Vamos financiar a russofobia no OE de 2025?

(Viriato Soromenho Marques, in Diário de Notícias, 28/09/2024)

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A União Europeia (UE) não cessa de mostrar sintomas da sua doença incurável. Não só as instituições existentes constituem uma imitação descolorida de um federalismo de contrafação, sem constituição, nem cidadania europeia, como os titulares das mesmas não revelam nem a formação, nem o talento ou a vontade de aprender indispensáveis para o razoável desempenho dos cargos.

Numa altura em que a guerra na Ucrânia parece hesitar entre uma solução coreana – fim das hostilidades nas linhas atuais do campo de batalha, deixando tratado de paz para o futuro -, ou um enfrentamento direto NATO-Rússia, capaz de incendiar grande parte do mundo, o Parlamento Europeu (PE) escolheu esta última opção, ao aprovar no dia 19 uma “Moção conjunta” sobre a continuação “do apoio financeiro e militar à Ucrânia pelos Estados-membros da UE”.

A Moção, grosseiramente russófoba, cheia de exigências aos Estados da UE, é mais brutal do que muitas declarações de guerra registadas pela historiografia.

Vejamos apenas algumas das medidas propostas pelos eurodeputados: 1) acabar com todas as restrições ao uso por Kiev de armas ocidentais contra alvos na Rússia; 2) exigir ao chanceler alemão a entrega a Kiev do míssil germânico de longo alcance, Taurus (uma pressão absurda sobre Scholz, imposta por essa criatura esquisita em que se transformou o partido alemão Os Verdes); 3) Solicitar à Comissão “uma comunicação estratégica” europeia sobre a importância de apoiar a Ucrânia (mais propaganda e desinformação para preencher o vazio deixado pela repressão do debate sério e esclarecido); 4) Depois de ter arrefecido o seu breve entusiasmo pelo Pacto Ecológico, o PE exulta com a rápida implementação da Estratégia para a Indústria de Defesa Europeia.

O clímax guerreiro dos eurodeputados foi atingido, contudo, quando insistem em “que todos os EM da UE devem comprometer-se a apoiar anualmente a Ucrânia militarmente com não-menos de 0,25% do seu PIB.” No caso português, os nossos eurodeputados, cidadãos de um país com o Estado Social em falência, querem investir 628.450.000 euros (referência ao PIB de 2023) do OE 2025 no prolongar sangrento de uma guerra absurda.

A Moção passou com 425 votos a favor, 131 contra, e 63 abstenções. Os eurodeputados portugueses que querem mísseis a destruir Moscovo, nem que para isso seja preciso empobrecer ainda mais os portugueses, são todos os da AD, PS (exceção da abstenção de Bruno Gonçalves) e IL. O Chega absteve-se.

Os dois sensatos e residuais votos contra, respetivamente, do PCP e do BE, comprovam que Descartes errou (ou seria ironia fina?) quando escreveu que: “O bom senso é a coisa mais bem distribuída no mundo.”

9 pensamentos sobre “Vamos financiar a russofobia no OE de 2025?

  1. Por isso é que votar no tal “centrão moderado” é um voto no militarismo, no belicismo, e um voto contrário aos verdadeiros interesses europeus, o bem estar das populações, o desenvolvimento sustentável, a protecção do meio-ambiente e o progresso.
    Um voto no “centrão moderado” significa a continuação do agravamento das desigualdades entre os poucos mais ricos e os muitos mais pobres, a subida da inflação, a escalada dos conflitos armados, a perda das soberanias nacionais, a ascensão da direita cada vez mais extrema.
    O centrão moderado é um embuste, não têm nada de moderados e ainda rejeitam (por vezes proíbem mesmo) o contraditório, formulando um “pensamento único” que é ditado centralmente aos vários estados e que não aceita o questionamento ou a alternativa.
    Daí o Dr. Viriato Soromenho Marques estar feito um “perigoso esquerdista, radical extremista e proto-terrorista”. O que ele escreveu, para o “centrão moderado”, é subversivo e desestabilizador, é “radical”. Porque para se ser moderado, é preciso fazer a apologia de todos os ditames vindos do “centro do sistema”, repeti-los um por um sem questionar e desmontar nenhum. É preciso ser um papagaio de poleiro ou de gaiola.

