O PS e a sua displicência perante a mitomania da direita

(Carlos Esperança, 18/02/2018)

inimigo

Uma década depois da última crise global do capitalismo, acelerada pela falência do banco Lehman Brothers, é tempo de desmascarar a direita portuguesa, que não para de atribuir ao governo de então as desgraças de que ela própria foi cúmplice entusiasta.

Admitir que alguma economia frágil pudesse resistir ao vendaval que se abateu sobre as dívidas soberanas, é mentir sobre a natureza e a intensidade da que ocorreu, e ignorar o efeito do chumbo do PEC IV sobre os juros da dívida, chumbo que, ao contrário do BE e PCP, não foi motivado por coerência ideológica, mas por sofreguidão do poder.

A Espanha conseguiu defender-se com um modelo semelhante ao PEC IV, evitando a troika, enquanto Portugal, Grécia e Irlanda sofreram os efeitos devastadores de que a França e a Itália se livraram pelo seu peso no seio da UE.

É na ausência de memória, nesta desfaçatez, que uma figura menor, cuja incompetência levou Portas à ‘demissão irrevogável’, se apresenta agora como governante competente, depois de Vítor Gaspar, muitíssimo mais qualificado, técnica e academicamente, se ter demitido confessando o seu fracasso.

Além da leviandade com que ignorou os bancos e da duvidosa bondade da resolução do BES, cuja decisão teve apoio de Assunção Cristas, ‘a pedido da amiga’, e sem qualquer conhecimento do dossiê, Maria Luís ficará, para quem tem memória, como a ministra que negociou permutas (swap) com o Estado, na atividade privada, arranjou a sinecura ao marido, depois do despedimento, e se vendeu a um fundo abutre nos dias imediatos à saída do Governo que Cavaco queria manter contra a vontade da AR.

Curiosamente, quando Rui Rio ganha o congresso, resgatando o PSD de um passado de incompetência e radicalismo, começa com a oposição do pior PSD, dos que derrotou, de Maria Luís e Luís Montenegro, que já se perfilam para lhe suceder, e o elogio de Cavaco Silva, que só pode fragilizá-lo.

O PS, este PS avesso ao bloco central de interesses, não pode deixar que as mentiras do PSD, com obstinada teimosia, se tornem ‘verdades’ que disfarçam a desforra em curso pela humilhante derrota de Cavaco, Durão, Passos Coelho e Santana Lopes, com figuras menores, mas ambiciosas, que conspiram por eles. O PS deve refutar as mentiras.

O País não está livre de novo coelho, de nome ou sexo diferente, saído da cunicultura da zootecnia deste PSD, que determina quais os partidos legítimos para formar governo.

Os interesses dos portugueses exigem o combate organizado das esquerdas à mentira e ao poder ilegítimo desta direita que hegemoniza a comunicação social e os centros de decisão económica e política.

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