Porque o duplo padrão dos EUA em relação a Israel e à Rússia é um jogo perigoso

(Por Patrick Wintour, in The Guardian, 26/12/2023, Trad. Estátua de Sal)


A postura equívoca do Ocidente, em relação a Gaza, está a gerar um motim contra o domínio do discurso internacional pela ordem global.

Richard Haass, o ilustre analista global, escreveu uma vez: “A coerência na política externa é um luxo a que os decisores políticos nem sempre se podem dar”.
Mas, da mesma forma, a hipocrisia nacional flagrante pode ter um preço elevado, em termos de perda de credibilidade, prestígio global prejudicado e diminuição do respeito próprio.
Por isso, a decisão de Joe Biden de defender os métodos de Israel em Gaza tão pouco tempo depois de, num contexto diferente, ter condenado os da Rússia na Ucrânia, não é apenas uma ocasião para os liberais e os seus defensores se lamentarem.
Já está a ter um impacto real nas relações entre o Norte e o Sul, o Oeste e o Leste do mundo, tendo consequências que podem perdurar durante décadas.
A administração Biden, relutante em mudar de rumo, pode dizer que os paralelos entre Gaza e a Ucrânia estão longe de ser exactos, mas também parece saber que está a perder gradualmente o apoio diplomático.

Quando os EUA e Israel são acompanhados na assembleia geral da ONU por apenas oito outras nações, incluindo a Micronésia e Nauru, como aconteceu quando rejeitaram uma resolução de cessar-fogo para Gaza em dezembro passado, é mais difícil argumentar que a América continua a ser a nação indispensável – uma frase da ex-secretária de Estado Madeleine Albright frequentemente referida por Biden.

Em contrapartida, Vladimir Putin, após um período de isolamento global, “sente realmente que, nesta altura, tudo tende a virar-se em seu favor”, segundo Fiona Hill, antiga funcionária do Departamento de Estado dos EUA especializada na Rússia.

Num contexto em que muitas nações em ascensão encararam, de qualquer forma, a “ordem internacional baseada em regras” com ceticismo, o guião para Sergei Lavrov, o veterano Ministro dos Negócios Estrangeiros russo, escreve-se a si próprio. Falando no Fórum de Doha, em dezembro, Lavrov queixou-se: “As regras nunca foram publicadas, nunca foram sequer anunciadas por ninguém a ninguém, e estão a ser aplicadas dependendo do que exatamente o Ocidente precisa num determinado momento da história moderna”.

Para Hill, o discurso de Biden, em outubro, ligando a Ucrânia e Israel no seu esforço para persuadir o Congresso a libertar fundos para a primeira “pode ter sido uma boa decisão política no Congresso, mas talvez não tenha sido a boa decisão política a nível global”. A vítima de tudo isto, receia ele, será o presidente da Ucrânia, Volodymr Zelenskiy. Ele “vai ter muita dificuldade em lidar com isto”.

Mas a seletividade dos Estados Unidos, tal como é percebida em grande parte do Sul Global, é suscetível de provocar um ajuste de contas mais amplo. Muitas vezes, no passado, a Palestina foi tratada como um caso histórico especial na política global e como uma reserva aceite dos EUA.
Mas agora, de acordo com o especialista israelita Daniel Levy, a questão foi atirada “para o coração daquilo a que algumas pessoas chamaram a crise política”.

Levy afirma: “Um exercício monopolista dos EUA [relativamente ao destino de Gaza] não está em sintonia com o mundo em que vivemos atualmente e com a geopolítica contemporânea. Nesse sentido, aconteceu uma coisa importante e interessante, e talvez até uma fonte de alguma esperança, que é o facto de termos visto que, em grande parte do chamado Sul Global e em muitas cidades do Ocidente, a Palestina ocupa agora um tipo de espaço simbólico. É uma espécie de avatar de uma rebelião contra a hipocrisia ocidental, contra esta ordem global inaceitável e contra a ordem pós-colonial”.
Numa altura em que as instituições multilaterais lutam contra aquilo a que António Guterres, secretário-geral da ONU, chama “as forças da fragmentação”, a forma como os EUA lidam com Gaza é importante, não apenas para Gaza, mas para o multilateralismo.

Se a defesa de Israel por parte dos EUA continuar a correr mal, há um ou dois resultados prováveis. A tendência para a mudança de alianças transaccionais e não ideológicas irá aumentar. A compra de fóruns por parte dos países ou a cobertura estratégica, que exige uma gestão ativa da carteira, tal como a cobertura financeira, tornar-se-á ainda mais a norma. Em alternativa, a América poderá ver-se confrontada com blocos alternativos maiores e mais assertivos, quer se trate de um BRICS alargado, liderado este ano por Putin, ou de outras alianças lideradas pela China.

Há apenas seis meses, a situação parecia muito diferente. Depois de um período de inércia – eufemismo para referir a divisão e o mal-estar alimentados pela presidência Trump – o Ocidente em 2022 redescobriu-se e orgulhou-se de ter respondido à invasão da Ucrânia por Putin com uma solidariedade sem precedentes. Sem medo da guerra, ou de perder as fontes de energia russas.
O exército russo não só tinha sido repelido às portas de Kiev, como também tinha sido exposto como uma força moralmente falida, culpada de actos hediondos de barbárie em Bucha e noutros locais. A Ucrânia tinha-se tornado o coração pulsante dos valores europeus actuais, como afirmou Ursula von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia.

