(Hugo Dionísio in Strategic Culture Foundation, 02/09/2024)

No caso de nos parecer que a Rússia – e China – puxam mais do que os outros… Não teremos boas notícias para o mundo multipolar.
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Muitas foram as vozes de preocupação e consternação com o anúncio, por parte do Ministro dos Negócios Estrangeiros russos, Serguei Lavrov, declarando a suspensão temporária de novas adesões ao bloco BRICS. As nuvens negras logo se avistaram sobre o mundo multipolar, principalmente quando tinha sido dito que existirá uma lista de 40 países em fila de espera e com vontade de integrar o bloco. Terá sido o anúncio de Lavrov assim tão inesperado?
Sem um bloco BRICS forte, coeso e harmónico, um mundo multipolar organizado, pacífico e cooperativo estará ameaçado. A capacidade em fazer da cooperação económica (principalmente) o pano de fundo sobre o qual as contradições, entre nações, unilateral e bilateralmente consideradas, serão secundarizadas em prol de um bem maior, de que todos igualmente beneficiam, constitui, a meu ver, a grande força de um bloco como os BRICS.
Contudo, a história diz-nos que os impérios não morrem em paz e que a sua substituição por formas novas de governo – nem sempre mais avançadas –, quase nunca é isenta de contratempos e solavancos. Daí que seja expectável que o poder hegemónico ocidental, liderado pelos EUA, continue, até ao extenuar das suas forças, a impedir entendimentos colectivos que enfraqueçam o seu domínio. O mundo multipolar é, ele próprio, a negação de um qualquer domínio hegemónico.
Assim, se todos puderam assistir à deriva de Lula da Silva, exigindo da Venezuela bolivariana o que não exige a nenhum outro país com eleições – que demonstre que as suas instituições funcionam, não nos termos da respectiva lei nacional, mas nos termos da Ordem Baseada em Regras -, também é verdade que este comportamento colocou em sobressalto todos os que, como eu, almejam e lutam por um mundo mais justo. A verdade é que este resvalar, por parte do presidente brasileiro, para a esfera narrativa imposta pelos EUA e pela sua ordem “internacional”, coloca muitas questões quando se trata de BRICS.
Em que estado fica agora a entrada da Venezuela nos BRICS? Terá, agora, o Brasil de Lula da Silva, condições morais para aceitar a entrada da Venezuela nos BRICS? Que restará da sua imagem se o aceitar, sem imposições ou condições? Retornará ao apoio a uma Venezuela soberana? Que fracturas abrirá no bloco uma atitude brasileira negativa, face à entrada da Venezuela bolivariana (é dessa que falamos, a outra não entraria jamais)? Não terá sido este o verdadeiro golpe de Lula da Silva? Criar condições políticas justificativas para uma não aceitação da entrada na Venezuela nos BRICS? E quem beneficiará com isso? A que país, e a que bloco, interessa que as maiores reservas de petróleo no mundo não estejam integradas, numa esfera de cooperação económica amplamente influenciada por Rússia e China? Ao Brasil não será certamente.
Tenham estas questões, ou não, uma base material que as sustente, esta posição de Lula da Silva face às eleições Venezuelanas, coloca uma farpa profunda numa futura expansão dos BRICS, na América latina, uma vez que, a seguir à Argentina, que declinou, ao Chile, cujo presidente traiu a confiança do povo, seria a Venezuela o candidato que se seguiria. Afinal, uma vez mais, quem beneficiará com um bloqueio da expansão dos BRICS na América latina e central?
Certamente que Rússia e China não terão gostado nada desta deriva e embora não o dizendo, não terão deixado de nela ler o que ela é: a tentativa de submeter a Venezuela a um processo político que a faça transitar para a esfera da “Ordem Baseada em Regras” dos EUA. Colocando aquele país no limbo em que se encontram todos os outros, com excepção de Cuba e Nicarágua. Querem pertencer ao mundo multipolar, mas não lhes é permitido; podem sair da ordem baseada em regras, mas não querem, ou não têm a força e coragem para tal.
