A valsa do centrão, a acalmação e PPC (o tenor careca) no bolso do Venturas

(Por oxisdaquestão in blog oxisdaquestao, 09/04/2024, revisão da Estátua)

Sem grandes dotes para governar sequer, cada qual o seu condomínio, vão amparar-se para que o centrão seja aceite pelos grandes capitalistas do país e pelos oficiais da NATO que zelam pela “estabilidade” da zona. Pedro Nuno Santos vai tentar um acordo para resolver um problema que o anterior governo de maioria do PS não conseguiu resolver, não teve ensejo ou não esteve para lá virado!

 A política de colónia pobre tem destas coisas que não são para se entenderem. Montenegro, para garantir os votos dos funcionários públicos diz que é o seu governo que vai negociar na tentativa de … Dão-se os primeiros passos para a governação em função dos votos, todas as decisões têm os olhos postos na base eleitoral, no seu alargamento, na sua boa disposição.

Dá votos ou não dá votos? Os dois jovens políticos farão os seus números de equilibrismo, a comunicação social jogará com a matéria, Marcelo trará o Conselho de Estado no bolso do casaco, prestará declarações dia sim, dia sim e estará em sintonia com os donos do mundo ocidental. Estamos na acalmação, depois da defenestração dum Primeiro-ministro, com maioria absoluta, que só não fugiu da Ericeira num submarino inglês …

Passos volta a expressar-se como um extremista de direita. E o nosso Milei do Alto do Pina aproveita para dizer que, afinal, não é só ele: há o careca cantor que chegou a Primeiro-ministro porque o BCE assim o exigiu. E havia nós que estavam por dar enquanto Coelho pairava, qual drone, à espreita do momento e local para aterrar.

Passos andava aos caídos, que é como quem diz sem ter onde cair morto, até tudo se encaixar. Se Montenegro e Pedro Nuno fazem uma dupla de reformistas, social-democratas e tudo, Ventura e o tenor careca são a extrema-direita derivada do salazarismo sebento e pidesco que deveria ter acabado, mas pelos vistos, não acabou…

Anima-se a paleta política que não augura nada de bom para os trabalhadores e os reformados. E, se pensarmos que os generais querem o serviço militar obrigatório, alugar quarteis e camaratas, levantar refeitórios de bancos corridos e louça de alumínio amassada, para aumentarem de número e de pré, então valha-nos Deus Nosso Senhor e as suas chagas sempre abertas e a pingar! A história reata-se em Santa Comba depois de um 28 de maio, movimentado em motas pretas pela A1 abaixo, na 1ª manifestação da União Nacional à guisa de motoqueiros de Famel Zundapp a dois tempos.

O mundo produzido pelo capitalismo é para eles. Verdadeiramente para eles. E quem não está bem que se mude, procure um capitalismo melhor, o dos mil e poucos euros. Ou dos quarteis, sim, dos quarteis. Das casernas, da comida roubada, dos sargentos, dos berros, das formaturas e dos exercícios noturnos. Das armas de guerra, instrumentos de morte. Do desperdício de tempo e da acção psicológica a inventar inimigos que não existem. Da vida interrompida sem nenhum propósito que não seja evitar o desemprego dos coronéis, generais e vice-almirantes.

O comissário dos cagalhões. Abre-se o lugar para o homem e no tal dia é empossado por uma Van Der Leyen de merda. O político português é genial, só pode ser genial. Moreira é um deles.


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4 pensamentos sobre “A valsa do centrão, a acalmação e PPC (o tenor careca) no bolso do Venturas

