Os nossos bolsonaristas

(In Blog O Jumento, 02/01/2019)

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A melhor forma de fazer eleger um qualquer Bolsonaro, pouco importando se é cabo ou capitão, é difamando a democracia e os seus políticos, algo a que assistimos diariamente no nosso país. E na liderança dos que difamam a democracia são os que usam a Justiça para meter o país a ferro e fogo, com o objetivo de se promoverem a nossos heróis e forçar o país a adotar os governos que querem fazer eleger.

Vimos isso no Brasil com o juiz Moro a destruir políticos, ajudando a extrema-direita para depois se fazer escolher a si próprio como ministro todo poderoso. Não deixa de ser curioso como nos últimos anos temos assistido a laços cada vez mais íntimos entre algumas personagens da nossa Justiça e gente da Justiça brasileira. Aliás, os nossos não se têm cansado de elogiar os mecanismos de investigação e de condenação adotados pela justiça portuguesa, propondo a sua adoção em Portugal.

Todos os dias recebemos mensagens falando mal dos nossos políticos, apresentando-os como parasitas, ricos e corruptos. É comum a ideia de que a nossa classe política é constituída por políticos e corruptos, todos eles ganhando muito mais na política do que ganhariam nas suas profissões. A verdade, é que os casos de corrupção em 40 anos de democracia são muito reduzidos se comparados com as dezenas de milhares de cidadãos que participaram ativamente na vida política, desde o modesto membro de uma Assembleia da República aos Presidentes da República.

Quem promove esta imagem dos políticos? A resposta é óbvia e basta ler os jornais dos últimos meses para percebermos que no topo da hierarquia do Estado só Marcelo Rebelo de Sousa escapou à máquina trituradora dos processos judiciais difamatórios. Antes de ser primeiro-ministro, António Costa foi alvo de supostas investigações por causa de uma casa. O seu ministro mais importante e presidente do Eurogrupo esteve sob ameaça da Justiça e viu o seu gabinete invadido por polícias e magistrados, o presidente da principal autarquia do país também foi alvo de uma suspeita envolvendo a compra de uma casa.

Se recuarmos no tempo lemos dezenas de notícias de processos abertos para investigar políticos, chegando o processo difamatório ao ponto de uma associação de juízes ter recolhido os dados dos cartões VISA, na condição de cidadãos, para verificarem se podiam tramar alguns governantes, o que fizeram em relação a dois porque supostamente terão comprados livros ou revistas. Qual era o objetivo da associação de juízes, combater a corrupção ou difamar a classe política?

A ideia de que a democracia está sendo destruída nas redes sociais com a participação de gente sem formação é mentira. Quem mais tem contribuído para destruir a democracia é gente que está entre os funcionários que mais ganham e em cuja formação o Estado mais investiu. Aliás, quem mais ajudou o Bolsonaro a chegar ao poder não foram os grupos no WhatsApp, mas sim o juiz Moro que descredibilizou os candidatos que importava descredibilizar. Lá como cá é gente manipuladora, ambiciosa e com poder que está ajudando a extrema-direita. Lá como cá são os que deviam ser os primeiros a defender a democracia que parece que tudo fazem para a destruir.


Fonte aqui

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8 pensamentos sobre “Os nossos bolsonaristas

  1. ” -quem mais ajudou o Bolsonaro a chegar ao poder não foram os grupos no WhatsApp, mas sim o juiz Moro que descredibilizou os candidatos que importava descredibilizar” – Dizer isto é subjectivo em que aspecto?

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  2. No que respeita, por exemplo, à plataforma ”Whatsapp”, ela embora criada há cerca de 10 anos, é um aplicativo que pertence à entidade Facebook. Não sei se se conseguia votar, no caso do Brasil, com um aplicativo, se quisermos dar voz a essa questão. O juiz Moro, por outro lado, dificilmente se pode achar não ter sido como dizem: subjectivo.

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  3. Texto importante e extremamente verdadeiro.
    Só mentes perversas e de bolsos recheados é que teatrealizam deduções de virgens ( grávidas) ofendidas.
    Ter nascido em bom berço, embalado por papás “importantes” e tias finas, dá a esta escumalha o sentido de donos da verdade.
    Felizmente os cancros são democráticos e os carros de alta cilindrada matam mais depressa.
    Tivesse eu, agora na minha juventude…

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