Austeridade na UE: não há medida europeia que não sirva na forma americana

(Hugo Dionísio in Strategic Culture Foundation, 26/04/2024)

Quando mais a Europa precisava de investimento, mais se garante que não o faz, demonstrando que não há medida europeia que não caiba na forma americana.


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Uma vez mais, a burocracia europeia dá razão ao ditado popular que diz “o que torto nasce, tarde ou nunca se endireita”. É o caso da União Europeia, construída como resposta política em reacção a uma realidade que já não se verifica – a existência do bloco socialista – e que, quando confrontada com a inexistência da sua força vital, enveredou num errático processo de alargamento, que visou sobretudo provocar a Rússia, criar condições para a expansão da OTAN e dar resposta à necessidade crescente que os monopólios têm de novos mercados e de novas fontes de mão de obra qualificada e barata, como sucede no leste europeu.

Neste quadro e dando resposta às necessidades destes últimos, a EU volta a reeditar uma receita já amplamente conhecida pelos povos do sul. Se é amplo o reconhecimento, e a constatação, de que os critérios orçamentais, constantes do Pacto de Estabilidade e Crescimento, constituem um garrote ao investimento público e são responsáveis pela visão de curto prazo que deixou os estados membros reféns do autoritarismo financeiro de Bruxelas; num período em que o bloco europeu perde cada vez mais espaço para as economias com que tem de competir, o poder supranacional não eleito da EU vem novamente propor, desta vez a todos os europeus, algo para o que nenhum desses povos algum dia votaria: austeridade para os próximos 4 anos (pelo menos).

O que surge no horizonte, sem uma discussão nacional profunda, depois de aprovado do Conselho e no Parlamento Europeu, é um pacote de austeridade global, à escala europeia, aplicável à quase totalidade dos países da União, a que se deu o nome pomposo de “Novo Enquadramento para a governação Económica” e que se baseia em instrumentos como a “Análise da Sustentabilidade da Dívida” e “Planos Fiscais Específicos” por estado membro, que serão desenvolvidos no quadro de um período de ajustamento de 4 anos, que pode ser estendido até 7. Se o Pacto de Estabilidade deixava a maioria dos países de fora do garrote da austeridade, a EU tinha de conseguir colocá-los dentro e tentar apagar, no futuro, qualquer memória de que um dia existiu um modelo de estado social a funcionar com sucesso.

É razão para dizermos que “vem mesmo a calhar”! Numa altura em que se deveria investir de forma absolutamente decisiva na industrialização, inovação e conquista de um lugar no topo das tecnologias do futuro, como faz a China, Rússia e para o que se endividam, de forma brutal, os EUA, o que decidem os contabilistas de Bruxelas fazer? Adiar a corrida, colocando em causa as metas que eles próprios definiram para 2030 e 2050.

Uma vez mais se reedita a história dos países bem-comportados e poupadinhos, contra os que não se sabem governar. Mas, desta feita, com excepção de 5 países (Chipre, Suécia, Estónia, Dinamarca e Irlanda), todos os outros terão de apertar o cinto e já no primeiro ano de ajustamento devem cortar 100 mil milhões nos orçamentos públicos. Nem de propósito, 100 mil milhões será, mais ou menos, o que até hoje a EU ofereceu ao regime de Kiev (em Janeiro de 2024 era 85 mil milhões de Euros de acordo com o Kiel Institute). E nenhum dos ilustres premiados é importante para o financiamento do orçamento plurianual europeu. Cirúrgico!

Partindo do princípio de que esta destruição económica em massa é a continuação de um processo começado com o subprime, a partir do qual as economias europeias tiveram de pagar pelos prejuízos dos bancos americanos, continuando com o conflito NATO/Rússia em terras da Ucrânia, que não apenas privou os países europeus de importantes factores de produção, a preço baixo e qualidade e quantidade garantidas… Como deveria a União Europeia agir, principalmente sabendo que, nos EUA de Biden, segue a bom ritmo a execução da legislação de redução da inflação, que aposta num vasto programa de investimento em áreas tecnológicas fundamentais como os veículos eléctricos, baterias de lítio, painéis fotovoltaicos e semicondutores?