A ordem liberal, esmagada pelo Iraque e derrotada no Afeganistão, tinha-se reanimado. Na Assembleia Geral da ONU, 140 nações condenaram a invasão russa. Os aliados de Moscovo ficaram em silêncio.
Biden organizou cimeiras sobre a democracia e lançou projectos de infraestruturas para os pobres do mundo que rivalizam com os da China. Dizia-se que Biden estava a fazer uma apresentação ao Sul Global como parte de uma tradição democrática distinta que remontava ao anti-imperialismo de Franklin D. Roosevelt, à defesa da Carta das Nações Unidas por Truman (assinada em 1945) e aos esforços de Kennedy para forjar laços mais estreitos com governos não alinhados.

No entanto, mesmo nessa altura, a par desta auto-congratulação, havia uma questão incómoda, a de saber por que razão muitos dos parceiros naturais do Ocidente viam a Ucrânia de forma diferente. Por exemplo, na Assembleia Geral das Nações Unidas, quando lhes foi pedido que fizessem algo de prático para apoiar a Ucrânia, como impor sanções, o número de países que apoiavam Kiev desceu para perto de 90.

Alguns líderes limitaram-se a encolher os ombros com indiferença. Paul Kagame, o presidente do Ruanda, disse: “No meu caso, é possível que não tenha de tomar partido por nenhum dos lados, uma vez que não tenho nenhuma contribuição a dar a este debate. O assunto está nas mãos de outros países, não me diz respeito”.

Evidentemente, grande parte do mundo não via a Ucrânia como uma luta anti-imperialista global, mas sim como um conflito regional dentro da Europa, que apenas lhes trazia preços mais altos para os alimentos.

“Acreditámos que a invasão de um território soberano e as violações extremamente graves das leis internacionais cometidas pelo exército russo colocariam automaticamente os países do nosso lado. Subestimámos a força da influência russa no continente africano”, disse Alexander Khara, especialista em relações internacionais do Centro de Estratégias de Defesa, um thinktank sediado em Kiev.

De facto, como Hill explicou na conferência Lennart Meri, realizada em Tallinn, na Estónia, em maio deste ano, Putin aproveitou habilmente um poço pré-existente de ressentimento com uma Pax Americana moribunda. “Trata-se de um motim contra aquilo que consideram ser o Ocidente coletivo a dominar o discurso internacional e a impingir os seus problemas a todos os outros, ao mesmo tempo que põem de lado as suas prioridades em matéria de compensação das alterações climáticas, desenvolvimento económico e alívio da dívida. Os restantes sentem-se constantemente marginalizados nos assuntos mundiais”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Índia, S. Jaishankar, foi sucinto: “Algures, a Europa tem de deixar de pensar que os problemas da Europa são os problemas do mundo e que os problemas do mundo não são os problemas da Europa”.

Agora, com Gaza, o clima anti-americano latente foi reforçado. O facto de existir qualquer paralelo legal ou moral entre o comportamento russo e israelita é, obviamente, rejeitado pela administração Biden, que, em vez disso, afirma que o verdadeiro paralelo reside nos crimes de guerra do Hamas e do exército russo.
A invasão e destruição de cidades ucranianas por Putin não foi um ato de autodefesa. Não foi uma resposta a um ultraje específico em que as forças ucranianas atravessaram a Rússia e massacraram jovens russos em festa. Tratou-se de uma afirmação russa do império e da sua esfera de influência. Mas quando os edifícios bombardeados de Gaza são comparados nas redes sociais com os de Mariupol, a situação torna-se mais complexa. A questão da proporcionalidade entra em jogo. A resposta israelita parece mais um acto de vingança, como o praticado pelos EUA após o 11 de setembro, vingança que Biden desaconselhou especificamente o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a praticar.

No entanto, de um modo geral, o Ocidente, com algumas excepções, manteve-se em silêncio sobre Gaza quando o ataque de Israel começou. Josep Borrell, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da UE, foi um dos que rompeu as fileiras, dizendo: “Penso que privar uma população civil dos serviços básicos – água, alimentos, medicamentos, tudo – é algo que parece ser contra o direito internacional”. Em contrapartida, os representantes do Reino Unido na ONU, em nada menos do que 11 debates no Conselho de Segurança, instaram Israel a cumprir o direito humanitário, mas nunca disseram que o país não o tinha feito.

Pressionados durante semanas para dizer se a perda de 18.000 vidas, maioritariamente civis, poderia constituir uma violação do direito internacional, os líderes ocidentais falaram apenas no tempo condicional, acrescentando que não podiam fazer juízos de valor, uma vez que se tratava de uma questão para os tribunais. “Não seremos arrastados para um papel de juiz e júri no meio de tudo isto”, disse recentemente Jake Sullivan, o conselheiro de segurança nacional dos EUA. Grande contraste com as palavras de John Kerry, secretário de Estado dos EUA, em 2016, sobre o papel da Rússia na destruição de Alepo. Ele disse: “É inapropriado estar a bombardear da forma como o estão a fazer. É completamente contra as leis da guerra, é contra a decência, é contra qualquer moralidade comum, e está a custar muito caro”. Ou Biden, na Polónia, no primeiro aniversário da invasão russa da Ucrânia. “Eles cometeram depravação, crimes contra a humanidade, sem vergonha ou compunção. Atacaram civis com morte e destruição. Utilizaram a violação como arma de guerra. Roubaram crianças ucranianas numa tentativa de roubar o futuro da Ucrânia. Bombardearam estações de comboios, maternidades, hospitais, escolas e orfanatos”.

