Depois das infelizes declarações sobre os casos de pedofilia na Igreja – em que tentou minimizar a sua gravidade, colocando a tónica na quantidade por comparação com outros países -, o comentador-mor do reino, Marcelo Rebelo de Sousa, veio hoje com um número de malabarismo comunicacional para tentar limpar a face perante o país.
É que não se fala de outra coisa. Até o Zelensky perdeu o brilho e Marcelo considerar que 400 casos documentados de pedofilia na Igreja “não é assim tão mau”, fere a consciência de qualquer cidadão bem formado, crente ou não crente, católico ou não católico.
Marcelo fala várias vezes ao dia, sobre tudo e mais alguma coisa. Sobre o orçamento, sobre as incompatibilidades dos membros do Governo, sobre a guerra, sobre os gasodutos, surgindo como uma espécie de 1º Ministro de um governo-sombra e criando dificuldades insidiosas ao governo real e legítimo de Costa. Até Montenegro, legitimado líder da oposição, tem dificuldade em acompanhar tamanha verborreia.
Só que, no caso da pedofilia, não se tratou de atazanar o governo mas sim de branquear os crimes dos seus amigos da Igreja, que frequenta desde o berço. Uma atitude à moda do Chega. Também Ventura cai em pecadilhos semelhantes: propõe a castração química para os pedófilos mas se o pecador for bispo nem um grilo ele se atreve a querer capar! Parece que a água benta tem poderes miraculosos e santifica a ignomínia e a pila dos paramentados.
Ora, depois de várias correções às controversas declarações produzidas sobre a pedofilia, em que se foi “enterrando” cada vez mais, Marcelo – em queda óbvia de popularidade -, só tinha uma forma de tentar fazer – se é que tal ainda é possível -, alguma contenção de danos: tirar do 1º plano as infelizes declarações e a sua envolvente. Para o conseguir só produzindo outras declarações que, de tão bombásticas, retirassem espaço mediático às primeiras.
E elas aí estão. Marcelo elogia Passos Coelho e o governo da troica! Na cerimónia que assinalou o início das comemorações do centenário de Agustina Bessa Luís, Marcelo discursou – e deve ter mandado vir Passos Coelho para a primeira fila – para ter o ensejo de dizer que o país ainda “deve esperar muito do contributo” do antigo primeiro-ministro (ver notícia aqui). Longe vá o agoiro.
Um governo de má memória, que cortou salários, direitos e pensões e que fez o país retroceder décadas é elogiado por Marcelo como se fosse um governo que nos tivesse trazido o reino do mel e da ambrosia. Quer-nos, pois, o propagandista mor fazer crer que esta declaração bombástica é muito pior do que aquela que produziu sobre a pedofilia na Igreja. Entretenham-se, ó papalvos, ataquem-me agora e digam que estou a ressuscitar o Passos e o seu defunto PSD – até está -, mas esqueçam lá essa história dos pedófilos. A isto, chama-se, em técnicas de comunicação uma manobra de diversão.
Meu caro, Marcelo. Como diz o povo: “quem não te conhecer que te compre”. O que devias falar era da fome e da miséria que por aí já grassa e que vai aumentar, com as políticas seguidistas do governo de Portugal face à União Europeia, no dossier da guerra da Ucrânia e na política de sanções à Rússia. Sobre isso nada dizes e subscreves os absurdos. Como a história ridícula de não termos helicópteros para apagar os fogos – por falta de manutenção devido às sanções à Rússia -, tendo agora que os “oferecer” à Ucrânia o que é o cúmulo do ridículo: então a Ucrânia já pode comprar peças para a manutenção dos helicópteros à Rússia e nós não?! Porque não falas sobre isto?
E sim. Sanções à Rússia ou sanções a nós próprios e aos países europeus? Quando tivermos que pagar 5€ por um litro de gasolina, com as empresas a fecharem por custos de energia incomportáveis, o desemprego a atingir taxas a dois dígitos, a fome a alastrar como um vendaval, e os nossos filhos a serem chamados para uma guerra que não é nossa, estaremos a aplicar sanções à Rússia ou a aplicar o garrote à nossa própria sobrevivência enquanto país e enquanto povo?