Se estas questões configuram as das graves contradições a enfrentar pelo bloco e que dificilmente encontrarão resposta na conferência que está marcada para Kazan, em Outubro de 2024, existe um outro processo, a meu ver, muito mais pernicioso e perigoso para a própria existência do bloco. De uns BRICS com as actuais características e mantendo a capacidade de unir existências políticas que apostam na multilateralidade da sua política externa. Trata-se da situação da India e das razões que estarão subjacentes à visita de Modi a Kiev, ao abraço ao Zelensky e aos maus tratos sofridos e engolidos pelo presidente do país mais populoso, às mãos do ex-presidente do país que mais população perdeu no mundo, em tão curto espaço de tempo. Algumas contagens recentes colocam a Ucrânia com 19 milhões de habitantes. Em 1991 tinha mais de 50 milhões!
Alguns analistas indianos alvitraram a possibilidade do presidente Modi ter visitado a Ucrânia, entre outras coisas, por necessitar de dar conclusão ao processo de modernização e manutenção da frota de aviões Antonov (40 An-32 na Ucrânia e 65 da India), cujos trabalhos decorrem desde 2009. Ao que parece, de acordo com o site The Print, os Russos negam-se a entregar peças para que a Ucrânia conclua os trabalhos em 5 aviões que aí se encontram. O outro motivo da visita ter-se-á centrado na cooperação no domínio da indústria naval, nomeadamente nos que estão relacionados com os motores de navios usados pela India e cuja fábrica Zorya-Mashproekt em Mykolaev foi destruída pelas forças russas em 2022. De acordo com o site Indian Defense News, Modi admitiu as recriminações de Zelensky para que a Bharat Forge compre 51% da Zorya, garantindo assim a produção de turbinas navais a gás. A India também participa da pilhagem à Ucrânia. Ao que parece, desde o início, Modi foi pagar um tributo para lhe ser permitido ficar com uma parte da riqueza nacional da Ucrânia.
Se daqui já dá para ver o caricato da questão e as razões que fizeram Modi ir ao “beija-mão” de Kiev, pretendendo modernizar a sua frota naval de forma a poder fazer frente ao rival Chinês, existem outras situações que não apenas colocam em oposição directa interesses de países do bloco (caso de India contra China, em que a India corre militarmente para apanhar a China e serve de destino para as deslocalizações de empresas que os EUA querem retirar da RPC), mas também, e sobretudo, os que colocam em confronto interesses de países do bloco com os interesses directos dos inimigos da própria multipolaridade: os EUA. Por outro lado, não deixa de ser absolutamente significativo de toda esta complexidade, o facto de a India instalar turbinas ucranianas em fragatas feitas pela Rússia (Fragatas do Projecto 11356 a entregar nos próximos dois anos).
A India actualmente um grande exportador de armamento leve, essencialmente. E quem é o seu maior comprador? Os EUA (a França e Israel também). Muito desse armamento consiste em munições, nomeadamente de 155mm, as munições que mais faltam à Ucrânia. Ora, está bom de ver que a Ucrânia é hoje destino de munições indianas, por via indirecta, se necessário, transitando de Nova Deli para Washington e Paris e, aí, repondo stocks e libertando outras – ou as mesmas – para serem atiradas contra o seu amigo e parceiro “estratégico” russo. Querem uma contradição maior que esta? A India, directa e indirectamente, compra tecnologia militar e fornece armas que vão ser usadas pelo exército contratado pela NATO contra a Rússia. A India, hoje um dos maiores exportadores militares do mundo, tem interesse directo na guerra do Donbass. Uma guerra contra um importante amigo.
E se este “apoio” da India a Kiev, por si só, coloca tudo em termos muito pouco éticos e transparentes, fazendo da hipocrisia e cinismo os principais facilitadores das relações bilaterais e multilaterais nos BRICS, o que dizer do fornecimento de mísseis Brahmos, como anunciado também pelo The Print, às Filipinas? Os Mísseis Brahmos são mísseis cruzeiro supersónicos (Mach 2.8) e foram desenvolvidos num projecto conjunto com a Rússia. Estes mísseis também são anti-navio e serão utilizados pelas Filipinas contra… A China! Mas, não pára aqui: as Filipinas caminham para se tornarem a “Ucrânia” do Mar do Sul da China, usadas pelos EUA como monumental base naval para os eu projecto de “contenção” do gigante asiático. Enfim, os EUA passaram a ter acesso privilegiado a uma das mais avançadas tecnologias de mísseis russa. A nova versão destes mísseis (o Brahmos II) é hipersónica e terá sido uma evolução a partir da primeira versão.