Não se tratou apenas de retórica presidencial. Em março de 2022, o Departamento de Estado declarou formalmente que, com base nas informações então disponíveis, o governo dos EUA considerava que membros das forças russas tinham cometido crimes de guerra na Ucrânia. “A nossa avaliação baseia-se numa análise cuidadosa das informações disponíveis de fontes públicas e de serviços secretos”, afirmou o Departamento de Estado. Num discurso proferido na Conferência de Segurança de Munique, em fevereiro de 2023, Kamala Harris, a vice-presidente dos EUA, reiterou que os EUA tinham determinado formalmente que a Rússia tinha cometido crimes contra a humanidade. “Procuraremos justiça para os crimes de guerra e os crimes contra a humanidade que continuam a ser cometidos pelos russos”, afirmou. Não há muitos equívocos ou deferência para com a autoridade judicial superior. Além disso, a Ucrânia quebrou um impasse no Senado dos EUA relativamente aos crimes de guerra e à sua ambivalência em relação ao Tribunal Penal Internacional, do qual os EUA não são parte. No espaço de semanas, o Senado, sob o impulso do republicano Lindsey Graham, aprovou por unanimidade uma resolução que exigia medidas de responsabilização, tanto a nível internacional, através do TPI, como a nível bilateral.
A resolução que afirmava que “os EUA eram um farol para os valores da liberdade, da democracia e dos direitos humanos” deu origem à Lei da Justiça para as Vítimas de Crimes de Guerra (EUA), que acabou por ser patrocinada por uma coligação bipartidária. A lei alargou drasticamente o âmbito das pessoas que podem ser processadas ao abrigo da Lei dos Crimes de Guerra. Anteriormente, o Departamento de Justiça podia processar crimes de guerra onde quer que ocorressem, mas apenas se o perpetrador ou a vítima do crime de guerra fosse um cidadão dos EUA, um residente permanente legal dos EUA ou um membro das forças armadas dos EUA. A lei alterada permite a acusação de qualquer pessoa presente nos EUA, independentemente da nacionalidade do perpetrador ou da vítima. Simultaneamente, os EUA, na qualidade de membro do Grupo Consultivo para os Crimes Atrozes na Ucrânia, começaram a fornecer ao TPI as suas provas de crimes de guerra, enviando uma equipa de investigadores e procuradores para ajudar o procurador ucraniano, o general Andriy Kostin, “a documentar, preservar e preparar casos de crimes de guerra”. É difícil imaginar uma inversão mais abrangente das atitudes do Congresso.

Em contrapartida, depois de dois meses de destruição em Gaza, o Departamento de Estado dos EUA disse que não vê necessidade de iniciar qualquer exame interno formal sobre se Israel cometeu crimes de guerra, apesar de as armas que tem estado a utilizar terem sido fornecidas pelos EUA e de, segundo algumas contas, terem sido mortos mais civis em Gaza em dois meses do que na Ucrânia em mais de dois anos.

Nem mesmo a notícia de que bombas cegas, não guiadas, foram usadas em quase metade dos ataques israelitas, ou que o próprio presidente disse temer que os bombardeamentos fossem indiscriminados, levou o Departamento de Estado a dizer que sentia a necessidade de conduzir uma investigação formal sobre violações do direito humanitário.

Uma viagem rápida à volta do mundo revela o impacto que isto teve. Os Estados Unidos, quer queiram quer não, correm o risco de se tornarem sinónimo de dois pesos e duas medidas. Udo Jude Ilo, o diretor executivo da Civilians in Conflict, nascido na Nigéria, é apenas uma das inúmeras figuras africanas a lançar um aviso. Disse ele: “Estamos agora numa situação em que a identidade do agressor ou a identidade da vítima determina a forma como o mundo responde, e não é possível manter um quadro internacional de proteção se esta estiver disponível à la carte”. O resultado é o esvaziamento do respeito pelo direito internacional humanitário. Mandla Mandela, neto de Nelson Mandela, disse: Os responsáveis norte-americanos são questionados sobre o uso desproporcionado da força pelo exército israelita em Gaza e a resposta é: “Não vamos falar sobre ataques específicos”. Mas não se trata de uma questão de princípio, tendo em conta as últimas semanas e as últimas guerras em Gaza?”.

A um nível oficial mais sólido, o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Egipto, Sameh Shoukry, disse: “O Sul Global está a olhar com muita atenção para a evolução deste conflito e está a fazer comparações. E creio que está a perder a confiança na viabilidade dos valores que foram projectados pelo Norte Global. Essa é uma situação muito perigosa, porque pode causar o rompimento da ordem mundial.” Luis Inácio Lula da Silva, Presidente do Brasil e Presidente do G20 este ano, disse numa cimeira da Voz do Sul Global, em novembro deste ano, que era necessário “restaurar a primazia do direito internacional, incluindo o direito humanitário, que se aplica igualmente a todos, sem dois pesos e duas medidas unilaterais”. O primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, também ele um ex-preso político, tem denunciado repetidamente a invasão de Putin. “Foi-nos pedido que condenássemos a agressão na Ucrânia, mas alguns permanecem mudos perante as atrocidades infligidas aos palestinianos. Não lhes diz respeito o seu sentido de justiça e compaixão”, queixou-se na reunião de líderes da Ásia-Pacífico organizada por Biden em São Francisco, em novembro.

