Por falar em comissões de inquérito à CGD

(Por Valupi, in Blog Aspirina B, 31/01/2019)

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A nova comissão de inquérito à Caixa promete ser um espectáculo televisivo muito mais animado do que as anteriores. Porque iremos viajar até ao ano 2000, e de lá até aos anos de Passos&Relvas+Portas, e porque se vão apresentar e discutir critérios da concessão de crédito. Aposto num dilúvio de novidades. Entretanto, o Expressono passado sábado mostrou-nos uma fotografia de um universo paralelo onde se está neste preciso momento a montar uma outra comissão de inquérito para se descobrir como foi possível usar a CGD para tentar criminalizar um partido.

Aqui se pode ler – O extraordinário extrato bancário que levou a CGD a tomar a iniciativa de investigar Sócrates – que alguém na CGD controlava os movimentos da única conta de Sócrates e certo dia tomou uma decisão: listar os números registados, declarar os movimentos suspeitos e enviar uma denúncia para a Judiciária. Da Judiciária passou para o Ministério Público. E neste deu origem a uma operação secreta sob o código “PA 806/2013”. Bastaria obtermos a resposta a duas perguntas para ficarmos perante a mais extraordinária violação do Estado de direito de que há conhecimento em democracia:

– Quem é que, na CGD, gerou, discutiu e autorizou a denúncia?

– Em que altura é que Joana Marques Vidal foi envolvida nas ilicitudes que se tornariam o suporte, dinâmica e espírito da “Operação Marquês”?

Já se sabia, porque é evidente, mas esta notícia detalha o modus operandi do crime. O que se passou na CGD em relação aos movimentos da conta de Sócrates só se explica no quadro de um controlo político do banco tão completo que se ousa dispor dessa instituição violando todos os princípios e códigos da actividade bancária. O departamento de compliance da Caixa Geral de Depósitos sabia que o dinheiro entrado vinha da conta da mãe de Sócrates e não podia, nem devia, saber como é que esse dinheiro tinha ido lá parar. Isto porque a CGD não é a Judiciária, não é o Ministério Público, nem tem o poder de levantar o sigilo bancário e começar a fazer escutas a quem lhe apeteça. O que tem de fazer em caso de suspeitas legítimas é bloquear a conta em causa e chamar o seu proprietário a dar explicações se for caso disso. Se as explicações não forem válidas, então e só então é que entram em acção as autoridades. Num inquérito parlamentar a este episódio teríamos ocasião de abrir a boca perante a excepcionalidade do que se fez a Sócrates e que não se terá feito a mais ninguém na CGD desde que o banco existe. A única explicação para tal é a óbvia.

Só agora, e porque o sorteio escolheu Ivo Rosa, podemos voltar a ter uma segunda oportunidade para pensarmos e agirmos como seres que se respeitam a si próprios. Tivesse calhado Carlos Alexandre a dirigir a abertura de instrução e Rosário Teixeira continuaria a esconder esta génese documentada até ver Sócrates em tribunal. Assim, ficamos com a papinha toda feita e posta na mesa.

Tendo Cavaco, Passos, Teixeira da Cruz e Joana Marques Vidal no topo da hierarquia do Estado, a CGD foi usada para se montar a maior operação de criminalização de um partido de que há memória cá pela terrinha, e das maiores internacionalmente. É que a partir do momento em que se abriu o PA 806/2013, começou a ser possível – com a cobertura da procuradora-geral da República – devassar a privacidade de uma lista de alvos arbitrária, quase todos correspondendo, directa e indirectamente, a dirigentes políticos socialistas.

Mais, e mais importante: o calendário das violações ao segredo de justiça e do lançamento público da “Operação Marquês” ficavam ao dispor dos intentos políticos conjunturais que melhor favorecessem a agenda de vingança e golpada em marcha. Foi assim que em Julho de 2014, ainda a investigação apenas era falada por cifras nos círculos jornalísticos e políticos, vimos a “Operação Marquês” a tentar influenciar as eleições no PS a favor de Seguro. E depois vimos como ela foi lançada para coincidir com a subida de Costa a líder da oposição, data escolhida com precisão por marcar o início do ano eleitoral para as eleições de 2015. Last but not least, a detenção de Sócrates tornou-se no acontecimento mediático mais impactante em Portugal no presente século e as peripécias do processo permitiram uma campanha negra diária com intensidade máxima. Tudo somado, vamos com 15 anos em que a oligarquia usa Sócrates como pretexto e alvo com vista a judicializar a política – recorrendo à retórica da chicana, à indústria da calúnia e à politização da Justiça para acusar o Partido Socialista de ser essencialmente corrupto.

