Os recordes que Centeno quer bater

(Pacheco Pereira, in Sábado, 22/04/2018)

JPP

Pacheco Pereira

Eu não sou economista, nem pretendo ter mais do que o conhecimento vulgar e da vulgata de economia, mas a questão é que os pseudo-argumentos dos economistas dados durante a crise foram falsos argumentos económicos e eram, na verdade, afirmações políticas, puras e duras.


Público titula “Governo aspira a bater o recorde europeu de redução da dívida”. O que me faz espécie é que uma intenção destas, com Centeno por trás, pareça o género de competição em que Portugal deva estar e não suscite mais do que a reacção polarizada entre o PS e o BE e PCP, com o PSD no meio e o CDS sem poder bater palmas, mas com vontade de o fazer. Não é como o Ronaldo a meter golos, não é como os pastéis de Belém, não é como o Porto a melhor cidade para se visitar na Europa, não é como o sítio onde o Airbnb tem maiores taxas de lucro, não é um recorde de corrida de atletismo.

É outra coisa muito diferente: é uma opção política sobre os portugueses, sobre o desenvolvimento do País, sobre a sustentabilidade a prazo, ao nível nacional. Quem escreve isto não defende obviamente que haja um descalabro orçamental, como se insinua sempre hoje nos argumentos dos partidários do 8 ou 80, cada vez mais comuns em matérias de défice, mas alguém que entende que bater recordes deste tipo é uma política errada para o País e boa apenas para uma pessoa, para as ambições de Centeno.

Ilustração Susana Villar
Ilustração Susana Villar

Uma democracia não tem tempos longos

Ah! e outra coisa – não é sustentável a não ser que aceitemos duas coisas: uma contínua degradação de tudo o que é serviço público e uma muito elevada taxa de impostos sem termo para diminuírem significativamente. Sim, porque não é por acaso que se sucedem as notícias do cada vez maior descalabro dos serviços públicos e uma modestíssima diminuição dos impostos sobre as pessoas está apenas prometida para daqui a ano e meio, já na década de 20. E mais ainda o grande argumento de que só assim se pode atacar a gigantesca dívida, tendo superavits. Também suspeito que esta afirmação serve para dizer que não é preciso reestruturar a dívida de qualquer forma, pelo que bastaria uma longa continuidade de défices zero ou de superavits para a domar.

Repare-se no “longa”, a mesma palavra que apareceu no discurso dos defensores da troika, Cavaco falando em 10 ou 20 anos e Passos concordando. Eu não sou economista, nem pretendo ter mais do que o conhecimento vulgar e da vulgata – aliás a maioria destes argumentos são da vulgata do “economês” dos anos do lixo – de economia, mas a questão é que os pseudo-argumentos dos economistas dados durante a crise foram falsos argumentos económicos e eram, na verdade, afirmações políticas, puras e duras. E não foi preciso qualquer conhecimento especializado para, seguindo a linha do bom senso, ter acertado muito mais do que os defensores do “ajustamento”, que não fizeram qualquer reforma fora das leis laborais que não fosse o “enorme” aumento de impostos. Não houve nenhum milagre na saída da troika, houve esse “enorme aumento de impostos” e meter debaixo do tapete tudo quanto era crise bancária. Os mercados estão satisfeitos? Eles lá sabem porquê.

Fiem-se no boom e nas taxas de juro baixas e não corram

O que tenho dito e repetido é que este modelo da troika, e do “passismo” aperfeiçoado por Centeno não é sustentável porque não corresponde às necessidades do País para resolver os seus problemas estruturais, que estão longe de dependerem apenas do défice e da dívida. A tentativa de o tornar “longo” não entra em conta com o processo democrático, depende de uma pressão externa “europeia” cujos efeitos negativos no nosso desenvolvimento são péssimos, limita decisivamente a nossa autonomia para escolher políticas de desenvolvimento mais razoáveis para garantir que o País cresça e que não esteja sempre tudo preso por um fio. Centrar toda a política na redução do défice para o zero e pensar que os seus efeitos não geram mecanismos perversos, quer na saúde do País, quer na sua impreparação perante crises, quer no seu escasso desenvolvimento – e Portugal continua a crescer muito devagar, e não é por acaso – é uma visão estreita e de vistas tão curtas como o valor do défice zero.

É pouco agradável fazer de Cassandra, que ao prever desgraças foi tomada como louca, mas se se tivesse destruído o cavalo de Tróia, como ela insistiu com Príamo para o fazer, talvez Tróia se tivesse salvo.

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9 pensamentos sobre “Os recordes que Centeno quer bater

  1. A resposta número dois explica: http://bilbo.economicoutlook.net/blog/?p=39168

    [(S – I) – CAD] = (G – T)
    where the term on the left-hand side [(S – I) – CAD] is the non-government sector financial balance and is of equal and opposite sign to the government financial balance.

    This is the familiar MMT statement that a government sector deficit (surplus) is equal dollar-for-dollar to the non-government sector surplus (deficit).
    The sectoral balances equation says that total private savings (S) minus private investment (I) has to equal the public deficit (spending, G minus taxes, T) plus net exports (exports (X) minus imports (M)) plus net income transfers.
    All these relationships (equations) hold as a matter of accounting and not matters of opinion.