A administração Biden, com a sua relação única com Israel e a sua cultura política insular, tem por vezes parecido surda. “Diga-me uma outra nação, qualquer nação, que esteja a fazer tanto quanto os Estados Unidos para aliviar a dor e o sofrimento do povo de Gaza”, disse John Kirby, coordenador do NSC para comunicações estratégicas. “Não se pode. Simplesmente não se pode. Os Estados Unidos, através de [Biden], estão a liderar os esforços para fazer chegar camiões, alimentos, água, medicamentos e combustível à população de Gaza (…) e indique outra nação que esteja a fazer mais para exortar os seus homólogos israelitas, os nossos homólogos israelitas, a serem tão cautelosos e deliberados quanto possível na condução das operações militares. Não podeis”.

Ou o embaixador adjunto na ONU, Robert Wood, a percorrer casualmente o seu iPhone enquanto o embaixador palestiniano fazia um apelo apaixonado pela sobrevivência da Palestina. Ou Biden, que num minuto defende Israel e no outro admite subitamente que estão a ser feitos bombardeamentos indiscriminados. São erros não forçados que, em segundos, se propagam por todo o mundo e pelos canais árabes por satélite.

Julien Barnes-Dacey, do Conselho Europeu de Relações Externas, argumenta que os danos causados à posição americana podem, em última análise, ser mais sentidos não no Sul Global, mas no próprio Ocidente. Disse ele: “Esse golpe pode ser sentido mais pelos europeus do que pelo Sul Global. A reação do Ocidente ao que está a acontecer em Gaza e a nossa incapacidade de chamar a atenção para Israel não despertou subitamente o Sul Global para a duplicidade de critérios, mas reconfirmou-lhes o que eles pensam que é o Ocidente. “Se é cidadão do Médio Oriente ou de África, já há algum tempo que sente a duplicidade de critérios, seja através de acordos europeus sobre migração ou de pactos com governos autoritários. Mas este conflito está a forçar um grau de auto-reconhecimento sem precedentes na Europa, o que está a criar um profundo desconforto entre muitos aqui”.

O mesmo acontece na política de esquerda dos EUA, onde, segundo o Pew Centre, 45% dos democratas pensam que Israel está a ir longe demais, em termos militares, enquanto apenas 18% pensam que está a adotar a abordagem correcta. Matthew Duss, ex-conselheiro de política externa do senador Bernie Sanders, disse “Se dissermos simplesmente que essas regras podem ser ignoradas por países de que gostamos ou com os quais temos uma relação especial, não estamos a criar uma ordem baseada em regras. Estamos a criar uma ordem em que o poder faz o direito”.

O que é que se segue?

Putin acha que já sabe. Disse recentemente a um grupo de novos diplomatas: “O mundo está a passar por uma transformação fundamental. A mudança subjacente é que o antigo sistema mundial unipolar está a ser substituído por uma nova ordem mundial, mais justa e multipolar. Creio que este facto já se tornou óbvio para todos. Naturalmente, um processo tão fundamental não será fácil, mas é objetivo e – como quero sublinhar – irreversível”.

Ao tentar dominar a diplomacia em torno de Israel e excluir outros países, Biden mostrou que não entendia o mundo que estava a ser forjado, argumentou. Putin espera que tudo o que tem a fazer é encorajar algumas sanções e esperar pelo dia 5 de novembro de 2024 – dia das eleições nos EUA – quando Donald Trump poderá ser reeleito. A promessa de Trump de “acabar com a guerra em 24 horas” é amplamente vista como exigindo uma perda significativa de território ucraniano para a Rússia.

Para provar que Putin está errado e para se proteger, Biden parece ocasionalmente perceber que precisa que a guerra de Gaza termine e que isso exige o fim do seu apoio incondicional a Netanyahu. Os Estados árabes, por muito que não gostem do Hamas e do Islão político, querem o fim do conflito, tal como grande parte da sociedade civil ucraniana, para quem Gaza foi uma tripla tragédia – desviou a atenção do mundo, desacreditou o conceito de ordem baseada em regras e dividiu o Ocidente, enfraquecendo Biden e a UE.

É compreensível que Zelenskiy tenha assumido a posição inequivocamente pró-israelita que assumiu, mas Timothy Kaldas, diretor-adjunto do Instituto Tahrir para a Política do Médio Oriente, afirmou: “Se defendemos uma ordem internacional baseada em regras, se queremos impedir que os países tomem território com o uso da força, então a Ucrânia não deveria ver-se alinhada com os israelitas”.

Para outros, como Borrell, a preocupação é que as tendências pré-existentes para um mundo mais multipolar, mas menos multilateral, se acelerem. Só as memórias revelarão o quanto as figuras de topo da administração Biden temiam, em tempo real, a escalada dos danos cumulativos na reputação que estavam a ser infligidos não só a Biden, mas também ao prestígio americano.