Como deveriam agir os dirigentes políticos europeus se olham para a China e vêem investimento massivo em industrias chave, principalmente reconvertendo a economia de industrias de baixo valor, para as de alto valor acrescentado; se olham para os EUA e constatam o mesmo tipo de investimento, com total desprezo pelos níveis de endividamento público, que já passaram os 133% do PIB; se olham para a Rússia, India e constatam um esforço desesperado por recuperar terreno perdido e passarem também a entrar nas economias desenvolvidas… O que era expectável que fizessem, se estivessem preocupados, como dizem, quando andam na caça ao voto, com a saúde, educação, habitação, transição digital e descarbonização? Apostariam em mais austeridade económica?

É incrível como as decisões tomadas ao nível dos órgãos da EU, seja pela burocrática comissão europeia, pelo Conselho Europeu ou pelo Parlamento Europeu, se alinham profundamente com as necessidades dos EUA, num caminho de crescente apropriação de mercados, que parece não ter fim. Se os EUA poderiam ter tudo a ganhar com o conflito Ucraniano, a Europa tinha tudo a perder, e o que fez a autocracia europeia? Atirou-se de cabeça e hipotecou o nosso futuro todo!

Se este conflito, para os EUA, significou mais armas vendidas, terras e propriedades ucranianas apropriadas pelos monopólios, a viabilização da indústria de gás de xisto e “bons empregos para os trabalhadores americanos”, como diz Blinken, para a Europa só resultou prejuízo, bem repercutido no afundamento do motor económico alemão, cujas empresas fogem agora para os EUA e China. Tudo sob uma capa de segurança contra o maléfico governo russo ou sob uma capa de “sustentabilidade e crescimento” como agora com o pacote de austeridade aprovado. Na EU, o nível de propaganda é absolutamente proporcional aos danos causados pelas suas políticas.

Depois disto tudo, o que necessitariam agora, os EUA, uma vez que já controlam totalmente o acesso ao mercado europeu e conseguiram atrair a maioria dos acéfalos dirigentes nacionais para o “derisking” da China e para o “decoupling” da Rússia? O que interessaria mais aos EUA não seria nada mais do que a EU prescindir de apoiar a economia com fundos públicos, desistir dos objectivos de descarbonização e com isso, prescindir do desenvolvimento das tecnologias digitais e ecológicas, que pudessem competir com as norte americanas, nos mercados europeus e internacionais. Se aos EUA tanto chateia a competição férrea da China, nada mais útil que afastar outro competidor, ainda por cima sentindo-se ele contente por fazê-lo.

É importante dizer que talvez nem os próprios EUA esperassem tanto.  De uma assentada é a própria EU que desarma os estados membros da arma do investimento público, o que já estava em causa com o Pacto de Estabilidade e Crescimento (que apenas fez emagrecer os estados europeus) e agora foi incrementado com o novo enquadramento para a governação económica da EU. Mas não se ficaram por aqui. Como muito bem-comportada que é, a tecnocracia europeia aprovou fórmulas de cálculo que, sobretudo, desarmam os países que constituem o motor económico “construção europeia”. Assim, de acordo com as regras estabelecidas neste novo plano de ajustamento fiscal, a França, Itália, Alemanha, Bélgica e Países Baixos têm de realizar os maiores cortes orçamentais, de entre 6 a 26 mil milhões de euros anuais. Ou seja, os países que mais contribuem para o PIB e orçamento plurianual da EU, são, precisamente, os que mais vão cortar.  Melhor era impossível.

Quem tem puxado mais por isto é o inevitável Ministro das Finanças alemão, Christian Linder, liberal, como não poderia deixar de ser. Há quem diga que se trata daquele trauma alemão da inflação da primeira grande guerra, mas não se deixem enganar. A Alemanha é um país totalmente ocupado e é hoje uma nação desconstruída, sem vontade própria e totalmente alinhada com as estratégias de Washington. Basta dizer que o seu chanceler assiste à destruição da fonte de alimentação a sua indústria – o Nord Stream – e fica calado. Ou o que dizer da sua tarefa de moço de recados aquando da viagem à China? Dizer que, no aeroporto, nem recebido foi por uma alta figura do estado Chinês, bem reflecte a sua falta de importância e o que os chineses pensam hoje da classe política da – ainda – maior potência europeia.

