Sobre a censura de artigos do AbrilAbril nas redes sociais

(Editorial AbrilAbril, 21/08/25)


Facebook impediu os utilizadores de partilhar um artigo do AbrilAbril sobre a inclusão de Helena Ferro Gouveia e Pavlo Sadhoka nas listas do PSD/CDS/IL em Lisboa. No dia seguinte, a publicação desapareceu.


Um artigo publicado pelo AbrilAbril no dia 19 de Agosto de 2025, com o título Carlos Moedas inclui Helena Ferro Gouveia e Pavlo Sadokha nas listas do PSD/CDS/IL, refere-se a duas informações factuais e, neste momento, de acesso público: Carlos Moedas afastou a sua actual equipa de vereação (permanecendo apenas Diogo Moura) e integra, nas listas para a Assembleia Municipal de Lisboa, a comentadora Helena Ferro Gouveia (em 4.º lugar) e Pavlo Sadhoka (em 67.º lugar). Duas figuras que, nos últimos três anos, têm ocupado um espaço significativo na comunicação social, merecendo, portanto, destaque.

Não por acaso, este artigo alcançou rapidamente um volume de leituras considerável, para além de acumular centenas de gostos, comentários e partilhas em todas as redes sociais do AbrilAbril, com particular destaque para as redes da Meta: Facebook e Instagram (onde já ultrapassou o milhar de interacções). Não durou muito, no entanto, até os leitores nos começarem a alertar para o bloqueio arbitrário das partilhas deste artigo em específico.

Muitas das tentativas de partilhar o artigo no Facebook eram bloqueadas com a mensagem: «É possível [ou seja, sem certezas] que a publicação esteja a usar ligações ou conteúdos enganadores [a informação é pública, entregue no Tribunal de Lisboa] para iludir as pessoas a visitar ou a permanecer num site [como qualquer outro órgão de comunicação social]». A mesma mensagem recebeu a página do AbrilAbril no dia seguinte, por volta das 13h, justificando desta forma a remoção integral deste conteúdo.

Não importa a razão para este acto censório. Seja ela qual for, será sempre expressão de um problema mais grave e alargado das nossas sociedades modernas: são redes que, nos dias de hoje, permeiam toda a internet, geridas por algoritmos incapazes de verificar informação fidedigna e documentada (como é o caso), o que torna a própria estrutura do site num amplificador de mentiras e de supressão de verdades, contando ainda com a participação activa e consciente por parte de gestores da Meta/Facebook na censura de certo tipo de conteúdos. Este inclusive.

Nas primeiras semanas deste mês de Agosto, a Meta bloqueou, sem qualquer justificação, a conta de um produtor de conteúdos, Jones Manoel (que deu uma entrevista ao AbrilAbril em 2021), conhecido pelo seu activismo de esquerda. Só a intervenção de advogados forçou a Meta a reconhecer que não tinham outra razão para bloquear a conta deste utilizador brasileiro do que a intenção de censurar os tópicos que este trabalha. O mesmo ocorre, frequentemente, com a censura de páginas de divulgação de imagens e informação sobre o genocídio do povo palestiniano. 

Desde o início do mês de Agosto, entre imagens e artigos, o AbrilAbril publicou 61 conteúdos com, pelo menos, 100 gostos no Facebook. Alguns destes conteúdos ultrapassam o milhar de interacções. Em nenhum caso recente uma publicação nossa foi removida por constituir spam: o que seria, até, absurdo, sendo o AbrilAbril uma publicação online acreditada pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC). 

Que outro motivo pode então explicar que seja a publicação de um artigo sobre a integração de uma conhecida comentadora portuguesa, cuja negação do genocídio do povo palestiniano a própria reconhece (e que o AbrilAbril fundamenta, com fontes, no seu artigo) e a distingue, o único visado em oito anos de vida deste site?

Que outro motivo justifica que, de entre todos os conteúdos divulgados no dia 19 de Agosto, em todo o mês de Agosto, em todo o ano de 2025, seja o artigo que faz menção à participação de um antigo assessor de um partido da extrema-direita ucraniana, Pavlo Sadhoka, na lista de Carlos Moedas? Não por acaso, é o presidente da Câmara Municipal de Lisboa um dos responsáveis pela dinamização da Web Summit nos últimos anos, um evento de que a Meta já foi parceiro oficial.

Muito se pode dizer sobre as big techs e as empresas que controlam as redes sociais, muito se pode discutir sobre o modo como funcionam, o modo como amplificam discursos racistas, homofóbicos, transfóbicos, violentos, o modo como destacam ideologias e políticos de extrema-direita. Mas não há discussão possível sem, antes, começar pelo início: as redes sociais têm de ser reguladas e fiscalizadas pelo poder político e judicial democrático. Estas ferramentas não podem ser abandonadas na mão de sociopatas bilionários e dos seus cães de fila espalhadas por todo o globo, intimamente irmanados e comprometidos com os interesses da classe dominante.

