Assim vai o mundo – por lá e por cá

(Carlos Esperança, in Facebook, 08/02/2025)


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Perante a demência e as ameaças do Imperador Trump, não se sabe o que mais admirar, se a benevolente esperança de Marcelo, de que as próximas declarações é que valem, sem o censurar, se o silêncio do loquaz Paulo Rangel, incapaz de acompanhar os líderes europeus que já o enfrentam. Pior, só Nuno Melo, o único ativo tóxico irrevogável, para manter a ficção AD, e que, sempre que fala, é notícia pelas piores razões.

Entretanto, na Casa Branca disparam-se decretos contra o Tribunal Penal Internacional, com juízes em risco de ir parar a Guantánamo, fazem-se propostas de defesa à Ucrânia, a troco de minas de metais raros, e ofertas de hotéis de luxo para substituir por turistas os autóctones com inaceitável intolerância à ocupação.

O mais saboroso para a Pátria é observar a queda em desgraça dos dirigentes do Chega, afastados pelo currículo que os levou ao Parlamento, às autarquias e a cargos de direção, e que afinal era cadastro. O Chega é um albergue da pedofilia, delinquência, gatunagem, alcoolismo e ofícios correlativos, com o André Ventura a reiterar que a castração é a solução para os desmandos sexuais de um dos seus ou do próprio pai.

Montenegro continua o líder parlamentar que conseguiu, durante uma legislatura, apoiar Passos Coelho, e não consegue agora ser o governante que dizia nem reagir a problemas com que, na oposição, exigia demissões. Vale-lhe o cansaço dos eleitores, que preferem aguentá-lo a novas eleições.

A maior surpresa do País é com o Ministério Público, que, depois de tantos candidatos presidenciais, ainda não divulgou suspeitas sobre nenhum. Depois da rapidez com que surgiu uma pen, apreendida há um ano, quando o Chega e o PSD eram notícia, um com malas e outro com negócios de um sec. Estado, os jornais aguardam.

Entretanto o almirante navega em terra com o barco a caminho de Belém e remadores a levá-lo no oceano mediático. E Marques Mendes surgiu a enfrentá-lo com um discurso para PM, sem coragem de romper com a prática de Marcelo, o mais eficaz perturbador do funcionamento das instituições cuja saída é aguardada com ansiedade.

Nem EUA nem Portugal são salubres, são hospícios com camisas de forças esgotadas.

Apostila – Depois do brilhante desempenho da PJ, em colaboração com a sua congénere espanhola, a capturar em Alicante os dois perigosos criminosos evadidos de uma cadeia de alta segurança, até esquecemos que, dois dias antes, foi devolvido o passaporte e retirada a última medida de coação a Duarte Lima, acusado de homicídio. Resta a certeza de que o ex-líder parlamentar do PSD não viajará para o Brasil.

E continua o diário da Diana – 12 anos – Escola C+S da Musgueira

(Carlos Esperança, in Facebook, 06/02/2025)

Juntos para a fotografia a ver o andebol

(O texto que segue é mais uma deliciosa e pertinente alegoria. Provavelmente mais ancorada na realidade do que seria desejável. Os meus parabéns ao Carlos Esperança.

Estátua de Sal, 06/02/2025)


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Ainda não falei da minha mãe aqui no meu diário. Ela, ao contrário do meu pai, tem estudos, fala pouco e sabe o que diz.

Na semana passada fiz 13 anos e ela diz-me coisas que não dizia antes. Ela fez o 12.º ano com nota para Medicina e todos os cursos, mas os meus avós viviam longe de Lisboa e não podiam pagar-lhe o quarto e os estudos.

Discorda do meu pai quanto aos políticos. Não os trata por doutores e tem humor. Está sempre a ver se eu a percebo. Há três anos, quando a Rússia invadiu a Ucrânia, onde havia guerra civil há 10, o meu pai, durante o jantar, quando acabou de comer a salada russa, de que gosta muito, e disse: ainda bem que fizeste salada ucraniana!

Depois começou a dizer: quando o André for primeiro-ministro, as ruas, largos e praças 25 de Abril, passam a chamar-se Prof. Dr. André Ventura e, sorridente, vestiu o casaco a caminho do café. Ao fechar a porta, a minha mãe disse: para parvo só faltam penas. Eu tinha nove anos e só sabia que as pessoas não tinham penas. Agora já sei que, se só lhe faltavam penas, então já era. Agora é o Trump que diz as tolices dele. Aquilo pega-se!