A verdade é que, com o novo quadro de governação económica, a maioria dos estados-membros serão obrigados a implementar cortes orçamentais massivos. As dívidas terão de ser reduzidas anualmente em 1% do PIB para os países com dívida elevada (acima de 90 por cento da dívida/PIB) e 0,5% para os países com dívida média (60-90 por cento). O limite de 3% do défice previsto nos tratados é complementado pela salvaguarda de resiliência ao défice defendida pela Alemanha, ou seja, por Christian Linder, o que significa que os países terão de continuar a reduzir os seus défices estruturais até que estes fiquem abaixo de 1,5 por cento do PIB. Já não bastava o garrote dos 3%, agora aperta-se ainda mais. Tudo porque o Sr. Linder, que é formado em Ciência Política, mas arvorado em economista, diz que “o dinheiro emprestado não pode gerar crescimento a longo prazo”, o que é tecnicamente incorrecto.

Se o Sr. Linder tivesse razão, nenhuma empresa, família ou organização se endividava para investir. Aliás, esse é o segredo da banca capitalista. Receber os depósitos de quem poupa, para emprestar a quem precisa para investir.

Mas existe uma última prova de que estas políticas, financeiramente autoritárias, não funcionam, nem economicamente sequer.  As regras orçamentais europeias que até aqui vigoraram e presidiram à crise do euro, foram incapazes de reduzir a dívida dos Estados-membros, apenas contribuindo para diminuir os gastos do governo e, em resultado, fazer a procura interna cair, a produção económica diminuir e, como se vê, aumentar a dívida pública. Aquela que agora se quer reduzir, outra vez, da mesma forma, usando o mesmo método.

Em resultado desta política e dos problemas sociais criados e não resolvidos, voltámos a conviver novamente com a extrema direita e o fascismo nos nossos parlamentos, na comunicação social dominante, nas fake-news, nas redes sociais. O discurso anticientífico voltou, mas mascarado de pseudociência, como agora vemos explanado neste novo ajuste fiscal promovido pela EU, a ser aplicado no pior dos momentos possíveis.

Veja-se então como funcionam estas cabeças pensadoras: se o garrote dos 3% não funcionou, destruiu valor, contraiu a economia europeia e criou problemas sociais, a partir dos quais trepou o reaccionarismo e o fascismo, o que fazem eles? Aplicam o garrote ainda com mais força! Alguém compreende uma coisa destas? Se na primeira ronda o doente ficou moribundo, nesta deve morrer de vez. É uma espécie de versão “Big Brother” à escala europeia do livro – excelente – de Michael Hudson “Killing The Host – how financial parasites and debt bondage destroy the global economy” (Matando o hóspede – como os parasitas financeiros e a sua violência da dívida destroem a economia global).

São, assim, vários os ensinamentos que podemos retirar desta loucura toda:

  • O que está a acontecer à Argentina com Milei (o que aconteceu ao Chile de Pinochet), que aumentou a pobreza acima dos 50%, mantém a inflação altíssima e apenas deu a ganhar aos mais ricos, tem mais admiradores na Europa do que o que alguns querem admitir;
  • Hoje, os partidos do arco do poder europeísta, são os partidos da submissão e, no essencial, não divergem uns dos outros (tirando os deputados do grupo “A Esquerda” e os “Verdes”, todos os restantes principais grupos votaram a favor deste desastre);
  • A política económica europeia é actualmente uma extensão da política económica norte americana, mas não numa perspectiva construtiva, e sim numa perspectiva destrutiva, para deixar espaço a ser preenchido pelos primeiros;
  • Os resultados sociais, ambientais, políticos destas políticas financeiras autoritárias impedem os estados membros de desenvolverem as suas condições de vida e de trabalho, ameaçando de forma crescente o estado social e o modo de vida que ainda resta;
  • Face aos resultados conhecidos destas políticas, insistir no seu aprofundamento, implica estar de acordo com o resultado que têm, independentemente do discurso que se possa depois assumir;
  • Uma vez mais a União Europeia surge como refém dos conglomerados financeiros globalistas e norte americanos, que fazem da agiotagem dos estados uma das suas estratégias preferenciais de acumulação, demonstrando que não é a dimensão europeia que nos salva deste sequestro, mas a vontade política que não existe;
  • Prova-se também que a União Europeia é mais uma âncora que hoje obstaculiza o desenvolvimento dos estados, do que um impulsionador do seu desenvolvimento.