Ora, quando as contradições são políticas, todos relevaram; quando se tornam económicas, muitos desvalorizaram; mas agora, as contradições tornam-se militares e no meio de uma corrida desesperada aos armamentos, da qual nem o Brasil escapa. Todos conhecemos a cobiça das empresas públicas de armamento brasileiras, pelos países da Ordem Baseada em Regras. O Brasil a contribuir para o bombardear da Rússia não seria apenas uma traição, seria uma clarificação da situação.
Não se encontrando, no domínio institucional e regulatório, uma solução para todas estas contradições, um momento haverá em que desta confusão começará a sair alguma claridade. Da tese e a antítese, sairá algum tipo de síntese. Para já, é minha opinião que a Rússia é o maior dos interessados (pelo menos momentaneamente) no sucesso dos BRICS. O segundo grande interessado, é a China. Os BRICS são uma vacina (como a Organização de Cooperação de Xangai) contra as tentativas de isolamento destes dois países, em relação aos restantes países com peso internacional. India e Brasil, têm muito interesse nos BRICS, mas o mesmo é, nestes países, difusamente considerado e conciliado – quase nunca priorizado – com os interesses nas relações de pertença à Ordem Baseada em Regras (casos do G20). A África do Sul vive num limbo parecido, mas tendo ainda menor possibilidade de escolha.
Daí que não seja fácil a resolução destes problemas e o que se passará em Kazan, determinará com que profundidade, Lula e Modi enterraram a farpa no coração da organização. O tempo deixará antever em que medida cada um puxará – ou enterrará – a organização. No caso de nos parecer que a Rússia – e China – puxam mais do que os outros… Não teremos boas notícias para o mundo multipolar.
Esperemos que não seja nada!
Fonte aqui.
Aqui na Pategónia Euroasiática o engraçado é que não só somos esmifrados para pagar as crises da bolsa de Wall Street, por arrasto e em sequência, a ponto de se ir cortar nas pensões dos reformados, como ainda temos de pagar os olhos da cara pelos F16 e quejandos ao Tio Samuel, e enviar os tanques e as bazucas enferrujados e ressequidas (também poucos não estão) para as estepes ou para as planícies ou cordilheiras áridas por pedido e necessidade da marioneta do Tio Samuel de ocasião.
Será que já só somos o 51.o estado da União (não a Europeia, obviamente, nessa somos oficialmente um dos 27)?
A julgar pelos canais in(formativos), parece que sim.
Gostava de ver um dia a notícia de Última Hora (Breaking Nus, ou melhor, News), Prime Time, whatever: “Agências de Rating, Fitch, Standard & Poors, etc, classificam a dívida pública norte-americana como LIXO”…
Até se apagavam…
E ainda temos que privatizar tudo ao desbarato: TAP, CTT, EDP… siga a marinha que está lá o Almirante Gouveia e Melo! É um mar que se abre…
Ah, e ainda me esqueci da recapitalização da banca, não fosse o default… do Estado Português!?
O espaço aéreo já foi (parece que já só há um heli civil para pronto-socorro em todo o território da Pategónia continental…), o espaço terrestre está a ir (imobiliária, “nómadas digitais” e reformados “visagold” standard), o espaço marítimo é a seguir… tudo retalhado e vendido porque “éramos muito pobrezinhos” e “eles estavem a defenderem os nossos valores e a demo-cracia”!
E quem fizer perguntas incómodas e tirar ilações menos simplórias está a mais! Devia ir para a Venezuela (como muitos já tinham ido em tempo de vacas gordas), ou para a Rússia (onde se desmantela frigorificos e máquinas de lavar para extrair electrónica estratégica vital para a máquina de guerra de Putin)!
