O seppuku lisboeta

(Tiago Franco, in Facebook, 14/10/2025, Revisão da Estátua)

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De entre as várias desilusões da noite eleitoral, começo por aquela que aconteceu na minha cidade natal: Lisboa.

É relativamente especial, e até caricato, ouvir tanta gente a culpar a CDU pela vitória do Moedas. Pessoas como o Daniel Oliveira, com cuja opinião por norma me identifico, entre outros, colocam em quem não votou em Moedas a responsabilidade pela sua vitória.

Não estaremos a ver o filme ao contrário? Depois de quatro, anos de caos absoluto em Lisboa, de lixo por todo o lado, de celebrações do 25 de Novembro, passando por papódromos e muita autopromoção do anasalado Mr. Burns, boa parte dos lisboetas escolheu votar em Moedas e no rapaz do Chega.

Na verdade não sei se foram lisboetas, essa espécie em vias de extinção nos bairros da capital. O que sei é que boa parte do eleitorado preferiu Moedas, coligado com um CDS que abrigava uma apoiante do genocídio e ainda uma IL que se virou para o radicalismo de Milei. E mais uns dez mil e qualquer coisa, votaram no Mascarenhas, um rapaz que, nos debates, conseguiu deixar apenas uma ideia: casas sociais para os portugueses. Os paquistaneses que esperem mesmo que paguem impostos.

Foi este conjunto de misérias que os lisboetas preferiram. Pergunta: que culpa tem o João Ferreira disto?

E mais. A coligação de esquerda conseguiu menos votos do que o somatório de cada um dos seus partidos em 2021. Uma vez mais: que culpa tem o João Ferreira da incompetência da coligação?

Por fim, e digo isto depois de já ter assumido a minha simpatia por Alexandra Leitão, que culpa tem João Ferreira, ou a CDU, de que o PS viabilize as políticas do PSD durante o mandato, ignore as propostas da CDU mas, chegando às eleições, lá se lembrem da CDU e, em particular, do valor de João Ferreira?

Se Lisboa quer o Moedas, a rapaziada dos Airbnb e os Tiktokers do Martim Moniz, em maioria na autarquia, pois é isso que terão por mais quatro anos. A culpa, meus amigos, é de quem votou neles. Não é certamente de quem votou na CDU.

Em princípio Lisboa não aguenta mais quatro anos de Moedas mas isso, até ver, passou a ser um problema de quem lá vive e votou neste chegano ainda no armário. Ou até dos outros 43% de inscritos que nem se aproximaram da urna.

Uma nota final para um partido que subiu a sua votação e há 20 anos que está para desaparecer. Por mais que os adversários insistam na “irrelevância” do PCP, jamais se pode ser culpado seja do que for se, em eleições, se apresenta um candidato melhor do que os outros. Depois o que o povo escolhe, já é conversa para outros dias.

A Cristina Ferreira e as suas Secret Stories batem recordes de audiências, deixando as Visitas Guiadas da Paula Moura Pinheiro a milhas de distância. A culpa em princípio não será da Paula, certo?

Não podemos todos jantar palha mas se for esse o manjar preferido da maioria, há que respeitar e não culpar os poucos que ainda preferem comer com talheres. Se querem repensar a esquerda, também acho uma ótima ideia. Mas tratem de usar a cabeça para o efeito.

Caramba!

(Joseph Praetorius, in Facebook, 12/10/2025, Revisão da Estátua)


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A salvação de Carneiro com o regresso do PS à ribalta política não é uma boa notícia.

A subsistência do avençado do casino de Espinho é a salvação da alternância de péssima gente. Péssima notícia, também.

A continuação da existência política do arguido natural no crime do elevador da Glória deixa-me pasmado. E não é um detalhe.

A sobrevivência autárquica do execrando Melo é coisa sinistra.