Esta receita profundamente danosa, experimentada casuisticamente durante a crise do sub-prime, passa agora da sua fase casuística, pontual, onde foi experimentada e aperfeiçoada, para a sua fase de aplicação global, passando a política oficial da EU. Se na primeira fase eram os próprios estados membros e os respectivos governos que ficaram com a culpa, enquanto maus gestores e gastadores, o que representou um efeito nefasto na qualidade das democracias ocidentais, desta feita, a culpa será atirada para as “regras europeias” o que agravará a sensação de impotência dos povos e com ela a frustração. Desta frustração tenderá a alimentar-se, em primeiro lugar, a demagogia neofascista.

Este efeito é inegável e é resultado dos vários choques que a EU recebeu e dos efeitos que tais choques tiveram na degradação das condições de vida dos povos. O facto é que quando olhamos para as previsões de crescimento do próprio FMI, de todo o ocidente, a EU é a que menos cresce (com previsões de 0,8% para 2024 e 1,2% para 2025). Rússia, EUA e especialmente China e India, crescem mais, muito mais.

Se a história nos diz que o “estado mínimo”, a contracção, a austeridade, impedem o crescimento, o desenvolvimento, tendo apenas como único efeito a aceleração da concentração a riqueza no topo, não existe nenhum argumento que possa ser jogado a favor deste plano de austeridade. Gerir em função das possibilidades apenas, leva-nos ao encolhimento, à cobardia, à pequenez. A gestão em função das necessidades faz-nos crescer, arriscar e ir mais longe. Essa coragem, essa visão, não existe hoje na política dos estados membros e, muito menos, ao nível europeu.

É fácil cortar e deixar cair, o que é difícil é fazer crescer, quando tudo levaria a crer que apenas se poderia cortar. Hoje, na EU, corta-se a direito. Quando mais a Europa precisava de investimento, mais se garante que não o faz, demonstrando que não há medida europeia que não caiba na forma americana.

Fonte aqui.


14 pensamentos sobre “Austeridade na UE: não há medida europeia que não sirva na forma americana

  1. E, claro, foram os perigosos wokes do tempo que deram todas essas boas ideias ao Hitler.
    Foi uma revolução conservadora como a sonhada por certa gente.
    Quanto ao nosso moço eu comecei logo a ver uma característica interessante. As vezes, mesmo no mesmo comentário era defendida uma coisa e o seu contrário.
    Até que percebi que o homem fazia copy pastes e as vezes copiava autores com opiniões diferentes. Daí duas visões diferentes no mesmo comentário, uma de esquerda e outra de direita daquela bem podre.
    Mas mau mesmo foi quando, no início do genocídio em Gaza tratou de copiar a tese de um francês cujo nome já esqueci que defendia que o problema dos palestinianos é que dávamos demasiada importância às suas vidas. Quando havia muitas atrocidades piores no mundo e ninguém falava delas.
    Então o homem defendia que uma vez que os árabes cometiam atrocidades no Darfur e comunidades judaicas tinham sido alegadamente expulsas dos países árabes era perfeitamente legítimo que os israelitas matassem palestinianos a torto e a direito.
    Quer dizer, já tendo os palestinianos sido escolhidos para pagar os crimes de Hitler aos pogroms, cabia lhes agora pagar todos os crimes alegadamente cometidos por árabes.
    Fiquei a pensar onde é que alguem teria batido com a cabeça para copiar tal coisa, fruto certamente de uma daquelas cabecinhas que defende o extermínio dos infiéis.
    Esquecendo se que também os palestinianos cristãos são metódicamente varridos mas a vida de árabes impuros não interessa. A grande chatice é que não paramos de falar delas.
    Por isso que no primeiro dia do assalto a Rafah o homem desatasse a delirar sobre os perigos do wokismo e a revolução conservadora que ai vem em consequência de certa malta já não aceitar esconder se nas sombras da noite, ser insultada no meio da rua e sodomizada com vassouras e espinhas secas de peixe acabou por não me surpreender. Foi só triste.
    Mas continuamos por cá.

