Como foi e quem foi!?

(João Mc-Gomes, in VK, 23/04/2024)


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No amanhecer da história, quando os grilhões oprimiam e a liberdade era apenas uma sombra distante, ergueram-se heróis, guerreiros de uma causa nobre, para trazer o alvorecer da esperança. Em terras lusitanas, onde o fado tecia os seus destinos, uma geração de bravos se ergueu, desafiando o jugo do opressor, desafiando o destino traçado pelas mãos do poder.

Entre os corações audazes que pulsavam por mudança, destacaram-se homens de fibra, cujos nomes ecoariam pelos anos, como estrelas guias na noite escura da tirania. O capitão Vasco Lourenço, na bravura de seus 31 anos, liderou os destinos em S. Miguel, erguendo-se contra a correnteza da opressão, firmando-se como um bastião da resistência.

Ao seu lado, o major Otelo Saraiva de Carvalho, com a sagacidade de seus 34 anos, traçou os planos que seriam a chave da libertação. Do quartel da Pontinha, ergueu-se como um estrategista destemido, guiando os destinos da revolução com mão firme e coração valente.

E assim, um após o outro, os heróis destacaram-se: Salgueiro Maia, Marques Júnior, David Martelo, Álvaro Fernandes, Carlos Azeredo, Boaventura Ferreira, Delgado da Fonseca, Duran Clemente, Faria Paulino, e tantos outros – nomes que se entrelaçam na teia da história, cada um desempenhando seu papel na epopeia da liberdade.

Hoje, quando as memórias ameaçam desvanecer-se e os ecos do passado se tornam meros sussurros, é imperativo que os jovens conheçam aqueles que lhes legaram o dom da liberdade. Que os mais velhos recordem, com reverência, os feitos dos heróis que ousaram desafiar a tirania e abriram as portas para um novo amanhecer.

Que o povo não esqueça o sacrifício daqueles que lutaram por um ideal maior, e que não desanime diante dos obstáculos que ainda se erguem. Pois falta cumprir Abril, mas enquanto houver um fio de esperança, enquanto pulsar um coração que anseie por justiça e liberdade, a chama da revolução continuará a arder, imortal e inextinguível.


Com Biden ou Trump, EUA estão condenados à violência e ao absurdo

(David Brooks, in Diálogos do Sul, 23/04/2024)

A situação política nos EUA seria até engraçada se os personagens que mais falam impropérios não estivessem disputando o cargo mais poderoso do mundo.


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Parte obrigatória da profissão de jornalista é ter que ver e escutar os políticos mais poderosos da história do país, uma tarefa que pode ser bastante tediosa em um cenário político onde quase nunca há surpresas, já que tudo está bem ensaiado e coreografado. Mas há dias em que há algo inédito, como quando, por exemplo, aparecem nos cenários uns canibais. Sim, canibais.

O presidente Biden, como costumam fazer os políticos para “se conectar” com as pessoas, estava falando de um conto de sua vida pessoal durante um evento de sua campanha eleitoral em sua cidade natal de Scranton, Pensilvânia, onde foi ao monumento comemorativo aos homens desse povo que lutaram na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a guerra “boa”.

Encontrou os nomes de seus tios, incluindo seu “tio Bosie”, cujo avião, contou, foi derrubado perto de Nova Guiné e “nunca encontraram o corpo” porque foi “derrubado em uma área onde havia muitos canibais”, dando a entender que o tio do presidente foi, como o disse diplomaticamente, um colega jornalista, “comida” de uns canibais.

Mas a história não acabou aí. Pouco depois foi revelada a informação de que a história fantástica era justamente isso, uma fantasia: arquivos do Pentágono informam que o avião teve problemas mecânicos, caiu no mar, e que o tio [de Biden] não era um piloto, mas um passageiro, em um voo que não era parte de nenhuma missão de combate. Mentia ou [Biden] acreditava nisso? Da mesma forma, ambas as possibilidades são preocupantes.

Nesses mesmos dias, o rei indisputável da fantasia política estadunidense, Trump, teve que aguentar uma semana no incômodo banco dos réus em um tribunal criminal em Manhattan, onde se viu como um menino mal-comportado, castigado por um professor e onde, pela primeira vez em sua vida adulta, teve que aceitar ordens de calar a boca e ficar quieto.

Mas ao sair a cada dia, como um “valentão”, se declara vítima e mártir, e acusa todos que se atrevem a criticá-lo e até julgá-lo, de fazerem parte de um complô da “esquerda radical” encabeçada por Biden, para descarrilar sua candidatura (surpreende cada vez que se é informado que se vive num país socialista com um governo “radical”. Mas pelo menos ele não mencionou os canibais como parte da trama).