*latifúndio agrícola (ou exploração vinícola) espanhol, francês, etc… no Alentejo, e não só, a nível de território agrário, rural e interior
E ainda tens que jurar a pés juntos para não ser crucificado (assim como Pedro por três vezes renegou Jesus) que o Zelensky e o Netanyahu e o ISIS/AlQaeda/Talibans-Mujahedeen (conforme as épocas e conflitos históricos) são “Freedom Fighters” dignos de serem apadrinhados pelo Rambo, o Tom Cruzeiro ou o Clint Pau-do-Leste…
Claro, os seus patrões são sempre solventes. E quanto a pedir lhes a conta os credores sabem o que lhes convém tal como o sabiam os ourives de San Sebastian que ofereciam as peças a mulher do carniceiro Franco.
As agências de rating servem apenas e só para assombrar pategos, e só cá na parvónia tinham e têm o destaque mediático que se vê, causando ânsias aos “bons alunos” tão empenhados e atarefados no controlo do défice e da dívida. O cúmulo do ridículo é que são agências maioritariamente norte-americanas e anglo-saxónicas que ignoram olimpicamente o descontrolado serviço de dívida dos EUA, enquanto apontam o dedo a todos os seus “desleixados” vassalos e “incumpridores”.
Só falta inventar agências de rating dos “nossos valores e da demo-cracia”… Ah, espera…
A dívida dos Estados Unidos não é problema e não e so pela sua capacidade de imprimir mais dinheiro.
A dívida americana não é problema para eles porque o seu poder militar permite que ninguém tenha a coragem de lhes cobrar.
Isto faz lembrar a história contada por um cozinheiro basco.
No tempo de Franco, apesar da miséria que, tal como em Portugal, assolava a maior parte da população, a cidade basca de San Sebastian era um centro cosmopolita que atraia ricos de todo o lado.
Por isso a cidade tinha um bom número de ourivesarias.
A cidade merecia também a ilustre visita do General Franco e esposa que aí passavam férias que isto de andar a mandar matar gente e um trabalho cansativo.
Pois eis que todas as ourivesarias faziam durante esse mês um seguro bastante dispendioso mas que em caso de prejuízo pagava sem fazer perguntas.
Porque ninguém sabia quem ia receber a ilustre visita da senhora e mais valia pagar e não acontecer nada do que ter prejuízos de centenas de milhares de pesetas que não podiam ser cobradas.
Porque a senhora servisse e os ourives pensavam “quem vai pedir a conta a esta?”.
E assim acontece com a dívida americana.
Os Estados Unidos não teem as agências de rating a ladrar todos os dias que e preciso aumentar lhes os juros porque a sua dívida é impagavel nem verão os juros a subir de forma a tornar mesmo a dívida impagavel como sucedeu com a Grécia e Portugal nos anos da troika.
Ninguém quer acabar como Saddam ou Kadhafi e nenhum responsável por agências de rating quer ter um acidente estranho.
Nenhum pais credor quer ver se acusado de ser uma ditadura, afogado em sanções e vítima de uma operação de mudança de regime.
Aos Estados Unidos ninguém tem coragem de pedir a conta.
Por isso a dívida deles e um problema dos credores e não deles.
ARTIGO INTERESSANTE:
A dívida dos Estados Unidos aumentou para impressionantes US$ 35 trilhões, e o custo do serviço dessa dívida agora ultrapassa US$ 3 bilhões por dia.
É o elefante na sala com o qual ninguém quer lidar — certamente não em um ano eleitoral.
Enquanto isso, espera-se que o Federal Reserve reduza as taxas de juros em breve, o que poderia, em teoria, oferecer algum alívio temporário, mas não nos enganemos: isso não resolverá os problemas estruturais que estão levando os Estados Unidos a uma dívida cada vez maior.
Cortes de taxas como analgésicos
Espera-se que os cortes de juros previstos pelo Federal Reserve tragam algum alívio imediato.
Taxas mais baixas podem aliviar os custos de empréstimos para famílias e empresas, tornando hipotecas, empréstimos e crédito mais acessíveis.