  2. A direita é liberdade? Claro como a água. Pinochet, Vizela, Mussolini, Salazar, Franco, Hitler foram uns libertadores do caraças. Liberdade para explorar trabalhadores até ao tutano, liberdade para os grunhos baterem nas mulheres, liberdade para as crianças começarem a trabalhar cedo, liberdade para sair da escola ao fim de quatro anos ou até para nem lá ir. Liberdade para a polícia matar so porque o sujeito tem cara de bandido. Uma liberdade doida.
    Solzhenytsin era um bandalho que quando lhe perguntaram o que pensava da ditadura espanhola, que foi basicamente uma sangria desatada, disse que só havia um país no mundo onde não havia liberdade e esse era a Rússia.
    E ninguém lhe deu com uma trapada de m*rda no focinho.
    De resto presunção e água benta cada um toma a que quer.
    Feministas a defender o Islao radical. Quererá o homem referir se as mulheres que se manifestam contra o genocídio em Gaza? Nada mais natural se tivermos em conta que a maior parte das vítimas da fúria sionista são mulheres e crianças. Se estar contra um genocídio ou contra todas as barbaridades cometidas por Israel há 75 anos e defender o islamismo radical contem me no número dos que o defendem. Mas lembrem se que os sionistas também já mataram cristaos.
    Bem, quem bebe pouco e não tem vícios pode bem sonhar com uma República de Gileade. Também bebo pouco e não fumo, não tenho vícios, mas não sonho com revoluções conservadoras.
    Porque acredito na liberdade de amar mos quem quisermos, bebermos as bebidas que pudermos pagar, fumar se nos apetecer, viver como nos der na gana.
    Com a liberdade e a igualdade possíveis que nos forem dadas por salários decentes, para todos. Porque não é justo que o CEO ganhe 500 vezes mais que a caixeira fora lucros.
    Se só houver dois partidos temos uma ditadura bicefala como a que existe nos Estados Unidos. Em que os partidos já se acomodaram e fazem ambos o mesmo seja qual for o maioritário. É o que acontece em cada vez mais países. Se alguém acha que isso é liberdade, que isso é democracia, slava burriquini.

    • “Presunção e água benta cada um toma a que quer.” Exactamente, amigo Whale, e já o topo há muito, como disse há dias. É um simplório presunçoso, primário e reaccionário, despejando quilometricamente erudição de aviário e convencido de que nos deslumbra a todos, pobres pategos. Se calha a plagiar algum autor de jeito, a coisa ainda escapa, até parece de esquerda. Mas cada vez calha menos. Se despeja do próprio bestunto, pobres de nós, é só direitolices primárias de taxista. Como dizia a minha mãe, é cada uma… que até parecem duas! Ele não se enxerga mesmo, né?

    • Ainda ontem de madrugada passou no canal História uma série muito interessante com o título Ciência Secreta Nazi, calhou serem os dois primeiros episódios. O primeiro, curiosamente, é um autêntico tratado, com temas como o programa eugénico dos nazis, o programa de “eutanásia”, o programa Lebensborn, as Leis raciais de Nuremberga e a sua aplicação, e ainda o programa de experimentos (pseudo-) científicos com crianças humanas (e não só), em que os gémeos geneticamente idênticos eram retirados aos pais e submetidos a experimentos por Dr. Mengele, Karl Brandt, e outros mais, e ainda o processamento nos campos de concentração, com destaque para Auschwitz.
      Aquilo é que era liberdade para usar e deitar fora vidas humanas… mas cuidado, que “os wokes andem aí”…
      O segundo episódio já foi mais focado na tecnologia aeronáutica e no seu desenvolvimento, dos cientistas que desenvolveram os primeiros projectos de aviões a jacto e de exaustão tipo foguete, e do seu uso em combate, onde Göring surgia como figura proeminente da Luftwaffe.
      Vale a pena acompanhar essa série, assim como outro que já passaram e já repetiram uma ou outra vez, com o título Expedições Secretas Nazis, onde se aborda o papel do ocultismo, da teosofia e da ariosofia na ciência e ideologia nazi, e das sociedades secretas e institutos públicos (Anhenerbe, por exemplo) normalmente coordenadas pelo supremo SS, Heinrich Himmler.
      Tudo gente defensora “da liberdade, dos nosses valores e da demo-cracia”. Não havia cá “políticas identitárias à Woke” (identity politics)…

        • Eu não apanhei o início do 1.º episódio, também, mas não devo ter perdido muito pois apanhei todos esses temas e ainda o dos infantários nazis (que está relacionado com o programa de eutanásia), e o programa de abdução de crianças (principalmente na Polónia, Checoslováquia e restante Europa de Leste), que eram sujeitas a “testes de pureza racial” com recurso a análises sanguíneas, de biótipo e de frenologia, entre outros, e seleccionadas para adopção/”recrutamento” (tal como as crianças que nasciam no programa Lebensborn), ou, caso não cumprissem os parâmetros de aprovação da “raça ariana”, ou andassem lá perto, eram então entregues aos campos de concentração e usadas como cobaias ou escravas, se não fossem exterminadas ou “eutanasiadas” logo a seguir.
          Um tratado “anti-wokismo” (perdoem-me o sarcasmo)… até pareciam dois.