  2. E hoje a extrema direita sabe o que lhe convém, não está para arriscar os carrascos do kidom, promove o ódio sagrado ao mouro e e ferozmente pro sionista. Não se importando de nos fazer mais uma vez sangrar economicamente para dar aos trastes todo o armamento que precisam para acabar o seu trabalho.
    Que mais podem querer os donos disto tudo?
    A sua oposição ao apoio sem regras ao nazismo ucraniano e conversa para boi dormir, e ver o que aconteceu em Itália em que, ganhas as eleições, a criatura dispôs se a ser ainda mais papista que o Papa nesse campo.
    Mas o que e certo e que prometer que deixaremos de sangrar economicamente para apoiar Herr Zelensky e sus muchachos nazis da votos e por isso até a nossa extrema direita, ferozmente pro Ucrânia no início tratou de pelo menos de se abster na votação em que o Parlamento Europeu decidiu que temos de tirar a camisa para apoiar a Ucrânia.
    Porque mesmo num dos países mais russofobicos da Europa, herança das lavagens ao cérebro promovidas pelo Dr. salazar e seguintes, as pessoas já começam a estar fartas da Ucrânia. Esperavam resultados rápidos, a rápida defenestração de Putin e esses resultados tardam em chegar.
    Por isso estão dispostos a votar num bando de mentecaptos que continuarão a apoiar nazis e sionistas e vão virar do avesso a vida de quem vive do seu trabalho, desmantelar o que resta dos estados sociais, promover o assistencialismo miserabilista e mandar a polícia bater forte e feio em quem protestar.
    Como aliás o centrao já faz contra quem protesta contra o apoio descarado ao genocídio israelita.
    E se não houve brutalidade policial no caso ucraniano foi porque ai a lavagem ao cérebro foi muito bem feita e toda a gente estava de acordo em que era preciso ajudar a Ucrânia a derrotar o malvado imperador.
    Os muito poucos que tiveram tomates para vir para a rua protestar contra a guerra foram demasiado poucos para alguém achar que valia a pena mandar a polícia afagar lhes as costas.
    E se hoje muitos já não estão de acordo, ninguém quer ser chamado de putinista.
    E que contra o xingamento de antissemita a malta já tinha anticorpos. Essa tem sido a ladainha do estado genocida de Israel desde que lá foi instalado e armado até aos dentes.
    E nunca ninguém viu o que os nazis armaram durante oito anos no Donbass pois que o pouco que cá chegava era imediatamente reduzido a propaganda russa.
    Putin foi sempre definido e já desde há muito como uma espécie de demónio na terra, uma mistura de César Borgia com Rasputine.
    Ninguém queria ser identificado como seu apoiante.
    No caso do genocídio israelita, e impossível dizer que ninguém sabia ou que as vítimas são todas terroristas ou danos colaterais pois todos crescemos com o terrorismo israelita e os seus crimes hediondos.
    Pelo que mais gente se está nas tintas para se lhe chamam antissemita, apoiante do terrorismo e outros mimos.
    Claro que sempre haverá psicopatas como a Ferra Aveia e gente mais pequena como um perdigao que por aqui passou e foi corrido por ter desatado a insultar os outros comentadeiros por estes não acharem normal o genocídio.
    Mas há mais gente a sair a rua e muito menos bestas de café a mandar nos para o Irão ou coisa que o valha como quando nos mandavam para a Rússia.
    Mas mesmo estes últimos andam mais calados talvez porque lhes ande a cair a ficha que trastes que apoiam Israel se calhar sao mesmo capazes de andar a apoiar gente pouco recomendável na Ucrania. O que nunca irao admitir e que engoliram uma grande patranha.
    O que isto não resolve e nada aos desgraçados que teem a desdita de ser vizinhos de Israel.
    Graças ao santo protector dos cachalotes que em Portugal e suas redondezas não há petróleo.
    Quanto a todos os bandalhos que apoiaram os muchachos de Herr Zelensky e/ou Israel vão ver se o mar da tubarão branco cheio de larica.

