Dois monstros em Gaza

(Por Djamel Labidi in Reseau International, 17/08/2024, Trad. Estátua de Sal)


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Israel estava em negociações com o Hamas pelos reféns. Israel matou o negociador.

Deveríamos saber se tal ato nunca existiu na história da Humanidade? Mate o negociador. Assassinar o líder do Hamas, Ismail Haniyeh. Chegámos ao auge da imoralidade. O Ocidente, aquele que apoia Israel, retrocedeu, através deste ato, a uma época, milhares de anos atrás, de um estado da mais profunda selvageria. Pior ainda, porque é um ato consciente da sua imoralidade. Como poderemos viver com tal Ocidente?

E não se faz a condenação dos líderes ocidentais. Nem mesmo uma desaprovação. Nem mesmo uma pitada de indignação. Pelo contrário, o Congresso dos Estados Unidos aplaude de pé Netanyahu.

Isto prova até que ponto o Ocidente (des)considera os árabes, os negros, os muçulmanos, os asiáticos, os mexicanos, os latino-americanos, em suma, tudo o que não é ocidental.

Tudo é apenas uma desculpa para matar

O ponto extremo foi alcançado. Assassinamos a mesma pessoa com quem discutimos o cessar-fogo, matamos a pessoa com quem discutimos o fim da matança, matamos a mesma pessoa a quem pedimos a libertação dos reféns israelitas. Estes reféns são israelitas, tal como os assassinos que mataram o líder do Hamas, na terra do seu anfitrião iraniano. É que tudo são apenas pretextos. Porque eles não se importam com os reféns, e com a vida humana em geral, exceto a dos ocidentais, ou talvez nem essa…Não pode haver melhor demonstração – do que aquela que eles dão -, de que os reféns são apenas um pretexto para matar cada vez mais palestinianos, que eliminar o Hamas é apenas um pretexto, que tudo são apenas pretextos, e que o que lhes interessa é eliminar o povo de Gaza, todo o povo palestiniano.

Com o assassinato do próprio negociador, os líderes israelitas e americanos mostraram-nos que a noção dos limites, que são a base de toda a moralidade, lhes é completamente estranha. Chegam ao ponto de exigir que o Irão não reaja, em suma, que aceite o assassinato. Incrível. Israel chama imediatamente o seu padrinho para o resgate. Navios de guerra americanos navegam ao largo da costa do Irão e das costas do Líbano e de Gaza. E então a mídia servil ficará maravilhada com o poder de Israel, do Mossad e tudo o mais.

Podemos esperar qualquer coisa  

Pode haver alguma relação humana e social sem que haja pelo menos alguns parâmetros comuns, algo que sabemos que o adversário não pode fazer, um limiar que ele não pode ultrapassar? Com os Estados Unidos, com Israel, com os líderes ocidentais que os seguem, isso não existe.

Estejamos cientes desse facto. Isso significa que podemos esperar qualquer coisa de Israel e dos líderes americanos. Todos. Isto é terrível para o futuro próximo. Isso significa que não há mais nada em comum entre eles e a Humanidade. O Ocidente americanizado atingiu um ponto extremo de cinismo, de negação de todos os valores humanos.

Existe o grande monstro e existe o seu pequeno infante. Os Estados Unidos deram à luz um monstro. Deram-lhe milhares de milhões de dólares em dinheiro, muitas armas, as mais modernas, as mais terríveis, as mais destrutivas, usadas contra pessoas desarmadas. Eles até lhe deram um escudo para o tornar invencível. Eles, durante décadas, alimentaram-no com carne humana. De vez em quando deixam-no à solta e depois reclamam dos seus excessos. Hoje é o clímax, a solução final, a festa orgíaca. Netanyahu e os líderes israelitas estão bêbados de sangue. Até o mestre deles tem dificuldade em segurá-los.

Nada impede a matança. É mostrado, exibido, justificado e às vezes até desejado, encorajado, admirado, não representa nenhum problema moral no Ocidente e na sua sangrenta mídia babosa.