Não se pode permitir que uma rede social censure um artigo por incluir referências a personagens que esses interesses são obrigados a proteger. Mesmo que o Facebook reconheça o seu papel neste acto censório, o seu objectivo está cumprido: cortar o engajamento dos leitores e a amplificação desta notícia.

Por enquanto, com um poder político controlado por esses mesmos interesses, só temos uma solução. Lê. Partilha. Contribui com o AbrilAbril.

Fonte aqui

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Tadita da Helena, anda muito chorosa…

(Bruno Carvalho, in Facebook, 28/08/2025)


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A choradeira de Helena Ferro Gouveia sobre os ataques que lhe são proferidos por se candidatar nas listas de Carlos Moedas a Lisboa, em conjunto com o ucraniano Pavlo Sadokha, ex-assessor do partido de extrema-direita Svoboda, fazem-me recordar todos os insultos que me dirigiu por ter sido eleito deputado da CDU à assembleia municipal da Amadora em 2021.

 Na verdade, como Israel, Helena Ferro Gouveia é perita na arte da vitimização. Faz bullying a tudo e todos, apoia o genocídio em curso na Faixa de Gaza e sempre que alguém a contesta faz-se de vítima.

Diz uma coisa e o seu contrário a seguir. No meu caso pessoal, por ter feito a escolha legal e legítima, usufruindo do meu direito enquanto cidadão de me candidatar por uma lista política às eleições locais, fui atacado por outros jornalistas, comentadores, etc.

É até curioso que nestas autárquicas, quando há outros jornalistas que se candidatam por partidos como o PS, o PSD ou o Chega, não haja, como aconteceu no meu caso, artigos indignados em jornais e revistas apontando a alegada parcialidade dos visados.

E ainda bem. Porque a participação eleitoral dos jornalistas é um direito e ninguém é mais objectivo por esconder as suas convicções políticas, desportivas ou culturais. Elas não deixam de existir por não serem conhecidas.

Obrigado, Excelência. Eu não esqueço.

(Carlos Esperança, in Facebook, 22/08/2025)


Obrigado, Excelência, por tudo o que tem feito por nós. Eu sou dos portugueses de bem, não sou ingrato. Por isso lhe agradeço. Num país em que temos pudor de manifestar os nossos sentimentos, quero dizer-lhe que gosto de si, Excelência.

Não esqueço a generosidade de quem abdicou da lucrativa empresa de avenças para nos dirigir, ajudado por 16 abnegados ministros e 43 ajudantes, e, muito menos, a ingratidão dos que o censuram, porque só sabem dizer mal.

Obrigado, Excelência, por ter roubado uma semana às férias para nos aturar, sim, para nos aturar, a nós, ingratos, que até de um refrescante gin com o seu grande esteio, Leitão Amaro, o queríamos privar. Não eu, Excelência, que lhe agradeço e não esqueço o que lhe devo, mas todos esses ingratos que o esgotaram em dois dias, depois de ter voltado.

Obrigado por nos poupar nos incêndios a fastidiosas informações como aquelas com que a ministra Temido e a Dr.ª Graça Freitas nos massacravam no período da Covid-19. Uns fazem, como V. Ex.ª, outros falam e perdem tempo a responder a jornalistas.

Ouvi-o, por devoção e dever, toda aquela hora em que falou do muito que lhe devemos e da sorte que nos coube por estarmos agora livres dos governos extremistas de António Costa. E quanto sofri, Excelência, ao vê-lo empolgado e empolgante a falar dos êxitos e a anunciar o regresso da Fórmula 1 ao Algarve, enquanto as televisões perfidamente nos incomodavam com o ecrã dividido entre V. Ex.ª e os fogos! Mesmo assim, ainda gastou 7 minutos com os fogos que ofuscaram a presença dos nossos melhores, do Dr. Hugo Soares e do Dr. Marques Mendes, a este nem o vi, e que vai ser o nosso próximo PR.

Excelência, quem julga que não é sensível não viu a cara de sofrimento quando falou ao País das 45 medidas, incluindo o fim de taxas moderadoras na Saúde, com gravata preta pelo luto de bombeiros, depois da exaustiva viagem a Viseu onde foi mostrar o Dr. Ruas aos ministros. Quarenta e cinco medidas, Excelência, bastavam duas para eu o idolatrar.

Excelência, agora que tem a oportunidade histórica de erradicar o PS não o poupe. E, quanto ao PR, esse socialista dissimulado, que andou com o PS ao colo durante 8 anos, que até aceitou que o PCP e o BE lhe dessem apoio parlamentar, anseio por vê-lo curvar-se a dependurar as insígnias de PR no peito ilustre do Dr. Marques Mendes.

O PSD, que foi uma vergonha com Rui Rio, é agora a referência dos que veem em V. Ex.ª o timoneiro, o grande líder, que será reconduzido com maioria absoluta enquanto a porcaria das eleições servir para gastar tempo, dinheiro e para dividir os portugueses.

Não há fogo que lhe resista, Excelência.

Obrigado, Excelência, por dar o máximo!

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