O síndrome da cabeleireira

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 26/09/2016)

Autor

                             Daniel Oliveira

A semana passada assistimos, em jornais, televisões e rádios, a uma “trip” coletiva. A propósito de um imposto (já existente) sobre património, que não causou qualquer polémica quando foi criado, que é banal na sua natureza e sobre o qual ainda pouco ou nenhum pormenor se sabe, escreveram-se os textos mais delirantes. Clarificada a aldrabice de que tal coisa poderia sequer beliscar a classe média, passámos para um debate mais geral. Ele é legítimo, mas a histeria atingiu a psicose, passe o abastardamento das expressões. De repente, e referindo textos de pessoas aparentemente normais, estávamos perante uma revolução que punha em causa as bases do capitalismo e do direito à propriedade privada. A medida mais não era do que um desvio marxista deste governo. Um convite à debandada dos ricos.

Julgando ter-me escapado alguma coisa, falei com gente que percebe da poda e está muito distante das minhas convicções políticas. Confirmei dúvidas sobre a possibilidade de uma dupla tributação (já existe IMI) e discordâncias políticas com este imposto. Mas também confirmei a normalidade deste tipo de imposto e a estupefação com as leituras apocalípticas que dele foram feitas. Grande parte da confusão resulta, num país pouco habituado a discutir ideias e mais concentrado nos mensageiros, do facto do anúncio ter vindo do BE. E resulta da confrangedora ignorância política e ideológica de alguns comentadores, sempre prontos para emprenhar pelo ouvido e seguir para onde o vento sopra.

Quando o argumento deixou de ser o “ataque sem precedentes à classe média” passou para a provável fuga dos investidores. “Precisamos dos ricos”, gritou-se bem alto. Note-se que não estamos perante a taxação sobre as grandes fortunas que se tentou em França. Estamos muito longe disso. Estamos, num país onde os rendimentos do trabalho são cada vez mais a fonte quase exclusiva de financiamento do Estado, no limite mínimo do que qualquer social-democrata moderado defende como uma boa prática com vista a alguma redistribuição da riqueza.

Aceitemos, apesar de tal não ser verdade, que todos os ricos e proprietários são investidores. Precisamos deles, então. Mas tem de haver um limite para este argumento. Como é, para quem tem meios, relativamente fácil deslocalizar, de forma legal ou ilegal, património e rendimentos, o argumento tem uma conclusão final: os ricos, porque precisamos deles, não devem pagar impostos. E a mais banal e tímida política fiscal de um social-democrata passa a ser tratada como radical.

Tudo isto são os ares do tempo. Talvez ser social-democrata, hoje, seja mesmo radical. Mas é constrangedor ver como algumas pessoas que se apresentam como sendo de esquerda alinharam no coro do “salvem os ricos”. Como se não estivéssemos, em Portugal e nos países do chamado primeiro mundo, a assistir ao movimento oposto de crescente desigualdade.

Que também se sente numa crescente desigualdade fiscal. Warren Buffett explicou as crescentes vantagens fiscais para os ricos: “Há uma luta de classes, mas é a minha que a está a fazer e a está a ganhar”.

Mas por cá é tudo mais grave. Qualquer medida social-democrata esbarra, num país tão desigual como Portugal, com uma incompreensão estrutural da nossa elite: que também ela tem o dever de contribuir para o bem comum. É um sentimento absolutamente estranho ao nosso capitalismo terceiro-mundista. Para ser encarado com naturalidade teríamos de assistir a mudanças estruturais na nossa sociedade. No entanto, a resistência natural a esta partilha do fardo fiscal não surge apenas da elite económica. Ela parece ter um autêntico exército de apoio. Tendo em conta o número de afetados por este imposto (não se sabe até que ponto e com que intensidade), pode dizer-se que nunca tão poucos contaram com a defesa de tantos.