Em Gaza, Israel mata à vista de todos. Ela sabe que recebemos imagens de homens, mulheres, jovens, crianças com a carne dilacerada, com os corpos desarticulados, com os rostos muitas vezes como que arrancados por uma boca feroz e monstruosa, crianças sem braços, sem pernas, amputadas para o resto da vida, amputados da vida, bebés pálidos, mortos ou morrendo enquanto olham para nós; Mas porque é que o sofrimento e a morte parecem atingir mais aqueles, estas crianças, estes bebés? Essas imagens são vistas por todos, elas nos assombram. Mas se o mundo inteiro as vê, como é que tudo isto pode continuar?

O genocídio em números

O genocídio leva muito tempo. Convém fornecer alguns números. Desde o início do genocídio planeado, houve 49.897 mártires, 39.897 cujos corpos foram enterrados e 10.000 desaparecidos. 16.456 deles eram crianças, 11.088 mulheres, 36 morreram de fome. E devemos relacioná-los com os cerca de dois milhões de palestinianos em Gaza.

Serão necessários mais números para que possamos compreender melhor os dois monstros que os palestinianos enfrentam? Lá vamos nós de novo: 92.152 feridos, 69% crianças e mulheres. 885 das vítimas eram das equipas médicas, 79 funcionários da proteção civil. 110 académicos, professores e pesquisadores foram executados pelos israelenses. 168 das vítimas eram jornalistas. Israel criou 7 valas comuns dentro de hospitais, e 520 mártires foram de lá recuperados. 17.000 crianças vivem sem um ou ambos os pais. 3.500 correm o risco de morrer de desnutrição ou falta de alimentos. 10 mil pacientes com cancro aguardam a morte, 60 mil mulheres grávidas estão sem assistência. etc. etc., Há 1.737.524 pessoas infetadas com doenças contagiosas devido à sua deslocação, 700 poços de água foram destruídos sistematicamente, 121 escolas e universidades foram destruídas, 333 parcialmente; 610 mesquitas, 3 igrejas também foram destruídas, 206 sítios arqueológicos, 530.000 casas, 34 hospitais foram colocados fora de serviço e a destruição continua.

Os monstros continuam sem que haja sequer uma tentativa séria de os deter. Os Estados Unidos estão a fornecer mais bombas para matar enquanto falam em cessar-fogo. Eles agem como se isso fosse um direito seu, sobre a vida ou sobre morte.

Por outro lado, continuamos a celebrar os sucessos diplomáticos no Conselho de Segurança. Demasiado tarde. Até quando haverá reclamações, reclamações, reclamações diplomáticas? Quando haverá medidas concretas, atos contra Israel, e mesmo contra aqueles que o cobrem? Tornamo-nos radicais. Que grande país irá seguir em frente, talvez a China.

O milagre  

Existem 2 milhões de palestinos deslocados. Tantos, quantos os habitantes. Os palestinianos estão a ser atirados de um lado para outro pela enésima vez. A intenção é clara, fazer com que percam toda a dignidade. Fazer com que se tornem “animais humanos” como prometeu o Ministro da Defesa israelita. Caminham pela estrada, exaustos, esgotados, famintos, sedentos, homens, mulheres, crianças, velhos, um êxodo permanente, nas ruínas, no cheiro da morte. Mas eles não se rendem. Não é esse o milagre?

Eles não se rendem. Eles levantam a cabeça com orgulho. Eles estão prontos para morrer. Esta é a sua força. Ela é invencível. Os americanos e os israelitas nunca conseguirão tirar-lhes isso. É a sua única arma: a sua vida, a sua fé. Então, quem vencerá, a vida ou a morte? Mártires ou assassinos. O destino deste braço de poder entre o bem e o mal diz respeito a todos nós, determinará o nosso futuro, o mundo em que viveremos e o dos nossos filhos e dos filhos dos nossos filhos.