O rei vai nu, dizia a criança do conhecido conto de Christian Andersen. O Presidente também vai nu. Os afetos são só para as selfies, os beijos para as fotografias que geram a empatia dos eleitores menos avisados. Se Portugal fizesse fronteira com a Rússia e fosse um entreposto da NATO numa guerra por procuração tu serias o nosso Zelensky. Acho que ainda farias melhor que ele. Ele que ainda tem muito que aprender contigo.
Esperámos tranquilamente um ano pelos resultados do trabalho da Comissão Independente para o Estudo de Abusos de Menores na Igreja e um ano depois, cumprindo o prazo fixado, a Comissão registou 424 testemunhos ao longo de muitos anos, dos quais apenas 17 foram encaminhados para o Ministério Público, por constituírem crimes não prescritos, cujos autores e vítimas estão vivos. Mas a Comissão não se deixou iludir e nós também não: os crimes foram incomparavelmente mais, reflectindo uma atitude “endémica” de abusos de menores dentro da Igreja Católica portuguesa e a sua ocultação a partir de cima ao longo de décadas.
Ao contrário de Marcelo Rebelo de Sousa, que se precipitou a saudar os números pouco “elevados” apurados pela Comissão — e, com isso, aliviar a responsabilidade da Igreja —, nós percebemos que isto é apenas a ponta do icebergue de uma estrutura sinistra e submersa, que durante décadas guardou dentro de si um segredo vergonhoso, ocultando-o dos fiéis, da sociedade e das autoridades. Protegendo os seus criminosos, como as máfias fazem.
Hoje sabemos que, dentro da hierarquia da Igreja, a nível intermédio e a nível superior, houve homens com responsabilidades que, sabendo de casos concretos, não se limitaram a olhar para o lado: ignoraram as queixas das vítimas, esconderam-nas dos olhares públicos ou, no melhor dos casos, encerraram o assunto com discretos “inquéritos verbais”, que se desvaneceram sem rastro nem consequências. Não têm perdão nem aos olhos dos homens, nem aos olhos de Deus. Mas, sobretudo, não têm perdão aos olhos das vítimas, dos que sofreram às mãos dos criminosos que eles protegeram e de que foram cúmplices no mais ignóbil dos crimes.
ILUSTRAÇÃO HUGO PINTO
Pessoalmente, não consigo conceber nenhum crime que me cause mais repúdio — pela cobardia dos seus autores e pelas consequências para as vítimas — do que o abuso sexual de menores. Que ele, ainda por cima, seja cometido por sacerdotes, a quem a fé de muitos confere uma confiança acrescida para se ocuparem da educação e do acompanhamento espiritual de crianças, torna as coisas particularmente repugnantes. E não é indiferente, antes agravante, que as taras sexuais dos padres se exerçam sobretudo sobre os rapazes à sua guarda e que, no contexto socioeconómico histórico português, tenham sido obviamente as crianças mais pobres a sofrerem as sevícias destes tarados e os seus pais a serem os mais impotentes para enfrentar a cumplicidade da hierarquia católica. Não, não há perdão algum para isto: foram décadas em que milhares de crianças indefesas pagaram na pele e na alma, e para a vida inteira, o preço da absurda regra da castidade do sacerdócio.
Não foram todos os padres ou nem sequer a maioria? Claro que não. Mas duvido muito que, naquele mundo submerso e mais temente às aparências do que a Deus, houvesse quem ignorasse o que se passava ou não desconfiasse o suficiente para abrir a boca. Quando ouvimos o que diz o diletante bispo do Porto, Manuel Linda, percebemos bem o que se passou, como se passou e porque se passou. Quer estivesse a mentir sem pudor, quer revelasse uma indecente ignorância sobre o assunto, quando ele diz que o crime de abuso sexual de menores não é um crime público, o que ele no fundo quer dizer é que acha que não é uma coisa assim tão grave. Como as carícias a crianças do violador e assassino de menores padre Frederico, protegido pelo ex-bispo do Funchal, que “não foram assim tão íntimas”. Fosse ele um governante ou titular de um cargo público, Manuel Linda já teria sido corrido de funções por não dar garantias mínimas de poder desempenhar o cargo com respeito pelas regras de comportamento moral de uma sociedade civilizada. Mas, em vez disso, vai continuar aí, a benzer pontes e a celebrar missas, como se o Deus que invoca lhe tivesse perdoado e o quisesse como exemplo.
