OPERAÇÃO MARQUÊS – INSTRUÇÃO

(Virgínia da Silva Veiga, 05/09/2018)

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Aguardemos então que nos façam a delicadeza de divulgar, não notícias deturpadas, mas as peças processuais, na íntegra, os requerimentos de Abertura de Instrução para, finalmente, se saber o que alegam a seu favor os arguidos e, posto também os terem apresentado, os mais relevantes, começando pelo de Carlos Santos Silva, que, afinal, o apresentou e é o principal visado neste caso.

Vai ser particularmente interessante conhecer o que alega, que provas junta e que provas requer a minha Colega que o representa e que, como fiz notar, sempre se manteve longe da comunicação social.

Os requerimentos de Joaquim Barroca, da própria Lena, do administrador de Vale do Lobo, de Armando Vara e até de Zeinal Bava, merecem ser lidos.

Ouvindo a comunicação social, confirma-se José Sócrates não o ter feito que significa o que este sempre disse: não tem sido por ele que o processo se tem arrastado em tribunal e não vai já a julgamento. Evidentemente, as defesas destes arguidos contendem a do ex-primeiro-ministro que agora ficará a aguardar as diligências requeridas. É acusado, recordo, de uma série de actos que só encontram alicerce em supostos actos de terceiros sem os quais, evidentemente, se despem totalmente de fundamento. Por curiosidade, até ao momento também não há notícias de Ricardo Salgado o qual, ao que parece, igualmente não terá entrado nesta fase ((Ver aqui as razões de Salgado, que alega a existência de vírus nos ficheiros).

O respeito pelo contraditório, que existe no Direito mas também no Código Deontológico do Jornalismo, após tanta notícia contra Carlos Santos Silva, obrigaria agora à divulgação integral da defesa.

A manterem-se e a serem válidas as notícias, a mulher de Santos Silva e Sofia Fava não terão, também estas, apresentado requerimento deixando nas mãos do Ministério Público provar ao juiz de Instrução, com alguma substância, as tais acusações, até ao presente fundamentadas em extrapolações sobre frases de vários sentidos, proferidas ao telefone, onde a Procuradoria buscou alicerce para suspeições que em qualquer outro processo não teriam permitido alicerçar qualquer acusação.

João Araújo, que as notícias não esclarecem se voltou a assumir a defesa do ex-primeiro-ministro, contactado pela SIC, não se terá pronunciado sobre o assunto e, de novo segundo as notícias, terá remetido comentários para “ daqui a dias” o que legitima pensar que o próprio José Sócrates dirá ao País a razão de não ter pretendido intervir num acto processual sem garantias, sendo ao MP que compete apresentar as provas das suspeições alegadas. ((Outras notícias dizem que Araújo nunca deixou de ser advogado de Sócrates).

O respectivo julgamento, o qual sempre disse desejar com brevidade, fica agora dependente das decisões sobre os requerentes. As diligências requeridas e as provas apresentadas pelos outros permitirão apurar aos nossos olhos e aos da Justiça se existe alguém que corrobore a posição do MP contra este arguido (José Sócrates), sendo certo que da acusação resulta a inocência do mesmo.

Hélder Bataglia, o único que terá admitido ter dado a Carlos Santos Silva, dinheiro, alegando tê-lo feito por ordem de Ricardo Salgado, negou ele próprio conhecer qualquer ligação desse caso a José Sócrates, não sendo, assim, o episódio relacionável com este último acusado, sendo certo que a veracidade é peremptoriamente negada pelo banqueiro, o qual, recorde-se, presidia à administração do BES, banco que tinha vários negócios com Bataglia, designadamente os relativos à compra de submarinos, bem como ao BESA, nada havendo na acusação que legitime pensar-se que o dinheiro entregue ao luso-angolano possa estar relacionado, ainda que indirectamente, com José Sócrates, o qual nunca ninguém relacionou com os negócios do empresário. (Ver aqui as razões de Bataglia).

A não detenção deste outro arguido, a residir em Angola, e os contornos da vinda a Portugal, seguindo em liberdade, deixaram a generalizada convicção de uma “delação premiada”, de contornos cuja veracidade em todo lançou suspeitas sobre o seu depoimento, de nenhuma relevância em tribunal.