No caso da elite mediática, podemos falar daquilo a que os sociólogos chamam de “ilusão da proximidade” ou, sem ofensa para as ditas, síndrome da cabeleireira: ao lidar quotidianamente com o poder político, julga que também tem poder, ao lidar quotidianamente com o poder económico, julga que também é rica. E está, como sempre esteve, na primeira linha da defesa de quem tem mais poder. Serge Halimi, editor do “Le Monde Diplomatique”, chamou-lhes de “novos cães de guarda”. Parece-me que, nos tempos que correm, o termo já é demasiado bélico. Os cães já não precisam de guardar grande coisa. Andam apenas às migalhas. E qualquer medida de justiça social, por mais tímida e banal que seja, contará com impensáveis resistências na comunicação social. Vindas dos mais insuspeitos lugares.

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11 pensamentos sobre “O síndrome da cabeleireira

  1. Mansion Tax :
    Era o nome proposto pelos Trabalhistas para um novo imposto incidindo sobre as mansões com valor acima de 1 milhão de libras, caso ganhassem as eleições. Não ganharam infelizmente,
    Mas julgam que a campanha que aconteceu em Portugal é original ?
    Chegou-se ao ponto de classificar a medida como um crime contra aqueles que, embora ricos em imobiliário eram porém pobres em cash. Foi uma hysteria nas hostes da direita.
    O “Observador” parece o boletim da paróquia comparado com Daily Mail, Telegraph e demais compagnons de route…