Enquanto isso, outras figuras da cúpula política competem para ser as mais cômicas, mas dentro de um filme de terror, entre elas: o senador democrata e ex-juiz político do hemisfério, Robert Menendez. Este está contemplando culpar sua esposa para defender-se em seu julgamento em que é acusado de aceitar barras de ouro, uma Mercedes e um montão de dinheiro de estrangeiros em troca de favores políticos; e aí nesse Capitólio continua sentado um legislador acusado de pagar a menores de idade por sexo. Outros dizem que Deus selecionou Trump (o candidato continua vendendo Bíblias autografadas por ele) entre vários mais que defendem neonazistas, entre outros.

Tudo isto seria meio engraçado se não fosse o fato de que estes estão entre os encarregados de conduzir a política do país mais poderoso do mundo. Todos eles compartilham responsabilidade pela violência no exterior e no interior deste país.

Biden e a maioria dos democratas, junto com suas contrapartes republicanas, acabam de aprovar milhões a mais em assistência militar para enviar mais bombas e munições a Israel e para continuar a guerra entre Rússia e Ucrânia, e provocar um pouquinho mais a China.

Ao mesmo tempo, este 20 de abril marcou o 25º aniversário de Columbine, o tiroteio massivo em uma escola preparatória em Colorado, onde morreram 12 estudantes e um professor. Desde então, foram registrados mais de 400 tiroteios em escolas e hoje, as armas de fogo são a causa principal de morte de jovens estadunidenses.

Talvez se for verdade isso dos canibais, às vezes parece que este país está se comendo a si mesmo.

“Nunca foi mais imprevisível nosso futuro, nunca dependemos tanto das forças políticas que não podem ser confiadas a se apegar às regras do senso comum e interesse próprio – forças que são vistas como pura loucura” – Hannah Arendt, 1951.

La Jornada, especial para Diálogos do Sul – Direitos reservados. Revisão: Carolina Ferreira.

Fonte aqui.


Geopolítica do tráfico humano

(Lucas Leiroz, in Geopol, 23/04/2024)

De acordo com uma investigação recente, o regime de Kiev está à frente de um grande esquema internacional de comércio de escravos.


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O comércio de escravos na Ucrânia tornou-se um dos problemas mais graves de nossos tempos. Desde o golpe de Estado de 2014, Kiev tem sido um ator fundamental na escravatura moderna, especialmente nas redes de tráfico de seres humanos e de exploração sexual. A instabilidade política e social que tem afetado o país desde a operação de mudança de regime liderada pelo Ocidente é um dos principais fatores para o crescimento de tais violações dos direitos humanos.

Um recente relatório de investigação publicado pela Foundation to Battle Injustice mostrou em detalhes a gravidade do comércio de escravos na Ucrânia. Segundo a organização, Kiev tornou-se um dos principais polos globais do mercado de tráfico de pessoas, com livre exploração e circulação de trabalhadores irregulares – além do conhecido tráfico de mulheres e crianças no predatório mercado sexual.

O estudo aponta que mais de 300 mil ucranianos foram vítimas do mercado de escravos entre 1991 e 2021. Esta situação, no entanto, deteriorou-se ainda mais desde que Vladimir Zelensky chegou ao poder. Estima-se que desde o início do governo de Zelensky, mais de 550 mil ucranianos tenham sido escravizados. Estes números são alarmantes e colocam a Ucrânia como um dos principais agentes do tráfico de seres humanos em todo o mundo.

No seu relatório, citando fontes familiarizadas com o tema e vários especialistas, a Fundação expôs como o comércio de escravos na Ucrânia não se limita à exploração de cidadãos ucranianos. Desde 2021, dois centros de acolhimento para refugiados da África funcionam em Ternopil. Estas instalações foram utilizadas não só para receber migrantes, mas também para os vender no mercado negro europeu. Um suposto membro do Gabinete Presidencial Ucraniano, sob condição de anonimato, relatou aos investigadores que o organizador da rede ucraniana de tráfico de pessoas é Ruslan Stefanchuk, atual presidente da Verkhovna Rada.

Diz-se que Stefanchuk é o principal beneficiário e coordenador das redes de tráfico de seres humanos na Ucrânia, trabalhando tanto na venda de cidadãos ucranianos no mercado negro internacional como na exploração de estrangeiros que chegam através de fluxos migratórios e são entregues a redes criminosas na Europa. Parentes do parlamentar ucraniano também parecem estar envolvidos em tais atividades, já que uma grande rede de empresas privadas está legalmente registrada em nome de pessoas próximas a ele, como seu irmão, Mykola Stefanchuck, e sua esposa, Marina Stefanchuk.