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10 pensamentos sobre “OPERAÇÃO MARQUÊS – INSTRUÇÃO

  1. “Li as notícias. Interessante registar a reafirmação, por parte de Bataglia, de que as transferências de dinheiro por ele feitas tivessem como destinatário José Sócrates. Bataglia, segundo a comunicação social e a transcrição de parte do seu depoimento no MP, terá confirmado transferências de dinheiro. Ponto. Nenhuma delas para José Sócrates. Inquirido sobre se o destinatário seria o ex-primeiro ministro negou ter qualquer conhecimento de tal, posição que, pelo visto, reitera agora. Todas as transferências por ele relatadas, circunstanciadas na acusação, não têm a menor ligação a JS. Interessante agora a alegação de defesa. Efectivamente, não vejo como factos praticados em Angola possam ser julgados em Portugal. Talvez Carlos Alexandre, com os seus profundos conhecimentos de Direito, nos consiga explicar…” (Virgínia da Silva Veiga/Advogada)

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  2. “De Direito angolano. Carlos Alexandre, disse-se, recebeu 10 000 euros de um ex-procurador com ligações a Angola, de quem é amigo próximo, e terá pedido que Manuel Vicente lhe encontrasse emprego para um filho. Foi o que disse a comunicação social. Admito saiba alguma coisa de Direito angolano.” (Virgínia da Silva Veiga/Advogada)

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  3. “Fazem bem em recusar a abertura da instrução [soube-se que Ricardo Salgado a recusou e vamos ver o que decidirá José Sócrates]. Não leva a nada e dá pistas ao MP. Julgamento já! E o MP que tente provar a acusação.” (João Russo)

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  4. «Ouvindo a comunicação social, confirma-se José Sócrates não o ter feito que significa o que este sempre disse: não tem sido por ele que o processo se tem arrastado em tribunal e não vai já a julgamento.», …?!

    Por mim fico por aqui, por agora, e poupo-me de ler o post da Virgínia, No País das Maravilhas, que, aparentemente, ainda se anda por ali nas tangas que pretendem omitir aos pretensos papalvos que a estratégia de defesa completamente absurda prosseguida pelo José Sócrates (em que se contam dezenas de recursos liminarmente chumbados pelo Tribunal da Relação de Lisboa e, ainda, pelo Supremo Tribunal de Justiça a que se devem somar os requerimentos para um número indeterminado de diligências processuais…) mais não visou que o ex-PM poder vitimizar-se, pela enésima vez, também neste aspecto (e o som ser ampliado pelas cornetas que sobram, poucas como sabemos). Com um efeito colateral óbvio, aliás, que terá sido o de queimar a credibilidade e a competência profissional do advogado João Araújo (e aqui encontrei eu a razão primordial para que, alegamente, o sôtor se tenha afastado da dupla maravilha que constitui, ou constituiu?, a firma Araújo, Delille & C.ª, Limitada).

    Da poeira dos arquivos, ali ao lado.

    José Sócrates, 2017 # acusação do MP

    Nota, para educar o Jovem [os e as jovens e os/as menos disto, portanto]. No meu portátil o .pdf perfaz um lindo embrulho, a partir da página um, que se estende até à página… 3908. Mãos simpáticas fizeram-mo/a chegar no dia 13 de Outubro de 2017, sinal de que o tempo passa depressa. E tem 120 MB, o bicho ou, se quiseres, a besta (perceberás, portanto, que não ando nem a surfar nem desesperadamente à procura de Susana, da Joana nem da Madonna).

    #JoséSócrates
    #memorabilia, é do/s traste/s e dos tarecos.

    _______

    Virgínia, No País da Maravilhas, acorde que é outro dia.

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    • Adenda, entretanto, que já li a prosa da sôtora (relembro que foi pescada algures das páginas da fúbula por onde anda A Estátua de Sal e onde flutua a Virgínia, No País das Maravilhas).

      Nota, esta prévia.

      Entende-se do artigo na Sábado, esses bandidos!, que a defesa de José Sócrates (tamanha foi a panóplia de recursos…) se serviu, algumas ou muitas das vezes, da ajuda de um grupo de juristas especializados em determinada área (eventualmente experts, dir-se-ia) cuja cabeça se localizava ali para os lados de Coimbra. E que aquele valor dos 750 mil que vai ali em baixo foi engrossando várias contas bancárias. Não apenas a dos sôtores Araújo e do seu número dois, que assinavam e davam a cara pelos recursos no TRL e no STJ e assim se foram desgastando até o número um se aborrecer (é a minha tese, que querem?), mas também dos pressurosos auxiliares na sua elaboração, um outro tanto em taxas e taxinhas pois isso do bulimento pro bono e dos cofres da Res Publica, está quieto!, que é uma cena que não lhes assiste.

