O PSD e a democracia

(Carlos Esperança, 15/01/2019)

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Quando, há 1 ano, Rui Rio ganhou as eleições no PSD, havia no partido um desejo de regresso à matriz fundadora de que Cavaco e Passos Coelho se tinham afastado, um por ser salazarista e outro por ser coisa nenhuma.

A chegada à liderança de um militante civilizado, com preparação cívica e experiência política, com provas dadas na gestão autárquica, nos órgãos do partido e nas atividades privadas, sem relações com o grupo de autarcas que construíram uma rede de corrupção, ainda não investigada, apesar da gravidade dos factos referidos na Visão, deixara o país mais tranquilo e alguns sectores do PSD assustados, incluindo os referidos autarcas.

Rui Rio, de quem decerto não serei eleitor, é um adversário sem cadastro, sem negócios suspeitos ou participação nos jogos de poder de Relvas, Marco António, Passos Coelho e outros militantes que fizeram PM o último. Rui Rio merece respeito, e o PSD, cada vez menos recomendável, teme um líder que não possa controlar nem chantagear.

Não admira, pois, que 1 ano depois, com a rede de conivências partidárias a romper-se, tenha aparecido Luís Montenegro, em desespero, a fingir-se importante, e a desafiá-lo para um duelo que apenas pretende destruir o adversário e manter na liderança do PSD os que venderam empresas públicas, para serem gestores privados, e debilitaram o Estado e a sua capacidade para intervir nas comunicações, energia, transportes, saúde e ensino.

A única surpresa é o papel dúbio do PR, apesar do gosto de estar em todos os funerais e catástrofes e de se pronunciar sobre tudo e ser fotografado em todo o lado, ao dar a Luís Montenegro uma importância que não tem.

Marques Mendes, comentador político da SIC e alter-ego de Marcelo ajuda a adensar a confusão, ao desvalorizar a crise no PSD e ao afirmar que tanto Rui Rio como Luís Montenegro saem a ganhar, como se este duelo a poucos meses das eleições não fosse um suicídio. Mas ao considerar que para o partido “era melhor haver diretas”, a bem da clarificação interna, ficamos a saber para que lado cai o PR.

Esta ementa não é uma questão de vichyssoise nem de toque às campainhas das portas, para arreliar os amigos de um amigo.

Marcelo não tinha ainda uma fotografia com o ora mediático Luís Montenegro. Passa a tê-la. E exuma do aterro sanitário os que há 1 ano foram deitados para o caixote do lixo.

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