A emasculação autárquica do Chega não me parece nem mal nem bem. Mas sempre me parecerá que um antigo aluno de seminário de crianças não deve dirigir seja o que for, por estar necessariamente marcado por concepções e práticas de poder – inoculadas do modo mais profundo possível – a produzirem gente imprestável para qualquer existência normal. É pior que o fascismo, aquilo.  No fascismo não há directores de consciência, nem confessionários, nem abusos sexuais nos confessionários. Não esquecendo os mil outros abusos em mil outros lugares, bem entendido.

E aquela espécie de Zita Seabra em Setúbal não é coisa de que possa gostar-se. Detesto “arrependidos”.

A subsistência da corrupção no sistema político está assegurada, sendo o poder autárquico o seu principal assento, como tem sido.

As características fundamentais do regime encontraram aval popular, outra vez e para meu espanto. O sistema é a corrupção, por definição originária, aliás. Embora se não possa esquecer  a vasta abstenção a traduzir, parece-me, verdadeira reserva de decência e espada de Dâmocles apontada à jugular da besta.

O regime cairá portanto e apenas quando mudar radicalmente a conjuntura internacional e isso, aparentemente, não virá longe. Sempre assim foi nesta terra e assim continuará a ser. Os regimes caiem quando muda a conjuntura externa.

Nessa altura a estupidez das maiorias do eleitorado inclinar-se-á para o que de mais estúpido houver, claro. Mas parte da abstenção tornar-se-á plausivelmente activa. E talvez isso assegure outras maiorias e a desparasitação possível.

Assim Deus o consinta.

Carlos Moedas, o abominável autarca de Lisboa

(Carlos Esperança, in Facebook, 01/02/2025)


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O pequeno edil Moedas, grande falsificador da História, não liderou o PSD a tempo de ser PM, como desejava o pouco recomendável PR, porque Montenegro ainda era líder.

Quando o PR e a PGR se conluiaram no parágrafo para o homicídio político de António Costa, esperava o PR deixar em coma o PS antes de dissolver a AR, para levar o PSD ao poder. A indigitação de Montenegro, através da AD, fingindo a vitória do PSD, impediu Moedas de o substituir à frente de um executivo com IL e Chega.

O homem de mão de Marcelo, que já fora de Miguel Relvas e Passos Coelho, ficou na Câmara de Lisboa, sem vocação, a fazer propaganda e a falsificar a História: celebrou o 5 de Outubro, feriado que o PSD apagou, a promover o 25 de novembro, data da derrota da direita pelo Grupo dos Nove e PS; e tentou atrair Eanes, em cuja reeleição votou toda a esquerda, para derrotar o candidato do PSD/CDS, Soares Carneiro.

Moedas é o Trump dos pequeninos, a elogiar Jacques Delors, socialista francês, notável presidente da UE, como «grande democrata-cristão». Esquecem-se as mentiras do edil de Lisboa, como a tentativa de deslocar o monumento ao 25 de Abril para não ofender o Papa com a forma fálica, julgando Francisco um aiatola, ou a beata ideia de dar o nome Cardeal Clemente à ponte pedonal do Trancão, abandonada porque foi conhecida a sua ocultação da pedofilia eclesiástica na diocese.

O homem que faz “tudo o que o PR e a Igreja mandarem” foi quem privatizou os CTT e, um dia, acusado de xenofobia, gritou «a mim ninguém me dá lições, casei com uma imigrante». Não era uma refugiada do Irão. É parisiense, professora da Universidade Católica e administradora dos CTT!!! E administradora da CUF! E da Vista Alegre!

O político videirinho e dissimulado anda a evitar o escrutínio da gestão autárquica com a versão do Chega sobre a insegurança em Lisboa. Quando se demonstra que os crimes diminuíram, afirma que são mais graves; quando é obrigado a reconhecer que os graves também se reduziram, atira-se aos factos e assusta as pessoas porque o medo atira com o eleitorado para a direita.

Não sendo verdadeiros os factos, tanto pior para os factos. Aqui, o político videirinho e dissimulado gere em ‘joint venture’ com o Chega os medos da população. É cada vez mais claro que para mudar a perceção de insegurança, é necessário mudar de autarca em Lisboa.