Este o contexto em que os bacanos do Expresso se juntaram à conversa para se fazerem ouvidos – Comissão Política #66: A atuação “pouco católica” de Marcelo – e onde ainda conseguimos ficar banzos com a hipocrisia destes “jornalistas” com as línguas e os dedos cheios de calos na defesa do PSD e na perseguição ao PS. Filipe Santos Costa fala do que se fez a Sócrates na CGD como alguém que tivesse entrado numa sala pejada de cadáveres estropiados e começasse a criticar as nódoas de sangue na alcatifa. Micael Pereira vai mais longe, partilha connosco a sua visão em que os bancos passam a controlar e a punir o que os cidadãos façam com o seu dinheiro. Caso achem que um certo cliente é um gastador, um doidivanas, e depois de se confirmar com cuidadinho que não pertence à gente séria, bófia com ele. E por cima toca a despejar a bosta viscosa do Ministério Público até ele desaparecer de vista.

Sim, senhores ouvintes, é nisto que consiste o “fim da impunidade” no laranjal. Para mais informações, é favor deslocarem-se ao universo paralelo onde deputados paralelos estão neste momento numa Assembleia da República paralela a usar a sua Constituição para fazer perpendiculares à anomia reinante.


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5 pensamentos sobre “Por falar em comissões de inquérito à CGD

  1. Hum.

    Nota. Ganda Valupi, sempre atento a tudo o que é bandidagem nessa posição sexual e passivamente desconfortável! Eu não disse que iam ser meses de borracha queimada, pá? Há anos que dura o sofrimento, lindinho, bem poderias escrever um livro de auto-ajuda e sempre desopilavas.

    #lixo
    #doidonas

    https://jonessamuel.files.wordpress.com/2010/03/homosexual-couple.jpg

    Sócrates, vai a Évora
    31 Janeiro 2019 às 17:17 por Valupi

    Sócrates, vai a Évora. Vai dar duas caixas de robalos ao homem. O homem que é teu amigo e ex-camarada. E o homem que é teu ex-camarada e amigo dos nossos amigos da Operação Marquês. Uma chapada à chegada e outra à partida. Como fazem os amigos e os ex-camaradas.

    […]

    Que tal?

    • O original, e até aqui só tinham passado três dias!

      Não há provas contra Sócrates, garante o Observado
      28 JANEIRO 2019 ÀS 18:31 POR VALUPI

      […]

      Nota. É a hora, não conseguem disfarçar, os tipos e as damas da firma Valupi, Tangas & C.ª, Limitada a partir de hoje andarão loucas. Serão meses a queimar borracha.

      #JoséSócrates
      #realitychoque
      #doidonas

      • “Ganda Valupi, sempre atento a tudo o que é bandidagem nessa posição sexual e passivamente desconfortável !”

        E aí está o RFC, o “monopolista da verdade única e insofismável”, sempre a regougar , sempre revanchista, “de joelhos e cú alçado, a posição sexual, tão “confortável” a gentinha como ele, órfã dá múmia cavaquista, do aldrabão coelho , da mentira loura albuquerque, e quejandos ! Enfim, do “laranjal”, com as laranjas a caír de pôdres !

        E, sem esperar pelas conclusões a que chegará Ivo Rosa ( também ele alvo da mais abjecta suspeição sobre a legitimidade da sua escolha, por parte de um Jaime Alexandre, ressaibiado e talvez temente de que as novas averiguações conduzam ao seu descrédito como “justiceiro”…) de que tem medo o RFC ?

        Talvez…disto :

        “Tivesse calhado Carlos Alexandre a dirigir a abertura de instrução e Rosário Teixeira continuaria a esconder esta génese documentada até ver Sócrates em tribunal. Assim, ficamos com a papinha toda feita e posta na mesa.
        Tendo Cavaco, Passos, Teixeira da Cruz e Joana Marques Vidal no topo da hierarquia do Estado, a CGD foi usada para se montar a maior operação de criminalização de um partido de que há memória cá pela terrinha, e das maiores internacionalmente. É que a partir do momento em que se abriu o PA 806/2013, começou a ser possível – com a cobertura da procuradora-geral da República – devassar a privacidade de uma lista de alvos arbitrária, quase todos correspondendo, directa e indirectamente, a dirigentes políticos socialistas”.

        E já começam certas “ratazanas” a tentarem saltar do navio ! Será o RFC, uma delas ?

    • Como eu te compreendo, ó RFC…
      Como não tens MAIS nada para dizer, “refugias-te” nos “meus” erros de “urtografia”…
      És um viscoso “clássico” da trafulhice, da xico-espertice, da mais boçal, estúpida e desavergonhada idiotia, a tentar fugir com o cú à seringa, e a “tresleres a correr”…mas “sabes” do “tanta” erro de “urtugrafia” que para ali vai” !
      TRESLESTE A CORRER ? O TANAS, Ó FRANGANOTE DEPENADO DO “JACUZZI” !!!!
      LESTE, ENCAIXASTE E…CALASTE !

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