Em duas horas de debate a seis, quem atacou mais foi…

(David Dinis e Sofia Miguel Rosa, in Expresso Diário, 24/09/2019)

Assunção Cristas. Mas António Costa, desta vez, não se ficou à defesa. As estatísticas do debate contam quais foram os dois alvos preferenciais da discussão, quem foi o alvo preferido de Costa, quem foi espectador ou passou despercebido. Veja os números.

Se um debate se ganhasse apenas pela quantidade de críticas lançadas, Assunção Cristas seria a clara vencedora. Ao longo das duas horas de debate foi quem mais criticou os adversários: 25 vezes, 19 das quais dirigidas a António Costa.

2. O líder socialista não se ficou atrás: na resposta ao adversários, disparou 23 vezes – com a curiosidade de os distribuir mais: 7 contra Catarina Martins, 6 contra Rui Rio e Assunção Cristas, só três contra Jerónimo e o PCP e uma contra o PAN. Está confirmado quem, na geringonça, é o alvo preferencial de Costa.

3. Na linha ofensiva, Catarina Martins vem ainda no pódio: 13 críticas feitas, 9 contra António Costa. O duelo Costa-Catarina foi marcante sobretudo no final, quando disputaram quem gosta menos da geringonça (ou quem está mais de pé atrás para a repetir).

4. Nesta luta, Rui Rio foi sobretudo espectador: o líder do PSD atacou só nove vezes, menos uma do que Jerónimo de Sousa e só mais uma do que André Silva do PAN. Rio apontou mais vezes, porém, a António Costa (8 vezes, contra 6 de Jerónimo e 5 de André Silva). A dada altura do debate, aliás, Rui Rio disse à moderadora que estava satisfeito, porque não tinha pago bilhete e estava a assistir ao espetáculo (quando Costa e Catarina discutiam passado e futuro da geringonça). A imagem é realista.

5. O alvo de (quase) todas as críticas foi, claro, Costa. Sofreu mais de metade dos ataques da noite do debate a seis: 47 contra 42 dos restantes debatentes. A maioria, como pode ver no quadro, vindas de Assunção Cristas e Catarina Martins. Rui Rio foi terceiro.

6. Quem mais passou despercebido? De longe, o líder do PAN. Só fez 8 críticas e sofreu 2. André Silva, sem surpresa, centrou quase todas as suas intervenções na questão ambiental (e na corrupção, mesmo no fim).

7. Rui Rio foi quem sofreu mais ataques, a seguir a Costa. Foram 14, seis dos quais do líder socialista. Assunção Cristas só lhe lançou uma farpa no final: a líder centrista estava entre Costa e Rio e acabou o debate a passar os papéis que um queria entregar ao outro, dizendo “eu faço a ponte entre o Bloco Central”.

8. Quanto aos temas dominantes, a divisão é fácil de fazer: à direita, as críticas a Costa foram muito centradas na carga fiscal, ao passo que à esquerda acabaram dominadas pela legislação laboral (muito por via da moderadora). A falta de investimento público e, consequentemente, os problemas dos serviços públicos foram comuns à esquerda e direita.


Advertisements

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.