MARIA DE BELÉM ROSEIRA, NOVO «CAVALO DE TRÓIA» DA IGREJA?

(Alfredo Barroso, in Facebook, 12/08/2015)

Alfredo Barroso

   Alfredo Barroso

 A actual presidente da assembleia geral da União das Misericórdias Portuguesas, que foi vice-provedora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa quando o provedor era o frade Vítor Melicias, e que gosta muito de citar o padre Lino Maia, apresenta-se como pré-candidata à próxima eleição do Presidente da República salientando sobretudo o facto de ser «profundamente cristã», e de ter «uma relação muito grande com algumas instituições, desde as Misericórdias às IPSS», como se isso a qualificasse especialmente para se candidatar ao Palácio de Belém.
Não deixaria de ser uma grande ironia política que viesse a ser o PS, partido de tradição sobretudo republicana, socialista e laica, a constituir-se como um veículo privilegiado de infiltração da Igreja Católica no poder do Estado, ainda democrático, em que actualmente vivemos. E convém salientar que esta senhora não foi, ao contrário daquilo que se quer fazer crer, uma boa ministra da Saúde. Já poucos se lembrarão de que o seu amigo então primeiro-ministro, o «beato» e «blairista» António Guterres, teve de substitui-la por não estar a dar boa conta do recado, e criou, para ela não ficar triste, uma pasta ministerial fantasma, dita da Igualdade, sem qualquer conteúdo nem infraestruturas mínimas, e que não serviu para mais nada senão para proteger o ego da amiga Maria de Belém.
Esta senhora, que pertence ao pouco famoso «grupo de Macau» (com António Vitorino, Jorge Coelho e outros que tais) e que foi consultora da Espírito Santo Saúde (quando era presidente da comissão parlamentar de Saúde), não tem propriamente um «curriculum» que a qualifique como socialista ou genuinamente social-democrata, e ouvir dizer que ela «tem uma experiência política notável» (José Junqueiro) é, no mínimo, de gargalhada. Também não deixa de ser subliminarmente insultuoso ouvir dizer que ela «é uma pessoa que une pessoas honestas à sua volta» (Miguel Oliveira e Silva), como se todos os outros candidatos potencias a Presidente da República só conseguissem unir vigaristas à sua volta.
Note-se que, para além dos óbvios apoios da Igreja Católica (que prudentemente nem precisam de se fazer ouvir), esta pré-candidatura escandalosamente encostada à direita tem muitos apoios da medíocre «tralha segurista» que fez dela, imerecidamente, Presidente do PS. Infelizmente, António Costa não se tem mostrado à altura de mobilizar o partido e fazer esquecer esse equívoco, apesar do actual presidente do PS, Carlos César, esse sim, ser politicamente muito mais competente.

O PS suicidar-se-ia definitivamente como partido de esquerda se viesse a apoiar a candidatura de Maria de Belém Roseira ao cargo de Presidente da República!

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8 pensamentos sobre “MARIA DE BELÉM ROSEIRA, NOVO «CAVALO DE TRÓIA» DA IGREJA?

  1. Eu assim de repente só me lembro do esgar sorridente que a dra Maria de Belém ostentava quando foi ministra da Saúde.
    Mal os jornalistas a abordavam – e na maior parte dos casos para comentar mais uma “desgraça” do SNS – a senhora ministra antes de responder, mostrava os dentes com o tal sorriso mecânico, e debitava a habitual resposta pasteurizada.
    Nessa altura, aqui em casa, acabou por ficar conhecida pela alcunha da macaquinha sorridente.

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  2. Não sei se Sampaio da Nóvoa é um bom candidato para o PS. Mas de momento e dado que nenhum militante para além de Henrique Neto e Maria de Belém Roseira mostrou interesse em candidatar-se, parece-me de longe a melhor escolha, apesar da falta de experiência política. O PS não está obrigado a apoiá-lo já, mas não pode deixar transparecer para a opinião pública que admite não apoiar ninguém. Costa dá-se bem com Marcelo Rebelo de Sousa ou com Rui Rio? Mas desde quando as relações pessoais interessam para estas coisas? De que é que Costa está à espera? De perder as eleições legislativas para se candidatar a PR? Tal como Costa tem que definitivamente cortar amarras com Sócrates (Sócrates já admitiu que teve um comportamento que viola os mais elementares princípios da ética republicana, mesmo que não tenha cometido nenhum crime), tem igualmente que deixar claro que o PS vai apoiar um candidato da área da Esquerda, que não precisa de ser militante do Partido…

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  3. De acordo consigo dr Alfredo Barroso ! Não posso votar nesta Senhora que não é verdadeiramente uma proposta de esquerda. Me parece que o candidato Sampaio da Nóvoa, seria muito mais legítimo. A. costa deveria já se pronunciar.

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  4. Maria de Belém seria uma Presidenta muito cumpridora do protocolo, uma espécie de “múmia paralítica II”.
    A sucessão de candidatos a PR denota que o parlamentarismo torna supérfluo um PR que apenas “promulga” ou veta as leis do Parlamento.
    Somos um país demasiado pequeno para tantos Ministros, tantos deputados, tantos Secretários de Estado, tantos Autarcas, tantos assessores, o que denuncia a necessidade imperiosa e urgente de uma reforma do sistema político português, até porque de fato quem “manda” é mesmo a UE, e a UE vai impondo a impotência de toda esta “feira de vaidades” institucionalizada, a qual por sua vez “ordenha” os eleitores contribuintes, os quais apenas dispôem do poder-dever do voto e depois ficam totalmente á mercê da corrupção política!.
    Por isso ou se avança no Presidencialismo, ou então que seja a AR a nomear o PR com os tais dois terços de votos mínimos!

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    • Caro Sr. Manuel Alves, Não se esqueça que a História pesa muito na formação dos sistemas políticos. O PR tem um conjunto de poderes (sobretudo o Poder de dissolver a AR se julgar que está em causa o funcionamento das Instituições) que só um órgão com a legitimidade do Voto Popular pode exercer. De facto, o Poder do PR de intervir na Política é ainda uma espécie de ‘Poder Moderador’, à imagem do Poder dos nossos Reis Constitucionais. Finalmente, os Portugueses ainda se lembram de Salazar lhes retirar a capacidade de eleger directamente o PR, depois do susto que apanhou com Humberto Delgado…

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  5. Maria de Belém? Que curriculum apresenta para se candidatar ao cargo? Ser militante do PS! Isso interessa alguma coisa? Sampaio da Nóvoa tem pelo menos um currículo académico e já lhe conhecemos muitas ideias sobre o que pensa para Portugal. E Maria de Belém? Zero. Apoiada pela igreja? Que me interessa isso? Quando muito, mais me afasta desta candidata.

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