2 Terminadas as férias e desaparecido o grosso dos turistas, o Sotavento Algarvio começou a enfrentar episódicos, mas sucessivos, cortes de água nas torneiras. Não se trata de avarias nem de obras em curso, mas de “cortes programados” e anunciados no Facebook, para quem é freguês da coisa. Trata-se de uma situação normal — o novo e futuro normal — quando a seca se prolonga e a barragem de Odeleite, responsável por metade do abastecimento de água ao Algarve, está a 20% da sua capacidade e a de Odelouca, a segunda mais importante, a 17%. O que não é normal é que o Conselho Nacional da Água, reunido pela primeira vez ao fim de três anos de seca, em lugar de se ocupar com projectos de dessalinização ou medidas para poupar água — como reparar as fugas nas canalizações agrícolas, impor a obrigatoriedade de utilização de águas residuais para regar golfes, jardins públicos, etc., ou suspender de imediato a contínua expansão de culturas agrícolas exóticas de alto consumo de água —, tenha optado exactamente pelo caminho oposto: como gastar mais água. Os chamados “produtivistas”, de braço dado com o Ministério da Agricultura, ao contrário de todas as previsões, confiam em que vêm aí grandes anos de chuva, para os quais é preciso estarmos preparados, construindo mais barragens e aumentando a capacidade das existentes. Até lá, querem avançar para a solução espanhola dos transvases de água do Norte para o Sul — com o pequeno contratempo de os espanhóis terem justamente acabado de suspender as descargas de água para o rio Douro.
Há um ponto até ao qual se podem discutir as políticas e, mesmo quando temos a certeza de estar certos ou errados, pode-se continuar a discutir. Mas se estamos a discutir a falta de água e se abrem as torneiras uma e outra e outra vez, e durante 24 ou 36 horas nada jorra, o que há para discutir?
3 Na última Revista do Expresso vinha uma surpreendente história de um casal lisboeta “muito bem”, muito família, muito católico, muito ansioso por “partilhar”, muito empenhado na “excelência do ensino, conjugando a grandeza de Portugal com a tradição cristã”, através dos alunos dos Colégios Planalto, Mira Rio e S. Tomás. Enfim, a fina flor da Opus Dei — uma opção legítima e um modelo para quem se revê nos valores da santíssima agremiação. Mas o que tinha a história de surpreendente? Isto: o casal tem um Van Dyck em casa, que lhe custou “uns milhões não revelados”, a par de uma “importante colecção de centenas de quadros de mestres antigos”. Os quadros estão em casa, mas, obviamente, não lhes pertencem, pertencem a uma fundação, que, essa sim, é deles: um clássico. Surpreendente é que o casal exponha assim as paredes da sua casa: normalmente, estas coisas não se revelam — há os ladrões e o Fisco, apesar da fundação. Então, qual é a ideia? Pois, aqui chegado, o leitor já deve ter percebido, tal como eu logo percebi: o casal não tem onde guardar as suas centenas de quadros dos mestres e espera que o Estado lhe resolva o problema — outro clássico. Lá fora, os verdadeiros mecenas, os verdadeiros coleccionadores, quando se vêem nesta situação, fazem uma de duas coisas: ou oferecem o que querem e lhes sobra a museus já existentes ou fazem um museu a expensas suas e metem lá os quadros. Mas aqui os nossos “mecenas” têm outra solução: eles acumulam e o Estado resolve-lhes o problema, arranjando-lhes instalações e pagando as respectivas despesas de funcionamento — Casa das Histórias Paula Rego, Colecção Berardo, Fundação Saramago, etc. É claro que, no caso concreto, a solução para o problema do casal está mesmo à vista: o Museu Nacional de Arte Antiga, se a colecção valer mesmo a pena. Mas essa, dizem eles, “não é a solução ideal, o grande desafio é mostrar a colecção ao público” (parece que o MNAA não mostra os quadros ao público).