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  2. O caso Pacheco é que não fazes de Cassandra tu és a própria Cassandra mesmo no sentido que os cristãos referem Deus sobre qualquer virtude. Claro sobre maldades Deus já não é a própria coisa em si como diria kant.
    Cassandrices tuas:
    – Viste em Cavaco o melhor político e governante do país de todos os tempos e hoje é considerado o pior de todos de sempre e a maior desgraça que veio ao mundo no actual Portugal. E com a tua pronta e mui-elevada ajuda.
    – Como disse o “Coelhone” foste conselheiro cultural de Rio no Porto e a Cidade tornou-se uma miséria cultural e em guerra aberta contra os agentes culturais e melhores artistas de teatro e música locais.
    – Viste armas de destruição maciça no Iraque e deste o apoio a Bush e Durão para invadir o Iraque. Viu-se depois que, realmente, houveram milhares de bombas terríveis sobre o Iraque mas foram as deixadas pelos teus amigos que apoiaste acerrimamente.
    Na política tens sido sempre uma Cassandra por inerência e, novamente, voltas a sê-lo com Centeno. Sempre arengaste a língua contra o tal país sem emenda que não conseguia ter finanças certas e controladas e andava ao deus-dará ao mais pequeno abalo no mundo económico. Na tua inevitabilidade natural de ser Cassandra já vês desgraças e mortes aos molhos nos corredores dos hospitais e nem reparas que os teus camaradas PSD das Ordens dos doutores e enfermeiros (e Rio e Cristas, claro, fazem política com isso) todos os dias pôem uma notícia cá fora sobre qualquer queixa mexeruca que surja.
    Também podias pensar que é preciso obrigar os administradores a gerir melhor os dinheiros ou achas que, como fazem os magistrados, que deve-se dar tudo o que cada sector pedir à balda sem estudar os casos? E como todos pedem, é fácil, lá se ia outra vez o bom controlo financeiro. Se se dá mais dinheiro para a Cultura ou outro ministério logo a azarenta Cassandra vem dizer que não é a lançar dinheiro sobres os assuntos que se resolvem os casos se se não dá o gajo “vê” os hospitais sem uma bomba de oxigénio e montes de gente a morrer.
    Para quem acompanha a tua carreira cada vez é mais visível o teu falhanço e desastrosa visão política pois,em tudo que pegas ou pregas sai merda quase de certeza.
    Não há duvida a tua melhor ocupação é mesmo “andar aos papéis” porque já tens experiência e assim podes fingir de historiador.

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    • Claro que pode caro “Estatuadesal” pois este falhado político deve ser desmascarado sem disfarce algum. Afinal é o que ele faz com todos os políticos que se evidenciam muito acima das capacidades medíocres do dito falhado.
      Vem dando “picadas” no A. Costa mas agora com Centeno foi mais directo mas a finalidade é atingir sempre mais alto quem é melhor e lhe faz inveja insuportável para um falhado.

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      • Afinal Bruxelas não aceitou o défice de 0,7%, mas sim de 3% com o dinheiro investido na CGD. Por um lado têm razão porque significa um aumento da dívida em quase 5 mil milhões de euros pois o dinheiro terá de vir de algum lado. Por outro, toda a gente acredita que a CGD não está a ser gerida para favores públicos e privados, pelo que dará lucro dentro de um, dois ou três anos, até pela valorização do imobiliário.
        Para já nunca existiram 800 milhões disponíveis. Apenas a dívida não era aumentada em mais essa verba para além dos 0,7% que parece que, segundo Bruxelas, já são 0,9%, De qualquer modo, seria sempre um aumento da dívida em mais mil milhões de euros. O aumento muito grande da dívida não resolve nada porque será paga no futuro, apenas prolonga a agonia financeira da Pátria e não melhora os serviços públicos. A propaganda é agora contra o Serviço Nacional de Saúde porque o seu êxito provocou o aumento da longevidade da população idosa e, como tal, o aumento dos cuidados. Há dias um especialista americano em fogos disse numa televisão que os portugueses não são capazes de apagar incêndios por serem muito velhos e até os bombeiros ultrapassaram em média a idade em que podia atuar com força e eficácia.
        Na Alemanha, não sabem aqueles que não acompanham o que se passa no Mundo, têm sido ASSASSINADOS centenas ou milhares de idosos em cuidados intensivos hospitalares, quer por os enfermeiros ao desligarem os sistemas de alarme, quer até por injetarem o medicamento Gilurytmal que contém ajmalina, um alcaloide que provoca a fibrilação ventricular. Mesmo após a reanimação, os idosos acabam por morrer horas ou dias depois.
        O enfermeiro Niels Hoegel já tinha sido condenado a prisão perpétua por assassinar seis idosos e está de novo em tribunal porque investigações pormenorizadas concluíram que o homem terá “LIMPO” o sistema de saúde alemão em mais de 400 idosos. Isto no espaço de uns 10 a 12 anos de trabalho e era tido como um enfermeiro altamente eficaz e muitos médicos e colegas enfermeiros sabiam que se morriam mais nos turnos noturno em que Hoegel trabalhava. Consta na revista “Der Spiegel” que Niels não é único e há muitas mais mortes inexplicadas de idosos consideradas como normais pelos médicos.
        O meu próprio pai morreu inexplicavelmente na Alemanha de uma dita embolia após uma operação à próstata.
        Durante a guerra, os médicos militares nazis devem ter liquidado mais de um milhão de jovens soldados alemães porque o Fuehrer proibiu amputações de mais de um membro. Em vez disso, aplicação de injeções letais.
        Eu, em Portugal, fui tratado de um infarto nas coronárias há uns seis anos atrás. Puseram uns stents e sinto-me como se nada tivesse acontecido. No hospital, ainda esperei um dia nos cuidados intensivos por avaria nos elevadores. Avariaram, mas eu estou bem dispostos e sempre ativo.
        A Alemanha tem saldo global positivo nas contas públicas e, como se vê, é fácil de conseguir para BESTAS HUMANAS como o Schaeuble e toda a direita alemã.

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  3. Esta Cassandra sempre se evidenciou pela tendência de ser contra tudo e o seu contrario eu não me esqueço do que PP fez e disse no passado galamoroso do seu psd ?

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