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  2. Pois é. Mas não é só o novo imposto que os anima – elites, media, etc., em síntese, os e as pafistas.
    Ainda agora mesmo, perante a notícia de que o défice está garantido nos 2,5% e até há conforto para cegar aos 2,2%, um douto qualquer coisa, escriba da corte, esganiçava-se todo a desdobrar as rúbricas, para concluir que, afinal, o plano “B”, na perspetiva do escriba, era a geringonça meter na gaveta o plano “A”.
    Isto sim, isto é análise fina para sínteses simples, claras e bem elucidativas do que vai na mente/desejo desta gente.
    Navegando, ainda que amadoramente quando comparado com estes arautos (quantos, não foram alunos do “sr. Silva”, da Dra. Maria Luís, do Dr. Vitor Gaspar, etc., estes sim, Economistas com maiúscula), nas águas da Economia desde há umas boas dezenas de anos, decidi sugerir ao colega analista, o seguinte, que, ouso supor, aos visados neste texto do DO, que subscrevo, se aplica na íntegra:
    Acho melhor um plano “C” = Meter este “B” na mesma gaveta em que é sugerido meter o “A”.
    Mas, em última análise, estes “meter na gaveta” – se possível fosse -, para os seus defensores, pressupunha a (tão desejada e ambicionada) queda da geringonça. Ou seja, a queda deste governo e, de preferência, novas eleições.
    Acontece que, desafortunados (88 anos não Vos chegaram?!?!?) quer os pafistas, queiram ou não, só mesmo pelo voto, com base na CR que está no vértice de todo o luso Corpo Normativo, ainda que burguês e de fachada social-democrata, dado que nos acorrentaram ao capitalismo financeiro.
    Entretanto, um tal desiderato, por muito desejado que seja pelos anti-geringonça, pressupunha a constatação do “não funcionamento regular das instituições”. O que não se verifica, ouso supor, antes pelo contrário, pois a geringonça funciona e, quanto a resultados, por mais desdobramentos que se façam nas rúbricas, o resultado final e agregado é o que conta para Bruxelas, onde navegam os tecnocratas lacaios do capitalismo financeiro, não eleitos, que, imagine-se, são mais pafistas que os pafistas domésticos, mas que terão que se render aos já anunciados prováveis 2,5 % ou até 2,2%.
    Acresce, por outro lado, que para novas eleições, de Belém não sopram ventos favoráveis, antes pelo contrário. E se o PR, legitimado que está directamente pelo voto, acumulando ainda a seu favor a sua invejável popularidade (ou não viesse ele da esquerda da Direita lusa), não tem, sequer, vontade, como poderia querer fazer a vontade aos seus correligionários pafistas que são da direita da lusa Direita?
    Mas tudo isto não passa de blá, blá, que visa adormecer o Zépovinho portuga, recorrendo os seus autores, enquanto escribas da corte, a estas doutas masturbações intelectualoides (na terra dos cegos, quem tem….), assim como se constituem (as ditas cujas) como que autênticas e gostosas massagens no ego dos pafistas comentadeiros anti-geringonça, os quais atingem os orgasmos manipulando os seus inúmeros “gosto”, quando, afinal, o(s) problema(s) é(são) outro(s), bem mais real(ais), com consequências incomensuráveis e desastrosas para o Zépovinho (pelo menos numa primeira fase).
    Ou seja, o problema grave, ou até já mesmo gravíssimo, está no CAPITALISMO:
    Desde há anos globalizado. Em crise profunda desde 2007. Sem fim à vista. Sem teoria económica nova que lhe valha, não obstante terem passado nove anos (ao contrário do que sucedeu em 1929 em que, 3 anos depois, já Keynes escrevera o cardápio das soluções para salvar o sistema e este as aplicava). Já com todas as munições disponíveis utilizadas – como tem sido o injectar nas veias da economia dos países mais avançados trilhões de dólares, libras e euros, o chamado “dinheiro helicóptero”.
    Mas sem resultados positivos assinaláveis visto que os motores da economia globalizada arrefeceram. Em alguns casos, até pararam. Fazendo lembrar o famoso, luxuoso, gigante inafundável britânico Titanic.
    Só que, este enorme monstro que representa o capitalismo globalizado e financeirizado, “fez-se ao mar” sem rumo definido. Sem bússola. Sem cartas de navegação devidamente testadas. Sem tripulação adequada e suficientemente experimentada (os juristas substituíram os economistas, ainda que os países se reclamem de Estados de Direito, os seus Povos já não decidem o rumo a dar às suas vontades expressas pelo voto).
    Mas, o mais grave, é que, ao contrário do enorme barco que em 1912 começou a afundar (ENQUANTO A ORQUESTRA CONTINUAVA A TOCAR PARA A FELICIDADE DE ALGUNS DOS PASSAGEIROS), este MONSTRO, de tão ávido pelo lucro fácil, nem os botes de salvamento se lembrou de colocar para a viagem, pelo que, estando em agonia desde 2007, parece agora já um completo moribundo, com alguns espasmos dispersos por uns quantos tecidos que existem ao longo do corpo, tais são os débeis crescimentos de algumas economias, mesmo as mais fortes, ao ponto de se admitir, e já como muito provável, uma nova recessão mundial. E isto, antes mesmo de se saber quem vai ser o novo chefe dos yankees, porque se for o Trump, os referidos espasmos chegarão mais rapidamente ao fim.
    Assim me parecem estes ambientes aqui vivenciados tendo por base certos artigos de escribas quase sempre pafistas, que originam depois comentários anti-geringonça, também quase sempre pafiosos, dos e das que, continuam a dançar e a divertir-se ao som da sempre harmoniosa e bem falada música que sai das trombetas do moribundo capitalismo, muitos e muitas nem se apercebendo de que a temática musicada é aquele fado canção, celebrizado pelo António Mourāo, do OH TEMPO, VOLTA PARA TRÁS!…
    Por isso, relembrando o querido e saudoso Zeca, agora, mais do que nunca,
    “O QUE FAZ FALTA É ANIMAR A MALTA” – Que poderia ser adaptado também aos pafistas pafiosos!
    ou, para os restantes portugas, explorados, reformados, desempregados, na miséria e na pobreza:
    “O QUE FAZ FALTA É ALERTAR A MALTA”
    “O QUE FAZ FALTA É AVISAR A MALTA”
    “O QUE FAZ FALTA É DAR PODER À MALTA”
    PARA QUE VENÇAM: A LIBERDADE E O PORTUGAL DE ABRIL!!!!… com o fim do capitalismo!…e, em última análise, FASCISMO NUNCA MAIS!!!….
    E aos os saudosista do passado, designadamente do passado recente, devemos aconselhar calma, paciência e tento, e admitir que o “Oh tempo volta pra trás” dificilmente agora se poderá aplicar nesta “Ocidental praia lusitana”, ao mesmo tempo que sugerir-lhes reflexão fria e sem preconceitos quanto à impossibilidade que têm agora, bem como nos anos mais próximos, de, pelos votos, voltarem ao poder e, em consequência, de se aproximarem do pote, na medida em que, tal como o referido capitalismo moribundo, a sua (deles, os pafiosos) família política doméstica está em crise e sem soluções à vista. Se não, leiam, atentem e meditem:

    Passos Coelho, pelo Relvas ajudado
    Em poucos anos subiu a um alto lugar,
    Perdeu agora a sua pena de voar,
    Ganhando a dura pena do derrotado.
    Já não tem no partido, nem no aliado,
    Asas suficientes com que se sustenha:
    Pobre do Pedro, não há mal que lhe não venha.

    Travestiu-se de PàF, p’ró Povo ludibriar,
    Mas, nas urnas, desta vez saiu derrotado,
    E, sentindo que assim ficou desasado,
    Sabe agora que para poder regressar
    Ao poder, e mais pertinho do pote ficar,
    Já nem de Belém poderia vir mais lenha
    Pobre do Pedro, não há mal que lhe não venha.

    E agora, que mereceu ser convidado –
    Pra apresentar um “monte de pura bosta”,
    Por má fortuna, triste e reles aposta –,
    Ou p’lo Diabo, que tinha anunciado,
    Viu-se, cobardemente, a ser obrigado
    A roer, da palavra a leve entranha:
    Pobre do Pedro, não há mal que lhe não venha!

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    • Grande poema, ó anticapitalista! 🙂 Vou publicar como artigo da Estátua! Só uma coisa acrescento ao seu texto. De Belem não vem ataque directo à Geringonça também porque as sondagens dão o PS a trepar e o PSD a fenecer…

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      • Boas, caríssimo Estátua,
        O “poeta” agradece o “Grande”, e sente-se muito honrado e até penhorado pelo mérito de poder ser publicado na nossa Estatuadesal, porque, desse modo, as septilhas serão lidas por muitas mais pessoas.
        As aspas usadas acima no poeta, visam a que os verdadeiros, ou os dignos desse epíteto, se não venha a sentir ofendidos!
        Quanto ao seu “acrescento”, dir-lhe-ei que não tenho esse sentimento, porque o inquilino é inteligente qb para perceber que, com a actual direcção da agremiação a que ele também pertence, o partido não ganhará mais eleições e, a acrescer, está o facto de o partido está muito pobre em alternativas fortes (FELIZMENTE, acrescento eu, já que lá não vive alma que se não “encarne” bem no capitalismo e, como poderá admitir, eu sou visceralmente anticapitalista e até incorrigível) que, a esta distância das eleições autárquicas, possa conseguir mais que o miserável do coelhito. Acresce ainda o facto de a direita toda está em crise e, a continuarem com os comportamentos de ressabiados que ainda não conseguiram ultrapassar, dificilmente tomarão rumo diferente, dado que a geringonça vai continuar até ao fim da legislatura porque todos os participantes têm consciência de que só continuando a direita será derrotada em novos actos eleitorais.E, como sabemos, o António Costa só tem que manter p que está nos acordos que assinaram e isso não é desiderato difícil de alcançar e, muito menos impossível. Para além, obviamente, das capacidades negociais dele que, ouso supor, será o político luso no activo mais experimentado que temos, e como ele também se reclama “vir da esquerda da direita”, e ainda porque o inquilino já está satisfeito por ter chegado onde chegou e se sente realizado, sabe que poderá fazer história enquanto mais popular e a quem, tenho a certeza, muito boa gente dos chamados moderados à esquerda, depois deste mandato, que o próprio sempre afirmou ser o único que quer cumprir, vão implorar-lhe para que se recandidate, enquanto toda a direita não apresentará outro candidato contra ele, ou seja, votará sempre “Dr. Rebelo de Sousa”, o partido do AC, não vendo hostilidade a este governo, também não arriscará apresentar candidato, o BE é o PCP, como sempre , apresentarão candidatos próprios apenas para fazerem campanha.
        Enfim, veremos, mas creio que até lá, às eleições, só uma crise grave global do capitalismo (que eu admito já muito provável, pois a recessão está em marcha e se o Trump ganhar, eu acho/desejo que ele vai estar para o afundamento do sistema, como o iceberg esteve para o do Titanic.
        Um abraço, com saudações anticapitalistas.

