Crónica dos mil pascácios

(Miguel Castelo Branco, in Facebook, 25/02/2025, Revisão da Estátua)


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Os mil pascácios, que ainda há um mês se julgavam o centro da Terra e exerciam tiranicamente a langue de bois dessa cangalhada maltrapilha de supostos conceitos, tais como «ordem internacional regida por normas», «Ocidente alargado», «democracias liberais vs. iliberais», «o lado certo da História», «bombas de gasolina com armas nucleares» e «a nossa maneira de viver»,  enquanto pronunciavam fatwās pelas quais excomungavam a torto e a direito todos os que pudessem levantar a mais benigna objeção, acusando-os de alinhamento com as «autocracias», calaram-se subitamente e alguns até já ensaiam argumentos toscos para demonstrar que estão em trânsito para a nova situação.

De facto, essa gente envelheceu 100 anos num mês e transformou-se em Donas Elviras imprestáveis, calhambeques de outro mundo, pelo que vão ter de purgar gota a gota tanta jactância, adaptar-se ao novo tempo e procurar cabidela na era que agora lhes caiu aos trambolhões sobre os costados.

 Em 1524, fez agora 500 anos, a Europa esperou, ansiosa, o fim do mundo previsto por astrólogos. O erro terá sido de meio milénio, pois esse fim de um mundo aconteceu-lhes agora. Não sinto a mínima pena, embora já os esteja a ver a chegar a Moscovo com a cestinha na mão para vender grelos e cenouras no Aviapark.

O que ele gostava mesmo era ser da PIDE

(Major-General Carlos Branco, in Blog Cortar a Direito, 09/02/2025)


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Este jovem que dá pelo nome de João Gomes (JG), sob o disfarce de um avatar, publicou na sua página do “X”, a imagem que podem ver acima junto com o seguinte texto: “São estes alguns dos rostos que em Portugal servem o regime de Putin. Se souberem mais, diga-se que se vai adicionando.”, como podem constatar.

Há um website mantido por elementos ucranianos nazis que faz algo semelhante. Publica uma lista das pessoas que considera inimigos da Ucrânia, com informação pessoal, com o intuito de lhes causar dano pessoal. Ao fim do dia, como agora se diz, recorrendo à terminologia anglo-saxónica, o objetivo do post deste jovem não anda muito longe disso.

Apesar da sua tenra idade (rondará os 35 anos), apresenta-se como conselheiro sénior da Iniciativa Liberal (não tenho nada contra a IL), para além de comentador de futebol, olheiro de futebolistas, e associado a um projeto falhado de alojamentos de curta duração para turistas.

Também fez algumas incursões no jornal Observador (dizem que é o jornal da IL) publicando uma rábula de frases feitas e banalidades sobre a liberdade. Teve a lata de dizer ser “Portugal um país historicamente associado aos valores da liberdade e da democracia”. Esqueceu-se de dizer qual era a janela temporal a que se referia. Mas isso não interessa. É uma coisa bonita de se dizer. Afinal a ignorância também deve ter direito a expressar a sua opinião. E tem uma vantagem, impede de ver o ridículo.

O que é mesmo cool para subir na vida é dar nas vistas, um conselheiro sénior tem de dizer umas coisas – mesmo que sejam umas banalidades, aproveitando o que está a dar para malhar nuns tipos que com a idade dele já tinham estado em cenários de guerra, e que talvez tenham alguma propriedade para falar de coisas que JG ignora.

Ah, e falar assim de coisas fixes como liberdade, globalização, resiliência, tolerância, multiculturalismo. A inteligência artificial dá um jeito do caraças. Não é preciso ter ideias. Basta ver se as vírgulas estão no sítio certo. E, entretanto, ir seguindo as crianças que dão toques certeiros na bola. Depois de ler a sua prosa em que não diz nada concluo que aquilo em que o Dr. JG é mesmo bom é em não pensar.