Além disso, o Tesouro dos EUA pode encontrar alguma margem de manobra, já que taxas mais baixas reduziriam o custo do serviço da dívida pública.
Sid Vaidya, estrategista-chefe de investimentos da TD Wealth, observa que os cortes nas taxas podem ajudar o governo a economizar em despesas com juros, especialmente se o Federal Reserve continuar a reduzir as taxas nos próximos 18 a 24 meses.
No entanto, o problema subjacente permanece: o governo dos EUA continua gastando mais do que arrecada, o que leva a déficits orçamentários persistentes.
Na verdade, o governo dos EUA tem gasto mais do que arrecada desde 2002.
O elefante de 35 biliões de dólares na sala: a dívida dos EUA está a afundar a América
O elefante de 35 biliões de dólares na sala: a dívida dos EUA está a afundar a América
© Invezz – PT
Embora os cortes nas taxas possam reduzir os custos de juros no curto prazo, eles não abordam os problemas principais: gastos governamentais insustentáveis e um sistema tributário que não acompanhou as necessidades financeiras do país.
O déficit orçamentário dos EUA, atualmente em 6,7% do PIB, é um fardo significativo que cortes de juros por si só não conseguem resolver.
A bola de neve da dívida nacional dos EUA
A dívida dos EUA aumentou drasticamente nos últimos anos, em parte devido à resposta econômica à pandemia da COVID-19.
Embora esse aumento da dívida tenha sido inicialmente necessário para estabilizar a economia, ele agora atingiu um nível que está gerando preocupações entre os investidores.
Em outubro passado, o rendimento de referência dos títulos do Tesouro de 10 anos subiu para 5%, o maior em 16 anos, destacando a ansiedade dos investidores sobre a trajetória da dívida do país.
O Congressional Budget Office (CBO) projeta um futuro ainda mais alarmante: a dívida detida por investidores privados pode aumentar de 75,7% do PIB para 93,7% na próxima década, com a dívida pública potencialmente atingindo 166% do PIB até 2054.
Essas projeções destacam a urgência de abordar o desequilíbrio fiscal do país.
Apesar dessas preocupações, o Tesouro dos EUA continuou a emitir nova dívida, que foi atendida com forte demanda.
Neste verão, os investidores compraram avidamente títulos do Tesouro recém-emitidos, permitindo que o governo financiasse sua dívida crescente.
A parte preocupante é que essa situação não pode continuar indefinidamente. A capacidade do governo de manter empréstimos nesse ritmo não é garantida, e uma perda repentina de confiança do investidor pode desencadear uma crise financeira.
Historicamente, os gastos deficitários desempenharam um papel crucial na estabilização da economia dos EUA em tempos de crise, como a crise financeira de 2008 e a pandemia de 2020.
No entanto, com a economia agora em uma base mais estável, os altos níveis contínuos de gastos deficitários levantam questões sobre a capacidade do governo de responder a crises futuras.
Se ocorrer outro grande choque econômico, os EUA poderão ficar com opções limitadas para uma intervenção eficaz.
O caso do breve mandato de Liz Truss como primeira-ministra do Reino Unido serve como um conto de advertência.
A proposta de Truss de cortar impostos sem compensar a perda de receita com cortes de gastos levou a uma forte liquidação de títulos do governo do Reino Unido, forçando-a a abandonar o plano e, por fim, levando à sua renúncia.
Os EUA podem enfrentar uma situação semelhante se tentarem estimular a economia sem resolver seu problema de dívida.
A dívida torna a moeda inútil
À medida que a dívida continua a aumentar, também aumenta o risco de desvalorização da moeda. O dólar americano, que é a moeda de reserva mundial, enfrenta pressão à medida que os investidores ficam cautelosos com a capacidade do governo de administrar suas obrigações financeiras.
Uma dívida nacional cada vez maior pode levar à perda de confiança no dólar, provocando uma desvalorização que pode corroer o poder de compra tanto nacional quanto internacionalmente.