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      • …Titanic), só uma crise glonal, escrevia, poderá alterar este Nei hipotético calendário.
        Só agora viria o abraço….

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      • Boas, caríssimo Estátua,
        O “poeta” agradece o “Grande”, e sente-se muito honrado e até penhorado pelo mérito de poder ser publicado na nossa Estatuadesal, porque, desse modo, as septilhas serão lidas por muitas mais pessoas.
        As aspas usadas acima no poeta, visam a que os verdadeiros, ou os dignos desse epíteto, se não venham a sentir ofendidos!
        Quanto ao seu “acrescento”, dir-lhe-ei que não tenho esse sentimento, porque o inquilino é inteligente qb para perceber que, com a actual direcção da agremiação a que ele também pertence, o partido não ganhará mais eleições e, a acrescer, está o facto de o partido estar muito pobre em alternativas fortes (FELIZMENTE, acrescento eu, já que lá não vive alma que se não “encarne” bem no capitalismo e, como poderá admitir, eu sou visceralmente anticapitalista e até incorrigível) que, a esta distância das eleições autárquicas, possa conseguir mais que o miserável do coelhito. Acresce ainda o facto de a direita toda estar em crise profunda e já por aqui (net) andarem grupos organizados a reclamarem-se de uma ideologia (a que chamam “filosofia política” de um neoliberalismo ou “democracia liberal”) que, afirmam, não está representada no espetro político português ?!?!…e, a continuarem com os comportamentos de ressabiados que ainda não conseguiram ultrapassar, dificilmente tomarão rumo diferente. Até porque a geringonça vai continuar até ao fim da legislatura, na medida em que todos os participantes têm consciência de que só continuando a direita será derrotada em novos actos eleitorais.E, como sabemos, o António Costa só tem que manter o que está nos acordos que assinaram e isso não é desiderato difícil de alcançar ou, sequer, impossível. Para além, obviamente, das capacidades negociais dele que, ouso supor, será o político luso no activo mais experimentado que temos. Ora, ele também se reclama de “vir da esquerda da direita”. Como o inquilino já está satisfeito, por ter chegado onde chegou, e se sente realizado, sabe que poderá fazer história enquanto o PR mais popular e a quem, tenho a certeza, muito boa gente, dos chamados moderados à esquerda, depois deste mandato, que o próprio sempre afirmou ser o único que quer cumprir, vão implorar-lhe para que se recandidate. Enquanto isto, toda a direita não apresentará outro candidato contra ele, ou seja, votará sempre “Dr. Rebelo de Sousa”. O partido do AC, não vendo hostilidade a este governo por parte do PR, também não arriscará apresentar candidato próprio, e o BE e o PCP, como sempre, apresentarão candidatos próprios apenas para fazerem campanha.
        Enfim, veremos, mas creio que até lá, às eleições, só uma crise grave global do capitalismo (que eu admito já muito provável, pois a recessão está em marcha e se o Trump ganhar, eu acho/desejo que ele vai estar para o afundamento do sistema, como o iceberg esteve para o afundamento do Titanic), poderá vir alterar este meu hipotético, quanto gostoso e apetecido calendário!
        Um abraço, com saudações anticapitalistas.