          • Está a dar precisamente a esta hora, enquanto escrevíamos, vi agora. Vou puxar atrás e ver os primeiros minutos, o episódio chama-se “Decifrar o Código Genético”.

        • Os primeiros minutos fazem a introdução à política demográfica que Hitler implementou desde o início, para repôr a população perdida na I Guerra Mundial. Em 1926 criou a Juventude Hitleriana, e em 1933 quando subiu ao poder esta tinha 100 000 membros. Em um ano, já eram 2 milhões. Começaram então a implementar os programas de planeamento familiar, incentivando os casais a casarem-se (os “arianos” recebiam 1000 marcos) e a terem vários filhos (havia o programa das mães de elite, que recebiam medalhas de bronze, prata e ouro aos 4, 6 e 8 filhos que tinham).
          Fala também de como a partir de vários ramos profissionais com muitos membros filiados no partido nacional-socialista dos trabalhadores alemães (professores e médicos, estes à cabeça de todas as outras profissões, 50% deles tinha filiação ao partido) começaram a seleccioná-los para tomarem as rédeas das políticas de educação e saúde, entre outras, fazendo assim escola e ensinando aos mais novos o conhecimento, a estética e a ciência idealizados por eles (influenciados, claro, pelo nazismo).
          E depois apresenta o ideólogo do eugenismo alemão, Eugen Fischer, que já havia sido tutelado por (a eugenia era praticada em vários outros países e com a aprovação das mais altas instâncias, e financiada por Rockefeller, por exemplo), e como influenciou o eugenismo nos EUA, com vários estados a implementarem práticas semelhantes às alemãs. Sabe-se também como no Canadá houve programas eugénicos de larga escala sobre as populações das Primeiras Nações.
          E depois vem o resto…

  3. Desta vez prometo que não vou pegar com ninguém,nem vou “atiçar” alguém da esquerda ou de direita,até que eu não quero saber disso para nada,tenho outras preocupações,mas como conheço bem o sistema de vez em quando gosto de “atiçar”.

    Como raramente bebo álcool,nunca fumei e não tenho vícios a não ser a internet às vezes dedico-me à escrita,porque não tenho mais nada que fazer,mas respeito as opiniões,o blogue é democrático.

    Um dos objectivos de andar bem informado é apenas antecipar,aquilo que a política tem na ideia para o povo.

    Uma democracia funcional requer pelo menos 2 partidos ou mais, cada um com os seus valores fundamentais.
    Em Portugal, temos tradicionalmente a esquerda, cujo valor fundamental é a igualdade, e a direita, cujo valor fundamental é a liberdade.

    “Como os homens não são dotados das mesmas capacidades, se forem livres, não serão iguais, e se forem iguais, é porque não são livres”.
    Solzhenitsyn

    Por último, a alternância do poder através de eleições garante que os valores fundamentais da liberdade e da igualdade, embora mutuamente exclusivos, sejam preservados.
    Os excessos ou abusos do partido no poder são contrariados pela oposição ou “corrigidos” durante a mudança.

    A liberdade e a igualdade são dois valores opostos! Imaginemos que temos de ter igualdade de salários, em que todos ganham o mesmo, e, por outro lado, liberdade de salários, em que cada um pode ganhar o que quiser, sem limites. O mesmo se passa com o resto, igualdade de moral, em que todos têm de partilhar exatamente a mesma moral, e o contrário, liberdade de moral, em que cada um pode aplicar a sua própria moral… O mesmo se passa com a igualdade de religião versus liberdade religiosa…… Além disso, para aplicar uma igualdade rigorosa, é preciso aplicar uma vigilância digna de uma ditadura para evitar que as ovelhas fujam do rebanho. Por outro lado, a liberdade absoluta significa que não há qualquer vigilância, porque cada um pode fazer o que quiser. Na minha opinião, quanto mais se caminha para a igualdade, menos liberdade existe, e quanto mais liberdades existem, menos igualdade existe… Depois, depende de onde se coloca o cursor para aplicar a igualdade/liberdade a cada questão. Por exemplo, aplicar a igualdade de rendimentos ao mesmo tempo que se aplica a liberdade religiosa ou vice-versa… Mas, em todo o caso, é impossível aplicar os 2 valores em simultâneo!