Os palestinos de Gaza não têm outras armas além da sua fé. É armado com isso que eles assistem às bombas americanas a caírem do céu. É com ela que adormecem, sabendo que muitos não vão acordar.

É hora de fazer justiça contra abordagens aberrantes de sectarismo e vistas curtas. O Hamas é criticado por alguns por ser um movimento islâmico. O que é mais importante: se é um movimento de inspiração religiosa ou um movimento de resistência? Se não fosse o Hamas, estaríamos hoje a falar da luta do povo palestiniano? Haveria esse grandioso movimento, no mundo, de solidariedade com a Palestina? Estamos falando de dois Estados?

Que outra força além da fé teria permitido aos palestinos resistir massivamente, nestas condições extremas, e oferecer as suas vidas para vencer. Isso não é óbvio?

Gaza, Hiroxima e Nagasaki

Paralelamente, no Japão, na quinta-feira, 8 de agosto, acontece a cerimônia de comemoração do holocausto de Hiroshima e Nagasaki. Nenhuma conexão existe, poderia o leitor dizer, entre isso e as nossas observações. Mas sim, vamos ver o que acontece a seguir. Isto é ainda mais indiciador do comportamento dos nossos dois monstros. O Japão não convida Israel para esta cerimónia. Em consequência, os Estados Unidos boicotaram a cerimónia e levaram consigo os países ocidentais.

Será que alguma vez boicotaram Israel por algum dos seus crimes e massacres?

Mas há mais, para compreender melhor a fusão entre os nossos dois monstros. Os Estados Unidos insurgem-se contra o Japão, para protestar contra a ausência de Israel na celebração da maior carnificina da história cometida num único momento, em Hiroshima e Nagasaki, e cometida por quem? Pelos próprios Estados Unidos.

A última gota. Em Gaza, estima-se que 82.000 toneladas de bombas americanas foram lançadas sobre a população. O equivalente a uma bomba atómica. Também aqui, os dois monstros se encontram unidos e se assemelham.

Fonte aqui.


10 pensamentos sobre “Dois monstros em Gaza

  1. Nunca reduzi o problema as elites. Se o problema fosse apenas das elites muita coisa que esta a acontecer não acontecia.
    Claro que se as elites fazem o que fazem e porque o gado aceita e baixa bovinamente a cabeça.
    Se e porque temos todos tendência para o fascismo,vá crueldade, o supremacismo e a barbárie não me vou dar ao luxo de pretender saber.
    Os mercenários que matam e morrem na Ucrânia não são elite.
    Os soldados que bombardeiam, matam, torturam e ate violam o povo de Gaza, chegando a alarvice de filmar aquilo que fazem não sao elite, os bêbados que querem mandar para a Rússia quem não apoia o regime nazi da Ucrania não são elite.
    Em resumo, se boa parte da humanidade não tivesse mentalidade de jagunço muita coisa que acontece e aconteceu não aconteceria.
    Como e que esta mentalidade se muda? Não tenho pretensoes a saber e certamente ninguém dos que aqui comenta tem.
    Mas desabafar e um direito que nos assiste mesmo que ninguém tenha pretensoes de ir ao fundo da questão.
    Um direito em termos que em mais de metade da muito democrática Europa já estaríamos presos e pelo menos um blog como este já teria fechado.
    Por incitamento ao ódio, antissemitismo e sei lá mais o que.
    Por isso conto continuar por aqui enquanto as elites e os seus jagunços me forem deixando mesmo que se trate de desabafos que não vao ao fundo da questão.
    Se ninguém resolveu os males do mundo também não sou eu que tenho pretensoes a resolve los.
    As vezes dou e por mim a ter gratidão por viver num país que pelo menos por enquanto não tem nada de muito importante para roubar.
    E dava jeito que hoje não estivesse tanto calor como ontem porque tenho de fazer 50 quilómetros serra dentro para ir trabalhar. E outros tantos para voltar quando deve estar um fresquinho do Sahara dos diabos. Mas parece me que não vou ter sorte nenhuma.

