A vingança de Biden

(Dmitry Orlov, in SakerLatam, 23/08/2024)


Orlov é hilariante com o seu sarcasmo ácido. Com exceção da decadente elite americana, o riso de Kamala Harris é verdadeira e irresistivelmente contagioso. Putin, sendo um verdadeiro cavalheiro, apesar da tentação, manterá a compostura.


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Mantenho o meu velho ditado de que “a América não é uma democracia e não importa quem seja o presidente”. Os Estados Unidos estão a tornar-se decrépitos a um ritmo perfeitamente aceitável (para a maioria global que está farta da sua “hegemonia”). As grandes nações hegemónicas precisam de dois ingredientes para permanecerem hegemónicas: supremacia económica e supremacia militar.

No caso dos Estados Unidos, todos foram forçados a usar o dólar americano no comércio (especialmente no comércio do petróleo), com o qual os Estados Unidos puderam obter enormes lucros simplesmente imprimindo dinheiro, e quem se recusou – como Saddam ou Gaddafi – foi executado. Na realidade, a questão resumia-se a “pague-nos ou iremos matá-lo”. Mas, em que pé está agora essa supremacia?

Vejamos primeiro o poder económico. Se olharmos (muito brevemente) para o orçamento federal dos EUA, veremos que um terço dele foi elaborado com base em  empréstimos, e quando o revi há alguns meses, os EUA estavam a ser forçados a continuar a contrair empréstimos de um bilião de dólares a cada três meses; Esse tipo de situação, geralmente, não pode durar muito.

Entretanto, espera-se que uma reunião dos BRICS em Kazan, em Outubro, elabore um plano para substituir o dólar americano no comércio internacional e, em antecipação desse evento, o ouro atingiu os 2.550 dólares por onça pela primeira vez na história e os investidores internacionais estão a começar a desfazer-se dos títulos do Tesouro dos EUA e estão relutantes em comprar mais. Até agora, 49 países apresentaram a documentação para aderir aos BRICS; Como se pode ver, muito poucos países podem dar-se ao luxo de ficar de fora do comércio internacional quando o dólar desaparecer.

Se retirarmos a capacidade de endividamento do Departamento do Tesouro dos EUA, só sobrará dinheiro suficiente para despesas sociais, nada mais, mas se retirarmos todo o resto, a base tributária será reduzida ao ponto em que deixará de ser capaz de sustentar mesmo os gastos sociais. Que efeito terá isso no bem-estar social de um país cuja cultura leva muito poucas coisas realmente a sério – certamente que não a justiça, a integridade, a virtude ou a verdade -, mas onde o dinheiro é definitivamente uma delas? Foi daí que veio a supremacia económica.

Agora vamos olhar para o poder militar. Os Estados Unidos (e um punhado verdadeiramente patético de aliados) tentaram organizar uma espécie de “Operação Fornecer Blá-blá-blá” para tentar arrancar o controlo do Mar Vermelho e, consequentemente, do Canal de Suez, a Ansarullah, também conhecido como o Movimento Houthi, em homenagem ao venerável Abdul-Malik Badruldeen al-Houthi. Atualmente, apenas os navios chineses e russos podem navegar com segurança através do Portão das Lamentações (também conhecido como Bab el Mandeb) na entrada do Mar Vermelho.

Outras opções de navegação incluem contornar o Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, ou desafiar a Rota Marítima do Norte da Rússia; um é caro, o outro politicamente desagradável. O resultado desta missão (sobre a qual pouco se sabe ainda agora) é um buraco na cabine de comando de um certo porta-aviões americano causado por um foguete Houthi, (evento após o qual pouco ou nada foi noticiado), tendo o referido porta-aviões recuado lentamente em direção a Norfolk.

Mais recentemente, quando o Irão prometeu retaliação pelo assassinato por Israel do líder político do Hamas e bilionário palestiniano Ismail Haniyeh enquanto este visitava Teerão, uma delegação americana de alto nível voou para Teerão e implorou, muito discretamente aos iranianos, para não atacarem Israel (novamente) porque, como demonstrou o anterior ataque iraniano com mísseis e drones, Israel não pode defender-se sozinha, nem os Estados Unidos o podem fazer a 100%. Porém, os Estados Unidos enviaram um porta-aviões para a região (um dos poucos ainda em serviço), para fazer exatamente o quê? Para realizar missões aéreas eficazes em terra sem reabastecimento aéreo, a distância máxima a partir da costa tem de ser inferior a 300 milhas náuticas; o alcance dos foguetes hipersónicos, que todos, exceto os Estados Unidos e os seus aliados, parecem ter agora e que os Estados Unidos não aprenderam a intercetar, é superior a isso. Um único ataque a um porta-aviões americano vale mais do que mil missões aéreas. Lá se vai a supremacia militar.