Para os investidores, esse crescente fardo da dívida e a potencial desvalorização do dólar americano despertaram interesse em reservas alternativas de valor. Entre elas está, é claro, o frequentemente alardeado “ouro digital”, o Bitcoin.
A criptomoeda está sendo vista por muitos como uma proteção contra a desvalorização de moedas no mundo todo, devido ao seu fornecimento fixo, precisão matemática e falta de controle centralizado.
Além disso, outras formas de hedge cambial estão ganhando atenção como possíveis maneiras de proteger o patrimônio contra o risco de desvalorização do dólar.
Gestores de portfólio experientes agora estão buscando maneiras de ficar no lado longo de outras moedas, como o franco suíço, que é frequentemente visto como uma moeda de “porto seguro”.
A necessidade de reforma fiscal
O ponto principal é que a situação atual destaca a necessidade urgente de uma reavaliação da política fiscal dos EUA.
Cortes de juros e desvalorização da moeda podem proporcionar algum alívio a curto prazo, mas não são uma solução para o problema de longo prazo do aumento da dívida.
Sem uma reforma significativa, os EUA correm o risco de enfrentar uma crise financeira que pode ter consequências de longo alcance para a economia global.
Muitos especialistas expressaram preocupações sobre a sustentabilidade da abordagem atual.
O governo dos EUA precisa garantir US$ 2 trilhões em novas dívidas somente neste ano para refinanciar obrigações existentes e cobrir novos gastos.
Com os investidores estrangeiros cada vez menos dispostos a comprar dívida dos EUA, o fardo recai cada vez mais sobre os investidores nacionais e, potencialmente, sobre o próprio Federal Reserve.
Contar com o Federal Reserve para continuar sustentando o mercado é uma estratégia arriscada.
Discussões nos bastidores são necessárias para encorajar o Congresso a tomar medidas decisivas sobre a política fiscal.
Isso inclui abordar as causas básicas do déficit, como gastos descontrolados e um sistema tributário que não consegue gerar receita suficiente.
No final das contas, os governos precisam começar a pagar pelas coisas novamente e não viver com dinheiro emprestado. É hora de parar de adiar a situação e começar a lidar com a realidade.
A crise da dívida de US$ 35 trilhões não é apenas um problema para Washington; é um problema para todos nós. As escolhas que fizermos hoje determinarão se afundaremos ou nadaremos nos próximos anos.
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– Eh, Modi!
– Gandhi Lula!
– Tu já tem sotaque do Brasiú?
– Tchin-Tchin, por Brahma.
– Cerveja a essa hora não, porra.
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Mataram uma beluga que espiava para a Rússia? A putinista!
No outro dia em Vila Nova de Cai-cai, Mato Grosso do Sul, abateram a tiro uma mula ruça sem cabeça, que mesmo assim relinchou ao dar o último suspiro, soou a algo como Putiiiiii-iiin-iin-iiiiinnn. Foi assim que perceberam que trabalhava para o Kremlin, e era russa, não apenas ruça.
Perdem-se uns ganha-se outros,mas mesmo assim não acredito que eles abandonem os Brics+,estão a fazer o seu jogo político…
A Turquia vai aderir aos Brics+,caso contrário os Estados Unidos e a NATO tratá-la-ão como uma ponte para proteger os seus interesses…
A confirmação por parte da Turquia da sua intenção de aderir aos BRICS poderá levar a UE a acelerar o processo de adesão da Turquia. Do mesmo modo, os EUA estão a instar a Indonésia a não aderir aos BRICS. De acordo com os dados do FMI para 2024, o PIB nominal da Indonésia é superior a 1 457 mil milhões de dólares e o da Turquia é superior a 1 113 mil milhões de dólares. A inclusão de novos membros, como a Turquia e a Indonésia, poderá dar aos BRICS um alcance económico significativamente maior do que o do G7.
Os ocidentais não querem mesmo aprender as lições da história, apesar de esta se estar a repetir 🙂 …. O primeiro exemplo que me vem à cabeça é o tempo que a Turquia passou a pedir Patriots aos EUA, para acabar por receber S400 russos …
A Europa perdeu o barco: é tarde demais, estou a seguir de perto a política turca: até a Turquia já não quer ouvir falar da Europa, a “janela” que os europeus tinham para integrar a Turquia na UE: fechou-se, PARA SEMPRE … o comboio já partiu …..