  2. Compreendo a reação dos comentadores, mas penso que estão a perder tempo e feitio, é mais um desabafo do que outra coisa e está-lhes a escapar a verdadeira essência do fenómeno em questão.

    Aconselho vivamente a que leiam em OUTRAS PALAVRAS, o artido de Franco Beradi: Para uma antropologia do novo fascismo . Brilhante, embora aterrador: dá para perceber que o problema não pode ser reduzido as elites nem se resolve enviando-as para Marte ou para o inferno. É preciso cavar muito mais fundo.

    O problema está na condiçao humana e no ‘homem novo’, ou velho, reciclado por técnicas que potenciam tudo o que de perverso nele pode existir.
    Algo correu muito mal neste trânsito para o nosso ‘admirável mundo novo’.

  3. Está tudo dito… não, porque ainda há mais gente para matar e território por arrasar, e construções por destruir… tudo o resto é cosmética de números, propaganda de contra-informação e marketing para pategos.

  4. Por mim já ficava contente que quando fosse convocada uma greve geral parassem mesmo todos.
    Ou que pelo menos quem não parasse não viesse lavar a cara aos desgraçados que estão nos piquetes de greve que eles não fazem greve porque teem filhos para sustentar como se os grevistas de todos os tempos tivessem sido todos estéreis.
    Já tinha ficado contente se quando das “armas de destruição maciça” tivéssemos mesmo vindo todos para a rua, a soldadesca tivesse desertado e quem se dirigia as manifestações não fosse insultado no caminho por fascistas bocais.
    Já ficaria contente se toda a gente percebesse o que esta em causa não guerra da Ucrânia em vez de tentar fazer a vida negra aos russos que estao por ca e lixar a vida a quem nao o faz. Sim, perto e bom caminho conheço um que se viu transferido para onde o diabo perdeu a avó torta por ter atendido decentemente um par de baleias russas, fazendo o trabalho que dois camelos se tinham recusado a fazer dois dias antes.
    E, claro, já ficaria contente se não estivessem sempre a mandar nos para a Rússia.
    Já ficaria contente se quem engoliu as vacinas COVID ao menos as tivesse ido dar ficando calado e sem desejar a morte nos cuidados intensivos, a vida como um verdadeiro dalit, de casa para o trabalho e do trabalho para casa, açaimado com aquela maldita máscara ou até a prisão.
    Porque eu nunca lhes desejei que a porra do reforço lhes corresse mal mas os javardos tiveram contra quem não lá foi o mesmo discurso de ódio tido contra quem não foi dar nenhuma. E queriam que mesmo os que tinham metido veneno no corpo fossem transformados em dalits por não quererem mais daquela sopa estragada.
    Já teria ficado contente se em certos países não tivesse mesmo havido gente, gente com filhos pequenos, a ir parar a prisão.
    Que não houvesse gente a dizer ao embaixador de uma terra espoliada, de um povo massacrado há décadas, que desta vez foram eles que começaram. Que ninguém do meu país tivesse ido a capital do genocídio. Que a medonha bandeira não tivesse ondeado no Castelo de São Jorge. Que gente como a Helena Ferra Aveia engolisse o seu nojento veneno calada e arranjasse um meio mais decente de ganhar a vida.
    Na impossibilidade prática de aplicarmos o explícito remédio de umas bombas nucleares táticas em cima destas elites que se estão nas tintas para nós, pelo menos isso tornaria tudo isto um pouco menos difícil de aguentar.
    Este bando de bovinos ganhar alguma inteligência e não acreditar em tudo o que ouve nas notícias e dos comentadeiros também seria de valor.