  3. Obviamente. Será mera coincidência o pico do militarismo e belicismo na Europa coincidir com a ascensão dos partidos de extrema-direita em vários países onde têm expressão histórica? O militarismo e o belicismo promovidos pelos auto-intitulados “centristas moderados” sob a égide da NATO (EUA) e da UE (por oposição aos “extremistas radicais”), além das políticas económicas, sociais impostas pelos mercados de grandes capitais, contribuem para isso e uma vez que alcance o poder, a extrema direita ainda irá acentuar mais essas políticas, que no fundo a sustentam e elevam.
    Se transformar a juventude em carne para canhão em guerras de potências externas não é cortar a vida dos debaixo, não sei o que será.

  4. Porque extrema direita diz o que as pessoas querem ouvir. E cada vez mais gente está farta de sustentar a chulagem de Herr Zelensky.
    Enquanto continuarem a sustentar esse traste podem chorar as lágrimas de crocodilo que quiserem e dizer que a extrema direita está feita com o Putin.
    Logo se viu com quem a extrema direita estava feita quando a
    Meloni abocanhou o poder em
    Itália.
    Vai acontecer o mesmo em todo o lado mas esta gente também não se chateia.
    A extrema direita só corta a vida dos debaixo e favorece os donos disto tudo.
    Vão ver se o mar da megalodonte.

  5. Instalou-se na élite política europeia um sentimento de folia, loucura coletiva que a historiadora norte-americana Barbara Tuchman caracterizou como geradora de conflitos internacionais no seu livro de 1984, “The march of folly” (não traduzido entre nós). Fosse o grupo de euro-deputados mais restrito, poderíamos limitar o nosso comentário a um Ensandeceram! Infelizmente, pelo seu número e influência política, temos também de dizer que nos querem “ir ao bolso” para financiar uma guerra que interessa sobretudo aos USA, estes secularmente preocupados com a dimensão e influência do que foi o Império Russo, a União Soviética e, agora, a Federação Russa. E sempre dispostos a aprovar sanções que acabam por se revelar ineficazes contra o inimigo de estimação, mas com feed back desastroso para a economia europeia. Como dizia a bruxa dos “Ladrões de bicicletas”, que o Senhor os ilumine.

  6. Mas na realidade preferia que fossem os ucranianos a acordar, a deixar de achar que são vikings ou coisa que o valha, a destronar Herr Zelensky, a dar um pontapé no traseiro dos nazis.
    Não será fácil sendo que a PIDE ao pé do SBU eram uns meninos de coro. Essa gente mata que se farta e qualquer dissidente acaba morto ou, se tiver sorte, despachado para a Rússia. Teria de haver um levantamento popular, sangue nas ruas e policiais e soldados a ganhar finalmente juizo.
    Mas com uma população embriagada na ideia de uma superioridade racica contra os pretos da neve nao será fácil.
    Não quero que aconteça em Kiev aquilo que aconteceu em Beirute.
    Em que 300 pessoas, na esmagadora maioria civis, foram mortas para matar o líder do Hezbollah.
    O cenário de Gaza ou do Sul do Líbano não pode repetir se na Ucrânia mas a verdade e que estes bandalhos querem armar a Ucrânia de modo a que esta possa fazer o mesmo em partes da Rússia.
    E aí será difícil conter os falcoes que também há na Rússia.
    Que já ladram que se Israel pode fazer barbaridades para decapitar os líderes da resistência contra as suas campanhas de roubo de terra e e armado pelo Ocidente para fazer isso, e louvado orgasmicamente pelo mesmo Ocidente por o fazer, também a Rússia deverá arrasar Kiev para matar Herr Zelensky.
    A ideia de que a Rússia deve agora com a mesma impiedade e crueldade que Israel começa a ser cada vez mais popular numa Rússia cada vez mais farta de sofrer o terrorismo ucraniano.
    Entre esses falcoes conta se Dugin, que perdeu uma filha para o terrorismo ucraniano.
    Não sei o que os assassinos israelitas teriam feito se alguém próximo ao seu dirigente máximo visse um filho morrer por uma bomba colocada num carro que segue a sua frente mas palpita me que o resultado não seria nada bonito.
    Mas a Rússia, insultada de toda a maneira e feitio pelos prestitutos ocidentais tem mostrado uma contenção notável no meio disto tudo.
    Resta saber quanto tempo mais podera mante la face a intransigência desta gente em tentar fazer a Rússia sangrar o maus possível custe o que custar e a cada vez maior impaciência não só dos seus falcoes mas também de cada vez mais gente que percebe que não vale a pena negociar com esta gente.
    E face ao apoio descarado a todas as ações nefastas de Israel com o pretexto perfeitamente nojento que as suas vítimas, que simplesmente tentam defender a sua terra do saque, são todas terroristas.
    Uma outra nota, Bruno Amaral de Carvalho e o único jornalista português em Beirute.
    Um bravo pela coragem e votos para que fique bem. Os nazis sionistas sao muito mais eficientes a matar jornalistas do que os nazis ucranianos.
    E já o governo socialista estava disposto a abandonar o homem a fúria dos nazis ucranianos sendo caso disso, imagino que o actual governo, apoiante dos genocidas, também não se chateie muito se o homem for vitima de uma bomba nazionistas.
    Os jornais portugueses não lhe compram reportagens mas há uma no Resistir e, ao que consta, o homem está a publicar num tal Diario Red, em Espanha.
    Isto mostra o ponto a que descemos bem como a autoridade moral que teremos para condenar a Rússia se esta mandar a contenção as malvas e “fizer uma asneira” em Kiev.
    Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.

