O populismo e a exploração da tragédia, das injustiças e da dor até ao tutano

.(Eldad Manuel Neto, 22/11/2018)

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Portugal vive num ambiente democrático e de liberdades num Estado de Direito de assinalável tranquilidade. As instituições funcionam regularmente e invade o País uma onda de optimismo e segurança a que não é alheia a solução governativa encontrada há três anos, assente numa maioria parlamentar de esquerda com a indispensável contribuição do PCP, do PEV e do Bloco de Esquerda.

Os índices económicos cresceram, o desemprego baixou consideravelmente, foram repostos direitos outrora pilhados, os pensionistas recuperaram os esbulhos de que foram vítimas, os rendimentos sociais de inserção alargados e, bem assim, os abonos de família repostos.

A direita não tolera e convive mal com estes avanços. E tudo serve para condenar,  tripudiar, mentir e explorar todas as dificuldades ainda existentes. Colocam-se na defesa do SNS, que sempre detestaram, colocam-se ao lado das justas reivindicações profissionais de sectores que sempre abandonaram (enfermeiros, professores, funcionários públicos), e aprontam-se a uma miserável tentativa de criar dificuldades à aprovação do OE nas votações na especialidade, condenando o seu equilíbrio, sustentação e execução. Tudo orquestrado, no firme propósito de lançar a confusão, alimentar a insegurança e, como cereja no topo do bolo, criar dificuldades à Geringonça e afastá-la do cenário da sua renovação em nova legislatura.

Na defesa dos interesses que esta direita prossegue,  não olha a meios para concretizar os seus desideratos. As tragédias são aproveitadas e exploradas até ao tutano, as mortes e as vítimas são a cruel carniça dos objectivos políticos destes abutres e o desfile dos justiceiros de “ocasion” é repugnante. Exigem demissões, culpam o Primeiro-Ministro e os Ministros das tutelas e vomitam as suas catilinárias contra o Governo, contra a Geringonça e a Esquerda. Tudo serve para afastar a Esquerda do poder.

A esquizofrenia reaccionária é tal que Cristas já se vê, pasme-se, Primeira-ministra! Rio é internamente boicotado e atraiçoado pelos Relvas e amigos da tribo.

Os meios de comunicação social jorram explorações jornalísticas massacrantes com o objectivo de bem servir a causa desta direita impaciente! Dos incêndios, a Tancos, até à tragédia das pedreiras fazem-se julgamentos na praça pública, condena-se sem inquérito, investigação ou provas, e arregimentam-se comentadores que engrossam o coro dos justiceiros que exigem a degola.

A par disto, não hesitam nas sistemáticas explorações do segredo de justiça, publicando depoimentos por ele protegidos, sem pudor, em inaceitável desafio à Lei e à presunção de inocência. Até alguns advogados, que não têm o verdadeiro ADN da profissão, comentam os processos em que são mandatários outros colegas, violando grosseiramente o respectivo Estatuto.

É assim que se estruma o terreno dos Trumps, dos Bolsonaros, dos Orbans, dos Farage ,das Le Pens e das versões populistas sedentas de socavar a democracia, as liberdades e a Justiça Social. Estes populistas nasceram e proliferam também com a inaceitável capitulação dos partidos socialistas e da social democracia, que em muitos países ocorreu, perante os mais liberais interesses capitalistas. Hoje não têm expressão nem enraizamento popular. Traíram os seu eleitores e abriram caminho à desilusão e às injustiças.

Eis o fértil terreno das ditaduras e do neo-liberalismo dominado pelas grandes corporações financeiras, da indústria da guerra e do racismo, da xenofobia e da miséria social.

A Esquerda e os democratas não podem baixar os braços na vigilância destes fenómenos. Hoje, dar-lhes firme combate é uma exigência que a todos se coloca. Não se trata de abdicar das respectivas diferenças programáticas, outrossim de, sem sectarismos e em unidade, barrar o caminho ao retrocesso social e às ditaduras. Num combate que defende a Justiça, a Paz e os Direitos Humanos e se fortalece no exemplo que dá à Europa e ao Mundo na demonstração de que a esquerda é o caminho desses valores.

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2 pensamentos sobre “O populismo e a exploração da tragédia, das injustiças e da dor até ao tutano

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