Mais surpreendente ainda, a história terminava com o ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, a declarar o “interesse por parte do Estado” em juntar-se a tão comovente história de “partilha”. Com o seu dinheiro, sr. Ministro?
Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia
Sr. Z em Liman, ou será em Kharkov? Ou talvez em Kiev?
A entrevista de Jack Keane à cadeia de televisão FOX News, constitui um exemplo emblemático da falácia do “Golias, O Conquistador”, o qual, aproveitando-se da fraqueza de “David, O Libertário LGBT+”, decide entrar em casa alheia sem ser convidado, provocado ou assediado.
Jack Keane, não é um zé-ninguém qualquer, daqueles comentadores de Facebook… Não! Jack Keane sabe do que fala. Afinal é só ex-Chefe do Estado Maior Conjunto dos EUA, que aconselha o Departamento de Defesa, o Conselho de Segurança, etc. Trata-se, ainda, de um General de 4 estrelas, e, portanto, teremos de assumir que o que ele diz à FOX é mesmo assim. Até porque bate certo com todos os outros indícios, históricos e hodiernos, bem como com os desabafos já veiculados por outros conselheiros, congressistas e secretários de estado da Casa Branca. O vídeo pode ser visto aqui. Pena é estar em inglês, mas com a tradução simultânea dá para perceber o que ali é testemunhado.
Então, o Major General Jack Keane, disse á cadeia Fox, mais ou menos que, o Partido Republicano está sempre muito preocupado com as contas, mas, desta vez, a Casa Branca fez um ótimo “investimento” de “66 biliões de dólares”. E sublinhou “investimento”, porque com uns meros 66 biliões de dólares lograram “comprar” o país do Sr. Z e assim libertar o governo estado-unidense de uma despesa de triliões. E, acrescentou que, com esse “investimento”, em vez de termos militares do seu país a morrer a combater o inimigo, passámos a ter os jovens do país do Sr. Z a fazê-lo.
Precioso testemunho, este. Se depois disto, ainda houver quem acredite na falácia que visa alinhar, contra ESTA guerra, todos os que estão a favor de TODAS as outras, e perseguir, por sua vez, quem está, sempre e continuadamente, contra TODAS as guerras SEM EXCEPÇÃO, é porque chegámos ao plano da religião ou do futebol, e nesse plano, já não discuto.
Este caso é paradigmático sobre a forma como foi montada toda uma estratégia de relações públicas que visou, sobretudo, arrastar a opinião pública ocidental para um quarto fechado e escuro, negando, atacando e rejeitando tudo o que esteja para lá desse cubículo.
Peguemos noutro exemplo, para percebermos como funcionam estas falácias, cuja superficialidade atroz nos estarrece, tal a facilidade em serem desmontadas, demonstrando, por isso mesmo, o nível de alienação em que colocaram as pessoas mais incautas, desinformadas ou religiosas, em relação à corrente política dominante.
Ontem, as Tv’s falavam de um ataque russo a Adiivka, que vitimou 7 civis inocentes. Não tenho dúvidas de que terão morrido inocentes, pois a guerra é mesmo assim. Não sou dos que acho que as guerras do Ocidente só matam gente má e culpada, como estou certo de que as bombas russas também matam gente inocente. Mas, na CNN dizia-se que a explosão fora provocada por um míssil proveniente de uma defesa antiaérea.
Perante o paradoxo (apenas aparente, diga-se) de um míssil terra-ar atingir um alvo em terra -para mais, tratando-se de um míssil antiaéreo, usado para efeitos defensivos, que atingiu uma cidade sob o domínio do Sr. Z, concretamente a cidade que no Donbass reúne os postos de comando mais importantes dos AZOV e das FAU -, o que fez o comentador de serviço?
