MELÍCIAS – O FRADE DO “RATINHO”

(Por Soares Novais, in a Viagem dos Argonautas, 17/03/2019)


Fonte aqui

A cabana do pai Tomás (Correia)

(Por João Silvestre, in Expresso Diário, 11/03/2019)

Tomás Correia

(Mas afinal quem é quem anda a proteger este figurão? Nunca mais vai para o olho da rua?! Só espero que não seja outro Dr. Salgado, ainda que em ponto pequeno, uma espécie de dono disto tudo a quem todos prestam vassalagem pelos favores que lhe devem, a começar por muitos que navegam na esfera do Governo, e pelos reguladores.

Depois não me venham outra vez com a história de que o Banco Montepio está sólido, o problema é a Associação Mutualista – ou vice-versa -, porque já demos para esse peditório no caso do BES e foi o que se viu.

Estátua de Sal, 11/03/2019)


Bom dia

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Costuma dizer-se que os gatos têm sete vidas. Não há igual ditado sobre banqueiros. Se houvesse, o protagonista só podia ser Tomás Correia. O atual presidente da Associação Mutualista Montepio Geral foi recentemente condenado a uma coima de 1,25 milhões de euros pelo tempo em que foi presidente da Caixa Económica Montepio Geral. Estão em causa várias infracções relacionadas com a atribuição de crédito que seriam, à primeira vista, suficientemente graves para suscitar dúvidas sobre a idoneidade do presidente de uma associação que tem muitas centenas de milhões de euros de poupanças a seu cargo. Mas isso, se fosse na banca.

Mas Tomás Correiaestá à frente de uma associação mutualista. E isso faz toda a diferença. Estas associações deixaram de ser supervisionadas pelo Governo – pelo ministério da Segurança Social – em 2018 mas com um período de transição de 12 anos. Há quem ache que a transição não se aplica à avaliação de idoneidade. Há quem ache o contrário. O Governo chuta para o regulador dos seguros. O presidente do regulador, que está de saída há muitos meses e até já tem que o substitua, chuta para o Governo. E, no entanto, Tomás Correiacontinua no mesmo sítio com uma multa do Banco de Portugal que até pode ser o banco a pagar por ele

João Miguel Tavares, no Público, chamava-lhe o “maior mistério do país”. Na verdade, por mais esforço que se dedique, é muito difícil compreender com base em raciocínios lógicos. Como escrevia o Ricardo Costa no Expresso Diário sobre Tomás Correia: “Um homem em fuga ao passado não faz pausas para colocar questões éticas. Sobe mais um degrau na escala do absurdo, coloca mais uma tranca na sua fortaleza e não pergunta ao tempo quanto tempo ainda tem. Qualquer coisa serve.” Também no Expresso DiárioDaniel Oliveira dizia que com “Tomás Correia é limpinho limpinho”. João Vieira Pereira, no Expresso, perguntava: “E, agora, já chega?”

Eis que, entretanto, o Governo reconhece que a legislação não é clara – principalmente depois de Marcelo ter entrado em jogo – e decidiu avançar com uma norma interpretativa que irá clarificar tudo de uma vez por todas. Só que Tomás Correia, que tem insistido que não pode ser avaliado e mesmo que seja não pode ser afastado por não ter sido condenado em tribunal, pode mesmo sair antes de vir a ser avaliado. 

Na semana passada, o Público avançava que a pressão para Tomás Correia deixar a liderança da associação mutualista era cada vez maior. A Lusa dizia, pouco depois, que a eventual saída podia não implicar eleições antecipadas. E, como escrevia ontem o Observador, Tomás Correia até pode sair já amanhã na Assembleia-Geral mas há possíveis substitutos que podem não ser igualmente idóneos

Ainda não foram divulgadas as contas da associação de 2018mas, segundo dados já avançados pelo Expresso e pelo Eco, a situação deteriorou-se e só ficaram em terreno positivo, uma vez mais, à custa dos impostos diferidos. Para hoje está marcada a divulgação das contas do banco. É nelas que todos os associados da Associação Mutualista Montepio Geral devem por os olhos. Porque o banco – o seu capital e dívida por ele emitida – é o grosso do ativo da associação. É ele que garante as poupanças. Mesmo que não queiram, os associados são uma espécie de acionistas da Caixa Económica Montepio Geral com tudo o que isso implica no quadro regulatório atual.