A OPERAÇÃO “MARQUES VIDAL”…

(Joaquim Vassalo Abreu, 29/09/2018)

joana_nova

(Decidi ilustrar este artigo com a imagem mais favorável de Joana Marques Vidal que encontrei, publicada em 2012 aquando da sua nomeação como PGR, na Visão (ver aqui). Aí se elencavam os oito casos mais polémicos com que iria defrontar-se a nova PGR. Pois bem, dos oito referidos só um, o Face Oculta envolvendo Armando Vara e o sucateiro, produziu condenações. Todos os outros, envolvendo figuras da direita, não tiveram qualquer conclusão ou foram arquivados. 

Por isso, deves ter razão, Vassalo Abreu!

Comentário da Estátua, 29/09/2018)


Esta cena do aparecimento quase em simultâneo do Passos passado e do Cavaco mumificado a propósito da não recondução da Marques Vidal no cargo de PGR, já foi por muitos estudada, criticada, escalpelizada, explicada e direi mesmo traduzida mas, no meu modesto entender, todos esses estudos se enredaram no mesmo e nenhum foi ao cerne da questão!

Quer dizer: todos se limitaram a criticar a oportunidade, a falarem de uma qualquer hipotética estratégia que lhe estivesse subjacente, no porquê de tanto afã na defesa da recondução da dita, tudo isso foi falado e escrito, por vezes num tom de rancor e desprezo legítimos mas desapropriados, mas sempre referindo o óbvio, mas sem irem ao âmago da questão!

E o CDS, por acaso, até que isso percebeu antes da restante distraída direita, e isso cavalgou, porque se lembrou das razões por que a Marques foi eleita PGR e achou que, numa altura de vazio de causas com vincado interesse público, era importante lutar pela sua recondução. A restante direita veio depois a reboque, verdade seja dita.

É que o que a nomeação da dita representou foi a exposição descarada e exponenciada de casos que envolvessem pessoas ligadas à Esquerda, a começar por Sócrates.

Para quê? Para tentarem em primeiro lugar, a partir da prisão de Sócrates, do envolvimento deste em casos e mais casos e do possível conluio de membros dos seus governos nesses mesmo casos, denegrir a mesma Esquerda, associá-la a esses comportamentos e, assim, fazer com que a opinião pública se esquecesse de todos os casos em que a direita e seus membros estivessem comprometidos!

Esta foi a estratégia e disso não tenham dúvidas! E foi isto que durante estes anos se passou e, por exemplo, na Televisões que casos é que passaram repetidamente? Apenas a Operação Marquês! E o BPN? E os Vistos Gold? E os Panamá Papers? E a outra? E mais a outra ainda? E o BES? E o Banif? E…e os Submarinos? E as Tecnoformas, já agora também?

Foi para isto que a “Operação” Marques Vidal nasceu e foi por tudo isto que a sua não recondução tanta raiva provocou em quem a nomeou. Porque ela estava ciente dos deveres de “missão” para que foi nomeada, principalmente o de fazer arrastar aqueles em que a sua gente amiga estava indiciada e concentrar tudo o resto num só: na Operação Marquês, tendo Sócrates como responsável por tudo e por todos os casos!

Como, já desde o caso Freeport, a opinião pública tinha já a sua opinião formada, tudo o resto seriam achas para uma fogueira já feita em forno de siderurgia!

A estratégia suprema da direita é evitar a todo o custo e usando todas as armas de que possa dispor, legais e ilegais, ajustadas e não ajustadas, legitimas e não legitima…todas, mas mesmo todas, que as Esquerdas sejam Governo! Não é isso claro? E a estratégia até que estava funcionando e não fossem a resiliência de Sócrates e o pragmatismo e os categóricos resultados deste Governo (das Esquerdas) até que poderia sair vitoriosa…

Mas não saiu e, abstraindo-me agora das razões pelas quais Marcelo resolveu não a reconduzir, se foi por uma questão de longevidade na função, se pela sua recondução vir a produzir atritos na sua relação com o Governo e com a sociedade civil, fosse pelo que tivesse sido, a direita perdeu este “round”…

É que, apesar de muita gente ter entrado ao longo destes tempos numa certa deriva justicialista, naquela do que agora é que vai ser etc. etc., muita mais já percebeu que a Justiça tem os seus tempos, os seus trâmites e a as suas normas e que no fim o que interessa são três coisas: que seja célere, que seja igualitária (dê as mesmas faculdades à defesa que dá à acusação) e seja isenta e justa!

E essa massa de gente também já percebeu que, através das constantes fugas ao segredo de justiça, vindas sempre de dentro, ela pode e tem sido utilizada, politizada e parcializada, e que a sua exposição pública, por tão exagerada e reiterada, se pode considerar um verdadeiro nojo, acabando por não ser justiça nenhuma!

