Já há nova PGR ou é boato?

(Ferreira Fernandes, in Diário de Notícias, 31/10/2018)

ferreira_fernandes

(A vergonha continua. A corja da Justiça continua a “vender” às televisões as aflições dos arguidos nos interrogatórios. É mórbido, é barato e dá milhões a uma comunicação social sem alma nem decência. E o mais grave é que todo o poder político se cala. Onde andas tu ó rei da Lusitânia, D. Marcelo I? Falas sobre tudo menos sobre a vilania dos magistrados. Lavas as mãos como Pilatos, talvez porque tais práticas te são ou podem vir a ser úteis.

São estas práticas que matam a democracia e levam os cidadãos a entregarem-se, desesperados, nas mãos dos Bolsonaros deste mundo. Depois façam-se de sonsos e ponham cara de espanto, ó políticos da treta.

Cometário da Estátua, 01/11/2018)


Quando a transparência é demasiada o pobre do cidadão desconfia… A frase não é essa? Pois devia ser. Infelizmente, Portugal tornou-se o mais límpido e transparente país da União Europeia e arredores. Uma juíza interroga um suspeito de um crime e, logo, a gravação do interrogatório passa e repassa nas televisões. Maior transparência não podia haver… Infelizmente.

Repito, é mau. E infelizmente o erro disso tem de ser explicado. Como se fosse necessário explicar – mas é! – que não se pode filmar um detido durante um interrogatório e pespegar a sua cara, as evasivas, as hesitações e o medo, expostos nas televisões. Só hoje, três anos depois, Miguel Macedo viu um tribunal reconhecerque a justiça não podia abusar dele como o foi. Então, expliquemos como essa precedente indecência – acontecida porque cometida a um ex-ministro (como se contra os poderosos tudo fosse permitido) – levou ao espanto de ontem.

António Joaquim é suspeito no caso do assassínio do triatleta Luís Grilo. A mulher de Luís, Rosa, é também suspeita e, tal como António Joaquim, está igualmente detida. O processo está em inquérito e os interrogatórios dos arguidos estão sob segredo de justiça para garantir sucesso na procura de provas. Quer dizer, por exemplo, o que um detido diz não deve ser do conhecimento dos eventuais cúmplices. Já todos vimos filmes e séries de televisão para saber como isso se passa: da contradição entre coarguidos conseguem-se firmes sentenças.

Mas isso é lá fora. Por cá, os interrogatórios na investigação são a Casa dos Segredos onde as palavras de um arguido transformam um interrogatório na mais famosa casa do país. Ontem, dizia António Joaquim à juíza: “Senhora doutora, confesso que pergunto aos senhores guardas o que se diz lá fora”. Ingénuo suspeito! O que se diz lá fora é o que ele diz à juíza. E o que ele diz à juíza logo vai chegar à sua coarguida, que está tão dentro como ele e devia ignorar, nesta fase do processo, o que ele diz dela. E, sejam ambos culpados ou inocentes, a obtenção de provas acabou de se tornar mais difícil.

Resumindo o óbvio: o lugar próprio da justiça não é em comício televisivo. A justiça é para defender o direito dos cidadãos (mesmo quando são arguidos, como o ex-ministro Miguel Macedo) e para perseguir os crimes (como o assassínio de Luís Grilo).

Os justiceiros populares são maus porque violam os direitos dos cidadãos e dificultam os crimes de serem desvendados. E acresce esta culpa: são publicidade enganosa. Dizem que nos informam mas são tão fúteis como Teresa Guilherme e mil vezes mais perigosos.

11 pensamentos sobre “Já há nova PGR ou é boato?

  1. «Os justiceiros populares são maus porque violam os direitos dos cidadãos e dificultam os crimes de serem desvendados. E acresce esta culpa: são publicidade enganosa. Dizem que nos informam mas são tão fúteis como Teresa Guilherme e mil vezes mais perigosos.»

    São mil vezes mais perigosos no tecido social porque são eles os verdadeiros “criadores” de Trumps e Bolsonaros”

  2. Sobre a violação do segredo de justiça resta-nos perguntar ao supremo magistrado da Nação se tem tomado providências. Até agora não se nota nada. ZERO.

  3. Manuel G., como sou justo e ignoro o que te terá deixado tão indignado assim que até inovas sobre a existência de uma «corja da Justiça»*, SIC, deixa-me perguntar-te previamente o seguinte: o artigo do Ferreira Fernandes no DN é, exactamente, sobre o quê (sobre quem é percebe-se ou julga-se: arremessar a carne do Joaquim e do Miguel*, pô-la às voltas por uns segundos numa picadora Moulinex, e no fim, saiba-se lá porquê, atacar a nova PGR)?