    O mais engraçado da sociedade actual é ver as feministas a defender o Islão radical, os principais “democratas” a defender a UE e as elites globalistas a esquecerem-se de Assange enquanto defendem Navalny, o homem que apelou às pessoas para pegarem em armas para matar as “baratas” do Cáucaso…

    Estes são tempos verdadeiramente maravilhosos!

    Dito isto,gostei do texto do Hugo,mas sem brincadeiras queria realçar algumas coisas.

    A diferença em relação à Europa é que, nos EUA, os salários também estão a aumentar acentuadamente (tal como as rendas e o custo de vida).

    Também eles estão a sofrer com a inflação, mas o “valor das coisas” nos EUA já é 2x mais alto do que aqui.
    Em comparação connosco, eles estão a ficar ricos.

    Em suma, estamos a tornar-nos o Magrebe “barato” deles para férias e reforma.
    Mas para nós, mudarmo-nos para lá já não é uma opção, porque está financeiramente fora de alcance.

    Construíram um “muro de valores” para impedir a imigração.

    – O colapso (lento) já começou, porque quem pode continuar assim ( as poupanças também estão a derreter como um cubo de gelo!).

    A dívida está a ser mantida e aumentada para acelerar a agenda do reset!
    Vamos passar de uma economia subsidiada para uma economia de pilhagem, em que os bens públicos serão vendidos a baixo preço às instituições financeiras.
    As auto-estradas foram este modelo, e o resto seguir-se-á.
    O resultado será a externalização da sociedade, a venda de bens públicos e, em última análise, a expropriação do bem comum.

    Um colapso garantido da economia. Uma parte deste dinheiro é também dinheiro vivo, que já não será reinjectado na economia. Toda a gente sabe para onde vai.

    A economia do país vai ficar moribunda, a pobreza está a aumentar .

    Também tem havido uma compra massiva de ouro que pode ser o começo de uma turbulência monetária.
    Não poderá isto estar relacionado com o facto de os BRICS estarem a tentar competir com o dólar e de a acumulação de ouro da China estar a aumentar constantemente, em combinação com esta grande incerteza geopolítica e energética global, o que faz com que as outras zonas económicas também se estejam a proteger acumulando ouro? Se juntarmos a isto o aumento do consumo privado de ouro na China.
    Poderá isso justificar tudo isto?

    Os países BRICS estão a ponderar a criação de uma moeda alternativa que possa ser utilizada em caso de colapso do dólar americano e do sistema monetário internacional. Esta ideia está actualmente a ser discutida pelos países membros do grupo. Países BRICS estudam mecanismos para abandonar o dólar americano no comércio internacional

    • “A esquerda é igualdade e a direita é liberdade” – assim falou Zaratustra!
      Depois, quando chega a parte das privatizações generalizadas do bem público e a financeirização da economia com o dinheiro a “evaporar-se”, pimba, já volta a não haver direita ou esquerda, tal como na introdução do texto.
      É só quando dá jeito à narrativa do Nostradamus de Viana…