O comentador engendrou uma explicação brutalmente contraditória que jogasse com a acusação vinda de Kiev. Ou seja, não foi verificar o que aconteceu realmente, dada a estranheza (nada isolada, aponte-se) do acontecimento. Então, este grande obreiro da desinformação explicou, o que aconteceu: o exército do Sr. P, como está com falta de misseis de longo alcance, decidiu começar a usar mísseis terra-ar, provenientes de complexos de defesa antiaérea, mas destinados a alvos terrestres. E, continua o “cartilheiro”, dizendo que “estes mísseis, como se sabe, são menos precisos” e, concluiu com “isto marca uma nova fase na ofensiva caracterizada pela falta de armas de precisão”.
Bem, à parte a barbaridade de haver gente desta num serviço deste tipo, o que aconteceu, logicamente, e em linha com o que temos visto, e, aplicando o princípio de Occam, segundo o qual a explicação mais simples, normalmente, tende a ser a correta, é que, desde o início, as forças do Sr. Z, como forma de potenciarem o número de vítimas, para efeito de guerra da informação, colocam as baterias antiaéreas dentro das cidades.
Ao contrário do que mandam as regras, os sistemas de defesa aérea devem estar em locais desabitados, para, precisamente, não acontecerem este tipo de acidentes. Contudo, como o Sr. Z sabe (mas não o assume), as tropas do Sr. P têm mostrado contenção na hora de bombardear zonas urbanas, especialmente em comparação com as intervenções no Iraque ou na Palestina. Daí que, o Sr. Z, mande instalar estas coisas no meio das cidades, camufladas, pois sabe que aí mais dificuldade terá o inimigo em destruí-las. Contudo, sempre que têm de ser usadas – e neste caso foram usadas contra drones Geran-2 -, das duas, uma: ou intercetam o alvo aéreo, ou ficam à deriva e caem num local mais ou menos aleatório. É isto que temos visto acontecer desde o início desta guerra. Até porque, se as defesas antiaéreas são colocadas para defender um território que está dentro da área de intervenção, como raio é que um míssil antiaéreo do Sr. P cairia a dezenas de quilómetros da sua área de intervenção. Depois, existe um vídeo filmado por um civil de Adiivka que mostra o míssil a falhar o drone e a voltar para… Isso! Para o chão!
Depois, eu não sou militar, mas estes mísseis terra-ar são dirigidos a alvos móveis, sendo disparados para uma trajetória que intercete o alvo em movimento. Logo, como poderiam ser usados para alvos estáticos e logo em terra? E o que é que a precisão tem a ver com isso? Até porque, não sendo eu entendido, estes mísseis até devem ser bem precisos, porque senão não cumprem a sua função de defesa, certo? E, segundo tenho lido, o mais difícil é atacar alvos em movimento e estes mísseis fazem-no. Logo… Já viram o disparate que o tipo estava a dizer, só para justificar a aldrabice, mais uma!
Mas, esta questão do exército do Sr. P não ter munições, é outro disparate. E os bombardeamentos dos últimos dias demonstram-no com toda a evidência. Ao que consta nos próprios canais ucranianos, a noite passada foi mais uma em que infraestruturas importantes foram atacadas pelo exército do Sr. P. Ora, partindo do princípio de que os órgãos informativos “livres” não nos enganam deliberadamente, devemos questionar como é que o o Sr. P bombardeia sem munições. Temos de admitir que é um bocado estranho.
O site de política internacional Moon of Alabama fez uma lista (ver aqui) das notícias veiculadas pela imprensa “independente”, “livre” e “credível”, sobre o esgotamento iminente de munições ao dispor do exercito do Sr. P.
Desde a Reuters, Financial Times, o Moscow Times (é americano, e não, não foi encerrado!), Jerusalém Post, Daiy Mail, the Sun, Newsweek, Business Insider, todos, mas todos, desde Março do corrente ano, recorrem a especialistas do topo da hierarquia militar dos nossos dominadores “aliados”, para jurarem, a todos os santinhos, pela família e filhos, que o Sr. P já só tem pólvora seca, ao seu dispor. Nem é preciso dizer, o quantas vezes as nossas “livres” TV’s, Jornais e Rádios, reproduziram estas afirmações, nunca as contradizendo, ou, pelo menos, verificando junto de fontes diversas e realmente independentes, se tal seria verdade ou não.
