Os abortos são eles

(Joseph Praetorius, in Facebook, 27/06/2015)

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Vi agora que há uma iniciativa “pró-vida”, de papistas (sem-papa), visando uns controlos administrativos – com uns funcionários e uns médicos-funcionários – e umas cobranças de taxas moderadoras, visando nos casos de IVG fazer a mulher “reflectir”.

Não sei se as mulheres e raparigas que assim seriam privadas do sigilo clínico, confrontadas com pagamentos para os quais podem não ter meios e com intrusões sem defesa na sua vida pessoal, não sei se essas mulheres poderiam reflectir em tais condições. Eu já reflecti.

Os papistas (sem-papa) a quem se tem chamado (sem exactidão) “direita católica”, querem cheios os asilos de infância. Esses asilos que alimentam os bordeis e as cadeias, esses asilos que são eles próprios bordeis.

Estes papistas (sem papa) trazem um detalhe na posição tomada que me parece da maior importância sublinhar: concedem a condicionalização circunstancial da vida humana. achando portanto que há vidas humanas inconvenientes. Querem é que a inconveniência, a condição extintiva, a pobreza, por exemplo, seja administrativamente demonstrada.

Querem evidente e documentado o estigma da miséria. Só uma tão devastadora humilhação permite a utilização incondicionada de um ser humano assim despido em vida de qualquer dignidade e, portanto, completamente instrumental. É este o resultado objectivo e perfeitamente antevisível. É portanto o que se pretende.

E, para tanto, querem a polícia: o médico-polícia, o fisco-polícia. E querem o martírio – o confronto da mãe que pede a IVG com a imagem ecográfica do nascituro e a rubrica comprovativa de que essa forma de tortura psicotizante foi aplicada – querem essas mães a oscilar entre o hospício psiquiátrico, o bordel e a cadeia e as crianças nos asilos-bordeis (q.e.d.) de onde passarão às cadeias (é exactamente assim, porque tem sido exactamente assim).

Esta gente está fora de qualquer horizonte confessional reconhecível como cristão. Não devia portanto nenhuma jurisdição autorizar-lhes que tomassem a palavra na qualidade de elementos das suas fileiras, sejam elas quais forem.

Isto é – confessionalmente falando – um pecado contra a vida e um insulto ao Doador da vida. E a selvajaria que ostentam sem pudor deveria ser causa de banimento da vida pública.

Talvez seja o momento de pedir formalmente à CIA (ou à presidência dos USA) a lista dos 500 nomes com relevância política e económica no território que a CIA registou (segundo um agente seu declarou diante de metade do mundo) como clientes da rede da Casa Pia. Outra coisa que se poderia fazer seria pedir ao Soberano Pontífice que se pronuncie sobre esta barbaridade do ponto de vista confessional: é lícito à luz da Tradição Católica-Romana agravar nestes termos a miséria? E agravá-la a este ponto?

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4 pensamentos sobre “Os abortos são eles

  1. Trazer a discussão para este nível não ajuda nada, até achincalha quem quer trazer a discussão elementos relevantes: 1 disturbios de comportamento e dificuldade de controle pessoal , seja economicamente seja socialmente. 2 despesas exageradas sem retorno significativo, na qualidade de vida ou opções futuras 3 educação complementar nos parametros sociais e pessoais.

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  2. Existem sempre dois pontos de vista e, entendo que, da mesma forma que qualquer cidadão fica com o registo do seu problema no processo clinico e tera ou não de pagar taxas moderadoras consoante a sua situação económica ou eventual capacidade, também quem faz IVG tera de ser tratada de igual forma.

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  3. Em resposta à Paula Santos e para não me alargar demasiado sobre o assunto, não resisto em citar Isabel Moreira a propósito do assunto: “O ministro da saúde explica o óbvio: este Governo já fez uma revisão das taxas moderadoras . Estas não são determinadas por actos, mas por categorias . Precisamente, a saúde materna é uma das categorias e como diz o Ministro não é caso para se andar a mexer na lei. Ainda deu umas facadas nas propostas macabras como a da eco. No fundo o Ministro sabe que a IVG foi ganha e está pacificada e que estas manobras são de quem não se conforma com a democracia . Talvez o PSD ouça o Ministro.”

    Palavra chave: “saúde materna”.
    Já não há pachorra para aturar Isildas Pegados e demais quejandos.

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