  5. Será que um dia vou ler um comentadeiro a falar de uma especial crueldade israelita como um certo articulista que ganha a vida com isso falou aqui pelo menos duas vezes em crueldade russa?
    Se fosse um ucraniano, mesmo que estivesse gordo e anafado e sem qualquer marca de ferimentos, a contar aquelas atrocidades todas o que e que estaríamos a dizer?
    Ao que parece, alem de uma crueldade que provavelmente advém justamente de de acharem escolhidos por Deus e superiores a todos os outros, aquela cambada são também um bando de tarados sexuais.
    E há juristas israelitas a defender o direito de usar a sodomia contra os presos.
    Porque não a crucificação? Remédio que ao tempo de Cristo gostavam de aplicar a todos os que se opunham ao poder dos fariseus.
    Consta que ao tempo da crucificação de Cristo o Sinédrio judaico já tinha aplicado quase 30 punições daquelas nos últimos 10 anos. Sem o desgraçado precisar de dizer ser filho de
    Deus.
    Um bandalho interessado em branquear o que em tempo nenhum era justificável dizia que era pouco.
    O desgraçado povo pagava impostos aos romanos e ainda tinha que lhes dar 10 por cento do que tinha e outras oferendas em ocasiões especiais.
    Quem falava mal podia enfrentar uma das mais cruéis formas de punição já encontradas mas ainda havia quem achasse que era pouco.
    Ainda hoje há quem ache que o que essa gente faz aos palestinianos e pouco.
    São todos uns terroristas. Porra, e quem não o seria sendo tratado abaixo de cão.
    Damos aos ucranianos o direito de odiar os russos e de lhes fazer a guerra por uma alegada fome sofrida nos anos 30 do Século passado.
    E achamos que os palestinianos teem de aceitar viver num campo de concentração a céu aberto, como Gaza, onde Israel ia deixando entrar comida a conta gotas pondo os “a dieta”, como em tempos disse o assassino Netanyahu.
    Onde a soldadesca se postava frente a três cercas de arame farpado matando ou mutilando a tiro quem protestava lançando pedras.
    Onde a pretexto de uns ataques com rockets que as vezes ninguém via o território era rotineiramente bombardeado umas vezes matando umas centenas, outras vezes mais de um milhar.
    Na Cisjordânia a soldadesca mata como e quando quer. Crianças são mortas, alvejadas a caminho da escola.
    Casas e terras são desocupadas para dar lugar a colonos judeus violentos e cruéis.
    Cisternas são destruídas porque a água foi dada por Deus aos israelitas, não aos palestinianos.
    Estes bandalhos a solução que davam era os desgraçados saírem todos de uma vez dando as suas terras ao povo eleito. E acusando os outros países árabes de os não querer receber.
    O fariseus, na Jordânia metade da população e palestiniana, até a mulher do rei e palestiniana, no Líbano são um terço e aí por diante.
    O que não passa pela cabeça destes grunhos e que haja gente que não quer dar a terra a bandidos vindos sabe Deus de onde.
    Se os marroquinos invadissem isto e nos corressem das nossas casas e das nossas terras acharíamos normal irmos para Espanha?
    Achamos que os palestinianos merecem a morte ou o exílio porque sabemos que pelo menos disso estamos livres.
    Mas se nos acontecesse tal coisa queria ver o pacifismo desta gente e a quem e que andavam a chamar terrorista.
    Vão ver se o mar da megalodonte.