Todos estes casos, a par das constantes “visitas” do Sr. Z à linha da frente, mostram-nos como, cada um dos lados, combate esta batalha, usando estratégias totalmente diversas. Uns trabalham para a fotografia, outros trabalham para dominar, de facto.
Exemplo disto mesmo é o que alguns militares americanos (russos, chineses e europeus também) têm referido a respeito da estratégia russa. O objetivo de desmilitarização do exército do Sr. Z, segue os princípios doutrinários das grandes vitórias do passado. Pode destruir-se o inimigo indo contra ele, mas isso obriga a recursos infindáveis e, sobretudo, a maior mortandade de tropas. A outra hipótese é o que fizeram com Napoleão ou na 2ª grande guerra. Estabilizam as linhas de defesa, fortificam-nas e criam uma barragem de artilharia, com apoio de aviação e tudo o que é preciso. Depois, é só esperar pelo inimigo. Como o inimigo trabalha para a fotografia, vai-se deixando avançar as suas tropas em locais sem importância estratégica (estepes, cidades despovoadas) e, a cada avanço, o inimigo perde milhares de homens e centenas de veículos. O terreno “perdido” funciona como a “cenoura”. Não é segredo que, quando o Sr Z chegou a Liman, encontrou as casas vazias e os depósitos de munições desertos. Ou seja, houve uma saída planeada e ordenada. Em contrapartida, as perdas nesse avanço foram na ordem dos milhares de homens.
O facto é que, tal como fez Hitler na 2ª guerra, na tentativa de gerar um plano de desmoralização do inimigo, à medida que ia vendo o seu exército desbaratado, foi precisamente quando começou a fazer avançar as reservas, atacando tudo ao mesmo tempo. O resultado, já todos sabem qual foi. Hoje, ao serem vistos os relatórios das várias partes envolvidas (todas elas e não apenas as duas principais), constatamos que, até de acordo com a comunicação social “credível”, todos referem perdas de centenas -e às vezes milhares – todos os dias, nos continuados ataques do Sr. Z. No final, tudo o que são objetivos estratégicos, não consegue nenhum. Mas, aos poucos, vai perdendo o exército. As armas soviéticas já foram quase todas (as que tinham e as que lhe mandaram os “aliados”), e agora chegou a vez das ocidentais, que chegam a cada vez menos velocidade, ao ponto de já se usarem veículos civis normais como carros de assalto.
E porque é que, sabendo disto, o Sr. Z opta por chocar contra este muro? Porque o objetivo é a fotografia. Criar uma ideia de avanços continuados, visando desmoralizar o inimigo, na linha da frente e em casa. A par disso, os serviços secretos de Sua Majestade, ajudados e coordenados pelos de sempre, vão rebentando com infraestruturas importantes, dentro e fora do país do Sr. P, visando criar um contexto propício a uma revolução colorida que o retire do poder. Esta é a única estratégia real que eles têm (e que se repete no Irão, na Tailândia, na Venezuela…), visto que, as sanções não resultam, porque, como já todos sabemos, elas não se destinavam ao país do Sr. P, mas aos países do Sr. S, M, L, “sabiamente” colocados a jeito pela Srª van der Lata.
E de tal modo foram colocados a jeito, que, só para dar um exemplo do nível de autoflagelação em que fomos colocados, podemos dizer que, num período marcado pela crise “provocada” de acesso ao petróleo e gás, em que estas matérias sobem de preço de forma estratosférica, a Europa continua a comprá-las, não em euros, mas em dólares. Ora, se o euro tem desvalorizado e o dólar tem valorizado (o que demonstra a engenharia aqui subjacente), a Europa deveria evitar comprar energia em dólares, certo? Pois, ao converter euros em dólares, está a prejudicar-se do ponto de vista cambial. Mas para não chatear a Casa Branca, Van Der Lata prefere tornar-nos a energia ainda mais cara, enquanto países como a China, India, Turquia, Brasil, Irão, Arábia Saudita e outros, já estão, precisamente, a diminuir as suas compras em dólares, precisamente porque este está demasiado valorizado. Eis como se enterra, ainda mais, uma economia.
