ESTAMOS CHEIOS DE MEDO…

(José Gabriel, 27/04/2018)

cerebro

Anda por aí uma grande excitação com os ósculos textuais e teóricos trocados entre Santos Silva e Francisco de Assis. Os comentadores mediáticos de direita – passe o quase pleonasmo -, estão em êxtase analítico.

É o regresso do PS à origem genética, dizem. Ao magma constitutivo da social-democracia, bradam. A esquerda da esquerda treme, asseguram. Mais dizem: Jerónimo e Catarina – eles gostam muito de personalizar – poderão ser reduzidos à irrelevância e temem ser atraiçoados pelo PS que, seduzido pelo canto das sereias, seria atraído para as águas supostamente calmas de um qualquer bloco central ou o quieto pântano de uma maioria absoluta.

No arroubo teórico de Assis, o amor entre o PS e a direita promete enlace “para a posteridade”, para a eternidade digo mesmo, já que está de acordo com a natureza – a natureza tem as costas largas -, das coisas.

Ó gente, em que descuido especulativo viveis! A esquerda que julgais assustada já passou por muito pior no tempo em que os semelhantes a vós esmagavam com os seus traseiros gordos as aspirações de um povo que já em si tinha quem lutasse sem esperar facilidades ou prebendas. 

Quando se formou a – chamemos-lhe assim – aliança que suporta o actual governo, os protagonistas da esquerda que quereis assustar partiram para este caminho sem ilusões, mas com um enorme sentido de responsabilidade. Sem cálculo político-partidário ou eleitoral, mas com a consciência de que era necessário e urgente fazer o que fosse necessário para impedir que os sucessivos golpes de um governo de direita radical e arbitrário, cujo ódio à Constituição ainda hoje é agitado pelos seus apoiantes políticos. 

Os sujeitos deste processo sabiam perfeitamente o que podiam perder, mas sabiam também o que o país e o povo podiam ganhar com a sua decisão. Não houve aqui qualquer procura de vantagens laterais, mas também não houve qualquer ingenuidade quanto aos tortuosos escolhos desta via nem do preço que se poderia vir a pagar. Habituados que estão – há longos anos – a enfrentar o que de pior lhes venha ao caminho, não se assustam com as ameaças desta trupe de palhaços ricos e seus mainatos.

Por isso, teorizem lá todos os modos de acabar com aquilo que vocês e o Paulo Portas – les beaux esprits...- chamam “geringonça”, estão no vosso direito. Mas não nos tentem assustar com papões. Não nos macem.

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