  6. A elite ocidental nenhuma das nossas vidas interessa.
    Claro que não dá jeito começarem a bombardear os nossos próprios países, as nossas próprias populações como os israelitas estão a fazer em Gaza.
    Afinal de contas, por muito que falem em inteligência artificial, por muito que se fale em robotização, ainda estamos longe do tempo em que as máquinas podem satisfazer todas as necessidades das elites.
    Resumindo, eles precisam de nos para trabalhar. Ainda sao seres humanos os que fazem as bombas que usamos para matar negros, muçulmanos e outros, seja por nossa acção directa, como nas destruições do Iraque e da Libia, seja usando mercenários como os israelitas ou os ucranianos.
    E mesmo os drones com que se fazem as matanças ainda teem como último elo da cadeia um homem que manobra as máquinas.
    Em resumo, se estamos vivos, se ainda temos mais segurança do que em Gaza ou no Donbass, e apenas porque eles ainda precisam de nos.
    Mas teem nos tirado cada vez mais. Em todo o lado o emprego mais precário e incerto, a uberizacao de tudo e cada vez mais a regra, quem tem um emprego certo e visto como um privilegiado que nao merece o que tem.
    A habitação tornasse um privilégio e não um direito, em todo o lado.
    Em todo o lado, o acesso aos cuidados de saúde torna-se cada vez mais um privilégio para alguns. Volta a morrer primeiro quem nasce desgraçado.
    A elite ocidental despreza nos a todos, simplesmente há alguns que eles acham que ainda são precisos.
    Nem que seja para produzirem as armas que mandamos para a Ucrânia e para lá morrer como mercenários.
    E para ver como as nossas vidas não interessam basta ver como se fecharam a Rússia estando se nas tintas para os milhares de cidadãos de vários países europeus que lá estavam.
    O problema dos palestinianos e que desde pelo menos 1945 a elite ocidental decidiu que eles não são precisos.
    Decidiu que os que são precisos são os israelitas, gente que não se importa de lhes fazer o frete de garantir o controle dos recursos do Médio Oriente.
    Porque foi para garantir esse controle que se permitiu a criação do estado de Israel. Que lá instalamos uma gente supremacista, fanática e messiânica.
    Não porque alguém tivesse pena dos mortos por Hitler.
    Porque se assim fosse teria sido dada uma terra também aos ciganos, a União Soviética teria sido ajudada e não vilipendiada assim que a guerra acabou.
    Os israelitas sao apoiados porque são os reles capangas da elite ocidental.
    Não porque interessem para alguma coisa.
    Eles estão se nas tintas para todos nós.

    • Eles estão-se nas tintas para nós, por isso está na hora de nos estarmos nas rintas para eles.

      Para a humanidade ter paz e o Ocidente ser decente, é preciso meia dúzia de bombas nucleares tácricas (até na definição desta bomba, com o uso do “tática” para nos sossegar e distrair do que se trata, se vê a momstruosidade a que chegámos):

      – distrito da Columbia (DC) em Washington, com Congresso e Casa Branca e Pentágono;
      – sede da CIA em Langley;
      – zona de Westminster e Mi6 em Londres;
      – distrito EU-ropeu em Bruxelas;
      – Lviv e arredores na região da Galícia, ninho de nazis ucranianos;
      – região litoral de Tel Aviv até Haifa, ninho de sionistas genocidas;

      Meia dúzia de armas nucleares táticas, é quanto basta. E se calhar nem é preciso as três últimas, pois tratam-se de vassalos dos monstros que habitam nos primeiros 3 locais e, com boas hipóteses, se calhar teriam a liberdade de ser menos monstros ou de se render quando os seus donos fossem derrotados.

      Portanto é isto. As 3 primeiras bombas sincronizadas numa altura do ano, e as 3 seguintes condicionadas aos acontecimentos seguintes.

      Seria o fim do imperialismo genocida dos USA e do UK. O fim da vassalagem da EU-ropa. O fim do UcraNazismo e do naZionismo.

      PS: se por acaso a oligarquia ocidental tentasse reerguer este regime, nesse caso umas bombitas nucleares em Wall Street ou na City ou mesmo em Davos ou numa reunião do clube Bilderberg não iam resolver nada. Eles têm mansões e herdeiros por todo o lado. Seriam necessárias, isso sim, muitas guilhotinas. Um conjunto de cabeças (3, 4, 5… depende dos casais e do número de herdeiros) por cada fortuna avaliada acima de de um valor pornográfico a determinar.
      Quanto é inadmissível? Quanto é um valor que torna inevitável a transformação de um ser humano num oligarca que tudo e todos pode corromper? 10 milhões? 100 milhões? Ou 1 bilião?