Os parceiros tradicionais e estratégicos da Turquia estão na Ásia e no Cáucaso. Estas ambições europeias sempre foram um capricho, uma fantasia que queria fazer da Turquia um país de tradições e valores ocidentais. Os turcos compreenderam que a UE nunca aceitará um país com 80 milhões de muçulmanos no seu seio. Foi devido à vontade dos EUA que a UE aceitou a sua presença.
Sejamos sinceros e reconheçamos que o único obstáculo à adesão da Turquia é a sua população muçulmana; tudo o resto não passa de desculpas. A UE tem sido capaz de integrar países a uma velocidade vertiginosa sem se preocupar em cumprir os critérios que impõe à Turquia. Exemplos típicos são a Bulgária e a Roménia, com o objetivo de as retirar do rebanho russo.
Seja como for,o dólar americano não foi morto pelos Brics+. Suicidou-se devido à injustiça americana para com todos os países do mundo, incluindo os países aliados dos Estados Unidos da América.
Espia russa assassinada a tiro. Tá bem que até era branca, mas a alma de preta das neves estava lá, tão certo como o filho da minha mãe se chamar Joaquim, e isso é pecado absolutamente imperdoável. Uma coisa sei: se a estupidez pagasse imposto, seriam raros os países sem superavit.
https://observador.pt/2024/09/04/beluga-que-seria-espia-russa-foi-assassinada-dizem-organizacoes-de-defesa-dos-animais/
Por estarmos durante demasiado tempo “ocidentalmente” educados no “pensamento único” temos muita dificuldade em admitir que um caminho novo de relações soberanas é possível desde que saibamos tirar proveito da situação nova que, depois do assassinato de dois governantes (Sadam Hussein e Gadafy, que isoladamente e sem suficiente poder militar e económico quiseram fazer frente ao poder do dólar nas transações comerciais e se negavam aos ditames de Whashington), pela primeira vez surge que 2 Estados e potências militares e económicas (com regimes políticos diferentes) que se dispõem a acabar a hegemonia política, económica, financeira e militar dominante dos últimos séculos e contruir com outros Estados soberanos um novo tipo de relacionamento de igualitária dignidade, direitos e deveres em que cada Estado é soberano no tempo e no modo de suas opções de parceiros, desde que não colidam com a opção de fundo de respeito pela multipolaridade.
Uma imensa tristeza e não auguro nada de bom!
Já há algum tempo me sinto impelida a partilhar o pessimismo de Hobbes que falava na natureza humana e no “homem lobo do homem”; realmente a natureza humana ainda está numa fase muito primitiva, é o salve-se quem puder, agora resgatado pelo individualismo neoliberal que faz tudo, com muita arte e engenho, para convencer os humanos de que cada um está entregue a si mesmo e tem é de se virar, para não ser um falhado. . . um perdedor.
.
Aqui tudo parece apontar para o facto do Lula estar a tentar salvar a pele, para isso convence-se a ele próprio que afinal pode ter havido marosca na Venezuela e então mostra-se, como costuma dizer-se, mais papista que o próprio papa, e entrega um lindo serviço, sem perceber os estragos que está a provocar e sem perceber que está a dar um tiro no próprio pé: que me lembre Bolsonaro e companhia também tentaram questionar o resultado eleitoral que lhe deu então acesso ao poder.
Neste contexto, com esta gente e com estes paises, liderados por gente pouco qualificada e com povos amorfos e acriticos, provavelmente, de momento, o capitalismo vai manter-se à tona; e parece que teremos de dar razão àquele que dizia que “é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo”. Se tal acontecer, também provavelmente, porque prognósticos fiáveis só depois do jogo, este sistema vai acabar por ser derrotado por ele próprio, pois vai ter, para não se afundar, de mudar o seu ADN, entre outras coisas, aceitar um Estado forte e interventivo, e sobretudo, planificação da vida económica e social, de outra maneira, nem precisaremos de imaginar o fim do mundo pois a dura realidade acabará por se impor.