De momento, dão a impressão de que a administração está a aperceber-se lentamente dos limites da sua capacidade para dirigir não só o resultado desta guerra, mas também a ordem global que se seguirá.

Este artigo foi alterado em 27 de dezembro de 2023. Uma versão anterior referia-se a acontecimentos que “levaram o Departamento de Estado a dizer que sentia a necessidade de conduzir uma investigação formal sobre violações do direito humanitário”. Esta versão foi corrigida para dizer que esses eventos “não levaram o Departamento de Estado …”.

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7 pensamentos sobre “Porque o duplo padrão dos EUA em relação a Israel e à Rússia é um jogo perigoso

  1. Sem dúvida o artigo do choco merece umas respostas quentinhas e já teve umas quantas. Estão todos muito preocupados porque é muito mais difícil tornar coerente o ladrar contra a Rússia quando todas as barbaridades feitas por Israel são vistas como um direito de defesa e só vamos pedindo que se contenham um bocadinho e que os seus sanguinários dirigentes não digam tão claramente ao que vão.
    Porque assim se torna bem mais complicado defender os nazistas ucranianos. E, claro, comparar as ações da Rússia com a sangueira desatada por Israel, o homem só pode mesmo estar a gozar não só com a cara dos palestinianos e da malta do Donbass como com a nossa também. Outro que devia ir ver se o mar dá choco.

  2. Este texto do pasquim de propaganda do império genocidas ocidental é uma perda de tempo. Por um lado, só repete de forma muito tímida aquilo que é óbvio sobre os crimes dos naZionistas e apenas fala que o grande problema para o império genocida ocidental é a “reputação”. Por outro, repete pela N-ésima vez a propaganda pró-UkraNazi com todas as mentiras sobre essa guerra.

    Para quem anda bêbado na MainStreamMerdia ocidental, pode parecer um artigo fora da caixa.

    Para quem se informa bem, como eu, é uma perda de tempo.

    Que estes lunáticos ainda cheguem ao ponto de chamar “esquerda” ao partido do Biden, que se atrevam ainda a repetir a mentira de quê a Rússia não teve justificação para proteger os civis do Donbass vítimas da agressão UkraNazi violadora de Minsk, que ainda vão ao ponto de questionar sequer se as “contas” do genocídio na Palesrina ocupada são mesmo reais e que a única questão é o ponto em que os NaZionistas deviam ter ido ou a partir do qual passa a ser “demasiado”, como se houvesse um “quanto baste” num genocídio, são coisas absolutamente nojentas e razões pelas quais deixei de ler o The Guardian.

    A forma como este lunático ainda elogia o ditador nazi-faacista belicista criminoso de guerra Zelensky, e a forma como fala do circo ocidental do TPI e nunca refere a acusação de genocídio que será julgada pelo mais sério e mundial TIJ, são as duas provas finais para a minha conclusão: a pessoa que escreveu este artigo é um propagandista do império genocidas ocidental, e o seu objectivo neste artigo de verborreia pró-Washington e pró-UkraNazi, é fazer uma limitação de danos junto dos leitores de esquerda do The Guardian que têm uma ligação emocional com a causa da Palestina.
    Nada mais que isto. Nojento.

    Quanto às comparações de Mariupol com Gaza, só pode ser mesmo brincadeira de mau gosto. Num caso, Mariupol estava invadido por UkraNazis desde 2014, a Rússia derrotou-os numa operação militar cirúrgica, e já vai avançada na reconstrução da cidade, sendo simbólico o regresso das comemorações do 9 de Maio, tal como o povo de Mariupol queria, mas não podia na ditadura UkraNazi. E isto tudo em território que é quase 100% anti-Maidan, anti-NATO, anti-UE, anti-Azov, anti-S.Bandera, que deixou de ser democracia e liberdade e paz em 2014, que fala Russo, e está num território historicamente Russo.

    Do outro lado, Gaza é uma cidade em ruínas, terraplanado pelos invasores, cuja posição de partida eram os territórios circundantes de Gaza, também eles Palestina ocupada há quase 80 anos. Uma agressão feita por uma ditadura racista, um brutal Apartheid, cuja motivação se divide entre o extremismo religioso dos naZionistas e as ambições imperialistas dos EUA, seus fornecedores de armas para um genocídio em curso, temperado complavaras Hitlerianas de ministros naZionistas que dizem que a invasão é permanente, a destruição deve ser total, que os sobreviventes devem sofrer uma limpeza étnica, e que nos local doa escombros devem.ser construídos colonatos ilegais para serem havitados por invasores de dupla-nacionalidade vindos dos EUA e Europa, numa forma de NeoColonialismo que faz lembrar como os ingleses chacinaram e subatituíram todas as nações índias da América do Norte.
    Absolutamente nojento.

    Se estes lunáticos e presstitutas ocidentais falassem disto assim, com liberdade de expressão real e com coragem e honestidade intelectual, a parte em que falam do “Putin a aproveitar a conjuntura” da mudança da ordem Mundial, já lhes seria óbvia há muito tempo, tal como é para mim.
    O Mundo vê tudo isto, vê a RT (censurada na ditadura fascista da UE), vê a TeleSur, a CGTN, a AlJazeera, etc. O resto do Mundo não está com o cérebro feito em papa pela CNN, FOX, BBC, Euronews.
    O resto do Mundo tem aliás uma posição bem diferente nas votações da ONU do que neste texto propagandístico foi dado a entender. Ninguém quer sanções ilegais contra a Rússia, pois todos percebem o que a Rússia está a fazer. Exemplo mais óbvio de todos: a Sérvia não deixou a Rússia isolada quando condenou a guerra. A Sérvia continua a ser aliada da Rússia (e após o recebte golpe ocidental falhado, ainda mais) e votou contra a guerra porque era essa a posição politicamente correcta, e porque a Sérvia está cercada (e invadida) pela NATO. Outros países, sabe a Intelligence Russa, votaram assim ou assado por pressão, corrupção, ou ameaça mesmo, do império genocidas ocidental.
    A cereja no topo do bolo é que este avençado da propaganda do império genocidas ocidental se esqueceu de uma votação na ONU em que o ocidente ficou isolado, e aí sim isolado, pois o voto foi por real convicção: a condenação da glorificação do nazismo. EUA e UkraNazis, sozinhos, votaram a favor do Nazismo. E os vassalos ocidentais que noutros anos votavam ao lado do resto do Mundo (Rússia incluínda) passaram a abster-se. O Mundo viu isto. Não foi o Putin que se aproveitou. Foi o império genocidas ocidental que deu um tiro nos pés e mostrou, pela N-ésima vez, a sua real cara: brancos, judaico-cristãos, que vivem bem com a morte dos outros, e até às mães e as almas vendiam se isso contribuísse para os objectivos do imperio genocida ocidental.
    Quem ilegaliza a comemoração do Dia Da Vitória a 9-Maio, e apoia Nazis, está total e absolutamente do lado errado da história.

    Força Rússia. Força 100 mil tropas ex-Ucranianas que defendem a sua casa e família no Donbass, vestindo fardas Russas.
    Força Hamas, movimento de libertação da Palestina ocupada, criado várias décadas após o início da agressão genocidas dos naZionistas iniciada em 1947.
    Força Cuba. Força Venezuela. Força Irão. Força Iémen. Força Sérvia. Força África do Sul. Etc. Força minoria ocidental que sabe quem é o verdadeiro inimigo da humanidade.

    Quem é imperialista genocida, apoiante de UkraNazis e naZionistas, não tem lições nenhumas a dar ao Mundo. Só tem é que ser combatido e derrotado.
    E todos os outros devem estar unidos independentemente das gigantescas diferenças. É isso que distingue o Mundo Multipolar. Um Mundo onde cabem todos, cada um com os seus regimes políticos, sistemas económicos, e conjunto de valores únicos. Não um império global onde todos têm de obedecer às ordens de Washington, e serem obrigados, com muita propaganda ou à força, a ter a mesmíssima ditadura da “democracia” Liberal, do Capitalismo Facho-NeoLiberal, e do Wokismo.

    Termino parafraseando um jornalista Israelita, cujo nome agora não recordo (peço desculpa por isso), e cuja frase que li hoje no Telegram diz tudo:
    se os israelitas acham que estão no seu direito de defesa e que esta matança se justifica por causa de um 7 de Outubro, o que será então o direito justificado dos Palestinianos após quase 80 anos com 7 de Outubros diários?
    Eu respondo: arma nuclear a fazer Tel Aviv desaparer do mapa, só para começar, a reversão total do colonialismo naZionista e destruição do estado de Israel, e o bombardeamento massivo de todas as capitais dos países apoiantes do projecto naZionista, com 100 mortos ocidentais para cada morto Palestiniano no total da história da invasão naZionista iniciada em 1947. Seria essa a proporcionalidade. Façam as contas!
    E no entanto, aquele povo desgraçado não pede isso. Apenas pede um cessar-fogo, e o Direito Humano a existir onde sempre existiu.

