Bloco e Podemos, o mesmo drama: para que servem os seus votos?

(Joaquim Vassalo Abreu, 05/09/2019)

Vassalo Abreu

Afirmou já há uns anos José Sócrates ser ele o líder que a Direita gostaria de ter. O tempo e as circusntâncias trataram de deixar em suspenso tal proposição e é agora ANTÓNIO COSTA, em tempos seu fiel discípulo, esse tal líder que grande parte da Direita gostaria de ter mas, mesmo  não o podendo  ter, nele vai votar.

É que, mesmo sendo ele o Secretário Geral do maior Partido da Esquerda portuguesa, o P.S., e Primeiro Ministro de um Governo declaradamente de Esquerda, após a  trapalhada em que os Partidos da Direita e os da Esquerda à sua esquerda se deixaram embrulhar, num triste e decadente espectáculo de desnorte, desleixo e mesmo infantilidade políticos, no caso da contagem dos anos de serviço dos Professores e depois ainda com a “crise” dos combustíveis, ficou evidente para todos, nomeadamente para muitos sectores da Direita, quem estava mesmo preparado para governar e, dignificando o Estado e a sua autoridade, fazer valer a força da Lei a favor dos interesses de todos.

Juntando a isso os êxitos conseguidos com a sua governação no controlo e melhoria substanciais das nossas contas públicas, com um Ministro das Finanças afável mas firme, obstinado mas incisivo e acima de tudo competente, não foi com muita surpresa que ouvi  da boca de alguns amigos de Direita a intenção de votarem COSTA e com uma explicação muito simples: sendo nós eleitores de Direita mas observando que , no fundo, muito do que se baseia o nosso pensamento foi concretizado por COSTA e a sua equipa, então votaremos em COSTA porque na Direita ninguém tal faria ou será capaz de fazer…

Daí que, conquistado muito do “centro” e daquele eleitorado volúvel, o tal que dá ou retira maiorias, sejam elas relativas ou absolutas, eis que o P.S. de ANTÓNIO COSTA surge nas sondagens como estando no limiar da dita maioria.

E este cenário está a deixar o Bloco de Esquerda num tal nervosismo , que até se reflete num cartaz aqui ao perto em que ao lado de uma Catarina esbugalhada de azul esverdeado surge um José Soeiro atarantado e a parecer sair da cama, e no pânico dos seus principais pontas de lança na comunicação social, o Daniel Oliveira e o Francisco Louçã, pela possibilidade do seu Bloco não vir a fazer parte da solução de uma maioria parlamentar da qual saia o próximo governo e tornar-se, assim, numa excrescência inútil.

Mas, a não alcançar uma maioria absoluta e precisando de acordos pontuais, exclusão a favor de quem? Do seu arqui-inimigo PCP que, ao contrário do Bloco, se apresenta perante a sociedade como um partido sério, experiente e fiável, para além de fiel cumpridor de tudo com se compromete.

Eu ainda não ouvi e estou seguro de que não ouvirei o ANTÓNIO COSTA  a pedir declaradamente a maioria absoluta aos Portugueses e, como tal, torna-se para mim difícil entender por que o Daniel diz que COSTA “ameaça” com o exemplo do Podemos Espanhol para a alcançar. Só pode ser delírio pois o exemplo do Podemos não é efectivamente o melhor pois a sua frivolidade, a sua sobranceria e a arrogância do seu líder só têm feito gorar governos de esquerda em Espanha. E não queremos cá réplicas, é claro. Isso mesmo diz COSTA.

E quando ANTÓNIO COSTA afirma ser o P.S. o único Partido da Geringonça que assume tudo quanto de bom e de mal foi feito, ele está a dizer a mais pura verdade, mas a dizer mais: como confiar numa força politica para uma possível futura coligação quando ela apenas se arroga e reclama de tudo o que de bom se fez e se afasta de tudo o resto? Eu já uma vez aqui abordei um pouco disto num Artigo aqui publicado e chamado O ORÇAMENTO ELÁSTICO DA CATARINA cuja leitura aconselho pois me poupa a mais adjetivações. ( Ver aqui. )

Mas um artigo no Público de há uns dias de Rui Oliveira e Costa, reputado técnico de análise sociológica e Sondagens, veio trazer-me mais luz sobre o assunto e sobre algo que tanto o Daniel como o Louçã sabem mas evitam dizer: o facto de, segundo Rui Oliveira e Costa, devido às alterações no espectro politico partidário Português, mais Partidos a concorrerem e votos mais distribuídos, para além do significativo aumento dos votos brancos e nulos, já não serem precisos os anteriores cerca de 44% dos votos para alcançar uma maioria absoluta, podendo bastar para isso os 39%!

