O Big Brother Real

(Carlos Matos Gomes, in Facebook, 09/09/2022)

As televisões portuguesas conseguiram mais um feito: Realizar um triplo Big Brother Real em Londres! 24 horas na intimidade de uma família da classe alta inglesa!

Vi comentadeiros classificados como “especialistas da realeza” (um espécie que merece estudo, claro). Por acaso não dei por nenhum especialista em relógios de torre, nem em rodas de feira.

Enfim, o mundo não seria mundo se não fosse esta família, de que ficámos a saber o nome dos cães e dos cavalos.

Os repórteres da Ucrânia passaram para Londres, o que é uma melhoria no seu bem-estar. A lengalenga ao micro também é mais fácil: a mais velha aliança serve para tudo e todas – corresponde ao Amém.

A seca continua.

A Inglaterra, cumprido o seu papel de Cavalo de Troia da União Europeia, encolhe-se e mete-se debaixo da asa de Esparta, que também já viu melhores dias.

A Eneida e a Odisseia já previam estes resultados. Os ditos repórteres é que não leram e gostam de ir a Londres tomar uns ares. A figura que mais gosto destas epopeias é a de Eneias… mas não encontrei correspondente.

No fundo o que os mestres pensadores estão a dizer ao pagode nacional é mais ou menos o seguinte:

Se tivéssemos uma monarquia como a inglesa estão a ver as horas de programas que vendíamos ao mundo? Estão a ver como os problemas familiares podem ser polidos e postos a brilhar com solarina Windsor, desde infidelidades, dúvidas de paternidade, envolvimentos sexuais de duvidosa aceitação?

Basta ter uma família como esta!

E vejam como uma família que está no topo de um Estado vassalo que se envolveu em todas as guerras por conta do império soberano sem outra razão que a da imposição da moeda imperial nada tem a ver com o que aconteceu, que vive de bem com a sua consciência perante o Vietname, o Afeganistão, o Iraque a Líbia, a Síria e agora a Ucrânia.

Aprendam.


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5 pensamentos sobre “O Big Brother Real

  1. EU já tinha apanhado ,nas Tvs Jornaleiras uma “Ucranite” e o SNS entupido com outros Cidadãos a porta do Hospital em coma……agora saído e em convalescensa ,uma nova recaída impingida pelos
    mesmos jornaleiros ,agora com uma decadente Monarquite……

  2. João Adelino Faria, RTP-1, 9-9-22/19:59:

    “É um príncipe Carlos, agora rei, de forma diferente. Na chegada a Buckingham Palace, é beijado, beija e sorri.”

    Pelo que me toca, confesso que não sorri. Inicialmente, não sabia se rir ou chorar, acabei a vomitar. Ainda a braços com a pandemia covid, agora temos de lidar com uma pandemia de bacoquice, sem vacina à vista. E também uma pandemia de ignorância alarve, como a do jovem que no mesmo Telejornal referia [minuto 20:00] “o primeiro momento do rei Carlos III junto dos SÚBITOS” (sic… aliás sick). Para não haver dúvidas, repetiu a coisa segundos depois, quando, comovido, disse que Carlos III “deixou um aparente primeiro sinal de que estará perto dos SÚBITOS no seu reinado”. Como não há duas sem três (e desconfio que haverá quatro, e cinco, e, e, e…), a coisa foi repetida no dia seguinte [10-9-22/20:05], desta vez por uma voz identificada, o mavioso chilrear de João Ricardo de Vasconcelos, correspondente em Washington, ali caído de pára-quedas. Perorou assim: “Ao regressar ao Palácio de Buckingham, o rei saudou a multidão. SÚBITOS que alimentam agora as melhores expectativas.” E para não deixar o Vasconcelos abarbatar sozinho a medalha de ouro da asneira, assistimos logo em seguida ao atlético esforço de Alberta Marques Fernandes [10-9-22/20:09], também comovidíssima, a informar que “as pessoas estão tristes, mas celebram também uma vida muito rica e acreditam nesta nova era da MONARQUIA REAL britânica”. Fico à espera de uma qualquer reportagem da Alberta no funeral de um qualquer caramelo numa qualquer ‘monarquia republicana’. Até lá, limito-me a dar-lhe os parabéns pela medalha de ouro ex aequo com o menino Ricardo. Perdão, estão aqui a dizer-me que a medalha será, afinal, dividida por três (pelo menos), graças ao menino Rodrigo Pratas, da SIC, que em 9-9-22/20:53 nos facultou as suas primeiras impressões do Reino Unido, absolutamente vitais: “As primeiras, e realmente marcantes, é o facto de tudo o que é painéis digitais, outdoors digitais, desde o Aeroporto de Heathrow até aqui ao centro de Londres (…), todos os painéis digitais ENVERGAREM fotografias da rainha”. Podiam ter envergado capotes alentejanos, ou camisas Springfield, ou cuecas Armani, mas não. ENVERGARAM fotografias da rainha. Ora toma que é patriótico! God shave the queen… sorry, the king!

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