  3. Digamos que os ucranianos não atacaram um festival de música porque em muitos sítios do Leste da Ucrânia garantidamente já ninguém se atrevia a fazer tal coisa. Porque era bomba certa. Mas até havia quem fizesse safaris onde se ia matar russkies.
    Mas os bombardeamentos eram quase diários e a partir de 16 de Fevereiro estava a ser um fartar vilanagem e os nossos presstitutos, a partir de dia 20 começaram a dizer que se tratava das populações locais a festejar com fogo de artifício o facto de o presidente russo ter reconhecido a sua independência da Ucrânia.
    A isto chegou a canalhice. A Rússia parou às portas de Kiev por ter acreditado que nos ainda íamos negociar com eles.
    Mas o que se seguiu foi a encenação de um massacre em Bucha onde os assassinos nem se deram ao trabalho de tirar as braçadeiras brancas que indicavam proximidade com a Rússia dos braços dos fuzilados.
    A guerra continua porque as elites se estão nas tintas para nos e nenhum membro da elite vai passar frio por os preços terem subido graças a subtração das energias russas. E também porque essas elites ainda acreditam na destruição da Rússia pelos novos nazis pois que era isso que nos vendiam em Fevereiro de 2022. Os oligarcas tratariam de liderar bandos de esfomeados num assalto ao Kremlin e o fim do Putin seria o do Kadhafy.
    Comentadores falavam numa crueldade russa que tornaria os russos uma especie de subhumanos que não tinham os nossos valores. Por isso a sua morte era uma necessidade imperiosa e o ódio era tanto que havia quem defendesse o banimento dos russos da face da terra. Sem falar de deportar para a Rússia quem não defendesse o grotesco palhaço. As nossas armas maravilhosas levariam os heróicos descendentes dos vikings a vitória.
    Entretanto a guerra pastelou e noutra frente as acções de um pregador do genocídio tornaram se insuportáveis e obscenas. Uma resposta a bruta deu ao homem o pretexto de que estava a procura desde os anos 80 do Século passado. O que não significava que antes de 7 de Outubro a, soldadesca Israelita já não andasse a cevar a sua selvageria na Cisjordânia e em Gaza. Porque o homem disse logo ao que ia mas os israelitas acharam boa ideia voltar a votar nele e num bando de fanáticos religiosos ainda piores.
    E claro, torna se muito complicado continuar mos a acusar a Rússia de crimes quando fomos de romaria a Israel quando Gaza já estava a ser indiscriminadamente bombardeada.
    Pouca gente com um mínimo de sentido de humanidade conseguiu perceber o que é que o medonho estantarte que é a bandeira Israelita estava a fazer no Castelo de São Jorge quando as vítimas em Gaza já somavam dois milhares e os dirigentes israelitas falavam abertamente de inferno e expulsão, leia se prometiam um genocídio em regra.
    Mas esta gente muito preocupada com os ucranianos, no caso do massacre dos palestinianos não só em Gaza mas também na Cisjordânia vinha com a conversa do direito de defesa de Israel.
    Mas a Rússia tinha de deixar os nazis crescer a sua porta e até ter armas nucleares.Sem falar em massacrar a população de falantes de russo que no dizer da nossa gente muito solidária se não queria viver sob o domínio dos nossos valores com muito de nazi devia simplesmente abandonar as suas terras ancestrais e ir para a Rússia. Como agora acham que os palestinianos devem ir para qualquer pais árabe que os queira receber ou até para o deserto do Sinai, como quer Israel.
    Barbaridades ucranianas como atar gente a postes e pintar lhe a cara com verde Schelle, altamente cancerígeno, também foram vistas como um legítimo direito de defesa contra supostos pro russos. Sendo que por lá para ser pro russo basta não querer ir deixar a pele nas estepes.
    Se tivessemos realmente alguma solidariedade com a Ucrânia nunca os teríamos metido numa guerra por nossa conta. Uma guerra que a Rússia não pode nem quer perder sob pena de voltar a miséria negra dos anos Yeltsin que lhes custou uns cinco milhões de vidas. Mortos de fome e de frio.
    E os ucranianos tinham obrigação de saber mais e ver porque é que a mesma gente que pos os homens na construção civil e nos campos em condições de exploração desoladoras e as mulheres em casas de putas, nos anos da, emigração em massa, e agora tão boazinha e solidária em dar lhes armas. Mas o ódio é uma força cega e eles irão continuar até ao último ucraniano. Como a Alemanha nazi.
    Irão tamvem atacar civis sempre que puderem, e para isso contam com os F 16, mas se for a Russia a atacar aí Jesus.
    Já os israelitas podem matar a vontade aqueles muçulmanos pretos de que não gostamos. Se alguns até são cristão e também são mortos e só um detalhe.
    E sim, já na Síria ladramos contra a Russia quando a Rússia começou a bombardear a sério o estado islâmico, em vez de, por engano, claro, forças do exército sírio, abrindo caminho ao avanço de bandidos que massacravam cristaos e gente muçulmana com vergonha na cara.
    E agora continuam a ocupar parte do território sirio, roubando petróleo e cereais, pondo em causa a reconstrução do país, enquanto Israel de vez em quando bombardeia umas coisas para mostrar ao governo sirio que isto ainda não acabou. Que não vamos desistir de dar ao Assad o destino do Kadhafy.
    Genocídio, guerra, saque, roubo, são estes os nossos valores. Não admira que países do sul global como a África do Sul se riam desses valores.
    E quem duvida quais são vá ver o que passou o primeiro presidente do enclave do Botswana nas unhas dos ingleses, incluindo o ainda hoje endeusado Churchill. De racismo também esses valores se fazem e tanto o sofriam os negros como até os brancos que não eram racistas.Alguém que se ponha nos sapatos de uma mulher branca em África a espera do marido condenado pelo porco gordo a exílio perpétuo em Inglaterra. Na terra que é a sua.
    Por isso não admira que, andemos armados em solidários com os ucranianos e nos estejamos nas tintas para os palestinianos desde 1947. Embora da nossa solidariedade nos livre Deus que eu não queria que, agora quisessem destruir Espanha e nos andassem a armar para lutarmos com Espanha a tentar matar o maior número de espanhóis possível, até ao último português.
    Mas nos are mandamos cuecas femininas camufladas para que a luta seja também até à última ucraniana. É ainda querem que achemos isto normal.

  4. Em 2024 podemos esperar os piores cenários: guerras, crises e “Cisnes Negros”!

    Nunca houve tantos factores de risco num só ano, em todas as frentes (económica, financeira e geopolítica, e em todos os continentes). Infelizmente, penso que vai rebentar um conflito de grandes proporções, quer do lado do Mar Vermelho, quer no Sudeste Asiático, com o conflito russo-ucraniano a arrastar-se e a precipitar o fim da UE tal como a conhecemos,porque uma coisa que aprendi sobre os humanos ,é que eles são auto-destrutivos.