E enquanto Stoltenberg diz que uma derrota do Sr. Z é uma derrota de todos “nós”, o que, pela milésima vez, demonstra quem está, de facto, por detrás do conflito, na França mais de 2000 postos de combustíveis estão fechados por uma greve, que ameaça tornar-se uma greve geral. Isto, enquanto Macron manda atirar com gás lacrimogéneo e balas de borracha contra estudantes do ensino secundário em luta. Oh! Se fosse o Sr. P, ou o Sr. X, o que não faltaria de “ditadura” e “tirania”. As classificações dependem da simpatia ocidental para com quem pratica os atos. Num caso são estudantes “violentos”, no outro são estudantes “pacíficos”, mesmo que atirem com cocktails Molotov.
Mas as TV’s do burgo pouco falam destas coisas, que, aliás, se repetem, cada vez com maior força, pela Europa fora. O que não admira, tal o nível de autodestruição em que foi colocada a economia europeia e, no nosso caso, nacional.
Mas se Marcelo e Costa têm tanta comiseração pelos civis ucranianos – que a merecem toda, diga-se – pouca têm pelos 400 jovens e crianças abusados pelas figuras da igreja católica. Parece que, uma vez mais, depende de quem pratica a violência. Se é inimigo, são crimes contra a humanidade, se são amigos, são “poucos casos”. Se este exemplo não serve para constatar a parcialidade com que se avalia a realidade, então não sei já o que serve.
O facto é que isto tudo pode ainda agravar-se mais. O aprofundamento das relações do país do Sr. P com os países do Golfo, tem tudo para começar a ameaçar de morte o petrodólar. Ora, já sabemos onde vão os nossos “amigos” atlânticos pilhar, quando perderem os “almoços grátis” do petrodólar. Penso que, a valorização a sua moeda, o crescimento do seu PIB, o domínio de mercados, antes europeus, entre outros, mostram o caminho que vai ser seguido. E como nós o pagaremos com língua de palmo.
Se a isto adicionarmos as provas que já existem de que o Sr. Z usa os barcos carregados de cereais – carregados ao abrigo do acordo da ONU – para esconder e transportar armas, antevê-se aqui mais um aperto no garrote. É que o Sr. P terá o pretexto que quer para impedir estes barcos de saírem em direção aos seus compradores. Também se diga que, ao contrário do que se propagandeava, o trigo vindo do país do Sr. Z não se destinava a África, mas sim à Europa. Apenas 2 em cada 87 navios, saem com destino à África. Eles vêm é para a Nestlé, Milaneza, Nabisco, Matutano e outras do tipo.
O mesmo faz o Sr. Z com os comboios de civis saídos da Polónia. Carruagens à frente com civis, carruagens de trás com tanques de guerra, transformando os civis em escudos, ou em alvos militares, é só escolherem. E porque o fazem? Porque sabem que, ou o Sr. P não os ataca, por causa dos civis, ou se os atacar, lá vêm as fotografias de mortos sempre tão requeridas nos meios de propaganda ocidental.
Por fim, sabemos que os EUA pretendem banir, desta feita, o alumínio do país do Sr. P. Não admira. Tendo assegurado os seus fornecimentos, seja ao nível nacional, seja na América Latina, os EUA podem agora apertar um pouco mais um garote à EU. Até porque Van Der Lata, se os EUA dizem que é alumínio, ela manda logo banir o aço, níquel, zinco, papel, madeira, cereais… Tudo para se mostrar convicta, militante e bem-comportada.
O facto é que, o alumínio é daqueles metais que tem importância primordial para a indústria automóvel, aviação e metalomecânica. Estas indústrias, motores da economia europeia, terão de o comprar muito mais caro e a quem? Ou a mercados dominados por quem? Pelos de sempre.
E se dissermos que, da Boeing à General Motors, anular a concorrência da Airbus e dos fabricantes alemães, franceses e italianos, dá um jeitão… Já se está mesmo a ver quem ganha com a desindustrialização… Os discursos podem ser lindos, convictos, solidários e libertadores… Mas a prática, a objetividade, a realidade é esta: