Marques Mendes (MM) e os seus paradoxos

(Carlos Esperança, 25/01/2019)

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O ex-líder partidário que faz do tráfico de informações privilegiadas um modo de vida, que compromete o Conselho de Estado, para onde foi nomeado pelo PR, pelas opiniões que emite, que faz da sua tribuna televisiva um instrumento de combate ao Governo, na defesa das teses da direita, esqueceu-se de que já tutelou a RTP onde foi constante a sua interferência no alinhamento dos noticiários e influência nos conteúdos. Talvez, por isso, tema nos outros aquilo de que foi capaz no consulado cavaquista.

Marques Mendes, ex-líder do PSD, foi corajoso quando retirou a confiança partidária a Isaltino Morais e Valentim Loureiro, timorato na Câmara de Lisboa e cobarde perante Alberto João Jardim, cujos desmandos não teve coragem de afrontar, mas, antes de se dedicar aos negócios e à intriga aparentava grande honestidade e uma coluna vertebral direita, independentemente das opções partidárias.

Hoje, ignora-se se MM é a vuvuzela de Belém, intriguista por conta própria ou acumula.

Na penúltima homilia televisiva, o bruxo de Fafe, cujas diatribes têm eco na imprensa escrita, rádio e redes sociais, ou não refletisse ele os interesses de quem lhe paga, levou a baixeza ética de comentador ao nível do arruaceiro partidário, e disse:

1 – “Armando Vara é apenas uma ponta do icebergue de uma rede muito poderosa que durante 20 anos, ou mais, existiu em Portugal” .

2 – “Armando Vara, para ajudar a destruir a CGD e o BCP, não teve apenas o aval de Sócrates. Teve também a aprovação do Banco de Portugal”.

a – Ninguém ignora a lepra da corrupção e a necessidade de ser investigada e punida e, no que diz respeito a Armando Vara já está preso, contrariamente a governantes do PSD e CDS que não passaram os últimos 20 anos fora do poder. Nem agora, na oposição.

b – A denúncia da corrupção é um dever, e que bom seria que a corrupção fosse apenas de militantes do PS e o denunciante, em vez da intriga, apresentasse factos e não tivesse cadastro!

Ignora que foi o atual Governo que pediu a auditoria à CGD, que o governador do BP, reconduzido por Passos Coelho, sem consulta ao PS, como era tradição, recusou pedir? Ignora que foram os seus correligionários os arguidos do BPN? Em questão de Bancos MM mostrou o que sabia quando disse em 12 de julho de 2014 (SIC-N): «O banco [BES] é sólido, não há perigo nenhum para as pessoas», acompanhando o seu medíocre mentor, ao tempo PR.

Deve ter frequentado aulas de ética com um ex-vice-presidente do PSD, o Sr. Joaquim Coimbra, que o empregou em uma ou várias das suas numerosas empresas e adquirido os princípios éticos com que foi gerido por um seu colega de governo o BPN. O próprio BCP foi criado a convite do PM Cavaco Silva por um proeminente membro do Opus Dei, Jardim Gonçalves, e a sua gestão continuou com outro membro do PSD e do Opus Dei, Teixeira Pinto. Quanto à CGD, repito, foi este governo que pediu a auditoria e que procura apurar responsabilidades e entregar eventuais delinquentes à Justiça.

E quanto à sua honorabilidade, de quem se esqueceu dos submarinos, dos sobreiros, do condomínio do BPN na praia da Coelha, das privatizações da ANA, CTT, EDP, Galp, PT e outras, das mais valias de ações das SLN, não cotadas em Bolsa, e tantas outras tropelias, vale a pena recordar o seu próprio caso:

«O Fisco detetou vendas ilegais de ações da Isohidra feitas por Marques Mendes e Joaquim Coimbra, em 2010 e 2011, e que terão lesado o Estado em 773 mil euros. As ações foram vendidas por 51 mil euros, mas valiam 60 vezes mais: 3,09 milhões.» (aqui).

É difícil ser paquete de Belém sem comprometer o inquilino, mas não é saudável para o País a guerrilha feita através de fauna necrófaga, com propaganda sob o pseudónimo de ‘opinião’. Marques Mendes, vuvuzela da direita, é um dos muitos avençados pagos para a intriga e ataques à esquerda, este em equilíbrio difícil entre divergências que corroem os partidos de direita e os recados de Belém.

 

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2 pensamentos sobre “Marques Mendes (MM) e os seus paradoxos

  1. Esse interesseiro do Men(t)des deixou de “olhar” para os desmandos do louco pela governação “democrática” musculada na Madeira pelo facto do dito cujo ter usufruído de painéis solares, espalhado numa grande parte da encosta lateral à Zona Franca daquela Região. Não se enxerga, digo eu!

  2. Concordo totalmente com o comentário de Carlos Encarnação, no qual denúncia a fragilidade do pseudo intelectual Marques Mendes.

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