A possibilidade cada vez mais real da não renovação da Geringonça faz com que o sonho do Daniel – agora que já nem “Livre” vai poder voltar a ser…- mais o de Louçã, que acusou o COSTA de exercer “bulling” sobre o seu Bloco, diz que passa a vida a bater-lhe…, de ver o seu Bloco elevado à categoria de “imprescindível” sair gorado!

É que aí, se o P.S. ficar no limiar de uma maioria absoluta ou mesma a alcançar e prescindir do Bloco, “goodbai” Catarina mais a sua sempre sofrida arrogância e “goodbai” Mortáguas mais as vossas imberbes absolutas certezas….

O BE num governo? “Vade rectro”!

Nota- O “ipsilon” fugiu do meu computador…

5 pensamentos sobre “Bloco e Podemos, o mesmo drama: para que servem os seus votos?

  1. Por norma os artigos deste senhor vão directamente para o lixo. Propaganda cega ao PS? Não obrigado. Já me bastam os maluquinhos da câmara municipal da minha residência. Para quem esteja curioso, este “senhor” representa os tais 20 a 25% que votam no clube do coração, digo, no PS faça chuva ou sol. Juntamente com os outros 20 a 25% que fazem exactamente a mesma coisa com o PSD, estes fósseis representam uma geração intelectualmente preguiçosa e, como consequência, irrelevante. Os que votam PSD ainda o vêm como o partido do Sá Carneiro, o tal que deu a Portugal o SNS enquanto que os Abreus de Portugal ainda acreditam na falácia que é usar o termo Socialista para descrever o quer que se passe no PS. São pessoas destas que provocaram a descarada complacência nestes dois partidos que, garantida a alternância, rapidamente deixaram a matriz governativa dos anos 70 e 80 para embarcarem num concurso de popularidade nojento a cada 4 anos.
    É graças a emplastros como este que assumem o PS como um partido de “esquerda” (mete aspas nisso) que validam as barbaridade que é considerar o BE um partido de “extrema-esquerda”.
    Há anos que PS anda na política apenas para ganhar. Governar é algo que se faz entre anos de eleições para passar o tempo e garantir que as sondagens não baixam muito. O PS está de tal forma corrompido por esta filosofia que acredito que se em 2020 surgisse uma epidemia de gripe mortal em Portugal, o PS no governo arranjaria forma de empatar a distribuição de vacinas até meados de 2023 só para garantir mais uns pontos nas eleições mais à frente. Foi mais ou menos o que fez nesta legislatura com a questão dos passes sociais. É apenas natural esperar uma extrapolação deste comportamento quando um partido no governo não mexe uma palha sem ter a certeza que pode subir 1 ou 2% nas sondagens.
    Os poucos momentos brilhantes deste governo foram graças à pressão que o PCP e BE sempre mantiveram no PS. Mesmo assim, o lambe botas do Costa, forçado a aumentar o ordenado mínimo para a fortuna que são 600€/mês, lá foi a correr meter a língua no rego dos patrões ao tentar aumentar a TSU dos trabalhadores à socapa, tal e qual o que o amigo Passos tinha tentado fazer uns anos antes. O Coelho levou com manifestantes nas escadas da Assembleia. O Costa levou uma chapada nas trombas porque pensou que o BE e o PCP eram tipo o CDS que só faz coligações para sacar uns tachos aos parentes. Lixou-se e bem, assim como a porcaria dos patrões que viram a proposta chumbada na assembleia… graças ao BE e PCP. Afinal quem é que foi o partido de esquerda nessa situação?
    É normal que tipos como o Abreu tenham dificuldades em compreender o conceito de governação e democracia. Entre os anos que viveu na ditadura e a clara avançada senilidade, é de admirar que ainda consiga usar pontuação nos seus textos.
    O mais engraçado nisto? Nunca votei BE nem sequer PCP!

    • O PPD, fez o SNS? Escreveu antes ou depois do almoço? È que o PPD do então Sá Carneiro, e CDS, votaram contra.Alzaimer?

  2. Para que servem? Para evitar que o PS privatize as pensões, baixe a TSU das empresas (que hão-de ser pagas por alguém), crie mais PPPs na saúde e contractualize mais serviços ao dobro+ do preço, para que não continue a precarizar o emprego… chega, ou é preciso mais?

    «dignificando o Estado e a sua autoridade, fazer valer a força da Lei a favor dos interesses de todos.»
    Esta parte é para rir ou chorar?

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