Bom comentário.
Que o Lula está cagadinho de medo, claro que esta.
Há alguns anos ouvi uma coisa muito certa dita por alguém que já tinha passado por quase tudo quanto é mau na vida.
Guineense de nascimento, estava num orfanato de freiras quando da retirada das tropas portuguesas. A decisão dos responsáveis fora evacuar para Portugal as crianças a cargo.
Tinha quatro anos quando isso aconteceu.
A vida não fora fácil mas ela mantinha uma dignidade e uma força notáveis.
O não saber praticamente uma palavra de inglês nao a impediu de tentar a sorte e de conseguir viver com dignidade do seu trabalho por terras inglesas.
“O medo mata”, dizia.
E sim, e verdade, o medo mata e o medo de Lula pode ter ferido de morte a esquerda e não so no seu país.
A ideia peregrina de repetir actos eleitorais quando haja contestação violenta dos resultados abre uma verdadeira caixa de Pandora e da aos fascistas de todo o mundo os argumentos de que precisam.
Tem tudo para correr mal.
Modi não é flor que se cheire e é tipo rolha, Lula, tem rabos de palha, já foi apertado pelos americanos que o ameaçam de o meter na prisão caso continue a apoiar a Rússia. Portanto, tudo gente recomendável!
Modi e um fascista e nunca foi apanágio dos fascistas serem leais ou pensarem a longo prazo.
Modi sabe que a Ucrânia não pode ganhar esta guerra, já não tem gente para isso. Mas se conseguir ganhar algum exportando armas para o Ocidente que por sua vez serão gastas na Ucrânia claro que o vai fazer.
As vidas que acabem na Ucrânia e na Rússia por causa das tais munições claro que nada o prendera. Em muitas ocasiões já provou que nada o prende as vidas acabadas do seu próprio povo.
Depois? Depois logo se verá porque pensar para além do ganho imediato nunca foi apanágio dos fascistas.
O caso de Lula é outro. Quis apaziguar os seus fascistas porque sabe que na terra dos jagunços nao pode contar com a lealdade dos militares e se sofrer uma grande revolta fascista provavelmente desta vez não haverá prisão. E morte mesmo.
A última coisa que precisa e de começar a ser alvo de manobras de regime Change por parte do poderoso vizinho do Norte.
Na minha modesta opinião abriu um precedente terrível para a esquerda no seu país pois que nunca mais a direita aceitara um resultado em que perca as eleições.
Exigira com toda a violência a sua repetição aplicando se assim a receita que Lula quis aplicar a outro país soberano.
Lula tinha obrigação de saber mais, não soube, agora a esquerda brasileira e todo o povo que por lá quer uma vida digna tem um bom bico de obra a aviar.
Lula perdeu uma das maiores oportunidades de ficar calado que alguém já perdeu.
Quanto as Filipinas poderem ser a Ucrânia não me parece.
A Russia tem interesse em manter viva e no seu lugar a população do Leste da Ucrânia o que a faz refrear se em relação a utilização de certo tipo de armamento até porque as suas populações também estão lá perto.
A China não tem motivos nenhuns para não cair em cima das Filipinas com tudo quanto tem e se for preciso enfiar uma batata quente nuclear em Manila não vai perder muito tempo a pensar.
Mas isso so o futuro o dirá.
Agora e realmente importante que toda a gente perceba que um mundo dominado pelos Estados Unidos e um perigo para a humanidade.
E quem perder a coragem, como foi o caso de Lula, que se afaste e de lugar a quem ainda tenha os tomates no sítio.
As vacinas COVID provaram que se essa gente dominar nunca mais teremos paz.
Se essa gente dominasse mesmo no mundo essa macabra experiência científica teria morto milhões e milhões de pessoas em todo o mundo pois que seríamos obrigados, pela força se necessário, a dar doses e mais doses daquilo. Em todo o mundo.
Este e um exemplo do que pode correr muito mal se essa gente realmente puder impor todas as suas “regras” a toda a humanidade.
Porque nada prende essa gente as vidas acabadas.