Quanto ao deputado dos Açores, Miguel Arruda, delinquente mental, ela prefere brincar e dizer que ele rouba malas para levar a Maria Vieira às campanhas do Chega em São Miguel e trazê-la para Lisboa sem pagar bilhete e gritar milagre, porque se morre sem oxigénio.

E a Maria é bactéria anaeróbia! Desmanchei-me a rir porque, já não tenho nove anos, sei o que são bactérias anaeróbicas. A minha mãe tem muita piada!

Marcelo e Montenegro foram a Oslo ao jogo de andebol porque queriam ficar na fotografia. Os jogadores até se portaram bem, e os dois fizeram figura triste. Há coisa mais pacóvia do que ir tão longe, quem governa e quem dá palpites, só para a fotografia? Portugal, se não morre de riso, há de morrer de vergonha. A minha mãe tem razão.

Gosto muito da minha mãe. Hei de voltar a falar das conversas comigo, mas agora tenho de fazer os deveres. Quero continuar a ser a melhor aluna.

Musgueira, 06 de fevereiro de 2025 – Diana

Marcelo e o Beco do Chão Salgado

(Luis Furtado, in Facebook, 02/02/2025, revisão da Estátua)


(Este artigo resulta de um comentário a um texto que publicámos sobre Carlos Moedas e a sua gestão da Câmara de Lisboa (ver aqui), Pela sua atualidade, e pela justeza das suas considerações sobre o papel de Marcelo no complot que levou à queda do anterior governol, resolvi dar-lhe destaque.

Estátua de Sal, 02/02/2025)


Destaco do texto sobre Moedas: “Quando o PR e a PGR se conluiaram no parágrafo para o homicídio político de António Costa, esperava o PR deixar em coma o PS antes de dissolver a AR para levar o PSD ao poder“.


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Temos aqui uma ótima perspetiva dos meandros do golpe de Estado perpetrado via Ministério Público. que levou à queda do Governo de maioria absoluta do PS. Marcelo Rebelo de Sousa é bem conhecido por falar pelos cotovelos. E também pela sua grande aptidão em linguagem não-verbal, marcadamente codificada, enigmática. No fim de contas, linguagem “vichysoise“. Só que, dada a sua grande inteligência, sabe usar esse tipo de comunicação “cósmica” sem no entanto a tornar tão hermética que, na prática, seja impossível interpretá-la. Na verdade, Marcelo, quando quer, expressa-se bem mesmo sem dizer nada.

Um bom exemplo disso, foi aquele misterioso passeio noturno que Marcelo iniciou a partir do portão principal do Palácio de Belém, no próprio dia, ou no dia a seguir, já não posso precisar, em que Costa se demitiu. Saiu acompanhado por uma oficial, creio que sua ajudante de campo, e, sempre caminhando em passo acelerado, seguido por uma parafernália de jornalistas, ofegantes, a acompanhar as passadas largas dos caminheiros, se esforçavam, debalde, em obter respostas de Marcelo à catadupa de perguntas que lhe iam fazendo, acotovelando-se com as equipas de repórteres da televisão, que os seguiram com as câmaras e respectivos focos de luz, do princípio ao fim do passeio… Seguiu primeiro em direção ao CCB, passando diante da fachada principal, depois percorreu toda a extensão lateral do edifício, do lado da Av. da Índia. Atingidas as traseiras do edifício, contornou-o e, por ruas e ruelas sinuosas chegou finalmente à Rua de Pedrouços. Aí chegado, sempre em diálogo com a sua ajudante de campo, sem dar ouvidos aos jornalistas, voltou a percorrer o lado lateral do CCB; depois passou diante de toda a longa frontaria do Mosteiro dos Jerónimos e, caminhando já na Rua de Belém, mantendo-se sempre indiferente aos jornalistas, atravessou toda a frontaria do Palácio Cor de Rosa, e, já na zona dos pastéis de Belém, entrou com a sua ajudante de campo mais a multidão de repórteres que o seguiam no famoso “Beco do Chão Salgado“.