      E como se evita a terceira guerra mundial? É simples, fazemos nós este serviço, com as bombitas tranaportadas em contentores, daqueles que se vê nos grandes nacios de carga e que são depois pousados com uma grua em cima de um camião.
      Nenhuma outro país precisa de se envolver, e assim evita-se um confronto entre nações nucleases.

      A lógica é esta: porquê continuar a deixar tanta gente no mundo a sofrer e a morrer às mãos destes monstros, quando podemos simplesmente limpar o mundo destes monstros e continuarmos todos a viver?

      Cada vez mais percebo os pobres que fizeram as revoluções francesa e a soviética, e já agora os republicanos regicidas em Portugal também. Que foram para as suas ruas de armas na mão dispostos a dar a vida por um mundo melhor, e sabendo que tinham de matar quem insistia num mundo pior. Eu antes já pensava que entendia, mas não, só agora entendo por completo. Só agora, que estou disposto a fazer o mesmo!

      Mas percebo também que não há massa crítica para isto neste momento no Ocidente. O povo é burro ou estúpido
      O burro é o que sofreu lavagem cerebral da propaganda do regime e não consegue perceber o engano. O estúpido é o que concorda naturalmente com a monstruosidade do seu regime.

      É incrível como gente descalça e esfomeada no século passado ou há uns séculos atrás, nalguns casos gente analfabeta e que nunca tinha ido mais longe do que a sua cidade e arredores, era menos burro e estúpido do que “exércitos” inteiros que hoje em dia vão à universidade, viajam em turismo pelo mundo, comem em restaurantes gourmet, e se mimam com pequenos luxos tecnológicos, onde fazem “like” às atrocidades doa seus regimes.
      A pequena burguesia… que gente minúscula, microscópica! Os rebentos que, se crescerem demasiado, se tornam nos oligarcas sanguinários, fascistas, misantrópicos.

      E isto não é só no Ocidente, é por todo o lado. Ou estão esquecidos do resultado catastrófico no Iémen de uma guerra por procuração financiada por realezas bilionárias sauditas e dos emirados?

      Isto é a natureza humana quando fica sob o efeito daqueles esteróides que se guardam no banco. O capitalismo é uma droga. E o ser humano com demasiado dinheiro (que compra demasiado poder), é pior que um drogado na rua, de faca na mão, à procura de roubar o dinheiro para a dose seguinte. É que esse, ao menos, só faz mal a um, ou no máximo dois de cada vez. A ele próprio e à pessoa que assalta. O drogado monetário, i.e. o capitalista bilionário, faz mal a muita gente de uma só vez. E não fica sarisfeito com nenhuma dose, quer sempre mais, e mata em massa para lá chegar se for preciso. Financia exércitos e guerras, massacres e genocídios.

      Portanto, esta é a solução para a humanidade. Meia dúzia de bombas nucleares táticas para acabar desde já com os actuais monstros, umas quantas guilhotinas para impedir o financiamento dos próximos monstros, e um sistema económico que proíba por completo a acumulação de riqueza acima de um determinado patamar, de forma a que nunca mais existam monstros assim. Uma revolução à escala mundial, que não deixe pedra sobre pedra do actual regime político e sistema económico.

      Se alguém tiver uma solução alternativa, pacífica, sou todo ouvidos, mas sobre isto tenho só visto encolheres de ombros de gente que se queixa mas não está realmente disposta a mudar nada, ou ouvido um silêncio ensurdecedor de quem até quer mudar mas ainda não percebeu o que é preciso fazer ou, se percebeu, ficou bloqueado em estado de negação.

      Seja qual for o vosso caso, só digo isto: a vossa alternativa é mais do mesmo. Mais fascismo, mais desigualdade pornográfica, mais belicismo causado pela corrupção da classe política pela oligarquia a quem o conflito dá lucro até ao ponto de brinkmanship (à beira da teeceira, e última, guerra mundial), mais massacres, limpeza étnica, nazismo e genocídio.
      Monstruosidade não é aquilo que eu propus. Monstruosidade é não fazer nada de radical que acabe com os monstros de uma vez por todas.

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