    Nota 1. Acho é que o FF está a entrar naquela fase da velhice em que os gaijos se deixam encantar pela carinhas larocas que os rodeiam, sendo que, reconhecidamente no caso do DN, é a Fernanda Câncio quem é a expert nos assuntos correlativos em especial os relacionados com o seu umbigo (e que já cansam, uff!).

    Nota 2, sobre o asterisco. Apesar de teres a criatividade literária e, eventualmente, a testosterona ambas em alta, lamento desiludir-te mas: «Não foram encontrados resultados para site:.pt “corja da justiça”», pois-pois.

    Nota 3, Sobre o que serão eventuais ossos de um Grilo, apesar de não me importar ao contribuir para a nova carreira do ramo alimentar, culinário?, do Ferreira Fernandes, desconheço o que poderão ser (mas desconfio que não se poderá usar a Moulinex, certo?).

    https://www.worten.pt/i/ce02260fac69a628802617ec517125155081013f.jpg

  4. anuel G., como sou justo e ignoro o que te terá deixado tão indignado assim que até inovas sobre a existência de uma «corja da Justiça»*, SIC, deixa-me perguntar-te previamente o seguinte: o artigo do Ferreira Fernandes no DN é, exactamente, sobre o quê (sobre quem é percebe-se ou julga-se: arremessar a carne do Joaquim e do Miguel*, pô-la às voltas por uns segundos numa picadora Moulinex, e no fim, saiba-se lá porquê, atacar a nova PGR)?

    Nota 1. Acho é que o FF está a entrar naquela fase da velhice em que os gaijos se deixam encantar pela carinhas larocas que os rodeiam, sendo que, reconhecidamente no caso do DN, é a Fernanda Câncio quem é a expert nos assuntos correlativos em especial os relacionados com o seu umbigo (e que já cansam, uff!).

    Nota 2, sobre o asterisco. Apesar de teres a criatividade literária e, eventualmente, a testosterona ambas em alta, lamento desiludir-te mas: «Não foram encontrados resultados para site:.pt “corja da justiça”», pois-pois.

    Nota 3, Sobre o que serão eventuais ossos de um Grilo, apesar de não me importar ao contribuir para a nova carreira do ramo alimentar, culinário?, do Ferreira Fernandes, desconheço o que poderão ser (mas desconfio que não se poderá usar a Moulinex, certo?).

    https://www.worten.pt/i/ce02260fac69a628802617ec517125155081013f.jpg

    • RFC, vês pouco a CMTV. Aumenta as tuas visualizações do dito canal e perceberás como se interrogam os arguidos no tribunal, ao vivo e a cores… Agora a novela é o caso do triatleta assassinado.

      • Manuel G., infelizmente tenho uma questão técnica para resolver (esqueci-me do carregador e estou sem bateria no portátil, o que me acontece uma vez de seis em seis meses…) e, por isso, não te posso responder como o assunto mereceria.

        Bem vês que, como é costume, fui deixando algumas pinceladas impressionistas sobre o assunto-maior que é para mim o facto de o DN em papel ter morrido, perante a conivência dos poucos jornalistas históricos da casa, de muitos desmiolados, cábulas e de outros, ou de outras!, que ali permanecem com o rabinho confortavelmente quente no sofá, presumo (foi linkado, aliás, um artigo cheio de oportunidade assinado pelo José Pacheco Pereira sobre o assunto, n’A Estátua de Sal, como decerto estarás recordado), dizia eu, ou queria dizer, que há um assunto-maior e outros infinitamente menores em que entra, imagina!, a personagem Valupiana com o seu malabarismo, estupidez e fanatismo sobre o que o que é, e quais os caminhos possíveis, para os jornais, rádios e TV’s que fazem parte do panorama mediático português.

        Fica prometido, voltarei ao assunto.

  5. Quem manda nesta Investigação? O facto é que a televisão a anda a boicotar!!! Como é que alguém detido por suspeição de crime, pode baralhar tanto a opinião pública e mais grave ainda a Investigação, com tanta lata, e à vista de todos!!! Porque é que as televisões não são penalizadas por tais factos???

  6. A nova senhora Procuradora Geral da Repúglica, coitada, ainda não teve tempo de assentar ideias sobre a enormidade de problemas que herdou da sua antecessora… Imagino eu, que estou numa onda de generoso optimismo sobre a próxima/futura eficácia e eficiência dos renovadíssimos serviços da Procuradoria Geral da República. Entretanto vou-me sentando confortavelmente, porque a espera pode vir a ser longa..

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.