  4. Que somos uma República das bananas ao nível do Equador provamos logo no 25 de Abril de 2022 quando demos palco a Herr Zelensky nada mais nada menos que no 25 de Abril.
    Podiam dar palco ao grotesco palhaço que ilegalizou um total de 12 partidos e por essa altura andava a prender, torturar e matar opositores a pretexto que eram todos pro russos em qualquer outra altura mas nunca no 25 de Abril.
    Acolher um liberticida no 25 de Abril foi uma bofetada em todos quantos em Portugal se bateram pela liberdade, em todos quantos morreram, em todos quantos sofreram atrocidades semelhantes as que estava a sofrer a oposição ucraniana já antes da posição russa.
    Toda a gente sabia que havia opositores ucranianos presos, mortos e desaparecidos. Ainda antes de Zelensky.
    O incêndio da Casa dos Sindicatos em
    Odessa, em 2014, deu nos uma boa medida do que seria a Ucrânia mas mesmo assim achamos boa ideia continuar a apoia los.
    E se Zelensky não fosse na realidade um aldrabão, que lançou promessas ao vento que nao pretendia cumprir nunca teria tomado posse. Não o teriam permitido nem os nazis ucranianos nem a camarilha que os apoia. Levaria o competente tiro nos cornos ou seria vítima de um carro armadilhado.
    Na grotesca sessão solene do 25 de Abril, Costa teve a lucidez de não bater palmas ao grotesco palhaço.
    Não demorou muito para ser castigado sendo obrigado a fazer uma viagem a Kiev anunciada com antecedência, ao contrário de outros que fizeram visitas surpresas.Assim tipo “Salazar esteve”.
    Talvez alguns bons espíritos pensassem que a Rússia entraria numa de perdido por 100 perdido por 1000 e protagonizasse um ataque contra o representante ocidental que lá ia prestar vassalagem ao palhaço e dar lhe 250 milhões de euros que muita faltinha nos ficaram a fazer.
    Seria ouro sobre azul para a total diabolizacao da Rússia. Mas para desilusão de muitos, Costa voltou tão sao e salvo como os “Esteves” que foram lá fazer o mesmo.
    O Governo português ficou logo saber a partir daí qual era a musica que era permitido cantar.
    Pelo que a partir daí arderam na Ucrânia os poucos tanques que tínhamos operacionais e agora vao arder os kamovs. A Oeste nada de novo.
    Como tambem não é nada de novo que a União Europeia queira agora drenar directamente dos nossos bolsos, das nossas estradas, das nossas escolas, dos nossos hospitais, dos nossos apoios sociais em geral o dinheiro que enterramos na Ucrânia.
    Perdida a esperanca de os ir a curto prazo buscar a Rússia por não a conseguirmos destruir via os heróicos nazis ucranianos resta esfolar os borregos de sempre. Porque os investidores têm pressa em recuperar o investimento perdido. Como quando fomos todos convocados a pagar com sangue, suor e lágrimas os desmandos dos bancos.
    Quanto a III Guerra mundial e mais fácil os sionistas desatarem o seu arsenal clandestino que a Rússia enveredar por aí. Os russos querem viver e por isso não aceitaram arriscar sofrer uma derrota as maos de nazis que os lançaria numa miséria ainda pior que a dos anos Yeltsin.
    Acima de tudo não são uma cambada de messianicos seguidores de um Deus carrancudo. Que uma arma nuclear táctica pode cair na auto estrada para as invasões ocidentais que é a Ucrânia? Claro que pode. Que alguns restos de radiação podem chegar a Europa de Leste? Claro que podem. Se as forças convencionais russas se virem demasiado afogadas em ucronazis e mercenários de todos os lados.
    Mas mesmo esta nau dos loucos que é o Ocidente não vai embarcar numa guerra nuclear generalizada. Só porque as elites ainda não conseguiram bunkers que repliquem as condições de vida que teem a superfície e as colónias em Marte ainda são só um sonho.
    Porque a não ser assim não havia pastilhas de iodo que nos salvassem. Respeito pelas nossas vidas já esta gente provou que não tem nenhum. São as limitações técnicas que nos vao salvar.
    Aos palestinianos e que ninguém salva. Morte ao sionismo genocida.

  5. É sucata da boa… tudo para defender “os nosses valores e a demo-cracia”. Agora cá andar a apagar fogos…

    “GOVERNO PORTUGUÊS QUER DOAR SEIS HELICÓPTEROS À UCRÂNIA
    O governo português anuncia publicamente que tenciona doar à Ucrânia seis helicópteros pesados Kamov, de fabricação russa. Os referidos helicópteros haviam sido adquiridos para o combate a fogos florestais, mas hoje estão em mau estado por terem ficados parados sem a conservação adequada. No entanto, o que importa do ponto de vista das relações internacionais é a ILEGALIDADE de tal doação — ela não pode ser efetuada sem a anuência russa.
    Recentemente o governo do Equador tentou manobra semelhante de venda de material de guerra russo aos EUA para a sua posterior entrega à Ucrânia. Ao anunciar esta doação ilegal o governo português coloca-se no mesmo nível daquela república bananeira da América do Sul.
    16/Abr/24”
    https://resistir.info/

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