Esta reacção inadequada, de latente cinismo e rancor e de tão considerável despropósito vinda de gente que deveria ter sentido de Estado prova que, mesmo tendo tido cargos de Estado, este nunca lhes vestiu a pele…


Fonte aqui

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8 pensamentos sobre “A OPERAÇÃO “MARQUES VIDAL”…

  1. Caro Vassalo, tudo isso e que o processo “Marquês” foi o bode expiatório para encobrir com espessa e contínua cortina de fumo os corruptos “amigos” enquanto estes iam ao pote como porcos na engorda a seu belo prazer e bem protegidos, tudo isso dizia já foi dito e redito.
    Mas foi também a grande sombra para encobrir a grande traição aos portugueses que teve à cabeça o Cavaco e o Passos, coadjuvados pelo Bloco e PCP no chumbo do PEC IV e da consequente vinda da troika e do passismo com o seu mundo de horrorosas medidas humilhantes e dolorosas para os portugueses.
    Ainda hoje os dois coadjuvados ajudantes andam tão sentidamente comprometidos nessa operação que, embora reconheçam tal erro ao aceitarem, agora, coadjuvar a “geringonça” nunca tiveram uma palavra de redimissão face a Sócrates ou de condenação da actuação do MP da Vidal.
    E este é o grande problema de A. Costa que o faz refém na questão Sócrates mesmo que quisesse ser mais interveniente no caso.
    Mas uma coisa, nestes cinco anos de operação “Marquês mais os cinco desde o Freeport”, está confirmada: Sócrates é à prova de resiliência e, mais que o homem de Sá de Miranda, vai à luta e não vacila, não torce nem quebra.

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    • «Sócrates é à prova de resiliência», que caraças ó José Neves

      Nota. Com um garrafão no bucho, e uma palete de água de Monchique para o caminho, deverias ir de joelhos até ao santuário de Fátima para pagares, não os milagres, mas as bacoradas que eu te vou corrigindo por onde te apanho (há anos qu’isto dura, é o meu fadário!). Apesar de ter passado a ser utilizada a torto e a direito (quantas vezes disparatadamente, no gramático rudimentar do passismo, primeiro, e agora nas TV’s por exemplo, como se se tratasse de um simples sinónimo do substantivo “resistência” (um sinónimo erudito, finório!), “resiliência” quer dizer que (e pressupõe que)… é googlares! «Ser à prova de resiliência», mesmo aquele tipo, é uma burrice.

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  2. Explico,
    Nunca vou ao google saber o que quer que seja pois ou me basta o que sei de escola, aprendizagem, experiência, leitura ou consulta dos meus livros.
    O saber do google é, como a língua portuguesa, muito traiçoeira.
    “Resiliência” é, para mim, uma definição de engenharia mecânica do estudo de “Resistência de Materiais”. Tem a ver com a capacidade limite de resistência à flexão até ao limite em que o material regressa à forma primitiva, isto é, sem deformação.

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  3. «Sócrates é à prova de resiliência», cito-te.

    José Neves, deixa-te de bacoradas e ouve o que o homem te diz: a tua «escola, aprendizagem, experiência, leitura ou consulta dos meus livros» não chega, pá.

    Pois se dizes que a «“Resiliência” é, para mim, uma definição de engenharia mecânica do estudo de “Resistência de Materiais”, o que podes estar a sugerir é que se deveriam meter umas sapatas de ferro agarradas às patas do tipo, lá está, que o atirassem ao rio Tejo e que lhe pedissem que se amanhasse e que… flutuasse (politicamente), algo que não lhe será estranho..

    No entanto, como acredito que vives no período pós-roldanas das invenções de Leonardo Da Vinci, para sentires como o mundo mudou nesse campo vasto do saber humano que é o da engenharia mecânica (!) ofereço-te á borla mais três exemplos, digamos que, assim mais contemporâneos (e ainda te deixo uma conclusão, no fim).

    The Wizard of Oz (1939).

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    • Em conclusão, possuindo um pouco-muito da galeria das pesonagens do filme d’O Feiticeiro de Oz, apresentando sinais prematuros, procupantes e equivalentes à demência que afectou a Dama de Ferro nos anos finais da sua longa vida (em especial desde o momento em que sustentou, publicamente, que o desencadear da Operação Marquês visava, tão só!, impedir a sua putativa candidatura à Presidência da República!…), quer-me parecer, no entanto, que a tal engenharia mecânica em que se baseou a vida política de José Sócrates fica bem representada pelo… professor Alexandrino.

      Olha só, fixe?

      José Sócrates ”Firme e Hirto como uma Barra de Ferro” Herman SIC.

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