  1. Nao deixa de ser curioso a admiração de tantos com o extremismo de direita manifestado pelo PSD, que parece cada vez mais colado as posições dos cheganos.
    Mas não é nada de surpreendente se nos lembrarmos do que os dirigentes do PSD disseram e fizeram nos anos de chumbo 2011 2015.
    Passos Coelho foi o homem que disse com as letras todas que tínhamos de empobrecer e que quem se queixava era “piegas”. Insinuou que todos os que metiam baixas por doença era por não quererem trabalhar e tratou de reduzir os subsídios.
    O discurso de ódio a quem recebia rendimento mínimo ficou por conta do parceiro de coligação, o Paulinho das Feiras.
    O que houve de novo no discurso do Quarto Pastorinho foi tão só a colagem do discurso dos que “não querem trabalhar” aquela que sempre foi a etnia mais odiada em Portugal, de acordo com estudos diversos, os ciganos.
    Porque muito do discurso de Ventura sempre esteve lá, embora a defesa das posições mais extremadas, como o agravamento das penas de prisão e a impunidade policial estivesse mais por conta do Paulinho das Feiras. Mas nunca o PSD se insurgiu contra tais atoardas, antes pelo contrário.
    Muita gente dizia na altura que Portugal era imune a fenómenos de extrema direita e isso só me dava era vontade de rir. Porque esta gente dizia coisas que nem a Le Pen diria, e eu pensava para que raio precisávamos de extrema direita “oficial” com uma gente destas.
    Ventura saiu efectivamente do PSD e concorreu a Câmara de Loures dizendo dos ciganos o que Maomé não disse do toucinho, pelo PSD, e o seu discurso de ódio não fez mossa nas hostes do seu partido. O senhor saiu do PSD por sua livre e espontânea vontade, por perceber que o seu discurso tinha caído no goto de muitos racistas que por cá temos e conseguiria mais se concorresse por sua conta. Não por ter sido expulso como deveria, com mais ou menos desentendimentos com o Rui Rio.
    Que pautou os seus mandatos a frente da Camara do Porto por fazer a vida negra aos pobres e aos funcionários da autarquia. Pobres, e funcionários públicos eram os seus ódios de estimação.
    Por isso não sei porquê tanto espanto por o PSD estar a colar se a ideologia mais bafienta da direita, do nefasto Deus, Patria, Familia e violência doméstica impune.
    Dai ter o Passos a promover um livro em que um tal João César das Neves diz que as mulheres nunca foram oprimidas porque eram a maioria da população e nunca uma minoria oprimiu uma maioria, até porque essas senhoras nunca se queixavam. Ora, num país onde as mulheres não tinham acesso a profissões decentemente remuneradas, o homem era o chefe de família na letra da lei, a mulher tinha de pedir licença ao marido para trabalhar, o divórcio não era permitido, entre marido e mulher ninguém mete a colher, as desgraçadas iam queixar as a quem? Mas o homem bateu com os cornos onde?
    Quando as supostas pressões para entendimentos com o Chega era preciso ser muito ingénuo para achar que esse entendimento não iria surgir. Um voto no Chega era na realidade um voto no “pai” PSD.
    A direita percebeu, depois do xarope que aplicou nos anos de chumbo, que só voltaria a ganhar as eleições se apostasse em alguém capaz de galvanizar a grunharia do “isto é tudo uma cambada” “aqueles malandros dos pretos e dos ciganos” e do “são todos iguais”. E assim nasceu este aborto a que se chamou Chega.
    E já devíamos ter percebido por outros Carnavais que esta gente mente para ganhar eleições e que, “não” não é não para gente desta. Já Churchill dizia que o que se diz em campanha não é para ter em conta quando se está no Governo.
    Já o PS de Pedro Nuno Santos parece ter apostado nas “abstenções indignadas” de que falava António José Seguro. E é que esta era a ala esquerda do PSD. Aquela que segundo o empregado de mesa da Cimeira das Lajes traria o governo mais a esquerda desde o Goncalvismo se ganhasse as eleições. O que faria se não fosse.
    Mas ninguém pode é dizer que o passado não o avisou. Mas quem esquece o passado está condenado a repeti lo. É ele ai está. Se não descobriram ainda uma banca rota já dizem que o excedente não é tao excedente e de qualquer forma não é estrutural. Por isso a maior parte das promessas vao mesmo ser levadas pelo vento.
    Talvez se escapem os polícias porque esses fazem falta para malhar os “piegas” se estes vierem para a rua fazer barulho, partir umas coisas ou chatear os senhores no Parlamento. Fizemos a cama onde teremos que nos deitar. Ninguém diga é que não foi avisado.

  2. Com oitenta e quatro anos de idade, já vi tanta hipocrisia, tanta mentira, tanta promessas incompridas, ao ponto de ouvir um político dizer preto no branco “que é preciso mentir para se ganharem eleições”.
    Há políticos intelectualmente desonestos, e alguns deles não são flor que se cheire, não são exemplo para ninguém.
    A reunião magana há dias para a apresentação de um livro, juntou a nata mais reacionária da direita bolorenta que pugna por um regresso ao passado. doDeus, Pátria e Família, puros e castos, aconselho a leremr o livro Ballet de Rose ai encontrarão aquilo que estes puritanos querem.
    Pois é, a água bate na rocha e quem se lixa é o mexilhão.

  3. Alguns só agora descobriram a careca ao Coelho, que aproveitou esta Páscoa para sair da toca e se fazer ao piso com o antigo aprendiz de feiticeiro, aquele que faz truques de ilusionismo e num deles tirava a coelha da cartola. Para outros não há surpresa nenhuma, são o mesmo Coelho & AVentura de sempre, a dupla maravilha da maralha fascizóide. Só que o Coelho era manso e cobardolas lá fora, apesar de parecer o Donnie Darko cá dentro, a roubar pensões a reformados; já o AVentura também quer mostrar as favolas lá fora. Moral da história: que a coelhinha descanse em paz.
    P.S. o Selminho? É pá, se formos a ver, foi mesmo talhado para futuro comissário das comissões (e “cagalhões”?)

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