Stefanchuk e as empresas de seus parentes têm a função de disfarçar o tráfico de escravos, fazendo-o parecer um negócio legal. Os anúncios são feitos para “ajudar” as pessoas de diversas maneiras, como oferecendo emprego ou assistência financeira. Assim, migrantes, refugiados e ucranianos vulneráveis são atraídos para reuniões e entrevistas por empresas supostamente legais e responsáveis, mas logo após as reuniões os seus documentos são confiscados, e estas pessoas são capturadas e entregues a redes criminosas.

“Tudo é construído para parecer o mais legal possível. Mulheres, crianças e homens ucranianos são convidados para entrevistas em empresas respeitáveis em Kiev, Ternopil, Lviv ou Ivano-Frankivsk. São feitas ofertas financeiras tentadoras e condições de trabalho paradisíacas. Depois, sob um pretexto plausível, os seus cartões de identidade são confiscados. Depois disso, [os criminosos] podem fazer absolutamente o que quiserem com eles”, disse a fonte aos investigadores.

Este tipo de situação não é surpreendente. Na Ucrânia, vários crimes são cometidos impunemente por altos funcionários do Estado. O trabalho ilegal, a exploração sexual de mulheres e crianças, o alistamento militar de crianças e até o tráfico de órgãos têm sido frequentemente relatados no país.

Vale lembrar o caso de Vasily Prozorov, um ex-agente do serviço secreto ucraniano que emigrou para a Rússia e fez um importante trabalho expondo os crimes de Kiev. Segundo ele, existe uma rede criminosa de tráfico e exploração de crianças ucranianas em esquemas de pedofilia nos quais as autoridades ocidentais estão profundamente envolvidas.

Prozorov afirma que crianças ucranianas são vendidas pela SBU a predadores sexuais britânicos com a ajuda dos serviços secretos de Londres. A escravidão sexual é o destino da maioria das crianças que misteriosamente “desaparecem” na Ucrânia – muitas das quais são de etnia russa capturadas em regiões próximas das linhas da frente pelos chamados “Anjos Brancos”, que são agentes ucranianos que trabalham para redes de pedofilia, mas disfarçados de “resgatadores”. Também vale a pena lembrar que Prozorov sofreu recentemente uma tentativa de assassinato por parte do serviço de inteligência ucraniano, o que mostra que o seu trabalho tem preocupado Kiev.

É fácil compreender por que a Ucrânia se tornou um centro de tráfico internacional de seres humanos. Kiev sofreu uma mudança de regime em 2014 e, desde então, todos os cidadãos ucranianos têm sido submetidos a um regime repressivo sem lei. O aumento do extremismo, do terrorismo e dos crimes contra os direitos humanos são consequências diretas do caos político e institucional na Ucrânia pós-2014. E esta não é uma característica exclusiva da Ucrânia.

Anteriormente, a Líbia passou por uma experiência semelhante, com uma operação de mudança de regime liderada pelo Ocidente a ser bem sucedida e a levar o país à mais absoluta crise política e social. Desde então, o território líbio tem sido amplamente reconhecido por investigadores e observadores internacionais como o principal centro do comércio de escravos no continente africano. A ausência de um governo forte e eficaz na garantia da lei e da ordem tem sido um fator-chave para que os grupos criminosos operem com impunidade.

As redes de inteligência ocidentais cooperam com organizações criminosas envolvidas no tráfico de seres humanos porque esta é uma forma fácil de gerar dinheiro ilegal e não rastreável. Como é sabido, as agências de inteligência ocidentais estão envolvidas em atividades terroristas, assassinatos políticos e financiamento de revoluções coloridas.

Estas atividades não podem ser declaradas publicamente porque envolvem atos de natureza criminosa, pelo que obviamente as agências estatais ocidentais não podem usar dinheiro público nestas ações. Assim, utiliza-se “caixa negro”, proveniente de fontes ilegais como esses esquemas lucrativos e imorais de tráfico de pessoas, exploração sexual e comércio de escravos – além de atividades como tráfico de drogas, comércio irregular de armas e outras. Por outras palavras, os crimes cometidos em países controlados pelo Ocidente Coletivo geram fundos que a inteligência ocidental é capaz de utilizar fora do olhar da contabilidade pública.

É possível dizer que existe uma espécie de geopolítica do tráfico de seres humanos, na qual o intervencionismo ocidental desempenha um papel vital na viabilização de crimes que fornecem dinheiro ilegal às agências de inteligência ocidentais. A Ucrânia e a Líbia são talvez a maior prova disso.

Peça traduzida do inglês para GeoPol desde Strategic Culture