    A dívida dos EUA (24 biliões) e as eleições americanas estão a revelar-se um enorme ponto negro com consequências imprevisíveis.

    2024 vai ser uma catástrofe??? Realmente é muito provável, e se não for 2024 não dou 3 a 4 anos sem grandes conflitos em muitos cantos do mundo.

    Se houver uma coligação oficial Coreia do Norte-Rússia-Irão-China e seus aliados para confrontar a coligação Europa-EUA-Israel… talvez isso criará guerras no ocidente que está atualmente a sufocar o resto do mundo com a sua hegemonia agressiva em favor de outra que, sem ser angélica, será pelo menos mais benigna para o resto dos povos do mundo … Em qualquer caso, parece que estamos a assistir ao início deste inevitável confronto!

    Os Brics querem derrubar o Ocidente (mas não todos)!

    Também temos que substituir a palavra “Ocidente” por EUA. E esta nuance não é de todo pequena. Os países europeus que tiveram a audácia de fazer frente aos EUA (a França durante a segunda guerra do Iraque, que sabia que não existiam armas de destruição maciça graças aos seus satélites de observação, a Alemanha quando Merkel criticou Trump por causa do gasoduto Nordstream, etc.) foram imediatamente punidos, nomeadamente através da extraterritorialidade da lei americana. O BNP e a Volkswagen e muitas outras empresas francesas e alemãs sofreram com isso.
    A Alemanha e a França submeteram-se. A Europa está agora totalmente vassalizada. Os BRICS não querem seguir este caminho.

    Numa altura em que a Europa está a tentar criar o sistema Galileu, os correspondentes dos EUA avisam que estão prontos a destruir quaisquer satélites europeus que possam competir com o seu próprio sistema
    não se trata, de facto, de uma aliança.

    Desde dezembro que Rússia e a China não negoceiam em dólares, ou negoceiam apenas uma pequena fração. A China viu a utilização da sua moeda em reservas disparar nos últimos meses… e está a caminho de se tornar a 5ª maior moeda comercial. Outros países, incluindo a Venezuela, juntar-se-ão aos Brics+ no próximo ano. O dólar já não é utilizado a 60%, mas a cerca de 55%. A Rússia está a desenvolver as suas relações com vários países africanos, fazendo recuar a Europa.

    A Rússia e a China têm líderes demasiado inteligentes para o quererem fazer (os outros membros também o fazem, mas, além disso, não o poderiam fazer). Tanto a Rússia como a China sabem que forçar a desdolarização nas condições actuais teria consequências desastrosas para a economia mundial e, portanto, também para eles. Os Brics nunca deixaram de repetir que o mundo já não deve ser visto em termos de hegemonia dos mais poderosos, mas em termos de partilha equitativa e de direito ao desenvolvimento para todos. Isto é difícil de imaginar e de acreditar para os ocidentais, que durante séculos travaram batalhas sangrentas com os outros e entre si para conquistar uma posição dominante que lhes permitisse subjugar os seus concorrentes. Basta ver como os Estados Unidos se impõem à Europa, sem qualquer consideração pela sua economia ou pela sua estabilidade política e social.

    Perante isto e muito mais poderemos esperar um grande “Cisne Negro” e guerras.

    “A teoria do Cisne Negro, desenvolvida pelo cientista Libanês Nassim Nicholas Taleb, com referência à descoberta de cisnes negros na Austrália no século XVII, uma espécie desconhecida nos países ocidentais, argumenta que eventos extremamente raros e imprevisíveis podem ter um impacto desproporcional em nosso mundo. Este conceito, aplica-se ao sector financeiro, refere-se ao facto de imprevistos de natureza económica, social ou geopolítica, impossíveis de prever, poderem provocar,guerras e quedas súbitas nos mercados”.

    Não há medida ou racionalidade num cisne negro.
    E, no entanto, vivemos numa época de negação tal que a lista não pára de aumentar. Entre bolhas especulativas, tensões internacionais, perturbações ecológicas e económicas, esgotamento de recursos e novas tecnologias imprevisíveis, já não sabemos para onde vão as mudanças – embora as nuvens sejam bastante escuras.

    A” guerra na faixa de Gaza”, o” covid”, a” Ucrânia “são talvez” cisnes negros ” vistos pelas pessoas, que vivem permanentemente na ignorância. Mas,do meu ponto de vista não têm nada imprevisto.
    Foram perfeitamente concebidos, planeados e executados.

    O Cisne Negro Chinês com os Brics++ está no horizonte a queda do $. Será o choque de Pânico de Wall street.

    A UE não está à altura das necessidades úteis e necessárias para crescerem harmoniosamente com os BRICS. A UE vai continuar com as suas intenções agressivas em relação à Rússia com os EUA, a menos que os democratas sejam depostos em breve. A UE como estado federal não será realizada tendo em conta as divergências actuais. Esta perspectiva já sugere obstáculos intransponíveis, a menos que a força seja utilizada. Mas lá, será a guerra na Europa com os EUA como espectadores que terão muito a fazer para restaurar a ordem em casa após o período destrutivo de Clinton, Obama e Biden. Esperem e vejam!

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