  7. Claro que vamos financiar a russofobia.
    Porque por muito mal que nos esteja a correr a aventura ucraniana continuamos com os olhos postos nos recursos da Rússia, nos recursos que queremos pilhar.
    Temos esperança que somos mais e mais tarde ou mais cedo conseguiremos exaurir a Rússia.
    Daí, das duas uma, ou a conseguimos dividir em 20, coisa que nenhum invasor conseguiu, ou conseguimos colocar lá um Ieltsin, ou seja, alguém que volte a vender nos o seu país a preço de saldo.
    Nessa altura todo o investimento que fizemos terá retorno, todo o dinheiro gasto nesta guerra será devolvido multiplicado por muito.
    Nos sacrifícios exigidos as populações, nas vidas perdidas no campo de batalha ninguém pensa.
    Ninguém pensa na plebe.
    Quanto a plebe está anestesiada e acredita também que mais tarde ou mais cedo venceremos e a nossa vida vai melhorar.
    Pouca gente pensa no perigo que e viver num mundo em que gente capaz de destruir um país para lhe sacar recursos que poderia perfeitamente comprar com honestidade, que apoia genocidas cruéis seja a única a dominar.
    Só pensam que e preciso “banir da terra” os russos e então tudo será leite e mel.
    Mas parece que pelo menos por cá alguma plebe já vai acordando.
    Por exemplo, o Bloco de Esquerda já percebeu que o apoio ao nazismo ucraniano e o discurso russofobico já não dão votos entre o seu eleitorado tradicional.
    O Chega não se teria abstido se não tivesse tido a mesma percepção.
    Mas acordada ou adormecida a plebe será conduzida como gado para o matadouro e continuará a pagar os custos desta guerra.
    Custa me pensar que parte dos meus impostos serão para pagar a corrupção desenfreada de Herr Zelensky e sua camarilha mas essa gente bem instalada na Europa, o bando de psicopatas, alguns com pedigree nazi, que nos domina, não deixa de sonhar com o saque.
    Não há mesmo maneira de os fazer ganhar decência e vergonha nos focinhos.
    Mas talvez que se Herr Zelensky começar a matar civis em Moscovo isto acabe com uns quantos cogumelos cor de laranja sobre a Ucrânia Ocidental.
    Por muito que lamente pelas vidas acabadas parece que e mesmo a única maneira de acabar com a loucura desta gente.
    Porque a Ucrânia caiu no mesmo fanatismo da Alemanha Nazi que acabou a mandar para a frente de combate crianças de 10 anos.
    E ou a Rússia toma uma medida drástica ou teremos ainda muitos anos para pagar a Herr Zelensky.
    Mas talvez a Rússia, que também tem capacidade para angariar combatentes de outras latitudes, esteja a gostar de nos ver sangrar.
    Por isso vamos ter a russofobia financiada pelo Orçamento de Estado para 2025 e muitos mais que se seguirão.

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