As listas do PS – Parte II e epílogo

(Carlos Reis, in Facebook, 22/07/2015)

Carlos Reis

              Carlos Reis

O PS e António Costa concluíram esta noite, às tantas da manhã, o processo de elaboração das 22 listas que contêm os seus 230 candidatos a Deputados da Nação. Serão pois estas 22 listas, e estes 230 nomes, que os portugueses apreciarão agora. Ora, a esse respeito, e a respeito do caótico e feio processo político, deixo aqui algumas notas e considerações:

1. O processo de elaboração das listas do PS consituiu um enorme prejuízo político para o PS. Foi quase um Manual daquilo que uma força política alternativa não deveria fazer: nem vale a pena virem dizer que os erros são naturais. Que até são. Mas este atabolhamento, este frenesim, esta caça pública ao lugar, este ruído e balbúrdia nos jornais, são mais do erros. São defeitos. E demonstram uma coisa aos eleitores:o aparelho do PS é uma bolha e é uma federação de interesses.

2. António Costa sai deste processo com a sua autoridade política algo diminuída. E perdeu a enésima oportunidade de marcar pontos, e de ganhar a confiança das pessoas para uma mudança real. Obama dizia em 2008 “Change We Can Believe In” – a proclamação da mudança não funciona se as pessoas não acreditarem nem virem exemplos palpáveis. António Costa tem de fazer perceber ao seu partido uma coisa: a Mudança começa sempre em casa.

3. Sobre a renovação: sim e não. Sim, nos cabeças de listas. Alguns francamente mobilizadores, credíveis, entusiasmantes das suas comunidades. Mas NÃO no resto. Por cada cabeça de lista há um nº 2 que é um polícia do aparelho. Um Gauleiter distrital a reboque.

Um cabeça de lista disputa os votos, põe a cara no cartaz e nos panfletos, as pessoas acreditam, mas no fundo estão depois a votar também no patrão do aparelho. Naquele que vai exigir e repartir os lugares de nomeação estatal. Que vai exigir quotas para ao partido nos gabinetes, IEFP, Segurança Social, DREs, etc, etc. Por exemplo em Coimbra, a Prof. Helena Freitas, Vice-Reitora da Universidade, vai ter de levar com o número 2 que é o cacique da Distrital Pedro Coimbra, que no passado foi notícia por ter estado em esquemas duvidosos nunca cabalmente esclarecidos, e que profissionalmente é Administrador nas Águas de Coimbra, um lugar de indigitação política. Por exemplo em Santarém, Vieira da Silva vai ter de levar a nº 2 com o cacique da Distrital, e no Algarve, e em quase todo o lado, é a mesma coisa. Por cada cabeça, umas mãozinhas do aparelho.

4. O Presidente do PS fala em renovação exemplificando com 166 candidatos que não foram deputados nesta legislatura que agora acaba. Mas se a renovação é o regresso, em Lisboa, de Maria da Luz Rosinha, de Joaquim Raposo e de Edite Estrela, então estamos conversados quanto à renovação.

5. Alguns erros foram corrigidos como em Santarém (a Sanfona saiu, a Idália Serrão, fica como é justo e merecido) e em Coimbra (o deputado falsificador de eleições e de documentos saiu – para entrar em seu lugar o João Galamba) mas fica sempre a sensação de não se ter resolvido o problema a fundo. Costa foi frouxo. Costa não limpou. Por exemplo em Coimbra, o cacique da Distrital conseguiu manter o sogro na lista. E apesar de ter sido rebaixada na lista (na sua posição inicial entrou a deputada Elza Pais) o facto é que a namorada do cacique antecessor (Vitor Batista) continua na lista. Assim os dois líderes da Distrital de Coimbra fizeram tudo em família: um meteu o sogro, o outro quase mete a namorada. Convenhamos que substituir um deputado falsificador por um deputado notável como Galamba, e a namorada de um cacique, por uma pessoa do nível da Elza Pais, seria sempre o mínimo dos mínimos.

6. Bons deputados como a Isabel Moreira são recambiados para um 20º lugar. Mas gigantes intelectuais como o Miguel Coelho ficam acima nas listas.

7. A lista de Lisboa é lamentável. E isso é grave pois é aqui que o PS pode ganhar ou perder o país. Por isso quando um partido se decide a elaborar uma lista na lógica de conveniências (arranjar um lugar para Susana Amador para esta não ficar sem emprego quando tiver de sair da Câmara de Odivelas daqui a 2 anos) ou na lógica das quotas de interesse (enfiar o gasto João Soares no lugar de Álvaro Beleza) ou enfiar o inefável Lacão, é sinal que perdeu a noção do que os cidadãos querem.

Estas listas foram uma enorme oportunidade perdida para o PS. E uma grande falha de António Costa.

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Um pensamento sobre “As listas do PS – Parte II e epílogo

  1. Ó senhor Carlos Reis que em 166 casos de renovação para deputados (segundo ouvi numa declaração avulso) e sobretudo de renovação quase total dos cabeças de lista o senhor Carlos fala de meia dúzia de “caciques” ou parecido, segundo ele, que estragam. à partida, tudo e foram- são para o PS e A. Costa “uma enorme oportunidade perdida para o PS. E uma grande falha de António Costa.”
    Nem mais nem menos senhor Reis, força Reis, dá-lhes grande Reis pois uma renovação tem de ser para Reis uma revolução, uma corrida em osso, uma varridela para o lixo de tudo o que o senhor Reis não gosta e detesta porque ele é que sabe e está atento à defesa da pureza política do PS. Estará mesmo ou é mais um como o acima PSG, a clarinha, o Daniel e tuti que é sbsidiodependente do padrinho ti balsemão que por sua vez é subsidiodependente e folgado sobrevivente dos governos psd a quem faz os fretes todos em perfeito conluio de interesses
    São espertos balbuciadores de fingidos ataques esquerdistas que não passam de baba pequeno-burguesa, segundo a cartilha(m-l), para venderem bem a banha de cobra do psd que realmente defendem.

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