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      • Caríssimo,
        A primeira resposta foi incompleta, por isso respondi segunda vez para terminar, mas ao ler todo o primeiro tecto, encontrei algumas gralhas que, para além de poderem dificultar a compreensão, não contribuíam em nada para a elevação da qualidade que, felizmente, é apanágio da nossa Estatuadesal, pelo que, não sabendo eu como editar depois de submetidas, ou, sequer, se tal hipótese é possível, e partindo do princípio que o amigo pode sempre retirar daqui os textos, rogo a fineza de apagar/deletar ou não validar os 2 primeiros (minha resposta é depois o complemento) assim como este texto, validando apenas esta versão que enviei antes, já completa e corrigida das gralhas.
        Também, do mesmo modo, agradeço que o amigo faça o favor de colocar os “:” (dois pontos) no final do penúltimo verso da segunda septilha, porque, por lapso, enviei sem eles, e assim, a rima e a métrica cumprem, a ortografia passará a cumprir tambem, até porque nas primeira e última septilhas, os “:” estão lá..
        Abraço, com desculpas por eventuais transtornos.

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  3. Não sou simpatizante do BE, bem pelo contrário, mas, na realidade, este imposto faz todo o sentido, e o texto do Daniel Oliveira está claro como água. Que tristeza de País que não consegue discutir temas tão importantes como a forma de redistrubuir riqueza num País tão desigual. Bem fazem os nossos jovens…não dá mesmo para cá ficar…

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  4. Por norma mantenho sempre algum cepticismo ao que o Daniel Oliveira escreve. Acho que é saudável. Mas desta vez, e como em muitas outras, falou bem e como deve ser. Gostei particularmente quando refere que parte da contestação se deve ao facto da proposta vir do BE. Eu diria que a maior parte da contestação surgiu de forma quase automática apenas porque vinha da parte do BE e, para piorar o estado de azia de muita boa gente, pelas mãos da Mariana Mortágua.
    Para um Portugal estupidamente conservador, onde ainda há pessoas que suspiram de saudades dos tempos de Salazar, uma jovem mulher de esquerda sem papas na língua é um autêntico anti cristo! A julgar por algumas reacções que assisti, parecia que a moça queria impor uma ordem de castração a nível nacional! Mas afinal era apenas um imposto que, ironia das ironias, beneficiava a esmagadora maioria (senão mesmo todos) das mesmas pessoas que já estava a peticionar para a mandar para o Tarrafal.
    A mentalidade portuguesa tem ainda muito que evoluir. Grande parte dos votos que Cavaco obteve ao longo dos anos foi apenas pela sua postura “presidencial” e ar austero que infelizmente muita gente ainda confunde como competência ou valor. Este é um caso extremo em que o pacote engana pois o conteúdo não tem nada que se aproveite.
    E depois há ainda uma fobia inerente ao BE apenas porque é um partido diferente. Porque é novo. Porque a maioria dos seus militantes é jovem e os jovens “não sabem nada da vida”. A maioria das pessoas começa logo a protestar assim que topa o símbolo do partido. A direita amestrou-os muito bem. Não tem nada a ver com incompetência e muito menos com inexperiência. É pura lavagem cerebral e casmurrice típica de quem foi formatado para um tipo muito específico de político que, ainda por cima, já se provou que é sempre o pior.
    É por estas razões que acredito que o investimento na educação é, de longe, o mais importante. Portugal têm um grande défice de pensamento e espírito crítico. A esmagadora maioria dos portugueses é demasiado influenciável e cai facilmente em truques baratos de demagogia de fim de semana. Isso é terrível para um país que se quer evoluído e uma vantagem demasiado poderosa para uma direita mesquinha. Se esta nem se importava de ver o país na ruína com as sanções da UE, vai agora coibir-se de usar truques baixos?

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