Quando um determinado plano político já não funciona (e a supremacia americana, enquanto durou, foi de facto um plano político), os ladrões invadem e saqueiam tudo o que resta. Isto era de esperar e foi o que aconteceu: o ladrão Biden e o ladrão Zelensky, unha com carne, organizaram em equipa um evento para saquear tanto os Estados Unidos como a União Europeia, despejando mais de cem mil milhões de dólares nas mãos dos corruptos de uma nação que era a antiga Ucrânia. Tudo estava a correr bem, com Biden desempenhando o papel de um velho e sábio “capo” de um clã da máfia, enquanto os seus malvados capangas estavam encarregados do saque real do tesouro.

Mas surgiu um pequeno problema: Biden tornou-se tão senil que já não entendia que estava senil, e isto tornou-se dolorosamente óbvio para todos os que o viram debater com Trump. Algo tinha que ser feito e três outros mafiosos (Pelosi, Schumer e Obama) conspiraram para substituir Biden. Mas por quem? Os três mafiosos queriam compilar uma pequena lista de candidatos e depois realizar uma eleição simulada na convenção democrata para “eleger” um vencedor predeterminado.

Biden conseguiu frustrar esse plano ao.apoiar Kamala Harris, uma indigitada de perfil diversificado (negra e provavelmente mulher, embora sem filhos e sabe-se lá o que se passa com as “mulheres” americanas hoje em dia) que, ou é atrasada mental ou está permanentemente bêbeda ou ambas as coisas. A pobre Kamala parece ter três modos: bêbeda e feliz de manhã (risos), bêbeda no trabalho durante o dia e a tentar parecer sóbria mas sem sentido, e bêbeda e irritável e pronta a desmaiar à noite. Se esta descrição também se aplicar à tua namorada, então parabéns: és um falhado!

Pelosi, Schumer e Obama – o trio de gangsters – lutaram contra esta opção enquanto puderam, mas no final tiveram de dar o seu consentimento relutantemente à candidatura de Kamala. Ela, definitivamente, não é a escolha de ninguém, exceto de Biden… e de Putin. Desta é que você não estava à espera, não é? Saúde!

Veja bem. Quando perguntaram a Putin quem é que ele queria ver como presidente dos Estados Unidos, ele disse “Joe Biden”. Biden, disse Putin, é um político experiente e previsível. Com Trump, por outro lado, poderá haver surpresas devido à sua natureza tempestuosa e imprevisível e ao seu estatuto de político amador.

Biden nunca tentaria algo tão insensato como tentar tornar a América grande novamente. Biden e os seus lacaios maléficos estão lá apenas para se apropriarem indevidamente do que resta da América e isso é ótimo para Putin.

Agora que Biden já não está disponível, Kamala é a clara escolha favorita de Putin, que assegurará a continuidade: os mesmos lacaios maléficos continuarão a pilhagem, permitindo a Putin dedicar a sua atenção a atividades mais interessantes do que adivinhar que estúpido golpe publicitário Trump poderá tentar fazer a seguir (uma vez que os golpes publicitários são tudo o que ele entende).

A propósito, uma tentativa russa de pronunciar “Kamala Harris” resulta em “Kambala Kharius” e traduz-se por “salmão linguado”, duas espécies de peixe, ambas bastante saborosas. Mas quem é que quereria um linguado ou um salmão como presidente? Cheira a peixe…

