Queda de um mito

(Baptista Bastos, in Correio da Manhã, 13/01/2016)

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Baptista Bastos

A dimensão política e cultural do professor ficou a nu: afinal, não vale tanto quanto se pensa e se diz.


Marcelo Rebelo de Sousa tem confiado, excessivamente, em si próprio. Não fosse ele um excessivo gesticulante e um ilusionista no tratamento das palavras, enfim: um atabalhoado nas ideias.

Aliás, destas, pouco se lhe conhece, a não ser as do habitual receituário. Converge-se-lhe a simpatia inapagável e essa espécie de campeão da convivência que o faz querido dos que gostam do género, em especial as senhoras de meia-idade. Toda essa estudada empatia foi estilhaçada nos debates com Sampaio da Nóvoa, que o reduziu a um desajeitado defensor de coisa alguma; e com Maria de Belém, que disse do oponente coisas terríveis. A delicadeza da senhora, o sorriso cortês e levemente zombeteiro, transformaram o que parecia um diálogo gentil numa penosa cena de enxovalho.

Maria de Belém não perdeu uma para reduzir Marcelo a subnitrato, colocando-o como triste defensor de nada a defender. A dimensão política e cultural do professor ficou a nu: o homem, afinal, não vale tanto quanto se pensa e se diz. Afirmar-se que ele é o anti-Cavaco, só por paródia. Ele é um produto do ‘sistema’, e não há borracha que apague as cartas denunciatórias a Salazar, e as esquivas a questões bem graves da democracia.

Sampaio da Nóvoa, cuja compleição intelectual, cívica e humana supera, de longe, o que por aí há, desmontou a fragilidade do antagonista, com a paciente perseverança de um mestre, ante um traquinas incipiente. Nada de pessoal. Simplesmente a grandeza de quem sabe não ter necessidade de fazer disso soberba. A diferença entre o prof. Sampaio da Nóvoa e o dr. Cavaco, por exemplo, é galáctica. E a que decorre entre ele e o Marcelo, abissal.

Ao contrário do que, cá e lá, tem debitado um preopinante de maus fígados e frase manhosa, quando não infame, os debates têm suscitado interesse, pelo menos como reveladores dos caracteres dos intervenientes.

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4 pensamentos sobre “Queda de um mito

  1. MRS não é mito nenhum. E também quem é o sobremito, para destronar mitos? Pigmeus- mitos só no ambiente e contexto da alarve piolheira nacional, Mas também o sr. Baptista não é arbitro de coisa nenhuma. Melhor faria falar nos seus escritos na revista do Montepio sobre a real situação do Montepio. claro…Um julgador tem de ser Impoluto. MRS uma pobre figura…. Tino também quer ser mito à sua maneira, como Baptista Bastos. Num país de pigmeus há tantos mitos -DESGRAÇA!

    andrade da silva

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  2. De facto o MRS longe de ser um mito é um aldrabão ideológico! Qualquer ideologia lhe serve desde que lhe sirva para enganar o povo bacoco e inculto que o MRS quer manter assim, para assim, o poder espremer mais como o fez Salazar, Marcelo Caetano, a direita e a extrema, (todos bons amigos do querido prof,) assim como o Coelho e o Portas de triste e maléfica existência e figura. É esta porcaria que apoia e quer o dito MRS no poder.

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  3. ler hoje , 12abr16 , este artigo de Baptista Bastos , é , no mínimo , engraçado: como um escriba , para defender aqueles que lhe interessam , pode dizer tanta vacuidade asneirenta e disparatada , havendo , espante – se ! , quem lhe paga para isso

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