar manter um mínimo de sanidade nas relações internacionais.
Isto significa que o ainda hegemónico optou verdadeiramente pela GUERRA, para além de toda a perceção humana, mas também de toda a inteligência. Isso deveria estar claro para todos.
Fonte aqui
ARREPIANTE!… QUE FAZER? CONTRA ESSA OPOSIÃO AOS DIREITOS HUMANOS? QUE FAZER?????
Debate:
Na verdade estamos a assistir, gradualmente, ao declínio do Ocidente após a Europa ficar entregue a políticos sem nenhuma estratégia a não ser seguir cegamente as politicas dos EUA e, pasme se da UK.
Israel assassina a ONU desde que começou. A única resolução da ONU que cumpriu foi a que lhes permitiu instalar se em terra alheia criando o estado sionista.
A partir daí foi um estar se nas tinhas para a ONU.
Quanto aos Estados Unidos usaram a ONU sempre que lhes deu jeito e estiveram se nas tintas para o resto.
Quando achavam que uma instituição da ONU não lhes fazia o frete todo passavam o calote como quando decidiram abandonar a UNESCO por considerar que a mesma estava a ser influenciada pela União Soviética.
Os Estados Unidos estiveram se sempre nas tintas para a ONU quando se tratou de ingerência nos assuntos internos de outros membros da ONU como os muitos golpes de estado orquestrados no seu quintal dos quais o Chile de 1973 foi o mais mediático.
Apoiaram sempre a besta sionista a despeito de um monte de decisões condenatórias e tratando de vetar todas elas.
Usaram o facto de a sede das Nações Unidas ser em território seu para impedir de aceder as reuniões desse organismo quem eles não queriam. Caso dos representantes palestinianos que eram considerados terroristas.
Quando se tratou de invadir outros também se estiveram nas tintas. Não conseguiram uma resolução da ONU para respaldar a invasão do Iraque a pretexto de armas químicas mas a destruição do país avançou na mesma.
Na Libia arrancaram uma resolução permitindo destruir o poder aéreo líbio que depressa, com a prestimosa ajuda de paises da colônia europeia, foi transformada numa carta branca para um bombardeamento sem regras contra tudo e contra todos.
Cidades inteiras foram arrasadas e nem assentamentos no meio do deserto escaparam. 50 mil mortos, contas por baixo e o único país do Norte de África que funcionava bem transformado num cenário do Mad Max com gasolina.
Portanto, há décadas que ianques e sionistas assassinam a ONU. Desde que ela foi criada. Simplesmente agora carregaram no acelerador, as máscaras caíram de vez.
Mas há muito que para esses trastes a ONU está morta e enterrada.