Desconfio que metade dos repórteres não conseguiu entrar no local, dadas as dimensões escassas do espaço. Mas entraram as câmaras suficientes para que o país visse que Marcelo aí deu uma prolongada lição à sua oficial ajudante de campo sobre o significado do pequeno monumento, em forma de coluna, que se ergue naquele batizado “Beco do Chão Salgado“.

Quem estudou História, sabe que aquele local evoca a execução cruenta, no patíbulo, dos Távoras, por ordem do Marquês de Pombal. Para o Marquês, os Távoras eram um empecilho à modernização que ele queria fazer do país. Representavam o Portugal conservador e velho. Nos antípodas dos seus planos de desenvolvimento. E como é que o Marquês de Pombal conseguiu justificar perante o povo o massacre sangrento dessa família, ao qual nem os criados escaparam?

Simples. O Rei D.José I (cuja estátua equestre foi, e ainda está, colocada no centro do Terreiro do Paço) tinha sofrido um atentado, a tiro, na zona onde hoje se ergue a Igreja da Memória. Resumindo: Aconteceu durante a noite, quando o rei, de natureza libertina, regressava de um dos seus muitos encontros libidinosos que manteve. Vá-se lá saber como… Começaram a circular rumores de que tal atentado havia sido engendrado pelos Távoras. A “comunicação social” da época encarregou-se de acentuar o mais possível esse boato e, assim, o Marquês de Pombal arranjou justificação quanto bastava para o seu ato bárbaro. Vai daí ordenou que fosse levado ao patíbulo, cada um dos elementos da família Távora, sendo que, pela forca, o seu sangue escorreu por todo aquele chão. Então, o Marquês de Pombal, ordenou que se espalhassem abundantes camadas de sal sobre toda aquela zona do enforcamento dos Távoras sob o mote: “Para que no chão daquele local, nem as ervas voltem a nascer“. Foi esta a história que Marcelo Rebelo de Sousa contou à sua ajudante de campo. É esta a história que alguns de nós (quero acreditar que ainda muitos) conhece. E, meus senhores, em passeios noturnos misteriosos e meras coincidências de datas acredita quem quer.

O que Marcelo instintivamente quis dizer ao país, em termos simbólicos, foi que o PS, com a queda do governo, tinha ficado (não digo morto, – Marcelo não tem qualquer paralelo com o Marquês de Pombal -, mas pelo menos em estado de hibernação) debaixo de uma camada de sal. Por muitos e muitos anos!

O grande falhanço de Marcelo foi acreditar que “O povo português em eleições é sábio” – parece que são dele estas palavras -, bem como “sabe de certeza ter bom senso”, nunca lhe passando pela cabeça, por um instante que fosse, aquilo que toda a gente adivinhava: dissolver um governo de maioria absoluta e convocar eleições ‘naquelas circunstâncias’ do tal parágrafo acrescentado com suspeições de corrupção sobre o Primeiro-ministro, que, ninguém espere, nem sentado, que algum dia serão clarificadas (1) – Ver Nota abaixo -, só podia dar fôlego à extrema-direita.

E aí esta ela, a Traquitana 50 em 1 a dar que falar. E a crescer, porque ninguém julgue que o eleitorado do Chega valoriza o Estado de direito democrático. Quais malas qual quê. Ninguém dá por nada!

Estás a ouvir Marcelo? É para ti que falo agora: Se o país está ingovernável e assim se irá manter por muitos e muitos anos, não te ponhas de fora. “O sábio povo português” não era o que julgavas? Está aí, vinda dos abstencionistas, a Traquitana 50 em 1.

Se acreditares que essa fatia do eleitorado votou naquilo com convicção, só demonstras que ainda és mais ingénuo do que simulas. Adeus Marcelo, e muitas vichysoises que a gente curte isso à brava.


Nota:

(1) Mas em que país do mundo é que um órgão institucional, de primeiro plano, como é uma PGR, emitiria um comunicado dirigido a um Primeiro-ministro, ele próprio figura institucional, com remendos? Ainda mais assinado não pela Procuradora, tal como se impunha que fosse, mas sim por dois ilustres desconhecidos elementos do gabinete de imprensa da Procuradoria? Onde é que isto aconteceria? E não se lembrou a Sra. Procuradora de chamar a mulher-a-dias. Seriam, então, não duas mas três as assinaturas…