Um ostensivo cheiro a chantagem

(Jorge Rocha, in Ventos Semeados, 19/02/2018)

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O descaramento dos procuradores do Ministério Público já atingiu tal dimensão que não constitui propriamente uma surpresa a notícia de ter bastado Rui Rio anunciar a disponibilidade para acordos de regime sobre a Justiça, para que os apaniguados de Joana Marques Vidal logo anunciem uma investigação a Elina Fraga no dia seguinte a saberem-na designada vice-presidente do PSD.

A mensagem é óbvia: os responsáveis pela inaceitável politização do poder judicial, há quinze anos  – com a corrupta investigação sobre a  pedofilia na Casa Pia – a tentarem prejudicar continuamente o Partido Socialista de forma a perenizar a direita no poder, constituindo-se ela numa barriga de aluguer para a proclamada intenção de transformar a República portuguesa numa ditadura dos magistrados.

A História tem-nos ensinado – quer em Itália, quer no Brasil – que a judicialização da política tem criado as condições ideais para a emergência de um fascismo ordinário que empobrece os respetivos povos, os torna presa fácil dos demagogos mais insanos.

É só uma questão de comparar o investimento feito nestes últimos anos nas investigações (em tempo e em muito, mas mesmo muito dinheiro!) contra Armando Vara, José Sócrates, José Magalhães, Conde Rodrigues, ou mesmo Mário Centeno, com as avançadas contra o grupo cavaquista do BPN (incluindo Dias Loureiro), Duarte Lima e, sobretudo, Paulo Portas. Quantos dias de prisão, mesmo sem provas que os fundamentassem, para políticos socialistas e quantos para os dos partidos das direitas, esses sim com comprovativos indisfarçáveis das suas corruptas atividades?

 Não surpreende que, nas direitas, se exija com tão intenso vigor a renovação do mandato da Procuradora Geral: ela tem sido o seguro de vida para que os interesses vinculados às direitas sejam acautelados sem que ninguém os belisque. Ainda este fim de semana a múmia de Boliqueime veio acrescentar gás (por certo fétido) a tal esforço.

O que o grupo que conspira ativamente contra a prevalência dos valores republicanos na Justiça não pode aceitar é que o seu braço político mais forte se vire contra si. A intenção manifestada por Rui Rio para alterar os desequilíbrios acumulados nos últimos anos e traduzidos em indignas violações do segredo de Justiça, foi oralmente expressa por Paula Teixeira da Cruz, que não hesitou em considera-la uma traição. Daí esta tentativa ostensiva de chantagear a nova direção do PSD instando-a a não se afastar do trilho dos últimos anos. Acaso o façam ficam sujeitos a também se verem na via sacra da devassa da vida privada devidamente transposta para o vómito matinal em forma de uma coisa que tentam considerar um jornal.

Resta saber se Rui Rio se acobarda ou se se juntará a quem, conhecendo bem por dentro o antro donde saiu para exercer as funções de Ministra, estará em condições de proceder ao devido saneamento.

Apesar das pressões de Marcelo em contrário, importará começar pela caducidade do mandato da testa-de-ferro do grupo em causa tão só termine o mandato daqui a nove meses, oferecendo ao sucessor uma boa barrela com que comece a tratar das manchas que conspurcam a instituição.


Fonte aqui

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