Fonte aqui

3 pensamentos sobre “A vingança de Biden

  1. Claro que mal por mal a Rússia prefere Kamala. Não digo que seja propriamente uma preferência. Os dirigentes russos querem de certeza e esses ladroes a apodrecer no fundo da Sibéria, no mínimo.
    Mas com Kamala pelo menos teem mais possibilidade de saber com o que contam. Ou seja, tentativas de destruição do seu país e guerra.
    Mas pelo menos teem mais possibilidade de saber de onde ela vem. E como vem.
    Trump disse não querer a guerra com a Rússia mas não abrandou de modo algum o armamento da Ucrânia nazi. Pelo que e um aldrabão em quem ninguém pode confiar, muito menos os russos.
    Ateou todos os fogos possíveis no Médio Oriente, desde a passagem da embaixada americana para Jerusalém até a provocacao destinada a abrir caminho para a destruição do Irão que foi o assassinato de Qassem Soleimani.
    Garante que se for eleito Israel terá carta branca para incendiar o Médio Oriente com todo o apoio americano e sem quaisquer restrições.
    E errático e tem um discurso delirante. Em resumo, e totalmente imprevisível.
    Se os Estados Unidos não são geridos pelo Presidente, como se viu bem pelo facto de supostamente terem sido geridos por alguem mentalmente incapaz de gerir o Clube de Setas de uma colectividade do interior de Portugal, mas por uma elite que se esta nas tintas para todos nos desde que sejam eles a mandar no mundo, Trump satisfara os seus desejos mais depressa ainda.
    Porque e, tal como a sua adversária, um sociopata, e clinicamente louco.
    Portanto Putin teria de ser mesmo tão louco como o pintam para achar que podia ganhar alguma coisa com este traste na cadeira do poder.
    Que se no tempo em que o seu avô emigrou para os Estados Unidos estivesse em vigor a legislação que ele quer aprovar de impor a pena de morte para traficante sexuais não estávamos a falar disto.
    Porque o seu avô paterno teria sido enforcado antes de fazer o pai dele dado que o negócio a que se dedicava era justamente a propriedade de casas de prostituição.
    A verdade e que seja quem for que lá se sente, tal e irrelevante. Estamos todos mal deitados. Os dirigentes russos também sabem disso.

  2. “A guerra é uma ferramenta geopolítica de primeira ordem; apenas guerras de grande escala podem medir a força real das nações. Durante décadas, as reivindicações americanas de hegemonia, e por extensão as do Ocidente, basearam-se no que agora provou ser uma mitologia cuidadosamente construída de supremacia económica e militar. Este é o quarto livro de Andrei Martyanov que aborda esta questão, agora no que diz respeito à guerra na Ucrânia. Na Guerra Final da América, ele expõe em detalhes as causas subjacentes e a extensão de seu autoengano.
    Os oito anos de preparação de Washington e das suas forças armadas para a guerra com a Rússia foram um erro de proporções históricas, devido à sua percepção errada do poder militar americano com base na sua vitória na Guerra do Golfo em 1991 contra um actor militar menor. Washington acreditou na sua própria propaganda sobre sanções paralisantes à Rússia, sobre a viabilidade do seu exército proxy ucraniano e na fraqueza económica e militar da Rússia, significando a ruína para o império americano e a sua “ordem baseada em regras”.
    Martyanov expõe a total incompetência e o chocante amadorismo militar de Washington. Mas então, afirma ele, os EUA não fazem estratégia; faz planos de negócios Durante 2022-2023, a Operação Militar Especial (SMO) da Rússia expôs as forças dos EUA e da NATO como exércitos legados presos na década de 1990, ainda vendo o mundo a partir desse ponto de vista. Seguiu-se a destruição maciça das armas de alto custo do Ocidente, anulando a sua alardeada superioridade. Os armamentos ocidentais, desde dardos antitanque a APC Bradleys e complexos de defesa aérea como o Patriot PAC3 ou NASAMS, tiveram um desempenho desastroso e revelaram-se despreparados para o que se tornou o maior conflito militar na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Em 2023, o regime de Kiev já não poderia existir sem o apoio do Ocidente, tanto financeiro como em material de guerra. Até 2024, a Rússia não terá apenas esgotado a Ucrânia, mas também desmilitarizado a NATO como um todo, expondo a impotência industrial e militar dos EUA e dos seus vassalos europeus.
    A economia financeira e baseada na tecnologia não é uma economia real; a guerra e a doutrina expedicionárias não são uma guerra real. O equilíbrio global de poder mudou para a Eurásia. A Europa Ocidental tornou-se um conjunto de economias fracas e em rápida desindustrialização que se tornarão cada vez mais irrelevantes no contexto do explosivo desenvolvimento económico, tecnológico, científico e militar na Eurásia
    O mundo percebeu o que foi exposto e, por causa disso, a vida como a conhecíamos não existe mais. O domínio do Ocidente no último meio milénio acabou.”

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