A mão atrás do arbusto

(Por Estátua de Sal, 27/02/2017)

entrevista_socrates

Grande entrevista de Sócrates à TVI. Em grande forma. Cavaco fartou-se de escrever no seu livro sobre Sócrates, sem contraditório. O contraditório sobre muito do que Cavaco escreveu, surgiu hoje e Cavaco sai muito mal, ficando o seu carácter melífluo mais que provado. E também ficaram mais que provadas as responsabilidades de Cavaco e dos seus amigos da direita na vinda da troika com a sua mala carregada de austeridade. Trocaram o seu sucesso pela desgraça do país.

Cavaco, esse grande conspirador, afinal. Cavaco esse grande mentiroso, afinal. Cavaco, a mão atrás do arbusto. Depois tivemos a entrevistadora, Judite de Sousa. Qual árbitro caseiro, parecia que tinha um apito a favor de Cavaco. Sócrates teve que a pôr na linha várias vezes. Mostrou falta de preparação, foi contraditada por Sócrates amiúde sobre factos falsos, datas e acontecimentos, que fundamentam as narrativas da direita e que ela aceita piamente como verosímeis sem os questionar.

E sobre o processo Marquês, e as últimas novelas da PT, do Bava e do Granadeiro, cada vez me convenço mais que são a preparação para mais um adiamento do prazo do inquérito. Com tanto adiamento, a acusação ainda acaba só por ser concretizada, lá para depois do funeral do Sócrates, quando ele já não se puder defender. Defesa que eu anseio por ver, já que também quero saber, como todos os portugueses, se ele é culpado ou não, e sendo culpado de quê e em que grau.

Mas se em 17 de Março houver mais um adiamento, e não surgir acusação nenhuma, eu não estranharei. Se tivemos um presidente da República capaz de conspirar para derrubar um governo a favor dos interesses da direita, não espanta também termos uma Justiça a intervir ativamente no processo político na defesa dos mesmos interesses.

Esta gente, com os seus métodos (p)mafiosos, é gente perigosa. É gente que, tendo sido capaz de vender o país, é capaz de vender a mãe.

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8 pensamentos sobre “A mão atrás do arbusto

  1. Aleluia, caro Estátua!….
    Finalmente parece que se vai fazendo luz no seu caminho.
    Afinal isto é gentalha que não presta. A direita (p)mafiosa é o principal sustentáculo do capitalismo. Mas olhe que o Sócrates também vestia bem, segundo dizem por um alfaiate yankee, depois de vir da Covilhã com o bacharelato conseguido no Instituto Politécnico e que lhe dava direito a assinar projectos de construção civil para ir ganhando a vida, depois desceu para apanhar o comboio da política e vir até Lisboa, com a pressa que tinha, lá no apeadeiro onde o comboio parou, nem reparou que a carruagem onde entrou – aquela que lhe ficou de frente – logo que a porta se abriu, era a do ppd/psd (primeiro foram populares e depois é que se transformaram em sociais, e hoje são o que são).
    E, segundo rezam as crónicas, a viagem até lhe correu bem no início, mas, matreiro como já era, cedo se apercebeu de que naquela agremiação a ascensão da carreira estava comprometida devido a uma feroz concorrência dos jotinhas alaranjados, pelo que desceu no primeiro apeadeiro onde o comboio parou e mudou de carruagem. Desde então, no partido dos ditos socialistas em liberdade, de jotinha a “menino de ouro” (à ganda Eduarda, é assim mesmo é que se sobe na carreira, mas não só assim, claro, vocês, mulheres, possuem outras valências) foi um ver se te avias e, perante um pântano ainda pantanoso deixado pelo cherne, esse criminoso de guerra ainda por, sequer, acusar, quanto mais julgar, e agravado pelas santanisses de curta duração, foi fácil ganhar eleições e até conseguir a única maioria absoluta da agremiação do Rato.
    Paralelamente, a mãe do dito cujo, que chegou a Lisboa e até conseguiu uma pensãozita como doméstica, segundo dizem as más línguas no valor de €300,00, viria a comprar uns apartamentos em Lisboa e arredores, chegou a ser transportada em carro particular, com motorista a quem foi apresentada como a Senhora Dra. Adelaide, se me não falha a memória.
    Ao mesmo tempo, depois do divórcio, a consultora Fava viria a adquirir um monte alentejano, algures em Montemor-o-Velho, foi ptomovida a consultora de um grande gupo empresarial que ganhava quase tudo o que havia para ganhar na construção, conservação e manutenção de edifícios escolares, auferindo uma bruta avença mensal, o dito “Golden Boy” (esta é da minha lavra, ó amigo Estátua), adquiria um bruto apartamento na Brancamp e mais umas caves algures por aí onde guardava documentos, conseguindo também, em processo duvidoso, licenciar-se, tendo o correspondente certificado sido emitido a um domingo.
    Depois, bom, depois foi o que sabemos, mais o que iremos saber quando terminar a operação marquês.
    Meu caro Estátua, se isto não é próprio do capitalismo, então eu estarei muito enganado…
    Um forte abraço, daqui de bem longe , do
    aci

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    • Anticapitalista. Se bem li o “menino de ouro” aprendeu bem e depressa as regras do sistema que o amigo não se cansa de verberar. Mas sendo o “sistema” tão tentacular e composto por uma miríade de figurões, o que ainda não percebi é porque é que só ele é que vai preso, sendo que cumpriu as regras que todos os outros cumprem e seguem com grande afinco e desvelo? 🙂