      Como a sôtora Virgínia, No País das Maravilhas, recorreu, mais uma vez, à sua bola de cristal para preparar o terreno e revelar-nos que José Sócrates se prepara para se vitimizar, perdão!, para falar ao País (?!) como uma sempiterna diva, injustiçada, enquadrado pela dupla maravilha da reputada firma Araújo, Dellile & C.ª, Limitada, dizia, eu por mim prometo que estarei atento durante os próximos dias.

      Cita-se, aqui e entretanto (que a diversidade das fontes não é o forte da minha gente):

      «A defesa de José Sócrates no âmbito da Operação Marquês, bem como os vários processos que o ex-primeiro-ministro moveu contra órgãos de informação, por notícias relacionadas com o caso, custaram cerca de 750 mil euros. E a factura continua a aumentar com o arrastar do processo.

      O número é avançada pela revista Sábado, segundo a qual a defesa de José Sócrates já custou, até agora, cerca de 750 mil euros. Este valor respeita aos diversos recursos apresentados no decurso da Operação Marquês, mas também os processos que o ex-primeiro-ministro moveu contra órgãos de informação, no seguimento de notícias publicadas sobre dados relativos ao caso.»

      […]

      No https://zap.aeiou.pt/ , online.

      Nota-outra, esta final.

      Existe sempre a possibilidade de que a bola de cristal não revelasse tudo, pois outra das possibilidades é a de que José Sócrates se apresente outra vez a solo, por forma a que a personagem Valupiana se extasie, novamente, com a coragem Dele Na Terra Dos Maus que, assim, demonstrará que, se preciso fosse!, enfrentará sempre e sem medo os Cornos da Besta… Enfim, o seu spin de m. durou um dia, recorde-se, até Portugal inteiro ter assistido atónito à vergonha do conteúdo das escutas de um ex-PM e de Carlos Santos Silva, na SIC.

      Sim, falo daquela pedinchiche.

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      • Epá, eu não queria falar da chicha nem do Fernando Mendes, perdão, chiça!, mas grafita-se apenas pedinchice.

        _____

        Entretanto, a bola de cristal da sôtora Virgínia, No País das Maravilhas, começa a demonstrar aos tipos que não são dados a esoterismos, como eu não sou apesar de bem mandado, e são relapsos sobre os mandamentos da fé celestial (o caso do Carlos Esperança é diferente, atenção: sabe-se que é ateu até ao tutano quanto às cenas do Vaticano, às saias (?) e às sotainas, mas que é detentor de uma fé e de uma fezada inabalável tanto que até imagino que se benze rendido aos muitos milagres de São José!), dizia, pois deve ler-se o que deixa entender o P. de hoje.

        […]

        «Vai ser particularmente interessante conhecer o que alega [Carlos Santos Silva], que provas junta e que provas requer a minha Colega que o representa e que, como fiz notar, sempre se manteve longe da comunicação social.

        Os requerimentos de Joaquim Barroca, da própria Lena, do administrador de Vale do Lobo, de Armando Vara e até de Zeinal Bava, merecem ser lidos.»

        Virgínia, No País das Naravilhas, ontem n’A Estátua de Sal.

        «Elementos bancários, escutas e documentos
        apreendidos em buscas são
        algumas das provas que a defesa do
        ex-ministro socialista Armando Vara
        quer ver invalidadas na Operação
        Marquês. Em causa estão todas as diligências
        autorizadas pelo juiz Carlos
        Alexandre a partir de 9 de Setembro
        de 2014, quando a investigação do
        caso Sócrates, que durou mais de
        quatro anos, tinha apenas uns meses.
        No requerimento de abertura de
        instrução apresentado por Armando
        Vara, a defesa do antigo governante
        diz que a atribuição do caso, em
        Setembro de 2014 — altura em que
        entrou em vigor a nova organização
        judiciária e o Tribunal Central
        de Instrução Criminal (TCIC) passou
        de um para dois magistrados
        judiciais — ao juiz Carlos Alexandre
        resultou da “manipulação dos procedimentos
        de distribuição” dos
        processos e “em grave violação das
        regras legais”, não tendo ficado garantida
        a imparcialidade do juiz,
        que devia ter sido escolhido electronicamente
        de forma aleatória.
        O argumento também é usado para pedir o afastamento de Carlos Alexandre
        da instrução deste caso, uma
        fase facultativa dos processos-crime
        que pretende avaliar se há indícios
        sufi cientes para levar os acusados a
        julgamento. E chega mesmo a pedir
        ao juiz que se considere impedido
        para presidir à instrução.»

        […]

        Fonte: P, 7.9.2018, p. 14 (o de hoje, portanto).

        [Chiça!, arre (arre macho)?, irra, penico?!, poça!, poça?]

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