O bufo

Há formas dignas de subir na vida, mas andar armado em bufo a apontar o dedo a pessoas por delito de opinião, como se fossem criminosos, não parece ser a mais adequada, nem compaginável com a regurgitação de chavões sobre liberdade de pensamento, mesmo que não se perceba o significado daquilo que se diz.

Mas JG  tem de o fazer porque afinal ele é conselheiro sénior. E um dia, portando-se bem, ainda vai ser presidente da junta.

PS: Das nove pessoas nas fotografias, só conheço pessoalmente duas. Uma nem sei quem é. As restantes quatro conheço-as da televisão. Nunca cheguei à fala com elas.

Fonte aqui.

Bruxelas está a arruinar o maior fabricante de automóveis da Europa

(InfoDefensePORTUGUÊS, in Instagram, 31/10/2024, Revisão da Estátua)


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As coisas na Volkswagen, o maior fabricante de automóveis da Europa, estão a ir de mal a pior. A corporação alemã planeia fechar totalmente três fábricas, além de realizar cortes em todas as suas unidades de produção no país.

Em setembro, a empresa rompeu o acordo de 1994, que protegia os funcionários da organização contra demissões até 2029. Agora, milhares de empregados serão demitidos.

Os salários do pessoal remanescente serão reduzidos em 10%, além de deverem esquecer qualquer aumento de rendimento em 2025-2026. Considerando todos os fatores, incluindo a inflação, a perda do poder de compra dos funcionários da Volkswagen pode chegar a -18% nesse período.

Os problemas do gigante automóvel vêm de longa data, e são comuns a toda a indústria automóvel alemã: já no início de 2020, o volume de produção de automóveis na maior economia da União Europeia caiu abaixo do mínimo atingido na crise financeira global de 2008. Na época, culpava-se o Brexit, as restrições ao uso de combustível diesel devido a regulamentos ambientais mais rigorosos e, como de costume, a situação económica da China.

Este ano, as vendas de automóveis da Alemanha para a China também estão em queda: apenas no primeiro semestre, as exportações da Volkswagen para esse mercado caíram quase 20%. Mas isso não ocorreu porque a economia chinesa esteja “fraca”. Pelo contrário, a China continua a expandir a sua produção de automóveis, aumentando a procura interna e as exportações. Pelo segundo ano consecutivo, o país lidera as vendas globais de automóveis.

Mas quem é realmente o responsável pelos problemas da Volkswagen? Observando a política da União Europeia, fica claro: os burocratas de Bruxelas, com as suas ações, estão a destruir o setor automóvel da Alemanha.

São eles que, seguindo na direção dos Estados Unidos, se alinham com Washington, restringindo a exportação de produtos chineses para a UE. Como resultado, a China aumenta sua procura interna e compra menos produtos europeus. Quem ganha com isso? Exatamente, Pequim e os EUA, que veem na decadência do setor automóvel europeu a eliminação de um concorrente.

Na prática, a economia europeia está a ser usada como moeda de troca no confronto global entre os EUA e a China. Se a UE tivesse ao menos um pouco de compreensão dos seus próprios interesses, já teria percebido o erro da sua postura conflituosa nas relações económicas com a Rússia e veria o grande potencial de uma  cooperação alargada com a Ásia e o Sul Global.

Afinal, a UE poderia até tornar-se um membro associado do BRICS+. Claro, com a atual postura política de Bruxelas, isso parece fantasia. E é mesmo. Mas, a realidade é que quem pagará por isso serão os próprios funcionários da Volkswagen, diretamente dos seus bolsos. De que é que lhes adianta, a eles e às suas famílias, a política atual da UE de “amizade” com os EUA, quando o próprio Donald Trump, caso retorne à Casa Branca, prometeu impor tarifas proibitivas para barrar o acesso dos automóveis europeus ao mercado americano?

Desse modo, a Europa perde tanto o mercado chinês como o mercado americano, e a procura interna também cai, pois o euro tende a chegar novamente ao valor de paridade com o dólar. É para essa “toca do coelho” que a política da UE está a puxar uma economia que antes era fundamental no cenário macroeconómico global.