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      • Bom, meu caro amigo Estátua,
        Me parece não ser, de todo, verdadeiro afirmar que «…só ele é que vai preso, …».
        Efectivamente o isaltino já cumpriu prisão efectiva; o duarte lima está a braços com a justiça e, ao que é suposto, não pode sair do país (muito menos entrar no Brasil, lembra-se?…); o oliveira e costa também; o miguel macedo deverá ser condenado em breve; o paulo pedroso conseguiu safar-se porque correram com o juiz Teixeira do processo e desterraram-no para Torres Vedras, mas mesmo assim foi solto, requereu judicialmente uma indemnização de 100.000 euros, por ter estado preso, mas não logrou receber a massa e hoje continua como professor no ISCTE; o Torres Couto, conseguiu livrar-se da pildra no caso dos fundos comunitários para a Formação Profissional na grande central sindical democrática que gira sob a sigla de UGT, e que foi constituída para “partir a espinha à Inter”, por ser um socialista em liberdade e ter como pontas de lança figuritas do partido dito primeiro popular democrático e depois acrescentado com o “social”, o tal ppd/psd, ou seja, o pessoal do famigerado “ARCO” que foi ocupando a governança desde que derrubaram o Vasco Gonçalves; o Dias Loureiro e outros figurões capitalistas andam às voltas com o caso BPN, e tentam passar pelo meio dos pingos da chuva; o maior charlatão da política e um capitalista de gema, que deveria ter sido o primeiro a ser preso, e que prestou contas há dias, não foi dentro porque toda a burguesia capitalista e seus acólitos, jornaleiros e fazedores de opinião, democratas de boca, sociais-democratas, democratas cristãos, etc., até o consideravam o pai (e a mãe, diria eu) da democracia portuguesa, só porque foi o maior anti-comunista do sistema e por isso o capitalismo e os seus defensores deviam-lhe elevados serviços.
        Sobre este charlatão, ainda há pouco tempo eu li aqui na Estatuadesal um artigo do jornalista Nicolau Santos – por quem nutro alguma consideração, diga-se, mas quase em exclusivo de toda essa corja de avençados que por aí e por todo o lado vêm evancuando as suas descabeladas teses pelos media que vão tomando de assalto – onde o considerava, imagine-se, o Churchill português, admito que referindo-se ao conservador Winston Leonard Spencer, um bom burguês oriundo de uma família aristrocrática da nobreza britânica (a família Spencer), que, depois de 40 anos na vida política do seu país, desempenhando cargos proeminentes, foi primeiro ministro em dois mandatos alternados, depois de ter entrado (à terceira tentativa) como cadete da cavalaria na real academia militar, e nesta qualidade de militar viria a cometer alguns disparates por aventuras irreverentes (como a participação nas Gerras dos Bôeres, mas o mais grave deu no desastre da campanha de Galipoli), passou por jornalista, relatou diversas guerras mais tarde editadas em livro, 5 volumes e também em versão condensada num único volume, publicou um romance intitulado Savrola, escreveu a biografia do seu pai, tendo, pela sua obra literária, sido laereado com o Nobel da Literatura em 1953, e então considerado «o maior dos ingleses vivos». Não sei bem onde o Nicolau se inspirou para tal comparação, mas ele saberá, acredito.
        Mas, repetindo-me, este charlatão deveria ter sido o primeiro a ser preso, porque, quem se der ao trabalho de ler o livro, do também socialista em liberdade Rui Mateus, intitulado «Contos proíbidos, Memórias de um PS desconhecido», por certo encontrará matéria suficiente para compreender como funciona o capitalismo e como os charlatães, como este canalha, sob a bandeira de ideais tão nobres quanto sublimes como é o SOCIALISMO, vendem gato por lebre ao Zépovinho, vêm com o papão do comunismo, e depois da sementeira ideológica plantada, marcam eleições e colhem os frutos que permitem, por exemplo, no caso do «Menino de Ouro», apanhar o tal combóio, chegar a Eng. com diploma emitido a um domingo, vestem em alfaiates de Nova Iorque, compram brutos andares na Brancamp, fazem Mestrados em Paris habitando zonas nobres, t~em Mercedes Benz com motorista particular para transportar malas de dinheiro, têm amigos como o Carlos Silva (ai se este um dia vier a pôr a boca no trombone….), etc., etc.
        E meu caro Estátua, se tem dúvidas e não conhece, ou, eventualmente, já não se lembra, deixo-lhe aqui um resumo de uma notícia saída na “Sábado”, sobre a temática do livro do Rui Mateus, mas para não ocupar muito do espaço da Estátua, aqui fica o link que dá acesso à notícia, e que lhe recomendo ler, pois parece que o meu amigo ainda vai tendo dúvidas:
        http://www.sabado.pt/portugal/politica/amp/excertos-de-um-livro-maldito-que-faz-anos
        Entretanto, lamentando não lhe poder responder mais em concreto à questão que levanta, deixo, daqui de longe, aquele abraço, do
        aci

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      • Até à data, dos que referiu, só o Lima é que está em maus lençóis. Mas esse não é de estranhar. Exorbitou. Passou do “crime de colarinho branco”, para o crime de “colarinho vermelho”. É claro que há um limite que o sistema não pode tolerar, a não ser em casos muito especiais e muito bem urdidos, o que não foi o caso dele. Um abraço.

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